Notas iniciais
Voltamos rápido! Vamos ver o que aconteceu com nosso jovem team favorito nessa reta final! [Crédito para os enigmas da nossa amiga Carla (LuccaJeller)]

SIOC pela manhã

— Como foi, Kurt? Passar a noite cuidando de uma criança de quatro anos? – Tasha fala enquanto estão na sala de reuniões no início do dia.

— Olha, foi difícil encontrar algo que ela aceitasse comer, mas após algumas tentativas eu consegui convencê-la a tomar uma sopa de legumes. – Kurt responde vitorioso.

— Me admira que você conseguiu convencer uma criança desse tamanho a comer legumes. – Reade ironiza.

— Convencer não é a palavra que eu usaria. – Ele falou olhando a garotinha que brincava em uma cadeira giratória. – Digamos que eu tinha uma barra de chocolates e disse que só daria se ela tomasse a sopa. Ela chorou, esperneou, e quando viu que eu não iria ceder ela tomou a sopa.

— Gente, sei que todos vocês estão aí paparicando a Jane Junior, mas... nossa, como ela é bonitinha. – Rich entra dizendo e já se perde.

— Mas o que, Rich? – Tasha pergunta impaciente. – Você entra aqui todo afobado e muda do nada!

— Calma, Projeto mal feito de Talia! Você parece estar sempre de TPM. Aff. – e revirou os olhos. – Enfim, vocês precisam me ajudar com a Patty. Ela tá mais estressada que a Tasha, foi ao laboratório e está feito louca fazendo cálculos e aplicando fórmulas.

— Talvez ela tenha descoberto alguma ponta solta que poderemos usar. Vamos até lá ver se podemos ajudar. – Reade sugeriu.

— Ok, vou pedir pra Brianna ficar com Avery, — Kurt se mobiliza.

Todos foram para o laboratório. Patty estava mesmo muito focada no que fazia.

— Patty, aconteceu alguma coisa? – Tasha questiona mais preocupada com o emocional da amiga do que com o caso em si.

— Ah, vocês já chegaram! Eu ia chamá-los. Aconteceu algo surpreendente. Eu acordei ainda de madrugada e não conseguia mais pegar no sono. Então, assim que entregaram o jornal, peguei as palavras-cruzadas para preencher e tentar me distrair. E olhem isso! – jogou o jornal sobre a mesa mostrando o desafio.

Os amigos olharam para as palavras cruzadas e depois se entreolharam. Parecia absolutamente normal.

— Não perceberam? – a loura indagou e diante do silencio, continuou falando. – As primeiras letras das cinco primeiras respostas, se lidas de trás para frente formam o início da minha senha pessoal darkweb. Alguém estava tentando me mandar uma pista. Mas já vasculhei tudo. Usei cifras de vergenere e nada!

— Amiga, acho que você precisa descansar. – Tasha salientou.

— Espera aí, você tem contas na darkweb? Precisamos conversar sobre isso, Patty. – Reade ficou preocupado.

— Gente, pode parecer loucura, mas hoje de manhã também aconteceu algo estranho comigo. Recebi uma mensagem no celular marcando a data do memorial anual da Taylor, mas dia e mês estavam invertidos, assim como duas letras do sobrenome que dizia Shwan e não Shawn.

— Talvez devamos juntar essa duas letras e quatro números ao final da minha senha.

— Eu acho que vocês surtaram de vez. – Tasha disse rindo. – Nessa teoria absurda, eu teria que considerar que o narrador do programa de rádio que escuto toda manhã teve seu roteiro adulterado de propósito e foi por isso que ele passou dois placares dos jogos de ontem com erro e depois teve que pedir desculpas. Aliás, ao se desculpar, ele salientou que não sabia como aquilo aconteceu e que até o nome dos Lakers estava escrito Lokers no papel.

— Não pode ser coincidência, gente! Temos um O agora e preciso dos números do placar errado, Tasha. – Patty parecia em frenesi. Mesmo sem acreditar na teoria, Tasha passou. – aconteceu mais alguma coisa estranha com alguém aqui hoje?

— Tudo absolutamente normal comigo. Acordei, passei no meu café favorito e vim tomando meu chá, sem qualquer mudança no habitual. – Reade disse e ergueu o copo para mostrar aos amigos. – Ei, esperem aí. – E olhou com atenção no rótulo da embalagem. – Se olharmos na vertical... Jane Doe... It’s me... 7Yx3#4%.

