Hidden

8 Capítulo 7 - Constellations


Ela estava caindo.

Caindo no nada. Caindo no vazio, em um lugar onde nada existia.

Caindo de um lugar que não parecia ter fim.

Então, uma luz aparece. E com ela, uma voz.

Ela conhecia aquela voz, mas não conseguia reconhecê-la.

“Emma”, ela dizia, calmamente.

Quem estava falando aquilo?

“Emma, venha”

A voz a chamava. Mas para onde?

E subitamente, o vislumbre de um rosto.

Regina.

O sonho se dissolveu, e Emma voltou à realidade.

Ela realmente não sabia o que havia acabado de acontecer. Por que ela estava sonhando com Regina? E qual era o significado daquele sonho?

Nada parecia fazer sentido naquele momento, e dormir já não era mais uma opção, pois Emma já não tinha nem um pouco de sono.

Então, um pensamento, uma ideia extremamente equivocada. Mas não tinha nada para fazer naquele momento, e a pior coisa que poderia acontecer era ela ser mandada de volta para casa.

Vestiu um casaco por cima das vestes de dormir, pegou uma vela e saiu sorrateiramente pela janela, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho muito alto que pudesse levantar suspeitas.

Ao sair das propriedades do castelo, seguiu em direção à floresta. Em direção ao Palácio Negro.

Ela se arrependia profundamente de não ter colocado um sapato mais confortável. Faltavam somente alguns minutos para chegar no castelo de Regina, e os minutos que havia andado pareciam horas. A vela estava quase no final, e o líquido que escorria dela quase queimava sua mão.

E então, ela (finalmente) chegou. O lugar em si parecia estar com a mesma aparência de sempre, mas ela sentia como se algo tivesse mudado. Ou estivesse prestes a mudar.

Bateu à porta algumas vezes, mas ninguém atendeu. Viu, então, um pequeno feixe de luz. E quando foi bater (novamente) na porta, percebeu que ela estava aberta o tempo todo.

E mesmo sem ter sido convidada, ela entrou no castelo.

A atmosfera parecia estar diferente do que era durante o dia. Era um lugar gelado, o que havia feito Emma se arrepiar desde o momento em que entrou lá. Cada passo que dava parecia fazer um eco. Cada respiração sua fazia um som tão alto que ela sentia como se estivesse gritando.

Ouviu então um barulho, um tanto alto, que a fez se assustar, derrubando tudo o que tinha em suas mãos.

Regina parecia perplexa. E estava. Milhares de perguntas vinham à sua mente que, misturadas com especulações (sendo algumas delas fúteis e extremamente inúteis), a confundiam. Muito.

“Senhorita Swan! O que faz aqui, tão tarde?”, perguntou, com o mesmo tom de autoridade de sempre, e tentando ao máximo esconder a empolgação que sentia ao vê-la.

“Eu... realmente não sei”, disse, seguido de uma risada abafada e constrangida.

Regina olhou-a, confusa, e um tanto impressionada. Afinal, era preciso bastante coragem para ir à um lugar tão remoto, no meio da madrugada.

“Bem, não sei o que esperava encontrar aqui, agora. Não há nada de interessante para se fazer”, seu tom agora era frio, como se ansiasse para que ela fosse embora (mesmo que essa não fosse sua intenção).

“Mas-”, Emma tentou argumentar, mas a Rainha não mudou sua opinião.

“Sem ‘mas’, Swan. Sugiro que volte para sua casa, onde estará mais segura”, Emma olhava-a, o semblante tristonho, o que tornava o que tornava o ato (ou a tentativa) de mandá-la embora extremamente difícil, “Pare de me olhar assim. Não há nada para fazer aqui. Vá embora”

“Nós poderíamos conversar. Faz algum tempo que não nos vemos. Conte-me o que fez durante esses dias”, assim que falou aquilo, se arrependeu no mesmo momento. Às vezes ela esquecia que Regina estava presa lá, e que não tinha muitas coisas para fazer, “Ah, eu havia esquecido. Peço desculpas”, ela nunca havia se sentido tão constrangida.

“Sem problemas”, Regina respondeu, surpreendentemente calma, e rindo.

Elas permaneceram em silêncio por algum tempo, até que Regina voltou a falar.

“Bem, você venceu. Venha, vamos ‘conversar’”, disse, e gentilmente pegou sua mão, conduzindo-a até o jardim, onde se sentaram em um banco, extremamente próximas uma da outra. A proximidade ao mesmo tempo a acalmava e a fazia ficar tensa.

Agora, as flores haviam mudado. Ainda tinham uma grande variedade, mas em sua maioria eram frésias. Centenas delas, de diferentes colorações e tamanhos. E, como consequência, seu aroma havia perfumado o local, tornando-o mais agradável ainda.

Conversaram sobre os mais diversos assuntos. Emma contou à Regina como haviam sido seus dias (mesmo ela já sabendo), e a mesma fez Regina contar-lhe os dela. Falaram sobre flores (pois ambas tinham uma paixão inexplicável por elas), lugares que gostariam de conhecer, suas paixões e coisas que desprezavam. Naquele dia, passaram a se conhecer melhor, e profundamente.

No início, Emma estava com muita vergonha. Nunca havia ficado tão fisicamente próxima de Regina, e aquela proximidade lhe causava um grande desconforto. Mas, aos poucos, ela foi se soltando e no final já estava completamente confortável.

O jardim em si era um tanto abafado, mas a brisa noturna fazia com que não sentissem calor. A mesma brisa bagunçava levemente o cabelo de ambas. Os fios soltos do cabelo de Regina caíam em seu rosto, tornando-a ainda mais atraente e encantadora, aos olhos de Emma.

Não! O que estava pensando? Não poderia estar pensando aquelas coisas sobre Regina. Mas por mais que elas parecessem erradas, ao mesmo tempo pareciam tão certas. Regina havia a encantado de uma maneira inexplicável. E para Regina, o sentimento era recíproco, mesmo que não aparentasse (o que era exatamente sua intenção).

A proximidade voltou a ser desconfortável. O braço de Regina em alguns momentos encostava levemente no de Emma, o que lhe causava arrepios. Seu coração repentinamente passou a bater mais rápido, e ela começou a pensar na probabilidade de desmaiar naquele mesmo momento.

E é claro que Regina percebeu a situação de Emma. Até porque ela não era uma das pessoas mais discretas do mundo.

“Emma? Você está bem?”, questionou, tentando ao máximo esconder sua preocupação extrema (coisa que não estava funcionando). Segurava delicadamente sua mão e olhava diretamente para ela.

O calor da mão de Regina contra a sua, junto de algumas várias respirações, surpreendentemente, a acalmou.

Ela olhou de volta para Regina e, agora sorrindo, disse:

“Sim. Estou ótima”, e até ela mesma acreditou naquilo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.