Edward's POV

“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” — FN

Havia apenas duas coisas que se passavam por minha cabeça naquele momento, ou melhor, dois sentimentos: a esperança e o desespero. Afundei meu pé mais ainda no acelerador e a BMW rugiu embaixo de mim. Eu estava a 120 Km/h em uma via expressa vazia e a velocidade parecia me acalmar por um centésimo de segundo, até que eu sentisse um vazio outra vez e eu sentia o ar faltar. Eu tinha esperança sim porque eu finalmente havia descoberto o que queria e finalmente sabia o que o sonho queria dizer mas mesmo assim... Freei bruscamente e parei perto do meio fio desligando o carro. Afastei um pouco o banco e apoiei minha cabeça no volante tentando respirar calmamente. Eu me sentia tão estúpido que quase era algo sufocante saber a verdade, era como exclamações silenciosas no meu cérebro que me diziam que eu era um idiota por não ter entendido o que eu mesmo sentia. Bati minha testa no volante e suspirei pesado. Eu não podia negar que eu também estava desesperado, desesperado porque eu não tinha experiência nenhuma ou pior eu não sabia o que fazer. Imagens projetadas de todos os meus momentos com ela passaram por meus olhos. Quando uma ruguinha de preocupação se instalava entre seus olhos e eu fazia tudo para poder sair dali porque me incomodava vê-la tão apreensiva ou quando ela mordia seu lábio inferior envergonhada e corava tingindo seu rosto de uma cor tão bonita e natural que eu queria simplesmente sorrir só por estar ali. Quando ela sorria.. Eu sentia felicidade e meu peito se aquecia por isso...

- Eu sou tão imbecil. – murmurei ainda com minha cabeça no volante. Como eu fiquei tão cego? Eu geralmente era o gênio da família, ou pelo menos o menos preguiçoso para estudar e aqui estava eu, sendo um completo de um ignorante em algo tão humano. Olhei para minhas mãos e lembrei quando ela quase tropeçou e eu havia a pegado no seu quarto. Havia sentido um choque, ou melhor, uma corrente elétrica viciante que me fez firmar meus dedos ali aproveitando a maciez de sua pele, mas tão rápido como a corrente veio eu senti a razão me tomar e uma lembrança me acordar para a verdade..

“Minhas mãos estavam em sua cintura e eu gostava disso, sentia que o lugar delas era ali. [..] Eu só conseguia ver seus cabelos castanho avermelhados que exalavam um perfume quase hipnótico de morango e que era tão pequena e frágil como se eu apertasse mais sua cintura, ela fosse se desmanchar na minha frente.”

Era tão óbvio, ela ali esfregando na minha cara e na minha frente quase todos os dias rindo, corando, exalando aquele perfume hipnótico, sendo ela mesma: pequena, teimosa, frágil, tão bella.. Tão.. Tão linda. Ri involuntariamente ainda com a cabeça no volante e apertei meus olhos tentando me focar. Eu não podia negar que eu estava miseravelmente apaixonado por Bella Swan que era nada mais nada menos que minha paciente. Pensar em quem nós éramos apagou o projeto de sorriso que ousava se formar em meus lábios e meu cérebro começou a trabalhar de novo puxando o peso para minas costas mais uma vez. Ela era minha paciente, eu era seu médico e eu não tinha permissão pra aquilo..Eu não podia me interessar por minha própria paciente, era..errado. Não era ético.

“Que se dane a ética” a vozinha em minha cabeça me alertou e eu ri sem humor. Não era tão fácil assim...Ela ia me abominar se soubesse o quanto eu gostava dela. Ela iria querer ficar longe de mim e me tirar o que eu tinha de felicidade: ela mesma. Levei minhas mãos a minha cabeça e puxei meus cabelos desesperado. Eu não podia ficar longe dela, seria totalmente doloroso e eu não sabia se poderia aguentar.

“O que você está pensando Edward? Você conhece essa garota apenas por 4 meses” a vozinha chata murmurou mais uma vez e eu bati minha cabeça no volante para tentar ignorá-la. Era verdade, mas aquilo não havia me impedido de conhecê-la e aqui estava eu: sozinho e apaixonado. Seu sorriso apareceu mais uma vez sob meus olhos e eu sorri instantaneamente lembrando o pequeno beijo que eu havia dado em sua bochecha em um surto totalmente inconsciente. Como sua pele esquentou sob meus lábios e como eu senti um impulso de querer mais do que um beijo em sua bochecha e fugi como um covarde de lá; Levantei meu olhar para a janela e uma tempestade de neve caía do lado de fora deixando tudo branco e coberto. Era quase perto do natal e nós estávamos no auge do inverno no hemisfério norte. Carlisle faria uma ceia de natal e convidou todos os nossos amigos. Ele havia convidado os Swans e Bella disse que iria. Pensar que eu iria passar o meu primeiro natal com ela me fez gargalhar de novo e eu me estranhei, mas não me importei. Eu gostava de me sentir daquela forma: feliz e leve apesar do nó que teimava em não sair da minha cabeça. Liguei o carro e parti para casa colocando uma música do ipod que eu tinha ali.

