High School Magical
2 Ansiando
Notas iniciais
Claro que eu dormir, é impossível não dormir.
(Afinal, só dormir 2 horas, que foi de trêsás cinco da manhã, eu acordei sem sono, diferente de todos os outros dias.)
Eu fiquei deitado na minha cama, pensando, repensando oque eu iria fazer durante 9 meses numa escola que eu nem sabia como era.
Alternativas:
Entrar num grupinho.
Fazer um grupinho.
Ser só.
Ter dois melhores amigos.
Acho que o certo seria: Entrar num grupo, porque eu não quero viver sozinho num internato. Ficar no quarto depressivo, eu fiquei me imaginando como a mesma pessoa sofredora que eu sofri na primeira escola: Sofrer bullying todo dia. Um garoto com o nome de Gustavo e mais um grupinho dele, praticava a violência verbal, ás vezes físicas comigo. Até que um dia minha mãe ficou sabendo disso. Eu dei graças a Deus por ter saído daquela escola que era um inferno para mim.
Eu entendi que os 15 dias de reclusão seriam para eu me enturmar, então já tenho táticas em minha mente. Fiquei imaginando o grupo do mal x O grupo do bem (que era o meu).
Então eu estava super ansioso para o Prine chegar e me levar no carro velho dele. Eu ia chegar naquela reclusão, seriam os pré-melhores 15 dias da minha vida (os melhores seriam na escola).
Saí da cama, por sentir um cheiro de café, e cheguei a conclusão de que minha mãe já estava de pé fazendo o café. Olhei para o relógio eram 5:20.
Fui à cozinha para falar com minha mãe.
– Oi, filho. — ela disse, ela estava com uma camisola e uma touca para dormir, com os chinelos também.
– Oi mãe. – disse eu.
Ela não falou nada, ela estava coando o café, então como eu sempre me sinto a pessoa mais imunda do mundo quando saio da cama, eu fui tomar um banho. Fazia frio de manhazinha, então liguei a água quente. O banheiro estava sujo, então dei uma mãozinha para minha mãe limpando-o.
Eu saí do banheiro vinte minutos depois. Segundo o Prine, eu deveria chegar à reclusão com o uniforme da escola, depois eu poderia usar minhas roupas normais. Prine deixou o uniforme comigo, eu o guardei no meu guarda roupa na noite atrás. Tirei-o de meu guarda-roupa, havia uma gravata meio que bonitinha e uma capa preta com o nome: ‘’High School Magical’’ gravado com tecido no peito, segundo Prine, eu deveria usar uma camisa preta por baixo da capa.
Eu fiquei legal com aquele uniforme, minha mãe me ajudou um pouquinho na arrumação e pronto, tomei um café, e esperei Prine chegar.
Prine chegou exatamente como tinha prometido: ás seis da manhã.
– Bom dia! – disse Prine quando minha mãe abriu a porta, meu pai resolveu faltar o trabalho hoje só para se despedir de mim, ele apertou a mão de Prine. – Preparado John?
– Muito. – era verdade, mas eu estava um pouquinho preocupado.
A despedida é uma coisa que não levamos como uma coisa engraçada, por que: (a) Há choro, todo mundo estará triste por você ter ido embora, mas isso é irônico, porque depois de nove meses eu iria voltar, mas seria diferente se a pessoa nunca mais voltasse. E (b) você vai embora, e você também sentirá saudades de seus pais, e TAMBÉM VAI CHORAR! A menos que você seja uma pessoa com um coração de pedra. A pedra é um fragmento impenetrável, se seu coração for de pedra, nenhum sentimento irá penetrar nele.
Em fim, Prine estava apressado para ir embora.
Eu não gosto de pressa.
– Bem ele tem que ir. – Prine exclamou, e eu vi que ele estava meio impaciente.
– Sim. – falaram meus pais igualmente.
Eu abracei-os, e claro, a casa foi inundada por lágrimas – ironia em minha opinião. -, pra que chorar gente? Então Prine me conduziu a seu velho carro, e eu entrei no banco da frente.
Segundo Prine, a viagem duraria mais de três horas, então ele me deu um travesseirinho de pescoço, que estava com um odor de suor. Eu fiquei constrangido em dizer que estava fedendo.
Mas isso que aconteceu: Peguei um lenço meu e enrolei no travesseiro, assim eu tive duas horas e meia de sono. Com aquele carro balançando toda hora.
Acordei, e ainda estávamos na estrada.
– Bom dia. – eu disse para Prine.
– Bom dia. – ele falou.
