Hey, you've got to hide your love away

3 Since you've gone I've been lost without a trace


Notas iniciais
Música Every Breath You Take do The Police. Se você me perguntar, essa música não é lá muito "celebrar a vida" não. Mas, bem, queria mesmo aproveitar um pouco do angst que esse casal oferece :v Aproveitem e me digam o que acharam!

Depois que Rick morreu, Kieren dormiu por três dias.

As lágrimas, amargas e salgadas, já tinham a muito secado em seu rosto, e ele passava os breves intervalos entre cair no sono de exaustão depois de tanto chorar encarando o vazio. Em sua mente, era quase como se Rick estivesse bem ali, e Kieren observava cada movimento sem graça, cada sorriso tenro, e as memórias eram o suficiente para trazer as lágrimas de volta.

Às vezes, chorava tanto que seu peito doía, o pulmão não encontrando ar suficiente entre aquele mar salgado, e ele soluçava e chorava ainda mais, a mão apertando o suéter folgado como se quisesse arrancar à força o coração despedaçado que se quebrava, pedaço por pedaço, ali dentro. Em outras, as lágrimas deslizavam silenciosas por seu rosto, e estas vezes talvez eram as piores. Porque, enquanto entregue ao desespero, não havia lugar para os pensamentos, só a dor, selvagem e indomável. Não havia espaço para reviver toda e cada memória dele, e saber que nunca mais seria capaz de vê-lo.

No final, Kieren chorava mais do que dormia, e quando fazia o último era só para sonhar com ele.

Ren se sentia perdido, abandonado. O futuro brilhante e feliz que sonhou meros meses atrás era subitamente sombrio e misterioso. Sem Rick, ele tinha perdido seu caminho, e não conseguia encontrar em si a vontade para seguir em frente, como todos lhe diziam para fazer. Um pouco patético, como a perda de alguém conseguia desmoroná-lo tão facilmente, ele muitas vezes ponderava ao observar as paredes em branco de seu quarto. Mas Rick… Rick não era um alguém qualquer.

No frio da noite, Kieren desejava o abraço dele mais que tudo e, se ele se sentisse desesperado o suficiente (o que era quase sempre), abraçaria a si mesmo, fingindo, por um momento, que aqueles braços eram os dele.

Um sorriso ilusório apareceria, sempre acompanhado de uma lágrima solitária.