Hey, Potato!
10 Vinas, penais, bolachas. Que saudade!
Notas iniciais
~sábado logo de manhã~
Mari
Cansaço, sono, fome, saudade, angústia, nervosismo. Seis palavras que, no momento, definem o que estou sentindo. Cansaço da viagem, muito longa. Sono porque não consegui dormir direito (espero que consiga na ida para Salvador). Fome porque meu pai não fez meu cappuccino. Estou morrendo de vontade e ele não traz! (Tá, eu dou um descontinho, ele é mais velho que eu, então deve estar ainda mais cansado). Saudade é o que estou sentindo perante minhas amigas e meus bebês lá de Londres. Angústia e ansiedade: quero vê-las logo, saudade aperta. E por último, não menos importante, nervosismo. Até porque, vou ver minhas pequenas! E ainda não caiu a ficha!
-Filha? – meu pai apareceu com uma bandeja de madeira, tradicional. Xícara de cappuccino, torradas fresquinhas e, hum, o que é aquilo embalado?
-Oi pai, entre!
-Aqui está seu café e seu presente.
-Meu presente?
-Eu e suas amigas, as cinco que tu ia ver, sabe? – Não, não conheço mais minhas amigas, pai! (Nem teve ironia, que isso! E acabei de ironizar novamente. Trágico.) – Então, nós se ajudamos e compramos para você. Para você relaxar, escrever seus textos, escutar suas músicas, e ainda mais, jogar angry birds. Tá aqui. – ele me entregou a embalagem. Senti um pesinho, uma placa fina e...
-Não acredito nisso, um iPod! Pai, muito obrigada!
-Filha, tá, você já tem um iPhone que faz tudo isso e ainda cabe seu chip. Mas veja pelo lado bom, não vai gastar muito a sua bateria pra quando precisar falar conosco! E, você não deve agradecer a mim, eu dei a menor quantia, e sim, deve agradecer a elas. – ele levantou e saiu do quarto, e ouvi um “Psiu!”. Quando olhei para frente, vi cinco cabecinhas na porta. Travei, não consegui levantar, elas entraram no quarto, cada uma me deu um abraço e eu disse:
-Eu amo vocês. Obrigada por tudo, minhas meninas! Mas calma, meu pai disse que...
-Era mentira! – as cinco falaram juntas, e a Maria continuou – cara, a gente pediu para ele mentir – “DESCULPA” só deu para ouvir o grito do meu pai lá da sala – continuando o que eu estava dizendo... – ninguém se aguentava mais e começava a rir... Aquilo havia sido hilário! – Porque da mentira, é simples. Nós queríamos a surpreender!
-E conseguiram! Muito obrigada gente, sério!
-De nada Mari! – elas falaram em conjunto. De repente, eu escutei meu iPhone tocando. Uma mensagem, com um número que não tenho salvado. Quem será?
~mensagem on~
“Oi amor. Você sabe quem eu sou, mas não tem meu novo número. Posso ligar-te?”
“Pode! Mas, quem é?”
~mensagem off~
E não me respondeu mais. Quando notei, ele estava tocando novamente, mas agora como ligação. “Atende logo!” e “Vai que é gato…” eram as expressões das meninas. Resolvi atender.
~ligação on~
-Alô…
-Oi amor!
-Sua voz não me é estranha…
-Claro que não, você é minha melhor amiga. – nessa hora travei, não podia ser ele. Não podia!
-Ge Ge Ge Ge Ge Geraldo? – dei uma pequena gaguejada, mas estava tudo bem.
-Sim, eu mesmo minha marida! – tocou no fundo do coração agora. Cara, meu melhor amigo, tem noção do que é isso?
-Marido, que saudade cara!
-Muita saudade amor! – pausa a ligação. Meu pai chegou à porta do quarto, olhou pra mim e disse:
-Mari, venha… Vamos almoçar.
-voltando – Amor, eu vou almoçar agora.
-Isso, vem almoçar… Beijos… amo-te!
-Beijos, também te… Espera… Vem?
~ligação off~
Como assim? Vem? Eu vou almoçar e… Ahh calma. Vem? Tem caroço nesse angu! Só passei a manhã com as meninas, e logo cada uma foi para sua casa. Gabi e Jaque estavam amigas. Amigas? Bom, então ta né. Maria ficava com a Ge e com a Rafa, mas como sempre, a Rafa era meio avoada, então… Nem se enturmava muito com o assunto delas. De lá, meu pai me colocou na garupa de sua nova moto. Meu sonho de moto, uma Intruder 1500 preta (cara, essa moto é muito linda, saca só), e saímos. Coloquei meu novo capacete, e na minha bolsa, guardei meu iPhone, meu iPod, meu boné pra colocar quando tirar meu capacete, um brilho de menta, pastilha pra dor de garganta (essa mudança brusca de estação me deixou assim, que animador) e uma câmera fotográfica. Sim, estava me sentindo A diva. Mas, como nada é perfeito, eu não sou diva. Espero que meu pai me leve num ligar bom, estava morrendo de saudade da minha cidade linda, minha Curiiba que tanto me orgulho.
