Hidden Magic.
7 Capítulo VI
Notas iniciais
Capítulo VI
― Pela milésima vez, eu sei o que eu estou fazendo e já disse para não gritar comigo! – o menino gritou.
A mulher o fuzilou com os olhos, ela podia depender dele, mas também jamais suportaria aquele comportamento.
― Eu te acolhi, e te ajudei no momento que ninguém o quis, e é assim que me retribui? – ela o encarou.
O menino ficou quieto.
― Você sabe mais do que eu, que se não fosse por mim, estaria apodrecendo naquela floresta. Isso se os guardas não o encontrassem antes.
― Mas eu sei me virar!
― Soube! Uma vez, pelo medo! – ela atirou as palavras na cara do garoto. – E duvido muito que conseguira repetir a proeza, ainda mais agora que Richard sabe que esta vivo. Aquela peste, não devia ter contado que está aqui, agora será mais difícil ainda passar pelos portões do reino com trezentos guardas! – sua raiva era percebida.
O menino nada respondeu, continuava com sua cabeça baixa e seus olhos fixos no chão.
― Está tudo bem, meu amor! – ela se sentou e chamou o menino, que se sentou em seu colo e colocou seu rosto no ombro da mulher. – Prometi a você que não o iria abandonar e não vou. – ela sussurrou, enquanto acariciava os cabelos negros do garoto.
― Eu sei... Mas não queria estragar a vida dela. – ele disse, baixo.
― Mas não a quer só para você? Temos que fazer certos sacrifícios para conseguirmos o que queremos, e um deles envolve matá-lo, mesmo que a faça infeliz.
― Eu sei.
― Quando ele morrer, toda a magia que flui no seu corpo vai ser passada para ela, e enfim ela ficará forte o suficiente para ser uma de nós. Não é isso que quer?
― Sim... Mas é isso o que ela quer?
― Eu não sei, cabe a você descobrir. Agora vá se arrumar, pois o céu já escureceu o suficiente.
O garoto desceu do colo de sua tia e colocou sua capa negra.
Já estava pronto, e bufou. Pensar em sua irmã o trazia lembranças de sua mãe, já que ambos eram parecidas.
― E lembre-se querido. – a tia dele olhou nos olhos pratas do garoto. – Eu o amo muito.
― Eu também te amo, tia Nádia. – com essas palavras o garoto saiu da casa.
A noite estava calma, apenas a luz da lua cobria os caminhos, os deixando visíveis na escuridão.
O menino estava sozinho, apenas ele e sua própria sombra, que o seguia.
O vento batia em seu rosto jogando seu capuz para trás toda hora.
Seu destino era único, o Reino.
Seria difícil agora atravessar os portões, ele esperava de dedos cruzados que o número de guardas fosse o mesmo.
Caleb já estava andando por um longo tempo e já podia ver a torre do Reino, que se separava das milhares árvores que o cercava.
Escutavam-se ao longe passos e murmúrios.
O menino rapidamente se afastou, e seguiu em direção contrária, pensando em dar a volta.
Não queria passar pelo o que passou há dois anos.
Agora ele corria, querendo se distanciar o máximo possível.
Mas a floresta não estava calma, e só agora ele percebia que estavam o seguindo.
― Quem está ai? – um dos guardas gritou. Isso só chamou atenção de outros.
Agora guardas montados em seus cavalos estavam se aproximando.
― Pare agora mesmo! – o menino arfava com a correria, e podia ter a certeza que seus olhos estavam cinza escuro com o medo.
Sua magia estava à flor da pele, mas ele não a podia usar, não agora.
Logo os guardas ficaram para trás, se distraindo com outras sombras.
Mas Caleb não estava sozinho.
Apenas escutou a respiração de outro e a ponta afiada e gelada da espada em suas costas.
― Revele-se. – a voz de David foi firme. – Se não quiser essa espada o atravessando.
O menino se virou lentamente com o medo estampado no rosto.
― Tire o capuz! Agora!
Ele apenas abaixou o capuz e fitou David com os olhos assustados.
― Seu nome! – o Príncipe exigiu.
O coração do garoto estava na garganta, e a saída daquilo era inexistente.
Os outros guardas estavam chegando.
― Seu nome. Diga! – David gritou, mas o garoto saiu correndo.
― Homens, ele esta indo para o Reino. – O Príncipe gritou e logo tinha todos os guardas com ele, seguindo o menino.
Ele corria, e forçava suas pernas a o obedecerem. Seu desejo era cair e ficar deitado naquele chão coberto de folhas. Os portões estavam abertos, mas havia seis guardas de prontidão.
