High
1 Capítulo Único
"Mantenha minha cabeça debaixo da água. Orgulho enterrado no meu peito. Sem contar todos os minutos, os segundos. Não segurando minha respiração. Agora afundando da superfície, nadando nos meus pulmões. Perder toda a minha visão, religião. Estou segurando minha língua".
High — Dua Lipa
•••
Alex suspira e toma mais um pouco da bebida de procedência duvidosa que se encontrava em seu copo, enquanto observava Betty, Isabelle e Shelby dançarem animadamente no centro da sala de estar, que se tornara uma espécie de pista de dança improvisada.
Aquele ambiente estava longe de ser um lugar onde Alexandra Parrish gostaria de estar em sua sagrada sexta-feira à noite, especialmente por estar justamente na casa de seu pior inimigo, Ryan Booth. No entanto, ela tinha que admitir que se tornava fraca diante dos olhares pidões de suas melhores amigas.
Desde o primeiro dia de aula, quando se conheceram, Alex e Ryan pareciam destinados a competir. Não havia desafio pequeno demais para ser ignorado, nem disputa que não valesse a pena ser vencida. Era como se cada olhar trocado entre eles fosse uma nova aposta silenciosa, um novo jogo que apenas os dois compreendiam.
Tudo começou com a competição de argumentação que a professora de literatura propôs para analisar a interpretação dos alunos sobre a clássica obra de Shakespeare, Romeu e Julieta. Alex e Ryan praticamente transformaram a sala de aula em um campo de batalha.
Foi necessária muita interferência da professora para acalmar os ânimos. A partir desse episódio, tornou-se algo natural e rotineiro ver os dois melhores alunos da escola discordando. Qualquer que fosse o assunto, era certo que eles se confrontariam, competiriam e brigariam.
Por terem diversos amigos em comum, mesmo se odiando, estavam sempre juntos. Assim, mesmo contrariada, Alex foi obrigada a comparecer à festa organizada por Ryan em sua casa para comemorar a vitória do time de basquete do qual ele fazia parte. Todos os seus amigos estariam lá e exigiram sua presença.
Mesmo sendo obrigada a suportar o olhar petulante de Ryan do outro lado da sala, ela se manteve firme e de cabeça erguida. Alex não daria a seu rival o gostinho de vê-la incomodada.
E o pior de tudo, na opinião da garota, era notar que Ryan estava incrivelmente lindo naquela noite.
Ela preferia perder um braço a confessar isso, mas o rapaz fazia o seu tipo, então, desde que começou a perceber que os olhos dele eram tão brilhantes quanto safiras e que sua boca era muito mais convidativa do que deveria, se tornou difícil para Alex ignorar a presença do rapaz.
Por outro lado, Ryan continuava a sentir algo fervilhar dentro de si ao ver a oportunidade de implicar com Alex e fazê-la perder a compostura.
Ele amava ver a linda garota irritada, encarando-o com tanta intensidade. Era como se Ryan se tornasse a única coisa que importava no mundo de Alex quando eles estavam discutindo. E ele amava ter a atenção dela.
O rapaz gira o copo em sua mão, observando Alex com aquele maldito sorriso convencido que sempre a irritava. Ele sabia exatamente como provocá-la, como cutucá-la até que ela revidasse. E era exatamente isso que planejava fazer.
Com passos preguiçosos, ele atravessou a sala, parando ao lado dela. Alex fingiu não notar sua presença, focando no líquido âmbar dentro do copo. Mas ele não se deu por vencido.
— Você parece entediada, Parrish — comenta Ryan, com a voz carregada de diversão.
Ela suspira, sem sequer virar o rosto para encará-lo.
— E estou. Principalmente agora.
Ryan solta uma risada baixa.
— Que bom que reconhece que precisa de algo mais interessante para fazer.
Ele toma um gole da bebida e inclina a cabeça, encarando-a com um sorriso ardiloso em seus lábios.
— E eu tenho a solução perfeita para o seu problema.
Alex finalmente olha para Ryan, semicerrando os olhos em desconfiança. Ela não gostava nada da maneira como ele parecia saber como manipulá-la. Seus instintos gritavam para que ela se afastasse ou acabaria se deixando levar para voz sedutora de seu rival.
— Se essa solução envolver você de alguma maneira, eu passo.
Ryan coloca a mão sobre o peito, fingindo-se ofendido.
— Poxa, Parrish, isso dói. Mas tudo bem, eu entendo. Você está com medo.
Ela arqueia uma sobrancelha, já sentindo a provocação se formar.
— Medo?
Ele sorri, sabendo que tinha a atenção dela.
