Hidden Life!
1 Encontro inesperado
Notas iniciais
Boate Fifty Shades, 26 de Fevereiro de 2017 (23: 50 p.m)
“Dione”
“Por que, por tudo que é mais sagrado, de tantos bares, boates, dancings e afins nesta cidade, alguns até mais a altura dele, Connor Rhodes tinha que vir justamente aqui no Fifty Shades? (é, o nome do lugar é esse mesmo e segundo seu proprietário foi E.L James quem o plagiou! Mas isso não vem ao caso agora!)— suspiro, mordendo minha unha sem, no entanto, quebra-la –“Não que seja um local baixo nível ou mal frequentado. Não, longe disso. A boate pode não ser considerada top mas com certeza é um local limpo, organizado, seguro (na maior parte do tempo), além de manter um rígido controle dos frequentadores: se arranjar confusão aqui uma vez, seja de qualquer tipo, nunca mais terá permissão para entrar novamente.
Ta, nunca mais é exagero meu! Mas que fica um bom tempo, e entenda aí um período que pode ser de meses ou até anos, proibido de frequentar o local...”
—Cinco minutos Di ! – Erico, um dos funcionários da casa avisa, tocando meu ombro, interrompendo meu fluxo de pensamentos – Miga, sua loca, você vai fazer alguns corações pararem de bater hoje!! Está linda! Gostosa! Arraso! Uma verdadeira ninfa devoradora de homens! – exagera, e tudo que consigo fazer é sorrir sem graça por detrás da máscara prateada (minha única exigência já que era uma opção), não me dando sequer ao trabalho de discutir seu erro mitológico – Relaxa fofa! Vai dar tudo certo, não é mesmo Xanta? – pede auxilio a loira, uma de minhas duas amigas que trabalham aqui comigo (na verdade foram elas quem me trouxeram pra cá!).
—Com certeza mona! – responde ela, tocando a mão dele no ar, sorridente, segurando as minhas quando Erico se vai, me encarando com seus brilhantes olhos azuis – Não tem porque ficar nervosa Di. Você ensaiou muito, está linda, basta manter o foco e nada vai dar errado! – tenta me acalmar.
—Já deu Tudo errado Xanta! – afirmo, apertando suas mãos com força – Não posso entrar nesse palco! Não hoje! Não sozinha! – exclamo, sentindo meus nervos “estalarem” sob minha pele ao ouvir o som de palmas anunciando que o número imediatamente anterior ao meu terminara , sentindo as pernas bambearem mediante a voz de Erico começa a me anunciar – É sério, não vou conseguir....
—Vai sim! Respire, fundo e faça o que te disse: escolhe um ponto, foca nele, sente a música e quando você menos esperar já estará dançando!! – orienta, me interrompendo.
‘ E agora, a primeira, a única, a rainha das ninfas e fadas...’
—Xanta não posso... – tento argumentar, sentindo suas mãos em meus ombros, virando-me para a abertura na cortina que dá acesso ao palco
‘ A linda, sensual...e misteriosa... Dione!! ‘ – Erico termina sua apresentação ao mesmo tempo que a iluminação no ambiente diminui enquanto focos de luz são lançados sobre o palco, o gelo seco ajudando a criar um clima mítico.
—Você pode, você consegue, você pode, você consegue! – repito baixinho, fechando meus olhos, deixando os primeiros acordes da canção invadirem não apenas meus ouvidos mas cada célula de meu ser, abrindo-os a medida que caminho seguindo o ritmo sensual , entrando no palco..
Play Dangerus Woman – Ariana Grande
“Don’t need permission, made my decision to test my limits;
Cause it’s my business, God as my witness start what I finished...
Seguindo o conselho de Xanta, miro um ponto ao fundo, por sobre as cabeças dos homens e mulheres que assistem, enroscando meu braço no pole, realizando meu primeiro giro, escorregando até o chão...
“...Don’t need no hold up, taking control of this kind of moment;
I’m locked and loaded, completely focused, my mind is open...