Passar seria impossível, mas não custava tentar.
Ele correu mais, os guardas se distraíram com o Príncipe gritando para que fechassem os portões.
Por sorte ele conseguiu passar, apenas sentindo a ponta das lanças roçarem sua pele.
Os plebeus gritavam, outro bruxo cruzou os portões.
O menino não tinha para onde ir, apenas tinha que seguir em frente.
Correu desesperadamente, empurrando corpos que ficavam em seu caminho. Não tinha direção, seguia por onde seus pés o mandavam. O que importava, era ficar fora de vista dos Cavaleiros e do Príncipe.
Mas, céus! Onde? Cada milímetro do Reino seria minuciosamente inspecionado. Não tinha um lugar para se esconder e tampouco para voltar. Na certa, os guardas o pegariam e ele teria que enfrentar a fúria do Rei, a fogueira. Ou então, seria morto imediatamente pelas lanças polidas dos guardas.
Decidiu então, contatar a irmã.
Concentrou-se nela, mas não deixou de correr.
“Alitzah!” — gritou em sua mente.
Do outro lado do Reino, sem saber do que estava acontecendo, Alitzah estava na janela, sacudindo a toalha de mesa. Nada mais do que cumprindo sua rotina diária.
Peretz estava na porta, tomando ar fresco. Subitamente, tinha se sentido mal mais cedo. Uma tontura o atingira, junto com uma terrível dor de cabeça. Felizmente, agora já estava melhor, sentado no degrau da frente e recostado no batente da porta.
E daquele lugar, só ouviu o arfar da irmã.
Alitzah ouviu o chamado de Caleb.
“Alitzah!” – ele gritava em sua mente. O pânico atingiu a garota.
“Caleb. O que aconteceu?” perguntou mentalmente, desesperada.
“David, Alitzah. Os guardas estão atrás de mim. Querem me matar!” gritou ele. “Ajude-me, Alitzah!”
O coração da garota estava disparado.
“O que você fez?” gritou ela.
“Nada, eu juro!” respondeu Caleb, inocentemente.
“Oh, Caleb! Não sei o que posso fazer!” ela agarrou-se na beirada da janela, tentando pensar em algum lugar.
“Por favor, Alitzah!” a voz dele estava cansada. “Estou com medo!”
E ela falou o único lugar em que pôde imaginar.
“Vá até o beco, mas não tenho certeza do que farei ainda.” – ela disse, tentando encontrar uma saída.
“Esta bem.” — ela sentiu que ele já tomava direção para o lugar.
“Caleb, você está ferido?!”
“Não sei.” – sua voz saiu como um gemido, como se ele estivesse cansado de mais ou com dor, e com isso, ela sentiu que o irmão não diria mais nada.
A garota logo correu até seu quarto e pegou uma de suas poucas capas, escolheu uma preta, devia disfarçá-la entre as sombras.
Ela disparou para o lugar.
― Aonde vai com tanta pressa? – interrompeu Peretz logo que a garota passou pela porta correndo.
― Visitar umas das servas do castelo, ela é minha amiga e ficou doente. – ela mentiu, com a primeira ideia que veio em sua mente.
― Bom conheço todos do castelo, posso ir também? Está um tédio aqui! – ele perguntou, sem saber de nada.
― Eu não sei, acho melhor não. – ela disse e saiu correndo, com medo que Caleb estivesse já no lugar com todos os guardas.
― Alitzah! Espera! – com isso Peretz saiu correndo atrás dela.
A menina corria com todas as forças que lhe faltava, a cidadela estava um caus. Pessoas tentavam arrumar as coisas que estavam caídas no chão.
O pânico estava estampado nos rostos delas, algumas trancavam as portas e janelas das casas, e era impossível não ouvir as conversas entre elas.
― O bruxo, que aquela senhora disse, voltou! – uma senhora conversava com um ancião.
― Eu sei, estamos condenados. Aquela criança está de volta e vai destruir a todos nós! – o senhor retrucou.
O coração de Alitzah se apertou. Como assim voltou? E destruiria? Ela torcia com todas suas forças que Caleb não fosse a “criança”.
Os cavaleiros e David rondavam a cidadela e vasculhavam todos os cantos, sua sorte era que o beco ficava perto do castelo, e eles estavam bem longe de lá.
Ela correu até o beco, mas não conseguia ver nada com aquela escuridão.
“Caleb?” – pensou, não querendo fazer o mínimo barulho.
― Aqui... – sua foz estava fraca. Ela correu até o fim do beco e conseguiu encontrar o menino.
