Hey, I Love You, Seaweed Brain!
2 Fazendo amigos.
Notas iniciais
Acordei com a minha mãe me chamando, parada perto da porta. Sentei-me na cama e olhei para ela, um pouco sonolenta.
-Que horas são? — eu perguntei, olhando em volta. Por um momento eu achei que ainda estava em casa.
-9h40 – ela disse, meio sem jeito. – Desculpa te acordar tão cedo, é que pensei que você gostaria de um tempo para se arrumar com calma.
-Ah – e por um momento eu não entendi, até lembrar-me de que receberíamos visita. – Acho que vou tomar um banho agora, então.
-Sua toalha é a rosa, já está lá no banheiro. Quer que eu passe sua roupa?
-Ah, não, obrigada – eu disse, um pouco sem graça. Ela não precisava ser tão boazinha comigo, não precisava forçar a barra. Alguém pode avisar isso pra ela?
-Tudo bem – ela disse. – Vou lá terminar de arrumar algumas coisas. Do que você gosta de comer?
-Hum... Lasanha! – eu disse, depois de pensar um pouco. Não que fosse minha comida favorita, porque não era, mas eu estava com vontade de comer.
-Tudo bem – ela sorriu, e em seguida saiu do quarto.
Levantei-me e arrumei a minha cama. Antes de fazer qualquer coisa, já fui escolher a roupa que eu iria vestir o que não foi tão difícil. Peguei um short jeans, uma blusa polo branca e uma sapatilha vermelha. Deixei tudo arrumado e fui tomar banho.
Cinquenta minutos depois eu já estava vestida, um pouco nervosa com aquele dia. Estava com medo de não causar boas impressões e ficar sozinha até o final do ano. De repente, senti uma saudade imensa dos meus amigos, e queria que eles estivessem lá em baixo, na sala, conversando.
Já podia ouvir vozes, e a porta de entrada se fechando. Respirei fundo e comecei a descer as escadas, com o coração na mão. Dei de cara com duas garotas sentadas no último degrau da escada, ambas mexendo no celular.
Elas olharam para trás, e logo se levantaram.
-Você deve ser a famosa Annabeth, né? — disse uma garota de cabelos lisos castanhos e pele branca. – Sou Bianca!
-E eu sou a Thalia – disse a segunda. Ela tinha olhos azuis (assustadores) e seu cabelo ia até os ombros, de uma cor incrivelmente preta, quase azul.
-Prazer em conhece-las – eu falei, tentando ser o menos tímida possível.
-Então, Annabeth, você gosta de ler? — disse Bianca, com seu jeito simpático.
Sorri, porque pela primeira vez, naquela casa, me senti confortável. E com isso, se prolongou uma longa conversa, até que, começou a chegar mais e mais gente.
Um garoto chamado Luke, com uma pele bronzeada e um sorriso de comercial de pasta de dentes – o que eu considero bonito! –, o irmão de Bianca, Nico, que é a cópia mais fiel dela. Uma garota chamada Silena, tão delicada quando uma flor, e um garoto chamado Leo, o tipo de garoto que foi muito encapetado da infância, mas, por sinal, é o tipo que sempre te consegue fazer sorrir.
Eles não poderiam ser as pessoas que eu estava acostumada a conviver. Mas cheguei na hipótese de que eu seria realmente feliz com eles por perto, mesmo tento de morar com a minha mãe. Em menos de meia hora de conversa, eu pude perceber que eu estava no lugar certo, e que grande parte do meu medo havia passado. Eu não ficaria sozinha.
-Nos conte da sua antiga cidade! – disse Leo, animado.
Antiga cidade. Puxa, que termo mais errado. Resolvi ignorar essa parte, pois eu me recuso a chorar perto deles, me mostrar infeliz. Só sorri, e puxei as melhores lembranças que eu tinha da minha casa e da minha cidade.
-Por onde eu posso começar? Ela é tranquila, pequena. É cidade do interior – então eu pude ver que eles queriam que eu dissesse mais. – Lá todo mundo vai a pé pra escola, fica a tarde inteira na praça e, ás vezes, vamos a praia.
-Vocês ficam na praça? — disse Silena, um pouco espantada. – Não tem gente drogada ou coisa do tipo?
