[Hiatus] Sweet Dreams
2 Parte II
Notas iniciais
Demorei mais do que eu gostaria, perdoem-me. Fiquei enrolada, porque tive prova de Introdução a Ciência Política ontem. Isso mesmo, ontem. Em pleno sábado. A vida não tá fácil pra ninguém KKKKKKKKKK
Enfim, espero que gostem do capítulo!
Finn ficou enlouquecido com o que aconteceu na pequena despensa de sua casa. Ele já participara daquela mesma brincadeira várias vezes, mas nunca havia sido daquela maneira. Quando escolhiam garotas que ele conhecia, sempre descobria facilmente, pois, provavelmente, já provara daquele beijo anteriormente. Quando escolhiam garotas que ele não conhecia, ele nem se interessava em procurar, porque, geralmente, eram tímidas demais para, sequer, chegar mais perto dele. E garotas assim não o interessavam naquele momento da sua vida. Mas aquela tivera a mistura correta de cautela e ousadia, alcançou de primeira seus pontos fracos e por fim fez com que ele não pudesse se conter. Finn agarrou Rachel por não conseguir ficar nem mais um segundo sem sentir a textura dos lábios daquela que roubara sua razão em poucos minutos e com poucas, e estratégicas, ações. Ele queria muito voltar a sentir os lábios dela. Mais que isso, queria acabar o que começaram lá dentro.
Quando Rachel fugiu de seu toque e desapareceu, ele sentiu sua pele reclamar. Ele precisava de várias doses a mais daquela garota misteriosa. Finalmente deixaram que ele saísse daquele local apertado. Colocou as mãos na cabeça, ainda tentando acreditar no que acontecera e caminhou para fora. Chegou a implorar para Brittany para que desse ao menos uma dica de quem era garota que ela tinha escolhido.
"Infelizmente não posso te falar, Finn. São as regras e eu não vou quebrá-las".
Finn deu uma volta pela casa tentando perceber qualquer sinal que pudesse fazer com que ele reconhecesse a garota misteriosa. Ele geralmente já sabia de cara, nunca variavam muito. Mas daquela vez ele tinha certeza que tinha sido alguém que ele nunca tinha estado. O beijo era diferente, o toque era diferente. Tudo nela gritava desconhecido e aquilo estava fazendo com que Finn mal conseguisse pensar com a cabeça de cima.
"Onde você estava, cara?" Puck brotou do chão ao lado dele. "Perdi meu amigo de vista, minha garota. O quão bêbado eu estou?".
De repente uma ideia maluca passou pela cabeça de Finn. Não seria tão improvável já que coincidências daquele tipo aconteciam muito, até sem o fator surpresa envolvido.
"Ela te deu o perdido há quanto tempo?" Finn quis saber.
"Ela me deu o perdi... EI!" Reclamou, Puck, com a voz arrastada. "Eu não a vejo há uns vinte minutos". Fez as contas nos dedos, entregando o quanto alcoolizado estava.
"E eu posso saber quem é essa sua garota de hoje?" Finn debochou, posto que Puck nunca ficava com uma garota duas noites seguidas. Ele deveria, ao menos, intercalar.
Puck sorri maliciosamente, orgulhoso de sua conquista. Aquela noite em especial, ele tinha a consciência de que havia se dado muito bem.
"Santana Lopez"
Rachel havia tomado banho e encontrava-se de pijama, deitada em um colchão ao lado da cama de Kurt. Ela ainda não conseguira tirar a sensação dos lábios de Finn nos seus de sua mente. Tudo ainda parecia mais um sonho dela. Um sonho comum e frequente, mas que só realmente acontecia em sua imaginação.
Kurt entrou no quarto rapidamente, parecendo assustado. Quando a viu mudou seu semblante. Colocou a mão no peito e soltou todo o ar dos pulmões, aliviado. Ele estava procurando Rachel por toda a casa há bastante tempo e começara a ficar assustado por não tê-la encontrado ainda. Mandou uma mensagem para Santana, que também a estava procurando, dizendo que estava tudo bem com a amiga, aparentemente fujona, deles.
“Rachel, você quase me fez ter um problema cardíaco!”
Ela queria se desculpar por ter sumido, queria demonstrar em suas feições que não queria tê-lo preocupado. Porém com a lembrança de seu momento com Finn, intacta em sua cabeça, indo e vindo a todo o momento, ela estava ficando desconcertada e não conseguira se concentrar direito. Kurt quis saber o que acontecera com a amiga e ela se pôs a rir. Era uma mistura de felicidade e nervosismo. Rach não sabia se queria dizer, não sabia como dizer, mas por fim fora convencida por Kurt a contar o porquê de estar tão agitada, sendo que estava fugida da festa.
“Eles me colocaram naquela brincadeira, amigo”. Ela finalmente achou uma maneira para começar a contar. Kurt abriu a boca o máximo que pôde, chocado, já sabendo de que brincadeira se tratava. “E você não vai imaginar quem estava lá dentro”.