Seu capuz estava caído, sua testa olhada de suor e seus olhos cinza escuros, algo que confundiu a menina, tentando se lembrar da última vez que havia reparado na cor dos olhos dele.
Sua respiração estava acelerada, e o garoto tremia.
― Está tudo bem! – ela o abraçou, o menino correspondeu cambaleando.
― Está machucado? – ela repetiu a pergunta abrindo a capa do menino.
Sua camisa branca continha pequenas manchas vermelhas.
― Está sim! – ela disse.
― É só um arranhão. Eu estou bem! Não está doendo... – ele disse tirando a capa da mão da irmã e a arrumando.
― Eu não sei o que fazer Caleb, logo eles iram procurar por você aqui e...
― Alitzah? – a menina foi interrompida pela voz de Peretz.
“Você o trouxe aqui!” – ele pensou, com a voz irritada.
“Desculpe-me”
Os dois se abraçaram, suas capas se mesclaram dando a impressão que era apenas uma pessoa. Alitzah torcia para que Peretz não prestasse atenção a eles, que estavam misturados com a sombra.
― Alitzah? Você está aqui? – Peretz insistiu em chamá-la.
― Caleb? – as atenções dos três irmãos se direcionaram para a figura que se formava nas sombras.
Uma linda mulher de mais ou menos vinte e poucos anos, morena, com sua pele alva e lábios cheios. E olhos pratas, iguais aos da bruxa que até então escapou.
― Caleb? Você está bem, querido? – Caleb se desprendeu da irmã e correu até aquela mulher estranha.
― Sim, tia. – ele disse, ainda com a voz fraca.
― Tia? – Alitzah perguntou lembrando-se que nem seu pai ou sua mãe tinham irmãos vivos. Sua mãe tinha uma irmã, mas que morreu nova e nem chegou a conhecer os sobrinhos.
A mulher apenas olhou para Alitzah e afirmou com a cabeça serenamente.
Caleb estava de mãos dadas com aquela estranha, mas como assim?
Só depois a menina percebeu seu irmão Peretz intacto na entrada do beco.
Seus olhos estavam arregalados e fixos no garotinho.
Que o olhava também sem surpresa nenhuma, e sim com um estranho olhar, de ódio.
― Você... Es... Está vivo? – sua voz falhava.
Caleb não respondeu nada, apenas o encarava.
― Sim! – quem respondeu foi a estranha mulher. – O ódio que sente por ele é imperdoável, Peretz.
Peretz não havia dito nada, apenas estava lá, parecia mais uma estátua.
Os olhos da estranha mulher mudaram de cor de repente, cinza escuros iguais a de Caleb alguns minutos atrás.
Ela começou a recitar palavras estranhas no qual Alitzah jamais havia ouvido. Parecia mais uma oração em uma língua antiga.
Peretz ainda não se movia, mas seus olhos pareciam estar sem foco algum.
― Agora verá as coisas diferentes Peretz, motivos verdadeiros de sentir ódio dele! – com essas palavras ela desapareceu nas sombras levando consigo o garotinho.
A última coisa que Alitzah presenciou foi seu irmãozinho acenando para ela, dizendo um simples “adeus”.
Alitzah ficou um pouco tonta.
As coisas passavam em sua cabeça sem fazer o menor sentido.
Que tia? E como assim levou seu irmão embora? Ele a conhecia como?
Várias perguntas sem resposta alguma.
Só depois de vários minutos em transe encarando a escuridão, voltou a si.
― Peretz? – ela chamou correndo até ele. O rapaz ainda estava em transe, com seus olhos sem vida fitando o vazio. – Peretz! – ela o chacoalhou.
― O quê? – ele perguntou, já de volta a si.
― Você está bem?
― Sim, por que não estaria? – ele olhou em volta e ficou confuso. – Eu duvido que essa sua amiga more aqui. – ele disse em um tom de sarcasmo.
Alitzah o olhou, indignada.
― Não se lembra de nada? De Caleb e daquela mulher?
― Mas o que você está olhando, que mulher? – ele se zangou com a garota. – Já disse que ele esta morto... Morto!
Alitzah apenas olhou para o chão.
― Está bem! Vamos voltar para casa antes que... – ela não queria preocupar o irmão, quase soltou que os guardas logo estariam ali e com certeza Peretz perguntaria o porquê.
Eles saíram do beco e nada mudara. As pessoas ainda estavam arrumando suas coisas apressadas, enquanto David e seus guardas reviravam tudo, inconformados de terem perdido uma criança.
