Hey Brother.
1 Black's Issues
Notas iniciais
No primeiro ano de Sirius Black em Hogwarts ele fora selecionado para a Gryffindor, indo contra todos os estereótipos que a família Black seguia por gerações.
Sangue Puro. Orgulho. Elegância. Slytherin.
Sua prima, Narcisa, o viu correr sorrindo para a mesa do meio e reviraram os olhos. Sua mãe lhe mandou um berrador assim que soube da notícia, e só de imaginar que seu filho tinha comemorado ir para qualquer casa exceto a Slytherin era uma traição. O único que não havia entendido muito bem era o pequeno Regulus.
Regulus Black seguia a linha da família: ele era educado, todos os seus atos demonstravam a elegância, tinha orgulho de ser um Black e de ser sangue puro. Regulus Black era desde pequeno o orgulho de sua mãe, Walburga Black.
Desde o dia que Sirius Black fora para Gryffindor seu relacionamento com o irmão mais novo nunca fora o mesmo — principalmente por conta de sua mãe.
[...]
— Sirius você precisa parar de andar com aquele menino Lupin. — a voz de Walburga era autoritária e aguda. — Ouvi boatos de que ele esconde algum tipo de segredo que não o faz ser digno para perambular pelo castelo de Hogwarts. — ela terminou cruzando os braços em frente ao seu corpo encarando o filho mais velho.
— Mamãe você precisa acreditar em mim! Remus só vai visitar a tia dele às vezes. — Sirius exclamou nervoso passando as mãos nos cabelos negros. — Você precisa parar de acreditar em tudo o que a Narcisa te fala... — ele soltou fechando os olhos e bufando. — Ela nem sequer me fala “oi” na escola.
— Se você tivesse ido para Slytherin ao invés daquela casa de traidores de sangue como os Potter ou os McKinnon talvez ela te desse um oi e até te apresentasse as pessoas. — a Sra. Black falou lhe dando um olhar severo. — Você verá como esse ano será para Regulus e pensará em falar com o diretor Dumbledore para mudar de casa.
— Eu me sinto bem na Gryffindor. Eu me sinto em casa. — Sirius falou e ouviu a mãe bufar alto. Novamente passou as mãos pelos cabelos e decidiu sair da cozinha, virou e subiu as escadas para seu quarto.
Assim que chegou mais perto da porta de seu quarto ouviu seu pai chegar e sua mãe reclamar de como Sirius Black estava se tornando um traidor de sangue, ele balançou a cabeça e colocou as mãos dentro do bolso. Ele mais do que ninguém queria saber o que Remus Lupin escondia. Sirius, James e Peter se sentiam curiosos por conta do amigo, mas nunca conseguiam descobrir o que ele tinha ou para onde ele realmente ia. Mas não era para a Narcisa meter seu nariz ali, ela não tinha nenhum relacionamento com Sirius e ela que fosse atrás de viver a vida dela acreditando que seu sangue era melhor do que o de qualquer um.
— Você tem que parar de irritar a mamãe desse jeito. — Regulus soltou assustando o seu irmão. — É sério Sirius. Você é tão idiota por não perceber que teria sido melhor pedir para ir para a Slytherin? — o irmão mais novo perguntou e recebeu um resmungo do mais velho.
— Eu mereço estar na Gryffindor. — Sirius arrumou sua postura e cruzou os braços.
[...]
— Você vai aprender que nós, Black, temos que seguir nossa linhagem. — Órion Black, o pai dos dois, soltou urrando de raiva ao olhar para o filho mais velho. — Você está a Gryffyndor por ser fraco! — o pai exclamou e logo Regulus encolheu seu corpo para perto da parede.
— Eu sou corajoso. É por isso que estou na Gryffindor. Eu não preciso de uma linhagem estupida de sangue para saber o que é melhor para mim. — Sirius urrou de volta.
Antes que Regulus pudesse fazer qualquer coisa para amenizar o clima Órion Black havia erguido a mão para Sirius e lhe acertado um tapa no rosto.
— Nunca mais ouse falar qualquer coisa negativa sobre nossa linhagem perto de seu irmão. — Sr. Black berrou e Sirius puxou o ar com certa dificuldade.
Sirius Black entrou em seu quarto e fechou a porta com força, encostou as costas na porta e escorregou para o chão, colocando sua mão onde seu pai havia dado o tapa. Seu rosto doía e seus olhos estavam cheios de água, as bochechas avermelhadas e um pouco inchadas, ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás.
— Eu sou corajoso. É por isso que estou na Gryffindor. Eu não preciso de uma linhagem estúpida de sangue para saber o que é melhor para mim. — sussurrou a mesma frase de antigamente e segurou o choro.
Do outro lado da porta o Black mais novo estava sentado na mesma posição que o irmão e ouviu quando ele disse aquilo. Regulus suspirou, se levantou e se dirigiu para a porta ao lado.
[...]
— Sirius, vá direto para o seu quarto. Todas as corujas serão interceptadas e se eu pegar qualquer coisa sua para os Potter... — Walburga Black ameaçou e Sirius deu de ombros.
[...]
— Eu não acredito que os Potter querem me ensinar a criar meu filho. — Órion urrou durante a mesa de jantar e Regulus suspirou vendo Sirius dar uma pequena risada.
[...]
— Você deveria tentar ajudar em seu relacionamento com mamãe e papai. — Regulus falou se sentando ao lado de Sirius nas escadas da casa. — Eles estão tentando te mostrar como o mundo é para os Black.
