Hey, I Love You, Seaweed Brain!
4 Trair e perdoar.
Notas iniciais
E me desculpem pela demora, é que estou de castigo por culpa de dois 4,5 no boletim, graças a minha falta de atenção. Mas já fui perdoada e vou estudar muito para que isso não aconteça de novo!
MAS ENFIM, APROVEITEM!
-Já estamos longe o suficiente? — eu disse, um pouco impaciente. Nós estávamos andando em silêncio por uns 10 minutos, e eu queria saber a história que ele tinha para me contar.
Ele sorriu e pareceu escolher as coisas para falar.
-Luke e Thalia namoraram há algum tempo. Não sei se foi por causa da nossa insistência, ou por vontade própria, mas isso tudo durou mais de um ano — ele disse. — Eles não eram só namorados, eram melhores amigos, sempre contavam um com o outro para tudo.
Ele fez uma breve pausa, mas depois continuou:
-Mas, em um dia, precisamente na festa de aniversário de um amigo deles, Luke traiu ela. Eles não falaram muito sobre a história, mas duvido que tenha sido algo justo.
-Com "justo" você quer dizer o quê? — eu perguntei, mesmo já tendo entendido o que ele queria dizer.
-A garota, Zöe, deve ter embebedado ele, ou drogado. Só lembro que ele estava completamente fora de si, brigando com todo mundo que tentava ajudá-lo. — ele olhou para mim, e eu pedi pra ele continuar, com um simples olhar. — Ele foi embora cambaleando para casa, sozinho, negando ajuda. A Thalia desabou de chorar e ela se tornou a pessoa de hoje; um pouco fria e cautelosa. E eles preferem evitar qualquer tipo de relacionamento.
-Mas ele não tentou se explicar? — eu perguntei, com um pingo de raiva. — Quero dizer, ela merecia desculpas e uma explicação!
-Eles não se olharam por mais ou menos um mês. Ela ignorou qualquer tipo de contato com ele... Mas acho que ele tentou ligar.
-Hum... E a garota? A Zöe?
-Eles ficaram mais algumas vezes. — ele disse, quase zombando. — Mas ela desistiu dele depois que as coisas ficaram fáceis demais. Quero dizer, ela queria confusão.
-Sei qual é o tipo dela — eu disse, quase para mim mesma.
Ele riu, mas eu estava tão atônita com a história que nem olhei para ele e perguntei o motivo de estar achando engraçado.
-Você já traiu alguém? — eu perguntei para ele.
Comecei a associar a situação da Thalia e do Luke com a dos meus pais. Quero dizer, houve traição e abandono, e alguém da história foi errado. Será que minha mãe tentou dar alguma explicação? Ou fui eu quem criou uma imagem errada dela?
A expressão de Percy, de repente, ficou rígida.
-Não gosto dessa palavra — disse ele, olhando para a linha do horizonte.
-Traição?
-É.
-Ela te afeta tanto quanto a mim, eu suponho — eu disse, olhando para a mesma direção. Como uma palavra pode significar tanto?
-Muito — e então, ele pareceu, por um momento, triste.
-E perdoar? — eu disse, levando para o meu lado pessoal. Será que eu sou capaz de perdoar?
-É uma palavra forte, mas um sentimento fácil — ele disse, olhando nos meus olhos.
-Você é capaz?
-Depende.
-No seu caso — eu disse logo me arrependendo. — Quero dizer, em relação a traição.
Ele pareceu um pouco confuso, mas mesmo assim respondeu a minha pergunta.
-Seria difícil, no começo. — ele começou. — Mas é preciso perdoar para viver em paz! Concorda?
-Mas e se eu não conseguir? — e eu já conseguia sentir as lágrimas "queimarem" meus olhos.
-Ei — ele disse, ficando triste, também. — Tudo que é difícil uma hora passa. Não sei muito sobre a sua história, Annabeth, mas sei pelo brilho nos seus olhos que seu coração é bom.
Suspirei. Toda a dor do meu coração passou, por uns instantes. Palavras doces são bem-vindas, e mais bem-vindas ainda quando são inesperadas ou quando elas vêm na hora certa.
-Obrigada — eu disse, quase sussurrando.
-Se você quiser conversar, qualquer hora, estou a disposição — ele disse, depois de alguns segundos.
-Seria abuso da minha parte — eu disse, sendo orgulhosa demais para dizer um "sim".
-Por quê? — ele disse. — Se você não me procurar, eu te procuro, a todo o momento.
Eu ri. Achei engraçada a maneira em como ele disse aquela frase, em um jeito persuasivo.
Se eu fosse esperta o suficiente, teria percebido na hora que isso era uma brecha para começar uma nova amizade. Mas isso eu só fui perceber horas depois, deitada em minha cama, revendo todos os acontecimentos daquele dia.
Depois daquela caminhada e conversa, voltamos em nossos "meios de transporte" — apostando corrida — até a rua de nossas casas. Todos os outros ainda encontravam-se lá, só que em grupinhos: meninas de um lado, meninos de outro. O clima ainda estava tenso, e toda a alegria que eu sentia se dissipou quando eu me lembrei do que Percy havia me contado.
Eu podia entender agora o motivo dos olhos azuis de Thalia serem tão intimidadores. É que, em um momento, eles cansaram de serem doces e convidativos, e atrair pessoas más.
Eu só desejava que ela me contasse essa história para poder consolá-la da minha forma. Mas enquanto isso, eu ia treinar para esse momento, e ficar pronta para o dia em que ela choraria na minha frente e que nós compartilhássemos a mesma dor.
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