Antes mesmo dele terminar, Patty já lançava os números no seu algoritmo.

— Droga, nada!

— É porque os números que o Edgar falou são pra mim. Isso é parte de uma fórmula que desenvolvi com amigos na época da faculdade. – Rich disse e assumiu o computador ao lado de Patty – Tempo loucos aqueles. Não posso entrar em detalhes, mas se pudesse... Pronto! Tenho um resultado. Tenta isso, Patty.

— Não! Esperem. Se for mesmo Jane e Roman, eles devem ter sido cuidadosos. Vamos testar uma cifra de vegenere em cima do resultado. – Tasha sugeriu.

Após uma sequência de cálculos apareceu a mensagem.

— Times Square e a data de hoje. Deve ser o local do ataque. Vou avisar a Nas. – Kurt disse.

— Tem uma coordenada a seguir que não é nem um pouco perto da Times Square. Aliás, está a uma distância considerável de NYC. – Rich continuou.

— Provavelmente é o QG da Shepherd. – Reade concluiu. – Vamos organizar uma força tarefa dupla. Kurt lidera o grupo que vai para a Times Square. Eu vou alguns agentes pra ir comigo atrás de Shepherd.

— Eu vou com você. – Tasha disse enfatizando o eu.

— Não, Tasha. Já basta o que aconteceu ontem. – Reade disse categoricamente.

— Olha, Edgar. Se eu não for com você, vou com Kurt. – A garota protestou.

— Não vai ter jeito mesmo, não é? – Ele disse desanimando olhando para o resto da equipe.

Eles apenas fizeram um gesto de cabeça.

QG de Shepherd

— Está tudo pronto. Vou estacionar a duas quadras da Times Square e montar o dispositivo. Então, Martin dirigirá até o local. A porta lateral garantirá um descarte rápido da mala. Enquanto ele se afasta com o veículo para não chamar a atenção, eu faço o ajuste final e aciono o bomba de difusão. O sistema me garantirá cinco minutos. É tempo suficiente para me afastar e alcançar a van. E estará feito.

— Muito bem, Remi. Eu tinha certeza que poderia contar com você. Uma mãe não poderia estar mais orgulhosa. – Ellen diz levando a mão até o ombro da filha, mas ela se esquiva.

— Eu vou manter minha parte do trato e executar a Fase 1 para você. Espero que não tenha se esquecido da sua parte, Ellen. Assim que eu terminar na Times Square, volto correndo pra cá e quero minha filha de volta.

— Você a terá, Remi. Apenas confie. Vá e faça o que deve ser feito.

Remi se despede de Ellen e Roman. Sobe na van com Martin Gero e partem para a Times Square.

Pouco minutos depois, Ellen recebe uma ligação e fica visivelmente irritada.

— O que houve? – Roman indaga preocupado. – Algo com Remi?

— Não, tudo vai bem com o plano. Eles já estacionaram e ela está montando o dispositivo. Sophia Varna é que sempre foi uma inútil. Ela deixou que o FBI pegasse a criança.

— Sério? Não quero estar na sua pele quando Remi voltar.

— Não se preocupe, Roman. Sua irmã parece feroz, mas ela não será um problema. Até a noite, estarei assumindo o comando desse país e o FBI não será mais uma ameaça para nós.

— Que bom que estou do seu lado. E, já que você tem tudo sobre controle, poderia me dar algumas horas de folga para me despedir da Kat. Confesso que será ótimo não estar por aqui quando Remi voltar.

— Ah, meu menino. Vá se divertir com sua namoradinha. E confie na sua mãe.

Roman procura manter-se calmo e agir como se nada estivesse acontecendo. Pega o carro e sai do QG. Assim que se afasta, acelera o máximo que pode. Ele precisa chegar na Times Square e avisar Jane que Avery está em segurança com Kurt.

Kurt

Deixei o NYO em direção à Times Square com um pelotão de elite e acompanhado por Nas. Graças as informações que Jane e Roman mandaram temos uma chance real de parar o plano de Ellen e por um fim nisso ainda hoje.

É tão bom saber que posso confiar em Jane novamente. Mas como lidar com que vamos enfrentar em poucos minutos. Ela está na linha inimiga e não sabe que estamos com Avery. Tudo que quero é ter a chance de dizer isso pra ela antes que qualquer um de nós se machuque.

O que nos espera na Times Square? Que tipo de ameaça Jane está executando para aquela sociopata que é sua mãe adotiva?