Logo os gêmeos já estavam em casa.
― Finalmente achei vocês. Não custa avisar que vão sair para algum lugar. – Ariadinna gritava para os dois irmãos, mas com um sorriso nos lábios. — Sabem que se eu perdesse vocês, jamais iria me perdoar. – ela correu até os dois e os abraçou.
― Estamos bem. – os dois disseram em coro.
― A cidade está em alerta, parece que alguém invadiu o reino.
Peretz ficou olhando o vazio por alguns minutos e depois levou uma de suas mãos até sua cabeça.
― O que foi querido? – Ariadinna perguntou, preocupada.
― Nada, só a minha dor de cabeça voltou. Eu vou me deitar.
― Bom! Já está bem tarde mesmo, eu vou descansar também. – a menina deu um beijo estalado na bochecha de Ariadinna que sorriu.
― Boa noite a vocês dois. – a pequena mulher respondeu e também se dirigiu a seu quarto.
Quando Alitzah entrou em seu quarto, notou Peretz com a cabeça nas mãos e olhos fechados.
― Você está bem?
― Quem eram aquelas duas pessoas no beco? Eu não me lembro... – ele fitou a irmã, confuso.
― Ah... – a menina não sabia se podia responder, talvez não fosse para ele saber. Ela se lembrou que Caleb a pedira para não contar que estava vivo.
― Meu deus! Estou por ficar insano. – Peretz gritou, se levantando. – Alitzah quem era aquele menino? – ele perguntou já irritado e confuso.
Mas a menina nada respondeu, apenas olhava o irmão e mordia os lábios.
― Quem era? Por favor! Diga-me que não é quem estou pensando! – ele suplicou.
― E quem você está pensando? – ela perguntou se fazendo de boba.
― Caleb! Não acredito. Acho que estou louco mesmo! – ele parecia estar ficando louco.
― Eu não vou mentir a você... – ela encarou bem o irmão que esperava a resposta. – Caleb, nosso irmãozinho. Eu havia dito que tinha visto ele na...
Peretz abriu aporta do quarto com tudo e foi até a cozinha deixando a menina falando sozinha.
― Peretz! Peretz aonde você vai? – ela o parou ficando em sua frente.
― Avisar ao Rei que ele está aqui, e que vai voltar. – Alitzah estava boquiaberta, não acreditando no que acabara de ouvir.
― Não acredito Peretz! Dedurar seu próprio irmão!
― Ele não é meu irmão! – ele gritava. – E tem sorte de não dedurar você, pois sei muito bem que está o ajudando. Mas eu a amo, você e a única pessoa que tenho, e quero que fique assim para sempre, mas Caleb não possui a mesma sorte!
― Mas ele é seu irmão e devia perdoá-lo, sabe que não foi a intenção dele. – lágrimas desciam dos olhos da menina.
― Como sabe? Mamãe nunca te contou nada! E você não estava no dia que aconteceu! – os olhos de Peretz estavam cheios d’água, mas nenhuma lágrima escorria deles.
― Eu o vi Alitzah! E perguntei a mamãe que acabou me contando tudo! Ela estava desesperada e não tinha mais o papai para desabafar! Sei que ela escondeu as coisas de você, mas fez isso para protegê-la, o que deu certo até agora, mas você está se expondo ficando do lado dele!
― Ele é meu irmão, e eu vou ajudá-lo! – ela também gritava.
― Você não entende! Ele não é nosso irmão! Olhe para ele, não se parece conosco, não se parece com ninguém. Ele quase nos matou hoje. Se David tivesse nos visto com ele teríamos sido mortos por traição, morreríamos do mesmo jeito que a mamãe. Protegendo aquele desgraçado!
― Não fala assim dele!– Alitzah gritava e soluçava, as lágrimas desciam de seus olhos como uma torrente.
― Ele não é nosso irmão, ele não é nada nosso! Duvido que o sangue que corre em nossas veias corra nas dele. Ele não é nosso irmão! Não se lembra? Éramos jovens, mas é difícil esquecer. Papai faleceu antes de a mamãe descobrir que estava grávida daquele traste!
― O que esta dizendo? – a menina estava mais indignada ainda. – Isso não significa nada! Acha que mamãe...? Você está louco, mamãe nunca fez nada de errado e jamais nos deixou ou traiu sua família! Demora dias para uma mulher perceber que esta concebendo uma criança!
― E daí, que demora?! E aquela mulher, quem era ela? Não me vai dizer que é uma parenta nossa!
Alitzah não conseguia dizer nada, apenas escutava com a raiva e a tristeza misturadas em seus olhos. O que resultada em mais lágrimas.