Kurt primeiramente achou que fora alguém muito ruim, já que ela tinha fugido. Chutou vários nomes e não conseguiu acertar. Rach não conseguia proferir aquele nome tão simples, de apenas uma sílaba, então fez com que o amigo quebrasse a cabeça para descobrir. Por fim chegou ao time de futebol e ela disse que estava esquentando. Ele disse mais alguns poucos nomes até cair em si e ligar os pontos, entender o porquê de Rachel não querer falar e ter saído da festa.
“AI MEU DEUS! FOI O FINN!?” Fez um pequeno escândalo no quarto.
Rachel escondeu o rosto no travesseiro, entregando-se.
Kurt começou a falar sem parar, querendo saber todos os detalhes, quando uma Santana raivosa entrou no quarto. Ele foi até ela, quase pulando de tanta empolgação, para tentar inteirá-la dos acontecimentos.
“¡Quitate a la verga!” Pediu que Kurt saísse de seu caminho, áspera. “Depois você me conta, no momento estou com pressa. Um aprendiz de imbecil, que não tem suporte o suficiente para beber direito, derrubou Coca-Cola em mim”. Disse com raiva. “COCA-COLA!” Repetiu incrédula. “Como se não bastasse ter perdido meia festa atrás da Hobbit, agora eu pareço uma amoeba. Onde eu encosto eu grudo”.
Santana tirou sua blusa, lavou rapidamente os braços na pia de Kurt e colocou a blusa que antes a amiga vestia. Rachel reclamou baixinho, por ter certeza de que jamais teria aquela peça de roupa novamente. E então a latina deixou o quarto, batendo a porta.
Ela voltou para festa e chegando lá encontrou Puck tão bêbado, jogado em uma espreguiçadeira da piscina, que não teve vontade alguma de continuar o que havia começado com ele. Quem saíra perdendo não fora ela em sua, nada humilde, opinião.
Sant foi buscar uma bebida para ela, já que ficara entediada. Mistura de tédio com sobriedade passava longe da equação de uma festa, ao menos, aceitável na concepção dela. Chegando a cozinha, sentiu duas mãos em sua pequena cintura. Eram mãos grandes. Aquilo a agradou, talvez ainda tivesse chance de a noite ser salva. Ela sentiu a mão passear por toda a extensão de suas costas e arrancar arrepios de sua pele. As pontas dos dedos dele desenhavam caminhos em sua pele quase nua, o que deixara aquela experiência mais interessante. Sant ainda não tinha virado para descobrir quem era, porque gostava de jogar. A sedução para ela era um jogo, o melhor de todos, e o qual ela era profissional. Segundos depois sentiu a proximidade do abordador misterioso, em seu ouvido.
“Sabia que era você” Ela ouviu aquela voz rouca e sentiu o hálito do rapaz tocar sua nuca. Aquele ponto tinha quase certeza de que se entregaria. “Eu me lembro dessas tiras” Terminou sua sentença, enquanto brincava com as tiras da blusa que Sant cortara mais cedo para Rach.
Naquela hora ela percebeu que tinha alguma coisa errada. Virou-se rapidamente e deu de cara com Finn. Praguejou-se por ter sentido desejo, nem que por um pequeno momento, por Finn Hudson. Ela o achava desengonçado, com cara de feto e para piorar, a falta de sex appel dele aos olhos dela era inerente e imperdoável. Também sabia que Finn era área proibida mesmo que, se por acaso, ela tivesse vontade de apenas passar o tempo, pois sua amiga era loucamente apaixonada por ele. Rachel nunca admitira para ela, porém o terceiro olho mexicano de Santana não a deixava ficar de fora daquele detalhe. E seu terceiro olho mexicano nunca errava.
Sant empurrou Finn, com brutalidade, para longe e ele riu rouco, usando todo seu charme.
“Você perdeu a cabeça, Frankteen? Eu, com toda minha vasta imaginação, não consigo imaginar uma única razão que tenha te feito pensar que poderia tocar em mim!”
Ele lançou seu olhar sedutor nela e se aproximou, abraçando-a pela cintura e beijando seu pescoço. Sant de princípio não soube o que fazer, por ter sido pega de surpresa. Ela não sabia que ele teria coragem de se atrever a tanto. Mas retomando sua consciência, ela deu uma joelhada nas partes baixas dele, com força. Finn caiu de joelhos, com a mão entre as pernas e Sant pôde se afastar.
“Se você se atrever a fazer isso de novo, eu não vou pensar duas vezes antes de fazer coisa pior! Você sabe de onde eu venho e o que fazemos lá” Sant ameaçou.
Finn olhou para cima, buscando seu olhar, ainda sentindo muita dor.
“Eu sei que você também me quer! E quer terminar o que começamos na despensa”.
Santana ficou muito confusa sobre a parte da despensa, então resolveu ignorar.
“¡No me chingues!”
Resmungou antes de resolver sair de vez daquela festa. Tudo dera errado, então ela não queria mais permanecer ali. Voltou para o quarto de Kurt a passos largos, enquanto bufava. Estava com os nervos a flor da pele. Pensava que não faltava mais nada para acontecer a ela depois que fora cantada por Finn Hudson. Aquele fora o ponto alto de acontecimentos absurdos em sua vida até então. Ela o insultava no colégio, ou fora dele, sempre que tinha alguma chance. E realmente queria dizer tudo aquilo, não falava da boca para fora para representar um papel.