— Medo de perder.
Alex bufa, cruzando os braços.
— Eu nunca perco.
— Então prove.
Ela estreita os olhos, estudando-o por um momento. Sabia que ele estava planejando alguma coisa, apenas não conseguia saber o que era exatamente.
— O que você está aprontando?
Ryan deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— Simples. Vamos jogar. Qualquer coisa. Sua escolha. E veremos quem sai vitorioso desta vez.
Alex morde o lábio, considerando.
A última coisa que queria era cair na armadilha de Ryan, mas seu maldito espírito competitivo falava mais alto. Ela não conseguia recusar uma disputa e era ainda pior quando via a expressão debochada de Ryan, quase proferindo que ele ganharia dela.
— Qualquer coisa? — repete, avaliando-o.
Ryan assente.
— Desde que haja um vencedor e um perdedor.
Ela finge pensar por um instante antes de soltar um sorriso desafiador.
— Tudo bem, Booth. Mas quando eu ganhar, você vai admitir, na frente de todo mundo, que sou melhor do que você.
Ryan ergue uma sobrancelha, apreciando o desafio.
— E se eu ganhar?
Alex revira os olhos.
— Como se isso fosse acontecer.
— Vamos tornar as coisas mais interessantes, então — sugere Ryan, inclinando-se ainda mais perto. — Se eu ganhar, você terá que concordar em fazer qualquer coisa que eu pedir por um dia.
Ela cruza os braços.
— Que tipos de coisas você planeja que eu faça?
O sorriso de Ryan se alarga, malicioso.
— Ah, eu ainda vou decidir. Mas não se preocupe, prometo que será um dia memorável.
Alex hesita por um instante, mas a competição fervia em seu sangue.
Ela estende a mão para ele.
— Fechado.
Ryan aperta a mão de Alex.
A faísca no olhar dos dois deixava claro: aquele jogo seria muito mais do que uma simples disputa.
Apertando a mão de Ryan, Alex sentiu a eletricidade do desafio percorrer seu corpo. Por outro lado, o rapaz não consegue evitar o sorriso ao constatar que a sua bela rival nunca resistia a uma competição.
— Muito bem, Parrish — disse Ryan, soltando a mão dela devagar. — Qual será o jogo?
Alex olha ao redor, analisando as possibilidades.
Sua mente girava entre as diversas opções que poderia escolher, algo que lhe garantisse uma vitória certeira. Então, seu olhar pousa na mesa de centro, onde algumas cartas estavam espalhadas.
Das poucas coisas que ela aprendeu com o idiota do pai, poker foi uma das mais úteis. Mesmo odiando o homem, ela tinha que admitir que ele era o melhor jogador que ela conhecia e era um professor bastante rigoroso, então Alex se sentia confiante em jogar contra Ryan.
— Poker — anuncia Alex com um sorriso confiante brincando em seus lábios.
Ryan ergue as sobrancelhas, impressionado, mas logo deu de ombros.
— Interessante. Achei que você escolheria algo mais previsível, tipo xadrez ou um teste de conhecimento aleatório.
— Ah, por favor!
Alex revira os olhos.
— Se vamos jogar, que seja algo que envolva estratégia, blefe e um pouco de sorte. Mas eu aviso, Booth, não conte com sorte. Eu vou te destruir!
Ele ri.
— Sorte nunca fez parte do meu jogo.
Os dois se sentaram à mesa de centro, atraindo a atenção de todos os presentes. Shelby, Isabelle e Betty se aproximam imediatamente, enquanto Caleb, Daryn e Jughead se jogam no sofá, observando com interesse.
— Isso vai ser bom — murmura Daryn.
— Isso vai ser um desastre — corrige Jughead.
— Não seja tão negativo. É sempre divertido vê-los competir — comenta Caleb.
Isabelle bate palmas, animada.
— Certo, vamos organizar isso direito. Nada de brigas, nada de socos e, por favor, tentem não incendiar a casa com essa rivalidade absurda de vocês.
Alex e Ryan trocam um olhar carregado de desafio antes de pegarem as cartas e começarem a distribuir as fichas improvisadas.
A cada nova rodada, a tensão entre os dois aumentava. Ambos eram excelentes em blefar, analisando cada expressão do outro em busca de fraquezas. Quando um parecia estar ganhando, o outro virava o jogo na última hora. O grupo ao redor assistia boquiaberto, sem conseguir prever quem sairia vitorioso.
— Eles são insuportáveis — resmunga Jughead, pegando um pouco de salgadinho que estava próximo dele.