André
Oi, não devem me conhecer, não é mesmo? Sou o André, um dos primos da Mari. Eu e ela somos os primos do meio, por mais que a diferença entre nós de três anos seja um pouco considerável. Ela é uma bobona, grudenta, lunática, sonhadora, mas… É a prima que tanto me orgulho em falar. Ela estava em Londres, e devo admitir, estava com saudades dela. Ficar sem alguém para me encher o saco era ruim de mais. Ela é amiga da minha namorada, de quatro amigos meus e uma amiga. Pois é, todos eles são amigos em comum nossos! Isabela, Adriano, Jonathan, Caio, André (nós o chamamos de loira) e Luisa, em ordem. Preparamos uma surpresa para ela. Chamei todos eles citados acima, nossos parentes em comum, e alguns amigos, e o pior é que eu que tive que chamar todo mundo. Estava tudo desligado, salão fechado, quando ouvimos alguém bater na porta. Era meu tio, o pai dela. Ele abriu a porta ela perguntou:
-Pai, não tem ninguém aqui. – quando o pai dela acendeu a luz, nós levantamos e berramos:
-SURPRESA! – ela começou a chorar, ficou super feliz, meus pais abriram as janelas, arranjaram todo o salão novamente, e viemos a sentar. Ela sentou na mesa com os amigos dela, deu oi pra todo mundo, e chegando na minha vez:
-Eu lhe exijo uma explicação pra tudo isso Mister Gordo!
-Ué, queria fazer uma surpresa, e consegui né?
-Sim, conseguiu bobão.
-Minha maneca linda! – dei um abraço super forte nela, e ela disse sussurrando em meu ouvido:
-Obrigado por me fazer feliz todo esse tempo. Sim, sou grudenta, chata, uma “pestinha”, mas é porque te amo muito.
-Eu também te amo muito, eu sempre fui grosso com você, brincalhão, mas tu sabe que Stapassoli, tem que ser tudo na base da brincadeira.
-É, verdade… Tanto que, disso, eu posso lhe garantir que não senti falta! – ela disse rindo.
-Das brincadeiras?
-Não não, de você mesmo – ela não parava mais de rir, quando eu disse:
-Não sentiu falta do primo mais lindo do mundo?
-BRINCADEIRINHA! – ela gargalhava, e eu fui junto… Riamos igual dois babacas, quando uma mão tocou no meu ombro:
-Hey, posso falar com a Mari um instante?
-Acabou de chegar aqui né?
-Uhum, mas eu fui convidado. Posso? – eu olhei para a Mari, e com o olhar ela me respondeu que podia.
-Pode, estou me retirando. Mari, qualquer coisa chama o primo aqui, ta?
-Tá bom amor…
Mari
Estava muito feliz, estava falando com todos, fiz uma social. Fiquei um pouco com meus amigos, meus irmãos. Porém, fiquei pouco tempo. Fui para a mesa onde estavam meus primos e minha tia mais nova. Meu primo preferido, chato, gordo, banguela, Mané, filho da mulher que faz cupcakes e ainda roqueiro, e lindo (é mole ser prima de um cara perfeito desses?), o André, foi conversar comigo. O papo tava fluindo bem, até que um menino do qual eu me lembrava da feição, mas não me vinha o nome na cabeça, tocou no ombro do meu primo, meu primo virou e ele falou:
-Hey, posso falar com a Mari um instante? – disse o garoto. Aquela voz era muito conhecida… Mas, estava alto demais para ser ele. Não podia ser!
-Acabou de chegar aqui né?
-Uhum, mas eu fui convidado. Posso? – meu primo olhou para mim, e com meu olhar extremamente sexy (mentira) eu confirmei que podia.
-Pode, estou me retirando. Mari, qualquer coisa chama o primo aqui, ta? – que fofo o André hoje gente! Só pode ter fumado algo… Vou perguntar pro Adriano depois.
-Tá bom amor… — confirmei. Meu primo se retirou, e o menino pediu para eu sentar ao lado dele. Sentei-me. Ele ficava olhando para mim e eu falei:
-Não vai falar o que você quer?
-Cara, eu tenho saudade de quando jogava pipoca em você. – CARA COMO EU NÃO PUDE RECONHECER! É O FELIPE! Levantei, ele levantou junto, pensando que eu estava com raiva, mas não. Eu o abracei e continuei:
-Caralho, que saudade! Mas ainda estou MUITO mal com tudo o que você fez comigo.
-Era sobre isso que eu queria falar. Sim, eu estava com saudades de você. Saudades, muita. Sabe? Pois é. E, sim, eu te amo. Você ainda significa muito pra mim, Mari. Eu me arrependo cada instante por tudo de ruim que já fiz pra ti, cada lágrima que fiz você derrubar. Você é uma grande amiga, sabe animar o dia de cada um ao seu redor, por mais que o seu esteja uma merda. É por isso que eu te amo. Perdoa-me? Sim, todas as vezes que dizia que a Roberta era minha melhor amiga, eram pra te provocar. Sabia que tu ficavas com ciúme, mas, nunca foi minha intenção me afastar de você. Agora, você tem uma vida em Londres, vai ficar lá até o meio do ano, vai conhecer mais gente, mais meninos, e daqui a pouco não serei nada pra você. Mas, eu nunca esqueci você. Tudo que você já fez por mim. E eu vou repetir todas às vezes necessárias: Me perdoa? – era o Felipe naquele corpo? Óh, Deus, cuida desse menino. Era isso mesmo. Ele levantou, eu levantei e comecei meu pequeno e sentimental discurso:
-É foda ouvir isso agora, justo agora. Tu sabes que eu to longe, morando em Londres, tem noção? São mais de 9000 km, e agora, eu não posso te ver toda semana, como antes. Sim, sim, eu perdôo você! Mas tenha uma pequena noção, de quanto eu sofri sem você, por causa de você. Fiquei dias e dias mal. E sim, você sempre estará dentro do meu coração, senhor Felipe. Porque eu te amo, e tu sabes que é meu irmão. Sempre foi. Não tem como te esquecer!
-Mesmo, amor?
-Sim. – ele me olhou, com uma lágrima escorrendo em seus olhos e disse:
-Eu te amo, minha nerdzinha!
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