— Espero que você haja como o ótimo agente federal que sempre foi lá fora, Kurt. – Nas disse. – Não deixe seus sentimentos nublarem seu julgamento. Se você falhar, colocará milhares de vida em risco e não poderei deixar de mencionar no seu relatório a dubiedade ética de seu comportamento.

— Meus princípios éticos sempre nortearam todas as minhas ações em campo, Nas. Fique sossegada.

— Assim espero. Lembre-se: Jane é uma terrorista e a ordem para os agentes é atirar para matar.

— Ela pode estar executando a tarefa para a Sandstorm, Nas, mas sem ela não estaríamos aqui hoje. Jane e Roman nos deram local e data. Nem você, nem eu, nem o team tinham nada de consistente antes disso.

— Não temos prova nenhuma que foram eles a enviarem os enigmas que destravam a mensagem. Há algum tempo que estou negociando com outro membro da Sandstorm chamado Cade. Pode ter sido ele também.

— As mensagens foram enviadas para mim e para nossa equipe e não para você, Nas. Espero que você não se esqueça disso quando for fazer seu relatório.

Não gostei nada do olhar que vi no rosto de Nas. Pelo visto, a Times Square não seria o último desafio que enfrentaríamos. Teríamos uma longa jornada pela frente.

Jane

Retardei o máximo que podia a montagem do dispositivo. Martin tinha os olhos sobre mim. Mesmo que ele sorrisse toda vez que meu olhar cruzasse com o seu, sei que ele entraria em contato com Ellen se aquilo começasse a demorar demais.

Pensei em Avery. Pelo menos ela dificilmente estaria em NYC. Deus, eu nem tenho certeza da proporção do desastre que isso causará. Não sei o que é esse tal ZIP e como isso afetará todas essas pessoas.

Meu estômago se agitou em náuseas difíceis de controlar. Era isso que eu era? Uma sociopata assassina tal como Ellen? Mas se eu não fizer, ela será cruel com Avery, eu sei. Lembrei do coelho de Roman agonizando dias e dias antes de morrer ao lado da nossa cama no orfanato. Não! Não posso deixar isso acontecer com minha filha. Engoli seco e continuei minha tarefa.

— Aqui está tudo terminado, Martin. Pode seguir para a Times Square. –Aavisei sentindo-me a pior pessoa do mundo.

Deslizei para fora da van no ponto combinado com a discrição de sempre. Coloquei a mala no chão e, com cuidado, preparei para os acertos finais. Só então percebi que a van continuava ali. Quando olhei para trás, tive uma surpresa:

— Olá, Sis. – Roman disse com um sorriso que me pareceu um pouco assustador devido as circunstâncias.

— Roman, o que você faz aqui? Prometeu que ficaria e cuidaria de Avery se acontecesse algo comigo! – disse aflita.

— Mudança de planos, maninha. Melhor colocarmos essa mala de volta na van.

— Você está louco, Roman? Você está conspirando com Ellen? E Martin?

— Martin está morto, Jane. Não tive outra alternativa. Agora somos só nós dois. Quer parar de fazer perguntas e colocar essa mala de volta na van para sairmos daqui. O FBI deve estar chegando.

— Roman, eu não vou. Eu não posso! Não posso deixar Avery sofrer.

— Avery está com Kurt. É por isso que estou aqui. Agora temos que colocar essa bomba de volta na van. Vou dirigir devagar enquanto você desarma esse treco. Se o FBI chegar, Sis, vamos passar o resto de nossas vidas na prisão.

— Por que você não me disse logo! – Jane rosnou revirando os olhos e colocando a mala com todo cuidado de volta na van.

Nesse momento, ouvimos os sons das sirenes e a rua começou a ser evacuada.

Em minutos, estávamos cercados. Kurt e Nas estavam à frente do pelotão de elite:

— FBI. Parados! Desçam com as mãos para cima.

Roman levantou as mãos, mas continuou dentro da van. Eu estava abaixada na parte traseira tentando desarmar a bomba sem sucesso. O sistema parecia travado.

— Vou repetir: desçam com as mãos na cabeça ou vamos atirar. – Kurt parecia decidido e cheio de ódio.

Tasha

— Tasha, eu preferia que você tivesse ficado no laboratório com Patty e Rich. – Ele está dirigindo há alguns minutos e ainda não tinha dito uma palavra.

— Ah é? E perder a oportunidade de colocar minhas mãos na Shepherd? – Eu finjo de desentendida.