— São perfeitos um para o outro — murmura Betty para Shelby, que sorri, concordando.
Após inúmeras mãos disputadas, com empates e reviravoltas sem fim, Shelby jogou as mãos para o alto, impaciente.
— Chega! — exclama a loira, interrompendo a partida.
Alex e Ryan olham para ela, confusos.
— O que foi? — pergunta Ryan, franzindo a testa.
— Isso está chato — declara Shelby, cruzando os braços. — Vocês poderiam ficar jogando poker até o nascer do sol e ninguém ganharia de verdade. Essa competição de vocês nunca leva a lugar nenhum!
Alex revira os olhos.
— E o que você sugere, então, gênio?
Shelby sorri travessa.
— Verdade ou Desafio.
A mesa ficou em silêncio por um momento antes de todos explodirem em reações diversas. Betty, Isabelle, Caleb e Daryn riram animados, enquanto Jughead gemeu de desgosto.
— Isso é um péssimo plano — murmura o rapaz.
— Isso é um plano perfeito — corrige Isabelle. — Se vocês querem competir, então façam isso de um jeito mais divertido.
Alex abre a boca para protestar, mas Ryan a interrompeu antes.
— Eu topo — responde, olhando diretamente para Alex, um brilho desafiador nos olhos.
Ela estreita os olhos.
— Você só topa porque se ilude, achando que pode me vencer nisso.
Ryan sorri.
— E posso.
Alex bufa, mas, para o espanto de todos, pega a garrafa no centro da mesa e a gira com força.
— Esse jogo é extremamente infantil e nem faz sentido, mas que seja. Vamos acabar logo com isso.
Isabelle, Shelby e Betty se entreolham, mal conseguindo esconder a satisfação.
O grupo se reúne em um círculo improvisado no chão da sala, chamando Archie e Veronica para jogar também. Ryan e Alex sentaram-se um de frente para o outro, como se já previssem que um confronto direto era inevitável.
Betty pega garrafa vazia, que Alex tinha colocado na mesa de centro anteriormente.
— Eu giro primeiro! — anuncia.
A garrafa gira lentamente.
Todos os olhares fixos no vidro cintilante enquanto ele rodopiava pelo chão. O silêncio se instalou no grupo, quebrado apenas por risadas abafadas e expressões ansiosas. Quando finalmente parou, apontava diretamente para Alex.
Betty bate palmas, claramente se divertindo com a situação.
— Perfeito! Alex, verdade ou desafio?
Alex lança um olhar para Ryan, que já estava sorrindo como se soubesse que ela escolheria desafio. Só para contrariá-lo, ela cruzou os braços e respondeu:
— Verdade.
Ryan franziu a testa, mas Isabelle não perdeu tempo.
— Certo...
Ela coloca um dedo no queixo, pensativa.
— Você já quis beijar alguém aqui nessa sala?
Alex bufa, revirando os olhos.
— Que tipo de pergunta é essa?
— Uma pergunta válida — responde Betty, piscando.
Por um segundo, Alex hesita.
Tecnicamente, a resposta era sim. Mas admitir isso, ali, diante de Ryan, não estava nos seus planos.
— Não.
Ryan inclina a cabeça, claramente se divertindo com a mentira descarada.
— Parrish, você é uma péssima mentirosa.
Ela apenas o ignora, pegando a garrafa para girar novamente. O vidro rodopiou, rápido, até finalmente parar... apontando para Ryan.
— Verdade ou desafio? — pergunta Alex, com um sorrisinho satisfeito.
Ele nem mesmo hesita. Estava determinado a jogar com tudo o que tinha.
— Desafio.
O sorriso de Alex cresce.
— Ótimo. Eu te desafio a...
Alex olha ao redor, procurando algo digno de humilhar Ryan, até que seus olhos brilharam com uma ideia.
— Tirar a camisa até o fim da próxima rodada.
Os outros gritam em aprovação, enquanto Ryan apenas deu de ombros, puxando a camisa para cima e jogando-a de lado.
— Isso é tudo? Achei que você fosse mais criativa, Parrish.
Alex cruza os braços, fingindo não notar o fato de que ele parecia ridiculamente confortável ali, sem camisa, exibindo um físico que não combinava em nada com seu ar convencido.
— Eu só estava pegando leve. Ainda tem muito jogo pela frente.
A garrafa gira novamente, seguindo de desafio em desafio, verdade após verdade. Alguns eram inofensivos, outros completamente embaraçosos.