-Oh, não! – eu disse, quase rindo. – nunca ouvi falar de ninguém que usasse drogas.
-Lá tem, tipo, shopping? — perguntou Thalia. – Lojas de cd?
-Tem o centro, mas sem shopping. Espero que construam logo um, pois é impossível ter que ir toda vez na cidade vizinha quando der vontade de comer mc! Ou ir a um cinema onde chegue os filmes na data certa!
-Eu gosto de mc – disse Nico.
-O negócio do cinema é normal – começou Luke. – Aqui só chega os filmes dois meses depois.
-Mas tem shopping – concordou Silena. – E nós precisamos ir nele o mais rápido possível!
Sorri. Alguém estava me convidando para fazer alguma coisa. Eu estava fazendo amigos.
-Por mim, tudo bem – eu disse.
-Então tá combinado! – ela sorriu. – Ei, Luke, manda uma mensagem pro Percy. Ele está atrasado!
-Percy? — eu perguntei, franzindo a sobrancelha.
-Ele mora no final da rua – disse Thalia. – Acho que ele virá mais tarde.
-Ele é bonitinho – disse Bianca, para mim.
-Bianca! – exclamou Nico.
-Que é? — disse ela, um pouco zangada.
Então foi como se fosse combinado: Luke, Leo e Nico reviraram os olhos. Porque será que nenhum menino consegue admitir que o outro é bonito? Isso é algo que nunca irei entender.
Por um momento senti uma curiosidade em saber quem era esse tal de Percy, mas ela logo se dissipou quando Silena começou a falar sobre o colégio – o meu colégio novo.
-Ele é grande e é bonitinho até – disse ela, com seu jeito meigo. – Mas é tudo tão rígido!
-É claro que é Silena. É uma escola! – disse Thalia.
-Mas nosso intervalo é tão curto, Thalia. – disse ela, com uma voz cansada. – Espero que as coisas tenham mudado.
-Acho que elas pioraram – disse Leo, com um ar de dúvida.
-Estou ficando com medo já – eu disse.
Meu colégio não era tão rígido assim. Nós tínhamos 30 minutos de intervalo e 5 minutos de descanso entre as trocas de aula. A escola era um pouco pequena, mas bem organizada e limpa; além de nós termos a opção de fazer coisas depois da aula, como vôlei e inglês.
Torci para que fosse exagero da parte dela. A conversa só não virou uma discussão entre todos porque já estava na hora do almoço, e todos nós fomos para o jardim. Minha mãe havia feito uma espécie de churrasco junto com um almoço. E tudo estava dividido: as mães conversando perto da cozinha e os pais perto da churrasqueira, tão previsível.
Por um breve instante senti muita falta do meu pai e da Anna. Queria que eles estivessem ali, conversando com os outros pais. Não podia esquecer de ligar para eles mais tarde. Ah, como eu sou fraca! Mal deu um dia e eu já sinto vontade de voltar.
-Ele chegou – disse Silena, sussurrando para mim e me tirando dos meus pensamentos.
Então eu vi um garoto do tamanho de Luke entrando pela porta da frente, dando um beijo no rosto da minha mãe e vindo em nossa direção. Ele vinha acompanhado de seus pais e de seu provavelmente irmão mais novo, que parecia muito com ele.
Bianca estava certa.
-Você deve ser a Annabeth – disse ele, vindo em minha direção, com seu jeito desastrado.
-Hu-hum. – eu só consegui dizer.
-Sou Percy – disse ele. – É bom te conhecer!
-Igualmente!
Ele sorriu e eu sorri de volta. Sentei-me em um lugar na mesa, entre a Silena e a Bianca.
Almoçamos e conversamos. Eu não costumo fazer esse tipo de coisa – conversar enquanto come – mas hoje era exceção. Depois do almoço, fomos conversar com Atena... Minha mãe, sobre ir ao shopping. Foi incrível a tamanha rapidez que ela disse sim e se ofereceu para levar.
Eu honestamente não estava gostando disso. Desse jeito dela tentar ser a mãe perfeita. Isso me chateava demais, porque ela havia se ausentado por tanto tempo, e agora queria fazer as minhas vontades como se isso acontecesse o tempo todo.
E esperava que as coisas melhorassem rápido, porque eu não ia conseguir conviver com ela desse jeito.
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