— Você sabe, Tasha. Depois de ontem, eu fiquei muito preocupado e esperava que você não se arriscasse tanto.

— Eu sei, Ed. – Ela o olha com atenção. – Eu estou ciente dos riscos, tá bom? E pode ter certeza que vou tomar cuidado. Eu apenas quero estar lá para prendê-la. Se houver algum perigo maior eu recuo. Tudo bem?

Ele apenas me olha, mas não sorri. Deve ter concordado. Eu não vou colocar a vida do meu filho em risco. Estou sendo cautelosa. Tem outros agentes conosco pra dar reforço.

Chegamos ao local indicado e nos posicionamos. Tem mais três agentes conosco. Estamos muito bem armados. Andy consegue desativar uma alarme e destranca um portão que fica na lateral do complexo. Ed dá sinal para que cada um entre em uma direção. Permaneço ao lado dele. Me sinto mais segura, e ele também iria me querer por perto.

Passamos com cuidado para um galpão e nos deparamos com alguns armários. Abrimos alguns e encontramos uma grande quantidade de armamentos pesados e munições, dessas que só se vê em filmes.

Ouço um barulho e sigo para a parte sul do galpão de onde vinha som. Me deparo com Ellen que está saindo apressada dos fundos do local. Eu aponto minha arma pra ela disfarçando meu pânico.

— Largue essa arma, Ellen! – Falo entre dentes.

— Nunca! Somos muitos aqui dentro e vocês não têm chance com essas arminhas que o governo disponibiliza para seus agentes. – Ela fala com desdém.

— O complexo está cercado. Você pode até sair daqui, mas não terá chance lá fora. – Falo tentando a convencer a se entregar.

— Mesmo se eu me entregar vocês já perderam. – Ela sorri sarcástica. – Minha Remi está nesse momento colocando uma bomba na Times Square. Na verdade ela deve estar acionando agora.

Ouço o som de um tiro e Ellen cai no chão agonizando. Edgar está ao meu lado e eu o olho aliviada.

Edgar confere os sinais vitais da mulher e constata que ela está mora. Adentramos para o local de onde Shepherd saiu e vemos Andy e outro agente trazerem alguns integrantes do grupo algemados.

— Luke foi baleado. Já liguei pedindo uma ambulância. – Andy fala mostrando o amigo deitado no chão com uma camisa enrolada no ombro atingido.

— Certo! Vamos sair daqui.

De volta à Times Square

— Sis, por favor, vai rápido aí. Seu namoradinho não está com cara de quem está brincando.

— Não consigo desarmar, Roman. O sistema está em contagem regressiva.

— Eles vão atirar, Sis.

— Estou retardando como posso, meu dedo está pressionando o relógio. Se eu tirar ele daqui, já era. Aciona a abertura da porta lateral. Preciso alertar Kurt para se afastar. Então você poderá correr também.

— E deixar você aqui? De jeito nenhum! – Roman disse antes de abrir a porta lateral da van.

Os olhares de Jane e Kurt se cruzaram novamente.

— Mãos na cabeça! – Ele disse urrando. – Você tem o direito de permanecer calada...

— Kurt, não, por favor. Vocês precisam se afastar. – Os olhos dela suplicaram, abaixando com uma mão a lona da mala para mostrar o dispositivo. – Foge rápido!

Ao verem a bomba, Kurt deu ordem de evacuação e todos começaram a se afastar. Ele, entretanto, caminhou em direção a van.

— Essa van é blindada. Podemos conter o gás aqui dentro. Aciona o fechamento automático e saia, Roman!

— Só dá pra fazer isso aqui de dentro, Sis. Eu estou com você até o fim. – Roman disse acionando a vedação das portas da van.

Nesse momento, a contagem regressiva chegou ao fim e o gás de ZIP começou a se espalhar pelo interior do veículo. Jane se esgueirou para o banco da frente para poder ver Kurt pelo vidro. Gesticulando, reafirmou:

— Por favor, fuja!

— Jane, não! – Ele disse em pânico.

— Cuide de Avery. Eu sinto muito. – E bateu no peito – Eu te amo.

O gás tomou conta do veículo. E Kurt se afastou em choque. Ele não queria ir, mas ela estava certa. Dependendo do dano que essa substância causaria, ele seria a única família de Avery agora.

Notas finais
Obrigada por acompanhar! Não deixe de dizer o que estão achando!!!