— Little bro você precisa entender que o jeito que os Black são tratados não é o jeito certo. — Sirius começou e Regulus virou seu rosto para enxergar a expressão do irmão. — Nada disso que Walburga ou Órion pregam é verdade.
— Mamãe e papai. — corrigiu o menor e Sirius revirou os olhos virando o rosto para enxergar o irmão mais novo.
— Eles pregam o que aquele Lorde das Trevas tenta pregar, bro. — Sirius murmurou. — Não é certo.
— Eu acho que eu tenho mais direitos que qualquer um daqueles nascidos trouxas ou os mestiços de Hogwarts! — Regulus defendeu, se levantando.
— Você acha que você merece mais do que Remus Lupin? — Sirius perguntou. — Ou que Lily Evans? — o Black mais velho se levantou e se colocou em frente ao irmão. — Você acha que qualquer um de nós é melhor que eles? — Sirius colocou o dedo indicador no peito do irmão. — Não solte por aí que eu disse isso, mas ninguém merece mais do que Remus e Lily.
— Aquela sangue ruim que o Potter insiste em pensar que vai casar? — Regulus deu uma pequena risada. — Não se iluda Sirius. E Remus tem um problema, ele não merece nada.
Aquela fora a gota d’agua para Sirius. Ele aguentava seus pais falando sobre seus amigos, insinuações sobre James e Marlene serem traidores de sangue, Lupin não merecer nada ou até mesmo Lily ser a sangue ruim por quem os Potter e os McKinnon traíam seu sangue mágico puro. Mas ouvir Regulus Black, seu pequeno irmão, dia após dia, soando como seus pais... Aquilo era demais para Sirius.
[...]
Regulus Black estava andando pelos corredores de Hogwarts com seu uniforme perfeitamente ajustado e o nó da gravata em perfeito estado, em seu sexto ano em Hogwarts. Há dois anos Sirius havia saído de casa, ele culpava os Marauders, aquele grupo havia feito a cabeça de seu irmão e Sirius nunca mais seria um Black.
Nas últimas férias, sua mãe havia queimado o rosto de Sirius da árvore genealógica que ficava em uma das salas da casa, praguejando o que tinha feito de errado com a criação de Sirius. “Algumas maçãs caem muito longe da árvore Walburga”, dissera Órion. Mas Regulus sabia que algo estava acontecendo com ele, que mesmo que tardiamente ele estava se tornando uma cópia de Sirius. Mas não havia mais volta.
— Me diga que é mentira Regulus. — a voz de Sirius soou pelos ouvidos do Black mais novo e ele voltou para a realidade. — Me diga que você não a tem.
— Pads calma. — alertou Remus notando outros dois rapazes de Slytherin se aproximarem deles.
— Eu não vou me acalmar, Moony! — Sirius esbravejou e olhou nos olhos de seu irmão mais novo. — Ande logo. — ele soou desesperado. — Por Merlin me diga que você não se tornou um deles.
— O que eu faço ou deixo de fazer deixou de ser importante para você desde que você me abandonou. — Regulus disse com a voz pesada. — Até mais, Padfoot. — o apelido do irmão saiu em um tom sarcástico e Regulus passou pelos dois Marauders como se não se importasse com nada.
Naquela noite os dois irmãos tinham lágrimas em seus olhos. Era doloroso não terem um ao outro. Sirius deixava que em sua mente passassem os momentos com seu irmão, quando eram mais novos. Regulus pensava em como se redimir, mas a cada vez que chegava perto de Voldemort, ele se encontrava mais longe de Sirius.
[...]
Regulus estava morto. Sirius estava desolado na casa dos Potter. Nem Remus, Peter ou James tentaram entrar em seu quarto. Eles não sabiam o que ele estava sentindo. Lily e Marlene lhe enviaram uma coruja falando que chegariam logo. Não fazia diferença, seu irmão mais novo estava morto. E ele nunca poderia mudar isso.
[...]
— Sirius você pode abrir aqui? — era voz de Marlene.
— Vá embora McKinnon. — a voz arrastada de Sirius respondeu.
— Eu não vou embora até que ver que você está bem.
Ela bateu o pé e do lado dela James Potter bateu a mão no rosto, descrente. Obviamente Sirius não estaria bem. Lily arregalou os olhos para a amiga como se lhe perguntasse o que estava acontecendo e se ela tinha certeza do que aconteceu.
Sirius abriu a porta e seu rosto estava vermelho.
— Eu não estou bem Marlene. — a voz embargada dele fez com que Lily e James e aproximassem um do outro. — E eu não vou ficar bem.
— A culpa não foi sua. — a menina tornou a dizer chegando mais perto de Black.
— A porra da culpa é minha. — Sirius urrou com a menina. — Eu não protegi o meu irmão. — ele fechou o punho e virou-se de costas. — Regulus morreu por eu não o ter protegido de minha família. Você não entende Marlene.
— Eu entendo que não foi culpa sua Sirius. — Marlene disse puxando o braço de Sirius e o fazendo se virar para sua frente. — Ele fez suas próprias decisões. — sua mão foi para o rosto do Marauder e ela suspirou. — Eu sinto muito, Six.
A menina abraçou Sirius e então ele começou a chorar. Seu irmão havia morrido.
Sirius Black havia perdido Regulus Black, de uma vez por todas.
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