{Hiatus} What The Hell Is A Hufflepuff?
7 Capítulo 6 - Aquele com a Corvina doente
Notas iniciais
Quando olhei para o relógio pela oitava vez só tinham se passado 3 minutos desde a última vez que eu havia chegado o mesmo relógio. Abaixei minha cabeça por um momento, encostando minha teste na superfície gelada da mesa. Ao meu lado, uma grifinória que eu não conhecia mexia distraidamente em uma de suas tranças. Minhas pálpebras estavam pesadas como chumbo e eu mal conseguia piscar sem que aquela vontade de fechar os olhos me atingisse em cheio. "Só por uns segundinhos" Pensei. "Fechar meus olhos por uns segundinhos, que mal pode fazer?" Balancei minha cabeça para afastar aquele pensamento. Sabia muito bem que se eu fechasse meus olhos por só alguns "segundinhos" eu iria dormir ali mesmo, em cima da mesa gelada, babando em cima do livro.
Não era uma das minhas aulas favoritas, mas nunca fora tão chata quanto naquele dia. Além do mais, eu estava preocupada com Natan. Não que eu estivesse começando a correr atrás dele, mas fazia um tempão que eu não falava com ele — basicamente, desde que que o Potter interrompeu nosso passeio em Hogsmeade. Ainda me sentia meio culpada por estar mais animada para saber sobre quadribol do que interessada no que ele tinha para conversar, mas não podia impedir de me sentir assim.
Quando o professor finalmente nos libertou me segurei para não me ajoelhar ali mesmo, no meio da sala, e agradecer a Merlin em alto e bom som pelo término da aula. Achei que não seria uma boa ideia. Mais noites de detenção era tudo o que eu mais queria naquele momento, se entende meu sarcasmo. Enfiei meu livro na bolsa rapidamente enquanto andava pelo corredor. E, como de costume, trombei com alguém. Juro que nunca vou entender essa minha habilidade de simplesmente sair esbarrando nas pessoas. James me segurou pelos ombros.
– Uou, está tão animada assim para a próxima aula? — Perguntou e em um tom de brincadeira. — Fred queria falar com você sobre os, hum... planos. Bombas de bosta e... essas coisas.
Percebi que James olhava para os lados sem parar enquanto falava, como se aquele fosse um assunto muito importante e sigiloso. Claro, como se ninguém soubesse o que os dois faziam.
– Hum, ok. Já o convenceu a parar de me chamar de "pequeno gafanhoto"? — Perguntei e ele sorriu meio culpado.
– Nem tentei convencê-lo. É o apelido que ele arranjou para você, fazer o que né? — Ele encolheu os ombros como se dissesse "É a vida, né?". — Te vejo depois, loirinha.
Mal deu tempo de falar para ele não me chamar de loirinha, ele já tinha dado a volta em outro corredor. Dei de ombros e fui encontrar Lea para que pudessémos ir à aula de Adivinhação, mas ela acabou não aparecendo. Fiquei meio preocupada. Sim, era verdade que Lea não gostava de estudar, não fazia todas as lições, e era verdade também que é inteligente pra caramba (Não é a toa que ela é uma Corvina), mas ela não faltava a menos que algo realmente sério tivesse acontecido. Acabei encontrando uma garota da Corvinal que também estava indo para a aula de adivinhação. Ela andava nos corredores com a cara enterrada em um livro grande que tinhas as páginas amareladas. O mais legal é que ela não prestava nem um pouco de atenção no corredor, mas não esbarrava em uma pessoa sequer. Diferente de certas pessoas estabanadas, mas enfim. Fui até ela e toquei seu ombro. Ela se virou para mim sem tirar os olhos do livro.
– Hum, com licença? — Perguntei, sem muita certeza se ela estava me ouvindo ou não.
Ela levantou tirou sua atenção do livro e olhou para mim. Não parecia muito feliz.
– Conhece Lea Louliese? Ela é da Corvinal, meio alta, cabelo escuro, não gosta de...
– Conheço, conheço — Ela me interrompeu, fazendo um movimento com a mão como se não se importasse muito. — Ela está na enfermaria.
Franzi a testa. Enfermaria? Lea nunca chegava perto da enfermaria. Uma vez foi até a porta e então me pediu para entrar e pedir uma poção para dor de cabeça para Madame Eudice, e isso foi provavelmente o mais perto que ela gostava de estar. Nem pude perguntar o que aconteceu, a outra garota da Corvinal disse que se eu quisesse saber eu teria que ir até lá e perguntar eu mesma, porque já estavamos atrasadas para a aula, além disso, nem deixou eu ir até a enfermaria, simplesmente saiu me arrastando pelos corredores até a sala esquisita e mal-iluminada de Adivinhação. Aquele cheiro doce que me enjoava não me abandonou até o final do dia, quando finalmente pude ir visitar Lea.
Mas logo que sai da última aula do dia, Natan me esperava do lado de fora da sala. Sorri tentando parecer simpática, quando na verdade estava com bastante pressa.
– Ei, faz tempo que queria falar com você — Ele disse.
Sorri meio sem graça.
– Eu sei, desculpe por aquele dia em Hogsmeade. Quando eu cheguei você já tinha ido embora...