Entrou no quarto do amigo e bateu a porta. Kurt se irritou e disse que se aparecesse alguma rachadura na porta dele, mandaria a conta para a casa de Sant. Ignorou, estava muito transtornada com o que acabara de acontecer. Tirou a maldita blusa de tiras e a jogou longe.
“Não quero mais ver essa blusa, me deu muito azar!” Falou enquanto ia até o guarda roupa de Kurt, revirou até encontrar alguma blusa simples e comprida o bastante para que ela pudesse usar para dormir.
Rachel e Kurt se entreolharam, querendo saber se outro havia entendido o que a latina quis dizer. Pelo visto não. Santana jogou-se no colo da amiga, no pequeno colchonete ao chão e bufou.
“O que foi, enfezadinha do oceano?” Rachel falou, brincando. Tentando retribuir todas as vezes que a amiga tirara sua paciência.
Santana a encarou feio e os dois amigos riram dela.
“Não tem nada que você gostaria de me contar, Hobbit?” A latina cutucou e Rach corou imediatamente. Ela não sabia como Santana sempre descobria tudo, mas passara a não achar que a amiga estava blefando quando soltava indiretas, porque geralmente era embasada em algum fato já descoberto anteriormente. “Pelo visto sim, não é? E eu poderia apostar que tem a ver com Moby Dick me agarrando na cozinha, dizendo que se lembrava bem das malditas tiras que eu cortei naquela sua blusa” Sant desandou a falar sem pausas. “Não sei como alguém gostaria de ser encharcado por litros e litros de suor vindo de um homem-baleia com cara de feto, enquanto terminam a tal coisa que estavam fazendo na tal despensa, mas se me pedissem para chutar uma pessoa...” Ela olhou para Rach. “Adivinha quem eu falaria?”
“Espera! Finn te agarrou na cozinha?” Kurt perguntou revoltado por pensar que seu irmão se envolvera com suas duas amigas na mesma noite.
“Ele bem que tentou, mas eu mostrei para ele que não se mexe com quem cresceu em Lima Heights”. Santana falou firme, orgulhosa de suas origens.
Rachel ainda tentava processar o que acabara de ouvir e ligar os pontos. Não conseguia decidir se aquilo era algo bom ou ruim. Mas de toda forma ela estava com tanta vergonha do que tinha feito que não queria ser descoberta de nenhuma forma, logo, Finn confundi-la com Santana poderia ser uma vantagem se olhado por esse lado.
“Estou esperando, Yentl!” Sant falou, referindo-se a Rachel. “Eu vou ter que fazer pergunta por pergunta, uma mais indiscreta que a outra, ou você pode descomplicar as coisas e simplesmente me contar o que aconteceu entre você e a Finessa?”.
Rachel deu-se por vencida já de primeira, preferia não ter que ouvir as perguntas sórdidas que poderiam sair da mente maligna de sua amiga. Então contou sobre sua experiência na bendita brincadeira. Santana mal pôde acreditar que Rach realmente tivera coragem de tomar a atitude e aproveitar o momento ao menos uma vez em toda sua adolescência. Sentiu orgulho.
“Você precisa ir atrás dele, Rachel! Pelo o que eu pude notar, melhor do que eu gostaria, ele gostou muito desse momento de vocês”.
Rach corou por alguns segundos e sorriu, mas logo sacudiu a cabeça negativamente. Não tinha a intenção de deixá-lo descobrir sua identidade.
“Não, Sant! Ele se animou porque pensou que fosse você! Eu não quero que ele saiba que fui eu”. Admitiu.
Kurt e Santana começaram uma briga interminável com Rachel, tentando convencê-la de que ela era linda e de que Finn tinha ficado louco pela garota da despensa, não por pensar ser Santana. Mas ela não queria ouvir. Já tinha decidido que ia guardar aquele momento na memória e não deixaria que mais ninguém soubesse. Fez os amigos prometerem guardar segredo. Aquela história jamais poderia sair daquele triângulo.
Nem Santana, nem Kurt concordavam com a decisão da amiga, mas a respeitaram.
Finn estava deitado em sua cama, olhando para o teto e repassando os momentos da despensa em sua cabeça. As lembranças também estavam muito vivas para ele. Sentiu-se arrepiar com cada detalhe relembrado. Teve a certeza de que sentiu as tiras das costas da blusa quando abraçou a garota, mas ele não conseguia achar motivos para Santana mentir sobre o acontecido. Talvez ela estivesse com medo, ou vergonha. Lembrou-se de todos os xingamentos que a garota tinha na ponta da língua para atacá-lo sempre que o encontrava e sorriu. Talvez fosse apenas um mecanismo de defesa, talvez ela já gostasse dele há algum tempo. Tomou uma decisão e sorriu. Ele não desistiria até que Sant admitisse que fora ela. Talvez ele estivesse ficando maluco, mas talvez ele tivesse sentido algo muito forte e incomum no momento em que os lábios dele tocaram os da garota da despensa.
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