Ergo meu corpo lentamente junto ao pole, enroscando uma perna, esticando os braços, segurando firme para dar o impulso que preciso a fim de “subir” no poste de alumínio localizado no centro do palco, o vestido curto e transparente subindo deixando minha bunda a mostra, visto que a calcinha que usava mais revelava do que escondia, erguendo-me, girando, ficando de ponta cabeça, deslizando em espiral até tocar o chão novamente desta vez com as mãos...
“...All that I you got, skin to skin, oh my god, don’t stop boy!
Somethin’ bout you;
Makes me feel like a dangerous womam!
Somethin’ bout, somethin’ bout, somethin’ bout you;
Makes me wanna do things that I shouldn’t;
Somethin’ bout, somethin’ bout , somethin’ bout you...
Giro meu corpo no chão, engatinhando até a ponta do palco, deitando-me de costas, alisando meu corpo devagar enquanto o arqueio, apoiando minha cabeça e meus pés no chão, sentindo uma mão deslizar por meu braço direito prendendo uma nota no bracelete. Giro mais uma vez ficado de bruços, usando os braços para ergue meu corpo lentamente, abrindo escala ao sentar, voltando a deitar meu torso, girando novamente, apoiando pés e mãos, tomando impulso para me levantar...
“... Nothing to prove and I’m bulletproof and I know what I’m doing;
The way we’re movin’ like introducing us to a new thing;
I wanna savor, save it for late;
The taste of flavor, cause I’m a taker;
Cause I’m a giver, it’s only nature I live for danger;
All that I got, skin to skin, oh my God;
Don’t stop boy...
Me enrosco novamente ao pole, escalando-o, descendo em espiral, ficando de pé desta vez, rebolando até quase o chão com minhas costas grudadas a eele, as pernas abertas, subindo ainda rebolando, sentindo o tecido grudar em meu corpo devido ao suor revelando minha nudez parcial...
“Somethin’ bout you;
Makes me feel like a dangerous womam!
Somethin’ bout, somethin’ bout, somethin’ bout you;
Makes me wanna do things that I shouldn’t;
Somethin’ bout, somethin’ bout , somethin’ bout you...
Me dirijo ao lado direito do palco, caminhando lentamente, rebolando até chão novamente, virando de costas para a plateia, rebolando mais um pouco, levantando devagar, duas mãos tocado minha cintura, uma de cada lado, prendendo notas em minha calcinha, dando uma tapa leve em minha nádega direita antes que ficasse totalmente de pé. Giro meu torso tentando ver quem fora o atrevido, disfarçando minha raiva sob uma expressão sensual, caminhando devagar por toda extensão do palco indo de uma ponta a outra, repetindo o que fizera do outro lado, recebendo mais notas...
“....All girls wanna be like that, bad girls underneath like that;
You know how I’m feeling inside, somethin’ bout you!
All girls wanna be like that, bad girls underneath like that;
You know how I’m feeling inside, somethin’ bout you...
Volto ao centro do palco encostando-me ao pole, onde finalizo meu número enroscando uma perna, inclinando meu corpo até uma mão tocar o chão enquanto a outra alisa o tecido fino grudado como uma segunda pele começando por meus seios, parando em minha cintura juntamente com os últimos acordes da música, as luzes apagando-se.
Saio do palco ainda escuro entrando nas coxias, sentindo o pulso, o coração e a respiração acelerados.
—O que foi isso mulher!! – ouço Xanta dizer, me abraçando junto com Erico, que surge sei lá de onde.
—Chamem os bombeiros meu povo!! Miga, sua loca, você ar.ra.sou!! –comemora, pulando a meu redor -- Está ouvindo os aplausos e assobios? ?
—Para quem não queria ter seu próprio número você se saiu razoavelmente bem, santinha! – ironiza Carmenta, passando por mim em direção ao palco – Hora do verdadeiro show – me provoca, ou pensa que o está fazendo, puxando Erico para anuncia-la.
—Vem, vamos sair daqui. O ar ficou empesteado de repente – Xanta sugere, arrastando-me até os camarins, onde sento em uma das poltronas, dobrando as pernas e retirando a máscara, assim como ela, que senta à minha frente – Agora me diz, que surto foi aquele antes de entrar no palco??- interroga, soltando a linda cabeleira loira com mechas estilo califórnia.