Ele me interrompeu, dizendo que estava tudo bem, embora eu tivesse visto nos seus olhos que ele não estava bem. Talvez magoado por uma garota tão especial como eu ter o abandonado, ou, se quisermos pensar em coisas realmente possíveis, ele provavelmente estava meio chocado por ter sido abandonado por uma garota. Você sabe, com todas aquelas fangirls na escola e tudo mais... Enfim, ele balançou a cabeça, do mesmo jeito que eu fazia quando queria afastar algum pensamento e me focar em alguma outra coisa.
– Eu só queria te dar as Boas Vindas, já que você é a nova apanhadora da Lufa-Lufa.
Um, dois, três, quatro, cinco. Cinco longos segundos. Foi isso que demorei para perceber que ele estava falando sério e que eu realmente era a nova apanhadora. Era isso, eu fazia parte do time. Ele me passou o horário dos treinos enquanto eu agia feito uma louca e agradecia até demais. Então eu só quis correr ainda mais rápido para a enfermaria e contar a novidade à Lea, mesmo que ela tivesse sofrido um acidente gravíssimo e não pudesse nem me ouvir, eu contaria do mesmo jeito, porque estava animada demais para falar sobre outra coisa.
~
Disse para Madame Eudice que queria ver minha amiga e, apesar da cara feia, ela me deixou entrar, fazendo-me prometer que demoraria só alguns minutos. Assenti e andei até Lea, que estava deitada com algo que se parecia com uma bolsa de água quente na cabeça. Apertava os olhos bem fechados e gemia de dor de vez em quando.
– Lea? — Perguntei, sem ter muita certeza se ela estava acordada.
- Becky?
- Não, não. Sou Lorcan Scamander — Brinquei.
Ela abriu um olho e logo o fechou.
– Nem pense em dizer o nome desse garoto de novo — Disse ela, secamente.
Não sabia se ela estava brava comigo por alguma coisa ou se só estava com dor de cabeça, decidi não perguntar. Ela parecia estar com um dor de cabeça bem forte e eu só iria piorar a situação fazendo perguntas idiotas.
– Então, vai me contar o que aconteceu? Porque eu atropelei uns três meninos do segundo ano para chegar aqui na enfermaria a tempo...
– Não aconteceu nada muito importante, sabe? Eu estava na aula de poções... E tem esse menino que realmente não é bom nessa matéria, e a poção dele, que deveria ficar de uma cor escarlate ficou verde-musgo e com uma textura esquisita, meio pegajosa. Então o idiota do Scamander simplesmente disse que eu não teria coragem de beber aquilo — Contou, falando tudo tão rápido que era difícil acompanhar. — Aí eu bebi.
– Tá, entendi. A pergunta é: Por quê?
– Porque ele não é ninguém para falar que eu não conseguiria fazer alguma coisa e... — Aí ela começou a tossir de maneira incontrolável e Madame Eudice simplesmente me expulsou da enfermaria antes que eu pudesse contar minha novidade.
~
Depois do jantar minha animação acabou, e não havia resultado de teste de quadribol nenhum pudesse melhorar a situação. Me encontrei na porta do salão principal com Alvo Potter, sem a menor vontade, é claro, mas sabendo que era isso ou ser pendurada de cabeça para baixo no salgueiro lutador pelo professor Nélius. (E embora eu achava aquela árvore briguenta muito mais agradável que o Potter, eu realmente queria passar de ano, então não podia me recusar a detenção).
– Uau, você chegou no horário. E sem atropelar ninguém — Potter comentou com um sorriso no rosto. — Isso é algum tipo de recorde?
Sorri totalmente sem vontade de dar alguma resposta a ele.
– Onde vamos começar? — Perguntei impaciente, esperando que ele me levasse para a sala de DCAT ou algo assim. Ao envés disso ele sorriu de um jeito estranho e fez um gesto com a cabeça para que eu o seguisse.
– Vem, vou te mostrar.
Quando nós chegamos ao lugar, em mal pude acreditar que tinha andado tanto para aquilo. Eu nem sabia onde eu estava (Sim, seis anos em Hogwarts e eu ainda conseguia me perder naquele castelo. Incrível), mas com certeza aquele lugar não tinha nada de especial.
– Uau — Exclamei falsamente, me aproximando e alisando a superfície. — A maravilhosa, grandiosa e magnífica... parede.
Ele revirou os olhos e me puxou para longe da parede de novo. "Olhe" Ele sussurrou, enquanto eu observava o mesmo lugar esperando que algo acontecesse. E aconteceu. Uma coisa estranha começou a se formar na parede... uma porta. Abri a boca quase que sem perceber; eu realmente estava impressionada. Por que além de me perder em Hogwarts, seis anos numa escola de magia e eu ainda não tinha aprendido a não me impressionar tão fácil assim. Tudo parecia como da primeira vez, quando eu vi o castelo enorme no meu primeiro ano. Se as crianças puro-sangue, que sempre viveram entre bruxos e sempre ouviram falar de sua futura escola já ficavam de boca aberta, imagine a reação de uma nascida-trouxa.
Ele girou a maçaneta e a porta se abriu, revelando o lugar mais legal que eu já tinha visto em toda minha vida.
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