— Vai fugir agora que perdeu no jogo para mim, seu gayzinho? – Eu provoquei.

— Cala a boca! — O moreno continuou andando – Ainda terá revanche, foi só um jogo do Mario.

— Porque uma coisa é certa, ninguém ganha do Sasuke no Guitar Hero.

Eu gargalhei bem alto e com muito sarcasmo.

— Está brincando? Eu sou muito boa no Guitar Hero.

— Você não tem chance nenhuma contra mim, nanica.

Sasuke estalou a boca e eu abri um sorriso zombeteiro gigante no meu rosto, observei o garoto voltar a se aproximar do sofá.

— Medo de jogar e perder? – Desafiei.

— Não.

Sasuke pegou o controle do Wii e se jogou ao meu lado no sofá, sem querer, encostando-se no meu ombro. Eu senti um choque de surpresa – eu não gosto de encostar-me nas pessoas, prefiro ficar longe delas e nunca estivesse próxima assim com alguém como Sasuke. Afastei-me dele, incomodada. Apertei o botão start no Guitar Hero escolhendo uma das músicas mais difíceis.

— Pronta? – Sasuke me encarou. Me perguntei se o incômodo tinha só me afetado ou se ele estava fingindo muito bem, realmente não sabia como as pessoas conseguiam ficar tão próximas das outras. Resolvi ignorar essa parte e balancei a cabeça, afirmando.

Itachi torceu para mim, é claro. Ele não queria morrer tão cedo. Três minutos depois, Sasuke estava xingando mil e um palavrões para cima de mim por eu ter ganhado.

Dessa vez, quando estendeu as mãos eu bati com tanto força que fez as duas ficar vermelhas e a samara praguejou por segundos.

— Que idiota! – Eu disse para Sasuke que rodava o controle em suas mãos preparando mais um jogo para tentar me vencer.

Joguei-me no sofá dando um encontrão em Sasuke sem me importar com a proximidade agora, eu queria mais era mostrar qual o próximo jogo que ele iria perder mais uma vez para uma nanica como eu.

...

Puxei um carrinho de compras e o coloquei na reta do corredor do supermercado. O idiota do Uchiha, quando se deu conta de que iria perder em todos os jogos que tinha naquele Wii para mim, levantou a bunda do sofá – arrastando Itachi junto – e pegamos o carro direto para o supermercado depois que eu reclamei que estava com fome pela décima vez.

Nesse mesmo segundo, ele me empurrou, colocando suas mãos no carrinho, fez uma careta e disse:

— Eu levo o carrinho, você coloca o que quiser.

Eu revirei os olhos, ajeitei o boné vermelho na cabeça e corri na direção do corredor de biscoitos salgados; ouvi Sasuke gritar de longe o meu nome e o barulho das rodas do carrinho dele atrás de mim. Gargalhei.

Na seção dos salgadinhos, eu fui puxando alguns pacotes de Ruffles, Doritos e algumas outras marcas de salgadinhos. Olhei para trás, Sasuke se enrolava tentando passar por uma fileira de carrinhos com mulheres e seus filhos. Ele acabou batendo no carrinho de uma mãe com seu filho de dois anos, que logo começou a chorar com o susto, eu gargalhei bem alto e o Uchiha me lançou um olhar mortal, pedindo desculpas para a mãe e o bebê.

Veio atrás de mim e me puxou pelo braço, logo eu comecei a fazer drama. Vai que a sorte bate na porta e chega um segurança levando o idiota para o presídio – aí eu fico em casa torturando moreno com minhas batatinhas na mão.

— Não me bate! Por favor, irmãozinho, não faça como ontem, meu braço ainda está todo vermelho! – Eu gritei pelo corredor fingindo que estava chorando, algumas mães arregalaram os olhos para Sasuke.

— Isso é mentira! – Ele gritou – Ela nem é minha irmã de verdade! Sério, não me olhem assim! Cala a boca, Sakura!

— Ele vai me matar me ajuda por favor!!! – Eu gritei para a mesma mãe que ele bateu o carrinho e assustou a criança.

A mulher deu um tapa forte de deixar marca dos dedos no rosto de Sasuke, que me soltou no mesmo instante. Ela andou com raiva para outro canto, eu parei toda a minha encenação e fiz uma careta perversa para o Moreno, que estava vermelho de raiva. Comecei a rir, baixo dessa vez.

— Aaaaaah, Sakura! Sua demônia! – Ele falou com raiva.

Eu coloquei as batatinhas no carrinho e me virei de volta para o corredor. No segundo seguinte o carrinho bateu com força nas minhas costas, mas antes que eu gritasse para acusar Sasuke, Itachi apareceu do nada e calou minha boca com as mãos – eu mordi seu dedo e o moreno me xingou.

— Não corra pelo supermercado, sua mini-capeta! – Sasuke me repreendeu e eu mandei o dedo médio para ele com uma careta – Essa mulheres estão me achando maluco agora. Itachi, dá um jeito nessa criança. Eu vou colocar uma caixa de Cheetos só para mim!

— Foda-se, agora eu peguei as Ruffles mesmo. – Eu dei de ombros soltando os cachorros com a boca.

De repente, o Itachi colocou as duas mãos em cada lado da minha cintura – eu gritei – e fui jogada dentro do carrinho de compras. Gritei mais alto ainda e podia jurar que aquela mesma mãe se aproximava para bater em Itachi dessa vez, mas ele saiu do corredor me carregando junto no carrinho.