High School Manual
6 Não conte a ninguém que fizemos uma festa do pijama
Notas iniciais

Quem visse meu quarto na manhã seguinte diria sem sombra de dúvidas que tinha passado um furacão ali. Mas só se o furacão chamasse Thalia e Annabeth.
Acordamos e descemos correndo as escadas, fazendo competição. Botei o pé na sua frente e ela caiu no carpete, rindo. Ela segurou minha perna quando eu corria e eu caí junto. Gargalhamos alto. As duas de pijama, com cara de sono e jogadas no carpete.
— Meninas... Bom dia. — Olhei para cima e vi Jason sorrindo
— Bom dia Jay, pensei que fosse almoçar lá na casa da Piper. — Disse aceitando sua ajuda para me levantar.
— Eu ía, mas recebi uma ligação de Zeus dizendo que vai viajar segunda-feira e que queria a casa arrumada para um jantar de negócios que ele preparou.
— Oque?! Ele não pode nos fazer empregados dele! — Bati o pé e bufei.
— Calma, Thals. Ele é seu pai, e eu posso ajudar vocês a arrumarem a casa. — Annabeth me tranquilizou.
— Tudo bem... — Respondi emburrada. — Mas primeiro, vamos tomar café. — E puxei Annabeth para a cozinha.
[...]
Jason, Annabeth e eu passamos o dia arrumando o máximo que podíamos. Annie me ajudou a escolher um vestido decente para o jantar e eu fui deixar ela em casa no meu carro.
— Nos vemos na segunda? — Ela perguntou
— E eu tenho outra escolha? — Sorrimos. — A propósito, não conte a ninguém que fizemos uma festa do pijama, eu imploro. — Rimos. Ela me deu um abraço e entrou em casa.
Voltei para casa, meu pai e Hera já haviam chegado. Subi para meu quarto e me troquei o mais rápido que pude.
— Vamos logo, maninha. Todos já estão lá embaixo. — Ouvi Jason bater na porta
A barra do vestido ficava na metade das minhas coxas. Era de cor azul marinho e rodado. Usava pouca maquiagem e preferi me manter mais natural. Saí do meu quarto, e junto com Jason, descemos as escadas.
Hera estava com um vestido vermelho espalhafatoso. Meu pai, com terno risca de giz e a barba feita. O convidado do meu pai era Hades. Ele era europeu e seu sotaque era forte. Moreno de olhos negros, Hades vestia um terno preto e tinha a barba por fazer, parecia totalmente o contrário de meu pai.
Durante o jantar, ele apresentou seu filho, ao qual eu nem tinha notado presença. Era um menino meio magricela, moreno e olhos negros, como os do pai. Seu nome era Nicolas, e só depois de notar ele presente, notei os olhares maliciosos que lançava para mim.
— Prazer te conhecer Thalia... — Me olhou sugestivamente mas logo parou ao notar o olhar mortal de meu irmão. –E Jason.
Com o passar do jantar, o contrato entre eles, sabe Deus o que seria, já estava assinado. Zeus e Hera passariam a semana em Berlim à pedido de Hades. Eu e Jason trocamos um olhar cúmplice.
— Thalia — Nicolas me chamou atenção — Estava me perguntando se não queria ir para um jantar comigo — Suas mãos gesticulando e seu sotaque estavam me irritando profundamente.
— Bem, eu já tinha planejado algo para essa semana — Senti um empurrão na minha perna, e olhei discretamente para Zeus. — Mas vou arranjar um tempo livre, e te ligo.
Eu estava furiosa. Simplesmente não acreditava que Zeus me fez fazer aquilo, ele simplesmente teria que me explicar por que diabos quer que eu saia com aquele garoto.
No final do jantar, Zeus e Hades apertaram as mãos. Eles foram embora e me virei para Zeus.
— Vai mesmo me fazer sair com aquele europeu de merda?! — Perguntei
— Thalia, isso é uma grande oportunidade. Pense na empresa, podemos expandir os negócios até a Europa, minha filha. Uma palavra: Europa.
— Quero que a Europa se dane — Bebi mais vinho — Não passei nem uma hora com ele na mesa e já o detestei — Meu pai me ignorou e eu revirei os olhos. Velho egoísta.
— Ok, hoje foi um dia cheio — Disse Jason — Vamos dormir Thalia.
Subi as escadas com Jason.
— O que você acha? — Perguntei para ele
— O sotaque dele é ridículo. E fique longe dele, eu imploro — Concordei e entramos nos nossos quartos.
Me joguei na cama e peguei o celular, vi uma ligação perdida de Luke e retornei.
— Luke?
— Sou eu, liguei para dizer que já voltei da viajem. — Sorri
— Não aguento ficar em casa. — Comentei.
— Tudo bem, que horas eu te busco?
Fiquei surpresa. Naquele momento, eu vi que ele estava comigo pra valer.
— Vinte minutos.
— Estarei aí.
Meu coração palpitou acelerado em meu peito quando desliguei. Tirei o vestido e vesti uma calça, camisa e jaqueta. Peguei meu celular e dez dólares que dava sopa na minha escrivaninha. Olhei a hora: 23:30. Meu pai já devia estar dormindo e era arriscado sair pela porta da frente.
Mandei mensagem para Jason.
T: Me dá cobertura hoje a noite.
J: Vai sair? Com quem?
T: Luke.
J: Pelo menos ele não tem sotaque.
Ri com o comentário do meu irmão. Abri a janela do meu quarto, e saí fechando ela em seguida. Vi um carro do outro lado da rua. Luke saiu do carro e veio até o jardim da minha casa.
— Me segura. — Sussurrei para ele.
Pulei do telhado e senti suas mãos me segurarem pela cintura.
— O telhado é baixo. — Ele sorriu nossa bocas a centímetros de distância.
— Eu tenho medo de altura. — Abracei ele.
— Saudades? — Ele perguntou.
— Sim. — Sorrimos.
Vi luzes se acenderem na sala. Eu e Luke corremos para o carro e ele deu partida, cantando pinel. Rimos alto. Começando bem a noite, pensei.
Abrimos as janelas, sentindo a brisa fria da cidade.
— O que vamos fazer? A propósito, esse carro é seu? — Perguntei.
— Um presente da minha mãe por eu ser um bom garoto. — Sorriu. — A noite é uma criança.
— Vejo que ela se enganou um pouco. — Ele riu. — Conheço uma boate que deve estar aberta agora, perto dos Kings.
— Você que manda, princesa. — Acelerou .
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