C’mere do Interpol começou a tocar quando eu apertei o play e eu ri comigo mesmo dentro do carro. Bella gostava muito de Interpol , ela havia me dito isso no segundo dia que nós havíamos no conhecido.

It's way too late to be this locked inside ourselves

(Já é muito tarde para ficarmos assim, trancados dentro de nós mesmos)

The trouble is that you're in love with someone else

(O problema é que você esta apaixonada por outra pessoa)

It should be me.

(Deveria ser eu)

Oh, it should be me

(Oh, deveria ser eu)

Acelerei apesar das más condições do tempo e cheguei rapidamente até o meu apartamento. Tirei minha blusa e a joguei por algum lugar e troquei minha calça jeans por uma confortável de moletom. Atirei-me em minha cama e gemi contra o tecido da fronha que me pinicava. Eu queria mesmo era gritar e rasgar os travesseiros de raiva. Porque tudo não podia ser mais simples? Porque eu não podia experimentar o amor como eu via que os outros experimentavam? Eu não merecia me sentir daquela forma? Bufei estressado. Era bem típico de mim sofrer por coisas assim. Coisas que eu nunca poderia alcançar por ser como eu era. Eu não me sentia corajoso ou forte, não me considerava especial ou até bonito para atrair alguma garota, eu não tinha um imã ou um fator atrativo. Grunhi revoltado no travesseiro e me virei para encarar o teto, mas eu já estava cego. Cego porque só que eu via era seu rosto, seu sorriso e só que eu escutava era sua voz. Mas era só isso, frutos da minha solitária imaginação porque eu nunca poderia senti-la. Pulei da cama e fui em direção a cozinha tomar um remédio bem forte para dormir. Eu não precisava ficar a noite acordado me atormentando. Deitei na cama já sentindo o efeito do remédio e dormi meio grogue para o sonho de minha recente confirmação.

A garota que antes havia me dado às costas conversava com Carlisle e ele apontava para mim.. Ela virou devagar e eu encarei os dois olhos cor de chocolate mais chocantes e bonitos do mundo olhando ansiosamente para mim. Ela sorriu e uma covinha apareceu em seu queixo e eu senti meu coração disparar como nunca. Caminhei em direção a ela e ela me esperou alargando ainda mais seu sorriso, como se ela me quisesse por perto. Quando cheguei perto o suficiente, ela colocou seus braços ao redor do meu pescoço e nós começamos a dançar novamente, mas agora eu olhava nos olhos dela e sentia que nada podia me atingir quando eu a tivesse em meus braços: Bella Swan.

- Porque você demorou tanto? – ela sussurrou em sua voz fina e calma.

- Desculpe se te fiz esperar. — murmurei puxando-a ainda mais para mim. Senti seu cheiro característico me invadir e inspirei o máximo que eu podia.

- Tudo bem, você está aqui agora. É só isso que importa – ela apoiou sua cabeça em meu ombro e me deixou leva-la na dança lenta que tocava ali. Fechei meus olhos e aproveitei o que deveria ser o momento mais feliz da minha vida. E então eu acordei.

Minha cabeça doía e o remédio havia me golpeado feio na noite passada. Hoje era segunda feira e eu não tinha que ir ao hospital e agradeci por isso. Eu era um covarde mas eu não queria encará-la depois da minha constatação. Eu não sabia o quanto eu seria detestável ou faria uma coisa estúpida demais perto dela e aquilo era apavorante. Eu me sentia engasgado porque eu queria fazer alguma coisa em relação à aquilo, mas eu não podia e não devia. Eu precisava falar com alguém de confiança, precisava botar tudo pra fora por mais que aquilo doesse, eu precisava tirar aquele peso idiota de cima das minhas costas e seguir em frente. Era o plano mais ridículo mas eu precisava fazer ou se não eu acabaria louco ali naquele apartamento. Levantei nervoso e fiz minha higiene matinal logo tomando um banho longo e quente. Vesti roupas confortáveis e peguei logo o telefone para chamar a única pessoa em que eu confiava eternamente para contar tudo ou seja minha melhor amiga e irmã Alice. Disquei seu número e esperei.