Estávamos pelo litoral, aquele som belo de praia me deu fome. Como um som de praia dá fome?
Minha sorte, foi que Prine trouxe um prato cheio de doces, no fundo do prato havia um símbolo de um Husky-Siberiano.
– Oque é isso? – perguntei para Prine.
– O símbolo da HSM. – ele respondeu.
O Husky-Siberiano era branco, aquilo era sensacional. O símbolo da escola que eu iria estudar.
Prine colocou uma musica para tocar.
– Sério isso?- perguntei.
– Oque? – ele falou.
– Um velhinho ouvindo músicas atuais. – falei e dei uma gargalhada.
– Meu Deus. – ele bufou.
Enquanto ia passando pelo litoral, eu vi um garoto brincando de bola com seu amigo, de repente um vulto preto passou pela frente deles, e num piscar de olhos, sumiu.
– Você viu aquilo? – eu perguntei a Prine, ele estava dançando aquela musica de Rock, se remexendo para um lado e para o outro, e não estava ouvindo oque eu falei. – VOCÊ VIU AQUILO? – Eu gritei e ele ficou surpreso com o grito.
– Aquilo oque? – ele falou e deu ombros.
Eu dei uma bufada pro ele não se ligar na estrada em que nós estávamos. Mas o dever dele era me ensinar e me proteger, porque ele era meu tutor.
Mas aquele vulto que vi no litoral não saia da minha cabeça, ele era preto, estava totalmente com uma capa preta, tinha aparência humana, era branco, da cor de um papel.
A viagem prosseguia, eu perguntei à Prine quanto tempo mais demoraria chegarmos ao hotel onde eu ficaria recluso.
– Mais ou menos... – ele falou – Uns 30 minutos.
A ansiedade tomou conta de mim. 30 minutos, e eu conheceria meus futuros colegas em que eu iria estudar durante cinco anos. 30 minutos para uma reclusão de 15 dias. Eu ás vezes me perguntava o porquê de tanta animação.
Finalmente, chegamos. Prine apontou para um grande edifício e meus olhos brilharam de emoção. O prédio era branco, e aparentemente tinha nove andares.
Prine encostou o carro num estacionamento e fez o mesmo gesto no qual me trouxe para ele ontem, e assim a porta se abriu. Senti um vento forte quando abri a porta, e percebi que esse é o tempo de frio no lugar onde estamos.
O inverno é minha estação preferida, porque eu amo o frio, e não vivo sem o frio. Somente pessoas IDIOTAS gostam de calor. Eu desci do carro, minha perna esfriou, e eu rangi os dentes.
– Coloque isso. – disse Prine, eu me virei para ver. Era uma longa meia grossa, que eu pensei: isso irá aquecer minhas pernas.
Segundo Prine, a neve provavelmente cairia essa noite, porque já era inverno. E acredite, eu esqueci agasalhos. Mas sempre haverá uma surpresinha para mim no hotel.
Pus meu pé na calçada do hotel, e percebi que a neve começou a cair, ainda em pouca quantidade. Eu nunca tinha visto neve na minha vida e, entrei no hotel pulando de alegria.
No hall de entrada do hotel, eu não avistei nenhum aluno sequer, apenas funcionários trabalhando pra lá e pra cá, sem parar. Então, um funcionário baixinho pegou as minhas malas, e me dirigiu a um elevador em que eu seria transportado para o meu quarto. O funcionário apertou o botão “6’’, então eu iria ficar no 6° andar.
O elevador era muito sofisticado, seu acabamento era de puro ouro e revestido de um pano aparente ao linho.
– Bem aconchegante – disse Prine.
Quando subíamos senti um enjoo na barriga, me enjoo em elevadores, e tenho total medo deles. Não há como tirar esse medo de mim.
Enfim, hoje é o 1° dia dos 15 dias que ficarei aqui no hotel. Mas eles disponibilizam computadores e internet, celulares, e permitem ver o mundo por fora do hotel. Porque nós não estamos em uma cúpula, em que ficaremos 15 dias sem fazer nada, apenas no tédio.
Meu quarto contém uma cama de casal. E está perfeitamente arrumado, foi delicadamente limpo, cheira a maçã verde e uva. Respiro fundo e Prine me deixa só, me jogo na cama, o travesseiro tem cheiro de pudim com passas, e eu acabo cochilando num piscar de olhos.
Só acordo ás duas da tarde. Quando uma camareira serve-me meu almoço, que estava duas horas atrasado. Eu deveria comer ao meio dia, mas dormi demais. Provavelmente essa será uma noite dificultosa, dormir a tarde prejudica meu sono à noite.
