Hey! Element Girls.
1 Férias de Verão.
Notas iniciais
Era em uma noite vazia e triste, onde até o luar parecia chorar sentindo falta do calor do seu amado Sol, e foi sobre este luar que sonhei pela primeira vez que meus pais, aqueles que sempre juravam estar ao meu lado, que sempre seguravam minhas mãos quando sentia um frio na barriga, haviam ido embora. Não nego e não vou mentir, senti medo, angustia, mas continuei ali, firme e forte, mas também sozinha e perdida, sem saber o que fazer e sem saber se quer para onde ir... Enfim acordei.
Fiquei feliz em ter acordado, pois vi que era mais uma vez o mesmo sonho, acho que é o mesmo sonho desde que nasci, pois não me lembro de ter sonhado outra coisa ao não ser este. Meus pais estavam ali comigo, de verdade, segurando minha mão e me olhando como se eu fosse um tesouro, eu realmente me sentia o tesouro deles e sei que eles também pensavam o mesmo de mim. Meu pai logo me falou:
– Bom dia querida, dormiu bem...
–... Ou sonhou a mesma coisa de sempre? — interrompeu logo terminado a pergunta minha mãe, sorrindo como sempre.
Retribui-lhe o sorriso e logo respondi:
– Dormi bem, mas sonhei novamente “aquilo”, mas não quero nem mesmo falar no assunto, hoje é um dia muito bom para estragarmos tocando neste assunto de novo. — Falei já levantando da cama.
– Concordo! – Os dois me responderam fazendo coral. – Suas coisas já estão todas prontas, compramos muitas roupas e lanches para essa viagem de férias, tenho certeza que você nunca vai esquecer esta viagem! – Já continuou meu pai.
– Assim espero. – Finalizou minha mãe.
Entrei no banheiro naquele dia e chorei muito, chorei tanto que parecia que poderia secar como uma flor sem água, mas tive que disfarçar aquela dor, eles não se sentiam assim, e não queriam que eu me sentisse deste jeito também, olhei no espelho e disse pra mim mesma:
–SOU FORTE! – mas chorei novamente, chorei feito uma garotinha de 5 anos, sei que as garotas de 15 anos como eu já são quase mulheres e não se preocupam com os pais, os família, mas eu nunca tive amigas de verdade, amigas como meus pais ou algo do tipo.
Enfim saí do banheiro, já estava pronta para a viagem e quando cheguei à cozinha, meus pais não estavam ali. Corri o Maximo que pude, continuei calada e prestes a chorar mais uma vez, foi ai que escutei lá fora, os latidos de Tinny, meu cachorrinho de estimação, e as gargalhadas do meu pai, que sempre diz que o cachorro é o melhor amigo do homem. Fui até lá e eles só estavam me esperando, meu pai estava já dentro do carro, a fazer carinho em Tinny, minha mãe estava conversando com a vizinha, com certeza pedindo para que tomasse conta da casa enquanto estivéssemos fora.
– Já comeu filha? – Perguntou meu pai.
– Não, ainda não papai, vou lá pegar algo e como no carro, já volto. – falei, sorri e parti para dentro de casa novamente.
Sinceramente, não estava triste por ficar longe de casa, da internet ou dos meus lápis e papel nos quais passava a maior parte do meu dia. A ultima coisa que desenhei foi um grupo de quatro garotinhas fofas, essas quatro garotinhas eu nunca vi em minha vida, mas elas eram muito especiais para mim, já que não tinha amigos, elas sempre ficavam comigo em meus desenhos.
Peguei dois sanduiches que estavam na porta da geladeira, eu mesma tinha feito eles porque já sabia da viagem, como eu sabia era um mistério, mas algo bom me avisava que iria viajar, e algo ruim me dizia para não ir, mas de uma forma ou de outra não desapontaria meus pais, já que eu imaginava que eles planejavam essa viagem há muito tempo. Saí de casa e corri para o carro, entrei e fechei a porta, sorri para todos e partimos para a viagem de férias de verão.
Vi muitas coisas legais no caminho, eu adorava ficar olhando pelo vidro do carro e também pela parte que havia em cima do carro. Tinny acabou comendo um de meus sanduiches em meio à viagem e eu comi o outro bem rápido para que ele não chegasse perto do ultimo, me divertia muito com ele.
– Está gostando querida? – Perguntou mamãe.
– Sim mamãe, claro que estou! – Lhe respondi.
Tinny latiu alegremente afirmando que também estava adorando a viagem, passamos por uma ponte quando saímos de nossa cidade em Tóquio, antes ainda paramos para tomar um chá perto do Palácio de Tóquio. Mais a tarde nós entramos em um túnel perto do Monte Fugi, e logo a noite, enquanto subíamos uma montanha em que não fazia ideia de qual o nome, começou uma chuva muito forte, minha mãe pediu para meu pai que parasse em algum lugar para esperara chuva estiar, mas meu pai decidiu seguir em frente. Eu estava com medo dos trovoes e relâmpagos daquela noite. Em certo momento, o carro derrapou das pistas e aconteceu o pior.
–NÃÃÃÃÃO! – Todos nós gritamos.
O carro rolou montanha a baixo, só ouvia gritos e meus pais pedindo para que a Deusa Shikaku, rainha do Sol para que protegessem todos dentro daquele carro. Minha vida passou tão devagar naquele momento, que estava parecendo um filme rodado em “frames” muito lentos. Vi minha mãe se debater rezando, meu pai já inconsciente e Tinny latindo muito, segurei ele e gritei para todos ali presentes:
– EU AMO VOCES, NUNCA SE ESQUEÇAM DISSO!
Foi quando o carro parou. Saí do carro com Tinny em minhas mãos, mas o pior dos piores ainda iria acontecer, quando saí do carro, vi que o automóvel estava próximo a um desfiladeiro. Corri para perto do carro e gritei por eles, mas eles não estavam acordados, o medo e o desespero invadiram meu ser, e quando me encostei ao carro... Falei-lhes:
– Mamãe, Papai... Acorde, por favor, eu não posso tirar vocês de onde vocês estão mas eu amo vocês, meus sonhos eram verdade, mas vocês nunca ficaram longe de mim, por favor, acordem!
Eu já estava chorando, Tinny já estava grunhindo de dor, e eu voltei para acudir ele, estava confusa, não sabia o que fazer. Meu braço e minha perna estavam doendo muito, uma dor insuportável, não mais do que a dor de ver meus pais daquele jeito. A chuva ainda não havia parado, e o carro balançava na ponta do desfiladeiro.
Um clarão de luz no céu me fez perder o foco em meus pais, era um arco Iris? Um arco Iris no céu em meio a uma tempestade? Impossível! Mas era verdade, era o maior arco Iris que já vi. O carro então escorregou mais um pouco. Quando estava prestes a cair, peguei Tinny no colo e gritei por socorro, mas ninguém me ouviu. Enfim o carro caiu desfiladeiro a baixo e eu me senti tão perdida que me joguei junto com Tinny, atrás do carro, olhei para cima na hora da queda e vi mais uma vez aquele esplendido arco Iris, agradeci a Deus mentalmente e fechei meus olhos.
CONTINUA...
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