- Oi irmãozinho. – falou animada do outro lado da linha. Sorri e suspirei vendo que nem Alice podia me transmitir a sua aura de alegria por muito tempo. – Vixe! O que é ein Edward? Não gostei desse suspiro..não mesmo.- falou estalando a língua em reprovação. Fechei meus olhos tomando coragem e suspirei mais uma vez.

- Você pode vir aqui por favor. – falei e presumi que minha voz havia saído um lixo porque Alice ficou calada por um momento imensurável e só o que eu ouvia era sua respiração.

- Edward! – exclamou exasperada. — Você parece péssimo, o que houve? – pediu suplicante. Puxei meus cabelos impaciente e tomei fôlego.

- Eu preciso que venha aqui Alice, por favor. – supliquei baixo e ela ficou em silêncio por um tempo até que desligou o telefone. Sentei na minha cama esperando alguns minutos e a campainha tocou finalmente. Levante-me depressa e abri a porta para Alice que se jogou em meus braços, abraçando-me. Coloquei meus braços em volta de seu corpo magricela e pequeno e escondi meu rosto em seu pescoço tentando me controlar. Eu precisava mesmo de um abraço, mas eu queria outros braços em volta de mim e pensar naquilo me fez estremecer. Virei-me de costas e puxei Alice para meu quarto sem olhar muito pra ela. Quando chegamos nele, ela soltou minha mão e sentou na cama enquanto eu continuava virado para parede. Apoiei minha mão na cômoda mais próxima e comecei a falar.

- Eu te chamei aqui porque você sabe que é a pessoa em que eu mais confio no mundo. – comecei fechando meus olhos. Senti Alice se mexendo inquieta ao meu lado e continuei. – Eu peço que você guarde esse segredo de todos, até mesmo de Jasper. – Abri meus olhos e Alice assentiu para mim ainda extremamente calada. – Eu me apaixonei Alice. – falei pausadamente sentindo o peso daquelas palavras me dominarem. Eu estava tão apaixonado que já parecia um poeta fatídico sofrendo por amor. Um amor sem a outra metade, sem eira nem beira, sem chances de dar certo. Fechei meus olhos mais uma vez e senti a umidade descer por meus olhos.

- Edward. — Alice falou surpresa e ao mesmo tempo admirada. – Como assim você está apaixonado? Por quem? Como? Quando? – perguntou levantando para ficar na minha frente. Abri meus olhos mais uma vez e suspirei derrotado.

- Por Isabella Swan. – eu parecia mais em algum funeral do que apaixonado para dizer a verdade. O nome dela, aquelas 12 letras ou aquelas duas palavras pareciam mais a minha sentença de morte e inegavelmente de vida ao mesmo tempo.

- Bella Swan?- Alice falou ainda mais surpresa e admirada. Ela não parecia triste ou temerosa, ela parecia um tanto feliz e aquilo me comoveu um pouco até que me incomodou. Como ela ficava feliz com a minha dor? Assenti e ela colocou a mão no rosto chocada. – Oh meu deus! – falou dando pulinhos e socos em meu braço. – Eu não acredito, isso é tão perfeito. Edward finalmente apaixonado e por uma garota tão legal como a Bella. Minha melhor amiga quem diria! Ai Edward, vai falar pra ela, se declare, namorem, se casem, tenham filhos e...

- Você perdeu completamente o juízo??- gritei chateado. – Como você espera que eu fique com ela Alice? Ela é minha paciente e além do mais ela nunca iria gostar de alguém como eu. Se ela souber de algo, ela vai me evitar Alice, sei que vai. Ela nunca iria corresponder aos meus sentimentos. Estou em um beco sem saída não está vendo? – falei querendo despencar. Alice não se moveu do lugar e bufou cruzando os bracinhos.

- Francamente Edward! Em pleno século 21 e você ainda vive dentro dos padrões antigos. E daí se ela é sua paciente? Pra começo de conversa isso não impede nada e não tem nada a ver. Hospital é uma coisa agora.. o seu coração. – falou apontando para mim. – é algo totalmente diferente, não misture as coisas. Aconteceu? Então era pra ser Edward. Confie em mim a respeito de coisas do destino, você sabe que eu consigo ver. – Olhei pra ela com desdém e ela sentou na cama mais uma vez. – E quem disse que ela não está interessada em você? Só um idiota não consegue ver. Quer dizer, só você não vê. – falou com sarcasmo. Apesar do sarcasmo ela parecia sincera no que dizia. Olhei para o chão e tentei organizar meus pensamentos mais uma vez.