Caleb teve que mandar uma mensagem de texto apaixonado para a professora de matemática. Archie foi desafiado a cantar uma música romântica para um travesseiro. Isabelle precisou correr pelo quarteirão, gritando que amava queijo. Daryn teve que responder a uma pergunta embaraçosa sobre seu primeiro beijo. Betty e Jughead tiveram que trocar de roupa e Veronica precisou passar um trote para um colega de turma.
Mas, inevitavelmente, a garrafa voltou para Alex e Ryan.
— Agora sim! — exclama Shelby, animada. — Dessa vez, escolham direito!
Alex olha diretamente para Ryan.
— Desafio.
Ele sorri.
— Eu sabia.
Ryan se inclina para a frente, pensando por um momento antes de finalmente dizer:
— Eu desafio você a me beijar.
O grupo explodiu em risadas, gritos e assobios.
Alex pisca algumas vezes, surpresa com o desafio, mas rapidamente recompôs sua expressão.
— Você só pode estar de brincadeira.
— Regras do jogo, Parrish — responde, dando de ombros. — Mas se quiser desistir, eu vou entender...
Alex não podia recuar. Não na frente de todo mundo. Não diante do olhar triunfante de Ryan.
Com o coração acelerado, Alex se inclina, segurando o rosto dele com as mãos, que tremiam levemente.
— Se é isso que você quer...
A garota endireita a postura, levanta o queixo e, sem dar tempo para seu rival reagir, avança contra Ryan. Seus lábios tocaram os dele com firmeza, sem pressa, sem fuga. Ryan, pego de surpresa, demorou um segundo para corresponder, mas quando o fez, a intensidade do momento aumentou. O que deveria ser um selinho rápido, apenas para cumprir o desafio, se transformou em algo mais.
O toque dos lábios de Ryan contra os dela fez o mundo ao redor sumir por um momento. Ele retribui na mesma intensidade, uma das mãos indo para a nuca dela, aprofundando o beijo.
O tempo pareceu parar até que Betty pigarreia alto.
— Uau, ok, já chega!
— Quanto fogo! — provoca Shelby, maliciosa.
— Vão para um motel! — grita Caleb.
— Nós estamos atrapalhando o casal? — brinca Archie, rindo.
Alex se afasta rapidamente, sentindo o rosto queimar, enquanto Ryan sorria, satisfeito.
— Calem a boca! — resmunga Alex, envergonhada.
— Isso foi... interessante — murmura Ryan, com a voz mais rouca do que o normal.
Alex limpa a garganta, tentando ignorar o olhar intenso dele sobre ela.
— Não se ilude, Booth, isso é só um jogo.
Mas ambos sabiam que era mentira.
E que, naquele momento, algo entre eles tinha mudado para sempre.
Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer mais alguma coisa, Isabelle bateu palmas novamente.
— Certo, hora de continuar o jogo! Ryan, sua vez de girar a garrafa!
Ryan pega a garrafa, mas seus olhos ainda estavam fixos em Alex. Ele gira o objeto, mas naquele momento, o verdadeiro jogo já acontecia longe da roda de amigos. Era algo apenas entre os dois.
E constatar isso faz Alex se sentir perdida e apavorada.
O coração da garota martelava contra o peito. O ambiente da festa se torna sufocante. Antes que alguém pudesse impedi-la, ela se levanta abruptamente e sai da sala, atravessando o corredor até a porta da frente.
Precisava de ar.
Precisava entender o que tinha acabado de acontecer.
Ela desce os degraus da varanda e caminha apressada pela calçada, sem rumo, tentando processar o que sentia. Mas não teve muito tempo para fugir. Passos firmes soaram atrás dela, e antes que pudesse reagir, Ryan segura seu braço suavemente, obrigando-a a parar.
— Alex, espera.
Sua voz estava diferente, sem o tom provocador de sempre. Apenas sincera, quase urgente.
Ela vira-se para encará-lo, os olhos brilhando com uma mistura de confusão e desafio.
— O que você quer, Ryan? Você não já ganhou o seu jogo? Não se divertiu o suficiente? — questiona Alex, irritada e... magoada.
Nem mesmo ela entendia o que acontecia consigo naquele momento.
Ryan passou a mão pelos cabelos, exalando uma risada sem humor.
— Você realmente não entende, não é? Isso nunca foi um jogo para mim.
Alex franziu a testa, sentindo seu coração disparar ainda mais.
— Do que você está falando?
Ele dá um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— De nós, Alex. De tudo isso. De todos esses anos competindo, discutindo, fingindo que odiamos estar perto um do outro quando, na verdade, é o contrário.
Ryan suspira.
Os olhos azuis encontram os dela com uma intensidade crua.