—Connor Rhodes -- digo, direta, sabendo que não adiantaria nada esconder dela.
—O cirurgião gostosão do Med?? – pergunta e confirmo com um aceno – O que tem ele?
—Tem que o infeliz está na plateia, só isso! – revelo, vendo-a abrir a boca, surpresa – E não está sozinho. Vários médicos, incluindo os doutores Choi e Halstead!! – acrescento, mordendo meu lábio, retirando as notas (que só agora lembrei ainda estavam em meu bracelete e calcinha), contando-as, descobrindo, estupefata, que apenas naquele pequeno número já me rendera o aluguel do mês!!
—Agora deu pra entender – ouço-a dizer – Mas lembre-se Di, aqui poucas pessoas sabem quem nós somos fora daquelas portas – aponta em direção a saída – Essa é uma das razões por só nos tratarmos por nossos nomes fictícios aqui dentro – relembra, me fazendo rir ao lembrar de minha dificuldade no começo em separar as duas coisas – E com a s luzes, maquiagem, vestimenta e máscara duvido que alguém nos reconhecesse!! – frisa, rindo ainda mais – Agora me diz, o que achou de sua primeira vez?? Como se sentiu? – interroga, apoiando a cabeça nas mãos, atenta a minha resposta, mas antes que possa fazer isto, Erico irrompe porta adentro, afobado – Que é isso criatura!? Respira, respira! – Xanta comanda, dando leves batidas em suas costas.
—Dione minha deusa, digo, ninfa, se prepara que pagaram por uma dança privada! – avisa fazendo meu estomago revirar – Sem neura fofa, só dança mesmo. Já avisaram que nada de sexo.... A menos que você queira, evidente!! – pisca para mim.
— Sem chances! – friso, apertando as mãos nervosamente – Tem certeza que sou eu!? – questiono, esperançosa.
—Absoluta! – garante, segurando minha mão, fazendo-me levantar e girar em meu próprio eixo – Mas eu me superei desta vez não foi não gostosona? – pergunta, voltando-se para minha amiga.
—Com certeza mona! Tudo na medida certa, sem nenhum exagero – elogia, abrindo um de seus largos sorrisos, examinando-me de cima a baixo sem esconder a admiração – Pena que seja hetero linda, não iria te deixar escapar hoje!! – garante, mordendo o lábio em uma careta exagerada que me faz rir.
—Vamos logo fofa, põe essa máscara e me acompanha –ordena, batendo palmas.
Suspiro, dobrando o dinheiro que já conseguira, pondo-o em um cofrinho que entrego a Xanta para que guarde juntamente com o seu, pondo minha máscara novamente, ajustando ela e a “coleira” rendada em meu pescoço, aceitando a mão que me era estendida, acompanhando nosso misto de estilista / maquiador /coreografo / babá, deixando que me conduzisse escada acima, fazendo questão de passar pelo meio salão principal para exibir sua mais nova criação, parando em frente um dos últimos quartos adaptados para pequenos (e caros!) shows particulares, voltando-me para ele, arrumando meu cabelo, borrifando um liquido do frasco que retira de seu “cinto de utilidades” sobre eles, realçando meus cachos, ajeitando as flores neles aplicadas, ajustando meu vestido.
—Lembre-se: se algum dos presentes tentar alguma coisa, grite e Andrer entrara como um foguete – aponta o imenso segurança prostrado no início do corredor em uma posição que lhe permitia ver e ouvir todas as portas daquela ala.
—Presentes?? No plural?? – questiono, preocupando-me ao vê-lo confirmar.
— Um grupo de médicos, parte visitando a cidade, parte locais mesmo – revela, batendo levemente na porta antes de abri-la, entrando a minha frente, não me dando chance de pergunta mais nada – Senhores, nossa rainha ninfa! – diz assim que entramos, chamando atenção do grupo formado por nove médicos (se não contei errado enquanto me conduzia até o palco no canto onde normalmente estaria a cama – Tem uma hora a contar do momento que a música começar. Fiquem à vontade para escolher em nossa moderna junkie!! – aponta, dando um leve aperto em minha mão antes de sair.