Então..ela sentia algo por mim? Ela estava interessada em mim assim como eu estava totalmente louco por ela? O rumo daquilo me fez perceber uma saída lógica: E daí se eu era médico dela? E daí se era ou não antiético. Eu a amava e talvez..só talvez ela me amasse também. Meu peito se inflou de ar e eu suspirei rindo aliviado. Alice me olhou alegre e bateu palminhas ao meu lado.

- Me conta isso direito Alice. – pedi tentando impedir o sorriso que se formava em meus lábios.

- Ah Edward, além do óbvio né. Quando ela está perto de você, ela vira outra pessoa. Quando você entra cansado na sala, ela fica preocupadíssima com você ou quando você sorri, ela sorri junto..além do fato dela ficar toda incoerente e corada por você garanhão. Como eu disse: só um idiota e você não percebe isso.

- Alice, isso é coisa da Bella mesmo. – falei ainda tentando recusar em acreditar que um anjo daqueles iria querer algo comigo.

- Edward, ela fica totalmente diferente com Carlisle ou qualquer outra pessoa. Vocês precisam se ver, sabe. Vocês dois não percebem como é, mas todo mundo já percebeu. Vocês dois são como imãs. Você se move e ela se move e vice versa. É um tanto bizarro pra falar a verdade...bonitinho. – falou dando de ombros. – Pra quando é o casório? – falou fazendo um biquinho minúsculo.

- Alice. – resmunguei desaprovador e ela me deu língua. Eu não precisava de rótulos nem nada. Eu faria o que meu coração mandava, e ele me dizia que eu deveria conquista-la. Que eu deveria fazer de tudo para que aquele amor desse certo. Abracei Alice e beijei seu rosto uma dezena de vezes enquanto ela ria o seu riso de fada. – Obrigado Alice. – sufoquei-a em um abraço de urso e ela riu novamente.

- O que vai fazer agora? – perguntou curiosa.

- Não sei, não tenho experiência com garotas esperta. – falei com sarcasmo e ela me deu língua. Você pode ir na casa dela. – falou pensando alto.

- Na verdade. – coloquei meu dedo no ar gesticulando. – Eu fui ontem. – mordi o lábio e Alice abriu a boca me olhando supresa.

- O que houve lá? – perguntou alegremente.

- Eu jantei, conversei com ela, cuidei um pouco dela e fui embora. – e descobri que eu era o burro do século por não ter descoberto antes o que eu sentia acrescentei mentalmente.

- Hm...já é algo. Você só tem consulta com ela na quarta certo? – perguntou e percebi que ela esquematizava um plano.

- Sim. – falei desconfiado. – Porque?

- Você pode convidar ela pra sair! – falou rolando os olhos como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Alice, acho que você não entendeu. Não dá pra fazer isso.

- Porque não? Você não quer? – desafiou.

- Eu quero, mas não é assim tão simples Alice. Bella é tímida e eu nem sei se ela gosta mesmo de mim. Acho que estou sendo bobo criando expectativas.

- Hm..bobo nada. Edward confia em mim, você parece sei lá..deslumbrar a bella. Ela chega a ficar incoerente perto de você, nunca percebeu?- fiz que não com a cabeça e Alice jogou as mãos pro alto.

- Você deve prestar mais atenção então.

- Mas o que eu vou fazer agora? Fingir que nada aconteceu? – falei deitando na cama.

- Seja você mesmo Edward. Quando for pra ser será. Não se martirize tanto irmãozinho, você tem a vida toda. – Bufei com o a vida toda e percebi que eu já estava impaciente. Mas eu não podia ser assim, não com ela, eu devia ser devagar e calmo.

- Acho que entendi Alice. – fiz uma careta pro teto e minha irmã riu.

- Que bom que você encontrou alguém, estou cansada de te ver triste e enfurnado naquele hospital emburrado. Acho que Bella é perfeita pra você. Ela vai precisar de você, sabe? – assenti fervorosamente e minha mente vagou pelo futuro em que bella se curaria finalmente e poderia viver como uma adolescente normal, ou ...como uma mulher normal que era o que ela era.

- Mas e agora? Eu paguei de abestado na frente dela ontem e estou envergonhado agora. – coçei a nuca e Alice riu baixinho.

- Bella deve ter achado muito fofo. – ela disse apertando minhas bochechas e eu não pude deixar de fazer uma careta que logo se transformou em um sorriso. – Relaxe Edward. Quando for para ser, será.

- Espero que sim. – falei fechando os olhos não querendo pensar em nada, somente nela e nela. Eu finalmente havia encontrado o meu lugar e agora era hora de conquista-lo.

Notas finais
reviews!