A camareira trouxe um cozido de frango, que está delicioso. Pego um talher e o encho de arroz, misturo tudo de bom e peguei um copo de suco de laranja.
A comida faz da minha boca o céu, a camareira vai embora me deixando com tudo de bom no quarto. Para eu chama-la, é só tocar um sininho que vai até a cozinha do 6° andar.
Cada andar possui uma cozinha, cada andar possui 10 camareiras, para 10 quartos, e cada andar possui 5 quartos, então: 10x9 = 45, são 45 alunos no 1° ano, e eu sou um dos 45 alunos.
Ouço, enquanto estou comendo que há uma histérica gritando no lado do meu quarto. O meu desejo é de ir lá e falar umas coisas para ela, mas decido não ir, para não começar uma confusão antes das aulas.
A menina grita histericamente, parece que está no telefone com o namorado, ou um familiar está dando-lhe uma bronca, eu tento me distrair, mas a menina não para de gritar, e eu tento não ir lá, até que percebo que uma camareira foi até o quarto.
Ouço a menina gritar agora com a camareira “Me deixa em paz”, xingando a camareira “Saia daqui sua infeliz”, aquilo me revolta tanto que eu decido colocar um tapa-ouvido que está em cima de um criado mudo que fica ao lado da cama do quarto.
O tapa-ouvido era macio, me fez relaxar, e não ouvi um grito sequer daquela garota chata que estava do lado do quarto em que eu fiquei hospedado. Fiquei imaginando que durante todos os 15 dias, essa menina irá surtar e vai ficar gritando como uma louca, desrespeitando familiares, ou namorados seja lá oque for.
Depois de um tempo, retiro o tapa-ouvido, e percebo que a confusão no quarto ao lado acabou, e eu finalmente vou ficar em paz.
Uma pessoa bate na porta, reconheço sua voz. Prine.
– Boa tarde, John – diz Prine, ele está agora com uma jaqueta cinza e calça cinza também, segurando um copo, no qual a fumaça sobe.
– Boa tarde. – eu respondo.
– Trouxe isso para você. – quando ele estendeu o braço, senti um cheiro de chocolate quente.
Dei um gole no chá, e senti o doce chocolate e quente descer sobre minha garganta gelada. Olhei para a janela o mundo estava branco, neve caia e eu dei um breve sorriso. Nunca vi neve.
– Sorte sua que aqui há regulador de temperatura. – ele disse apontando para um objeto grande preso no teto, e eu podia ver o ar quente saindo de lá.
– Oque é isso? – eu perguntei, bobo.
– Projetado na HSM, um regulador de clima. Foi feito por Lunny Spelican, você sabe que essa é a diretora. Ela tem o poder sobre energia, tudo energético que você vê aqui, é feito por ela. – disse Prine.
Uma diretora com poder sobre a energia... Qual seria o castigo para um ato mal feito? Um choque? Dou um sorriso para Prine para dizer que eu estava prestando atenção no que ele falava. Prine disse que iria embora agora, disse que estava muito cansado, eu disse que ele deveria descansar então ele se foi.
Dias se passaram... Esse é o ultimo dia no hotel, e durante os 14 dias a menina do lado não surtou como fez no primeiro dia. Foram 14 dias brilhantes no hotel, que tinha SPA, academia, tudo relaxante, e eu imaginei a escola. Será que ela será como o hotel?
Estava de manhã quando eu pulei da cama, respirei forte, me sentia feliz, porque era o ultimo dia no hotel, e amanhã eu estaria na escola para a apresentação de meu poder.
Mas o problema é qual é o meu poder.
Qual é o meu poder?
Prine disse que a maioria dos “especiais” não sabiam o poder até a apresentação ao corpo docente da escola, que será amanhã, dia 10, e eu vou ficar mais 4 dias na escola esperando o primeiro dia de aula.
Prine disse que a apresentação acontecerá numa sala onde os professores nos olharam com câmeras, e na sala haverá todos os elementos. Nós tentaremos fazer alguma coisa tudo que precisarmos, toda nossa força, concentração total nos objetos, qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento, um casaco pode voar, uma fogueira molhada pegar fogo, uma planta nascer... etc. Prine disse que só houve dois casos de repetição de poderes.
Tomara que o meu não seja repetido.
Eu me jogo na cama, já é tarde, e amanhã eu tenho que acordar cedo, o teste começa ás 8 da manhã.
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