— Eu amo você. E acho que é desde que nós nos conhecemos. Eu estou cansado de fingir que não e que não quero beijá-la, quando isso é tudo o que tenho desejado desde a primeira vez que eu te vi.
O silêncio cai entre eles, pesado, eletrizante. Alex sente a garganta secar. Todas as respostas afiadas que costumava ter simplesmente desapareceram.
— Você está brincando comigo?
A voz da garota soa quase como um sussurro.
— Não dessa vez. Eu te amo, Alexandra Parrish. Amo vê-la irritada e mais ainda animada. Seu sorriso é como uma droga viciante que me faz querer vê-lo todos os dias. E eu odeio vê-la com outros caras e mais ainda que alguém a faça chorar.
Ryan balança a cabeça e um sorriso de canto surge em seus lábios.
— Mas, se quiser, podemos transformar isso em mais um desafio. Ver quem consegue ser menos teimoso e orgulhoso para admitir o que realmente sente, quando está claro para todos o que acontece com a gente.
Ela ri nervosamente, sem saber se queria bater nele ou beijá-lo de novo. Talvez ambos. Mas, naquele momento, pela primeira vez, Alex não tinha certeza de quem estava ganhando ou perdendo esse jogo.
A garota abre a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Seu coração martelava contra o peito, e tudo nela gritava para fugir novamente. Mas Ryan estava ali, diante dela, esperando.
Dessa vez, não havia provocações, nem sarcasmo, nem joguinhos. Apenas ele e o que sentia. Apenas Ryan sendo sincero consigo, expressando o que ela covardemente guardou por tanto tempo.
Alex desvia o olhar por um segundo, mordendo o lábio, tentando reunir coragem. Ryan sempre fora a pessoa com quem mais competia, mais discutia, mais desafiava. Mas talvez... talvez ele também fosse a única pessoa que a fazia perder completamente o controle.
Somente Ryan era capaz de tirar o melhor e o pior dela. Ao lado dela, ela se sentia embriagada, chapada por um sentimento maluco que a fazia odiá-lo e ao mesmo tempo... amá-lo.
Diante da sinceridade e doçura de Ryan, Alex já nem conseguia mais negar que seus sentimentos iam além da atração física. Ela se preocupava com ele, gostava de vê-lo sorrir e observar seus olhos brilharem.
Respirando fundo, Alex levanta os olhos para ele e sente a hesitação se dissipando aos poucos.
— Eu...
Ela faz uma pausa com a voz soando mais baixa do que queria.
— Você não é o único que sente isso, Ryan.
Os olhos dele se arregalam levemente, sem acreditar que estava diante de uma confissão por parte de Alex.
Quer dizer, ele conhecia Alex o suficiente para saber que, em situações normais, a garota não admitiria tão fácil assim seus sentimentos. No entanto, lá estava ela, diante dele, mais linda do que nunca, disposta a ser sincera com ele.
— O quê?
Ela ri, um som suave, mas carregado de nervosismo.
— Eu amo você, seu idiota competitivo. Acho que me apaixonei por você quando você conseguiu me tirar do sério em uma discussão ridícula sobre Romeu e Julieta.
— Que eu ganhei, certo? — provoca Ryan.
— Nem em seus sonhos — resmunga Alex. — Enfim, eu não fui capaz de aceitar que eu o amava, porque admitir isso significava perder... e eu nunca quis perder para você. Eu só... não podia aceitar. Quer dizer, eu deveria odiá-lo, certo?
Ryan solta uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Parrish, se amar você for perder, então essa é a única derrota que eu aceito de bom grado — garante o rapaz, aproximando-se de Alex.
Antes que ela pudesse responder, ele se inclina e captura os lábios de Alex com toda a paixão que ele sentia.
O beijo foi intenso, cheio de anos de tensão reprimida, de todas as palavras não ditas e desafios que agora pareciam insignificantes.
Alex desliza as mãos pelos braços de Ryan até se agarrarem à sua camisa, puxando-o para mais perto. Ele responde segurando sua cintura, mantendo-a firme contra si, como se finalmente tivesse vencido o único jogo que realmente importava.
Quando se separam, ambos estavam sem fôlego.
— Isso significa que o jogo acabou? — murmura Alex com os lábios ainda quase tocando os dele.
Ryan sorri e seus olhos brilham em diversão.
— Não. Acho que significa que estamos apenas começando.
E com isso, ele a beija novamente, selando de vez a história de um amor que nasceu da rivalidade, mas que, no fim, nunca foi apenas um jogo. Eles apenas estavam chapados pela loucura que era estar apaixonados.
Fale com o autor