― Ele é ruim! E não tem nada no coração. Não percebe que está a usando? Seja lá o que ele quer, não o ajude mais! – ele já estava abrindo a porta de casa.
― Peretz! Não o dedure, se não quer fazer isso por ele, faça isso por mim. Por favor! Eu imploro. – esse pedido saiu como um sussurro dos lábios da menina, que tinha seus olhos encharcados.
― Está bem! Eu vou pensar no seu caso. – com isso ele saiu de casa e bateu a porta com tudo.
Alitzah correu até seu quarto e desatou a chorar.
As coisas que Peretz haviam tido não podiam ser verdade. Caleb era irmão dela, e isso estava mais do que certo.
As lágrimas não deixavam de escorrer em sua face. Seus soluços eram altos.
Estava apenas confusa.
Mas quase percebendo que o que Peretz havia dito era verdade, mas ela não queria crer.
“Alitzah?” – seu irmão a chamou.
“Vai embora Caleb!” – ela pensou irritada e afundou seu rosto nas mãos chorando.
“Está zangada comigo?” – sua voz era doce e inocente, e isso deixava a garota mais confusa. Como ele podia representar algum risco?
“Alitzah”
“Caleb eu disse para ir embora!” – ela gritou em seus pensamentos. – “Quero ficar sozinha.”
Caleb não a chamou mais e nem a incomodou. A noite ficou silenciosa e tranquila.
****
Peretz ainda estava com uma terrível dor de cabeça, que até então voltara.
“Alitzah” – a voz de Caleb ecoava em sua cabeça.
Ele havia escutado a conversa dos dois mesmo não participando.
Mas como?
Era como se ele só estivesse presente de alma e não de corpo.
As vozes ecoavam em sua cabeça, o que piorava a dor.
As imagens de dois anos atrás também voltaram em sua mente. Memórias doloridas.
“Sua mãe estava na feira comprando o necessário para que eles vivessem bem e felizes.
Peretz a ajudava com as coisas e Caleb estava ao lado dos dois, de mãos dadas com sua mãe. Ele não mudara muito, estava como Peretz o viu, apenas seu tamanho era um pouco menor.
― Peretz! Olha o que sei fazer. – havia um sorriso nos lábios do garoto.
Os olhos dele de repente mudaram de cor e uma pequena chama de fogo surgiu onde ele olhava fixo.
Algumas pessoas olhavam indignadas e assustadas.
― O que esta fazendo? Para! – Peretz gritou não acreditando no que via. Sua mãe correu até o garoto e fez com que ele desviasse a atenção das chamas, que se descontrolaram e alcançaram uma carroça que carregava palha.
Algumas pessoas gritavam, estava começando a incendiar tudo. O fogo foi se espalhando e incendiando outras carroças e tendas.
― Um bruxo! – as pessoas gritavam.
Os olhos de Caleb ainda estavam escuros.
― Pare, filho! – sua mãe o puxou pelo braço. Os três correram para os portões tentando sair o do Reino, deixando suas coisas para trás.
A fumaça não deixava o caminho visível, mas eles conseguiram sair e entraram na floresta, correndo para a aldeia e rezando para que ninguém estivesse os seguindo.”
Peretz abriu os olhos novamente e cambaleou.
Sua cabeça estava cheia. Cheia de memórias e pensamentos indesejáveis.
Os guardas estavam rondando a noite, então ele bufou e decidiu ir para casa descansar, querendo que sua cabeça melhorasse e seu ânimo também. Ele precisava estar bem e descansado, não podia esquecer que tinha que acordar cedo e ir trabalhar logo de manhã.
Voltou para casa e logo entrou no seu quarto.
Alitzah estava dormindo, mas podia notar que chorou até apagar.
Seu nariz estava vermelho e seu travesseiro ensopado.
Ele cobriu a irmã e logo deitou em sua cama fechando os olhos.
Peretz se sentia estranho.
Como se estivesse em outro lugar ou dividindo os pensamentos com alguém.
Estranhamente ele sabia que Caleb estava dormindo e que seus sonhos, as memórias, as vozes, os pensamentos de seu irmão estavam ecoando em sua cabeça.
Não foi uma noite boa, mas pelo menos ele havia conseguido dormir.
Notas finais
esperamos que siim.. e aguardamos também os reviews de vocês... e é claro.. recomendações tbén. e please.. indiquem para os amigos, siim?!!! *faz carinha pidona*
bem amores.. é isso. até o próxiimo e até aos reviews. bjo bjo.
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