Ao me ver sozinha com o grupo de homens, sinto pânico ameaçar tomar conta de mim ao reconhecer quatro médicos do Med: Downey, Choi , Halstead ...e Rhodes.
—Fique tranquila minha flor, ninguém aqui vai lhe fazer mal algum. Só queremos apreciar mais calmamente sua dança – um homem calvo, o mais baixo de todos, assegura na tentativa de me tranquilizar e sorrio minimamente, sentindo um frio na barriga quando Rhodes aproxima-se, prostrando-se ao lado da cadeira onde Halstead sentara, olhando diretamente para mim – Então senhores, já escolheram a música para nossa rainha ninfa?
—Já -- doutor Choi anuncia, sentando entre os doutores Downey e Halstead.
Assim que os primeiros acordes da música Come & Get It, de Selena Gomez, começa a tocar, mexo meu corpo sensualmente, enroscando-me ao pole, girando, dando as costas ao grupo, aproveitando para respira fundo, controlando meus nervos, ficando de frente para eles novamente, sentindo meu corpo arde diante do olhar desejo que Rhodes me lança. Ele e um outro médico que não reconheço de lugar nenhum, são os únicos a ficarem de pé durante todo o tempo.
Ao final da hora, recebo os aplausos, elogios além de uma generosa soma em dinheiro. No total dancei três músicas inteiras.
—Meus parabéns! – a voz grave de Rhodes chama minha atenção, fazendo-me erguer os olhos, encontrando os dele, mergulhando no mar azul e misterioso, arrepiando-me ao sentir o toque de sua mão na minha, ajudando-me a descer do palco, agradecendo seu cumprimento com um gesto de cabeça.
—Tentando encantar a rainha das ninfas Rhodes? – o mesmo médico que permanecera de pé a seu lado provoca-o – Não posso condena-lo por isso! – frisa, tirando minha mão da dele, levando-a a seus lábios mas tudo que vejo é o azul intenso que assume uma tonalidade mais escura.
—Dione, hora de ir – a voz de Erico me puxa de voltar a realidade.
Aceno para ele, voltando-me para o grupo, fazendo uma leve reverencia em agradecimento, saindo ao lado de Erico sem olhar para trás, soltando o ar que sequer notara ter prendido, consciente que quando deitasse a cabeça em meu travesseiro ao chegar em casa, fatalmente sonharia com um par de olhos azuis!!
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Apartamento de Connor (madrugada de domingo, 02:49 a.m)
Connor
Entro em meu apartamento seguindo direto para o quarto, despindo-me mecanicamente, entrando no box, ligando o chuveiro com força máxima, apoiando as mãos na parede a minha frente, deixando o jato atingir minhas costas e ombros em cheio, relaxando um pouco tanto da tensão do dia difícil no hospital quanto do tesão provocado por aquela ninfa encantadora e deliciosa!
Só de pensar nela, só de lembrar de seu corpo revelado pelo tecido fino grudado a ele como uma segunda pele, meu membro lateja.
Normalmente não me masturbo pensando em uma mulher especifica (alguns homens consideram isto uma espécie de homenagem), nunca gostei. Mas naquela madrugada não consegui me controlar. Ainda durante o banho gozei, de olhos fechados, imaginando toca-la, beija-la, possui-la, leva-la e ir a loucura me afundando dentro daquele corpo ao mesmo tempo inocente e sedutor, sentindo meu corpo relaxar após o jato aliviador.
Termino meu banho, enrolo uma toalha na cintura, uma outra enxugando meu cabelo e torso, deitando-me na cama, tomando uma decisão: voltaria naquele lugar quantas vezes fosse preciso até descobrir quem e onde encontrar minha ninfa misteriosa.
—Dione, ou seja lá qual for seu nome, vou descobrir quem é você! – prometo, deixando-me vencer pelo cansaço, caindo em um sono repleto de sonhos nada comportados envolvendo uma certa ninfa de olhos e cabelos cor de meu!

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