High School Manual
15 As ameaças de Silena Beauregard
Notas iniciais

Já havia passado alguns dias desde meu trato com Jason e eu ainda não tinha notícias sobre o plano. Quando eu o perguntava, sempre recebia um "a presa é inimiga da perfeição" e me virava as costas.
Enquanto ao castigo, estava tudo indo bem na medida do possível. Acho que não é para a surpresa de ninguém que Annabeth fazia parte do comitê de organização, e ela era a nossa salvação ali. Todos eram muito arrogantes, e eu posso ser um pouco ignorante as vezes, mas se tem uma coisa que eu não suporto é arrogância.
Os únicos seres que simpatizaram comigo e Luke ali foram Calipso e Juniper. As duas eram adoráveis e meigas, totalmente diferentes dos seus colegas do comitê. Calipso tinha o cabelo claro, mas longe de ser loiro, tinha cor caramelo. Juniper era morena, com os olhos incrivelmente verdes e um sorriso caloroso.
— Planos para sexta a noite? – Luke me perguntou enquanto pintava um painel com Juniper. Sua bochecha estava suja com tinta azul. Ele estava muito fofo e eu iria lá apertar as bochechas dele se não estivesse segurando a escada para que Calipso trocar as lâmpadas por luzes coloridas.
— Nenhum. – Respondi.
— Bem, é que como estamos sendo escravizados por essas garotas. – Elas olharam feio para ele e ele sorriu. – Acho mais do que digno virmos para esse baile.
— Sim, considerando o cárcere privado que estamos, seria legal ver nosso trabalho depois de todo essa escravidão.
— Calem a boca. – Disseram as duas em uníssono e nós rimos.
— Mas eu estava falando sério, Thals. O que acha?
Olhei para Juniper e Calipso que me observavam atentas.
— Tudo bem, nós viremos.
[...]
O que você veste num baile de primavera? Calça com certeza não. Então o que eu vou vestir?
— Já pensou em usar um vestido?! – Annabeth me respondeu como se fosse óbvio.
— Claro que sim, mas acho que meus vestidos pretos não são muito primaveris.
Ela pensou um pouco.
— Podemos pedir ajuda da Silena, ela deve ter milhões de vestidos, e não se importaria de lhe emprestar um. – Annie sugeriu.
— Annie... Eu acho que ela não aceitaria... – Vi ela pegar o celular.
— É tarde demais para achar o que ela faria, ela já está vindo até nós.
Entrei em pânico.
— O que?!
— Eu mandei mensagem. – Ela explicou sorrindo. – Se eu fosse você, eu ficaria feliz. Luke vai te ver numa versão 2.0
— Quem está precisando de uma mãozinha? – Vi Silena chegando por trás.
— Thalia foi convidada para o baile, precisamos fazer parecer que ela não tem só roupas de funeral.
— Ei!
— Ainda bem que você me chamou, essa vai ser uma tarefa difícil.
— Ei! Eu estou bem aqui!
Era só o que me faltava.
— Você acha que tem jeito? Ou que é um caso perdido?
— Já chega, se vocês vão continuar falando como se eu não estivesse aqui, acho melhor eu sair. — Disse emburrada.
— Pare de ser boba Thalia, estamos só brincando. – Silena disse. – A proposito, precisamos ir para minha casa, eu vou te transformar na menina mais linda dessa escola. Depois de mim, é claro.
[...]
— Meninas vocês sabem que o baile não é hoje, não é?
— Sabemos. – Annie respondeu.
— Então para que tudo isso?
— Você vai provar tudo. – Silena respondeu.
— Eu não vou entrar nesse monte de vestidos hoje nem morta.
Annabeth e Silena pararam de revirar o closet e me olharam.
— Escolha um...
— E o vista, agora!.
Com o olhar assassino das duas preso em mim, escolhi um vestido cinza escuro.
— THALIA! Esse aqui não! – Silena tirou o vestido de minhas mãos e o colocou no closet novamente.
— Mas eu gostei desse.
— Você precisa de um vestido em tom pastel. Você deveria saber mais do que ninguém que o baile de primavera é um ambiente quase hipster. Se você for com um vestido em cor escura, vai ficar horrível.
Suspirei.
— Então o que eu posso vestir?
— Tente aquele alí. – Annabeth apontou.
— Mas é rosa.
— Tente ele. – Silena me encarou.
— Tudo bem. – Revirei os olhos, peguei o vestido e fui até o banheiro.
Depois de provar cerca de meio milhão de vestidos, eu chegava a conclusão que o closet de Silena sofria uma espécie de encantamento que o permitia nunca ter fim. Até que eu vi uma peça azul bebê.
— Meninas? Acho que gostei de um.
— Deus existe.— Rimos. – Qual escolheu, Thalia?
— Este... – Ela aprovaram o vestido e eu sorri. Ele não era tão fantástico quanto o que Annie e Sil escolheram, mas eu adorei o modelo e a cor.
Se tratava de um vestido cinturado, de comprimento curto. Por fim, Silena escolheu sapatos e bolsa. Ela disse que os acessórios seriam por minha conta, e se eu chegasse no baile com pulseiras e brincos pretos ela tiraria os próprios brincos e cometeria homicídio.
Se isso me assustou? Com o olhar dela? É claro que sim.
[...]
A semana passou rápida, sem nada muito especial. Jason continuava me atormentando com a demora do dinheiro para os ingressos, e eu já estava mais uma vez, conformada que não iria.
Mas isso não mudou meu humor, eu estava muito ansiosa para o baile, especialmente, para ver Luke de terno, algo que minha criatividade nunca conseguiu reproduzir.
Por falar em Luke, eu andava pelos corredores procurando por ele, para anunciar que não iria mesmo para o show.
— Finalmente te encontrei. – Ele me encarou quando fechou seu armário.
— Algum problema? – Ele beijou minha testa como cumprimento.
— Bem, eu acho que sim. – Dei um sorriso tristonho. – Mas antes, você comprou seu ingresso para o show?
— Comprei.
— Ah Luke... Bem, eu ainda não comprei o meu, acho que não vou.
— Como assim não vai? Fez eu gastar dinheiro nessas belezinhas a toa? – E levantou na mão direita dois ingressos com os nomes Arctic Monkeys.
— Você não existe mesmo, viu. – Sorri abertamente e o beijei.
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