Hey Brother
3 Here comes the Sun
Notas iniciais

— Eu juro que vou morrer — Nicolly exclama deitada na areia.
— Dessa vez você não está sozinha — Larissa concorda.
— Que horas são? — Nicolly pergunta a Ian.
— 4 da manhã — ele responde casualmente.
— Eu vou morrer — Ela se encolhe no peito de Rafael.
— Provavelmente — Fernanda acrescenta com uma risada.
— Você teve a chance de voltar — Becca enfatiza.
— Sem chance — Nicolly responde ressentida — Perder a noite não está nos meus planos.
— Então aguente — Becca rebate em tom firme.
— Seria tão bom se a vida fosse assim — Ian exclama sonhador.
— Sem responsabilidades? — Fernanda pergunta cética — Qual seria nosso objetivo então?
— Comer, beber e procriar — o garoto responde e Larissa se afasta fazendo uma careta.
— Se todas as pessoas pensassem assim — Fernanda argumenta — ainda viveríamos na Idade da Pedra.
— Todas as pessoas importantes que tinham que nascer já nasceram — Ian rebate — Já temos pizza, futebol, Xbox, iPhone e biquínis.
— Vou tentar ignorar o fato de você ter colocado “biquínis” na sua lista — Larissa murmura só para ele ouvir.
— Quem sabe? — Fernanda continua — talvez a coisa mais legal do universo ainda não tenha sido inventada. Ninguém pode me garantir que não será você a revolucionar o mundo — ela aponta pra Ian, que tem um estranho brilho no olhar.
— Ou não — Rafael emenda e Ian faz uma careta.
— Como eu disse, ninguém pode saber — Fernanda encerra.
— Eu posso fazer algo grande — Ian rebate teimoso.
— Tomorrowland já foi inventado — Becca corta Ian — Faça o próximo festival.
— Tomorrowland — Nicolly suspira sonhadora.
— Onde ele acontece mesmo? — Rafael pergunta.
— Boom, Bélgica — Lucas responde.
— Meu sonho é ir para esse Festival — Nicolly suspira novamente.
— De quem não é? — Larissa pergunta também sonhadora.
— Não sei, talvez de gente que não gosta de barulho e aglomeração — Fernanda pergunta sarcástica.
— Não seja cética. — Rafael repreende — Se até a Princesa Punk quer ir, é praticamente impossível que você não queira.
— É claro que eu quero ir — Fernanda rebate —, mas isso não muda o fato de que eu não gosto de barulho e aglomeração.
— Mas essa é a melhor parte — Rafael exclama.
— Se você acha isso, por que não vai pra um Baile Funk? — Becca pergunta sarcástica — É a mesma coisa.
— Uau, quanto veneno — Seu irmão finge ressentimento — essa piada foi tão ruim que nem minha alma achou engraçado.
— Ei babacas — Larissa chama a atenção de todos — o nascer do sol já vai começar.
— Socorro! — Becca sussurra no ouvido de Fernanda — eles vão começar a se beijar. Eu vou atrás de um suco — ela acrescenta a parte final para todos ouvirem.
— Cuidado! — Rafael adverte sem prestar mais atenção à irmã.
— Como se você ligasse — Becca murmura se afastando.
— Ela realmente sabe como fugir — Lucas sussurra perto do ouvido de Fernanda.
— Quem? A Becca? — Ela pergunta em tom de brincadeira — Formada na arte de ser sorrateira.
Um silêncio incomodo se instala entre os dois depois da conversa, os casais ao redor trocam palavras de amor silenciosas uns para os outros, mas a cidade vai acordando aos poucos, alguns corredores aparecem de um lado ao outro, e alguns vendedores já passam com seus carrinhos, enquanto que os que pegaram pesado na noite anterior se apoiam uns nos outros para pegar um táxi, ou ir atrás de ônibus, alguns turistas já passeiam pela praia tirando fotos e sorrindo uns para os outros, mas nada consegue tirar a atenção dos casais.
Nicolly e Rafael estavão deitados de frente para o outro em uma manta colorida estirada na imensidão de areia da praia marfim.
— O que vai ser do resto das férias? — Nicolly sussurra olhando nos olhos verdes de Rafael.
— Nós vamos ficar juntos, como sempre fazemos — ele responde apertando as mãos da garota delicadamente — e depois veremos, mas nós ainda temos esse tempo.
— Quem sabe? — Nicolly parece assustada — do jeito que as coisas estão loucas, é bem provável que aconteça antes do que imaginamos.
— Você quer realmente discutir isso agora? — Rafael pergunta desconfortável.
— Você está adiando esse assunto faz três meses — a garota rebate.
— Não é verdade — ele responde — você sabe minha opinião sobre isso.
— Sem chance, não vou contar pra eles — ela balança a cabeça negativamente.
— Sabe que não precisa fazer isso — ele sussurra no ouvido dela.
— Meus pais precisam que de mim — Nicolly rebate.
— Eles não precisam de você — Rafael responde sério — Já estão ricos por sua causa.
— Você não entende — ela olha para seus próprios pés.
— Olha — ele pede puxando gentilmente seu rosto — Eu amo você — ele sussurra as palavras lentamente, seus olhos verdes são sinceros — e vou apoiar você em qualquer decisão que deseje tomar, desde que sejam as suas decisões.
— Essa foi uma escolha que eu fiz — Nicolly rebate veemente.
— Então, eu vou estar do seu lado — ele encerra.
Ela olha pra ele, tem tanta coisa para dizer, como ela está assustada, como vai sentir falta dele, e o mais importante de tudo, que ela não quer ir, de maneira alguma para Seattle participar do maldito Programa para Modelos, mas não pode, seus pais avisaram, ou era passar um ano fora, ou era ficar sem Rafael, e ela sabia com qual alternativa não poderia viver.
— Eu amo você também — ela sussurra unindo seus lábios.
Ian e Larissa se sentam um ao lado do outro observando o horizonte esperando pelo nascer do sol, os cabelos loiros brilhando com os primeiros raios de sol.
— O que você acha? — Ian pergunta olhando o horizonte, onde uma faixa rosa se estende lançando alguns raios de luz.
— É um belo nascer do Sol — ela responde sinceramente.
— Não — ele suspira e continua numa voz ínfima — Sobre o que Fernanda falou.
— Ah — ela finalmente entende — é claro que ela está certa — Larissa responde em tom decidido.
— Por que você acha isso? — Ian pergunta ainda mais baixo.
— Você é uma das pessoas mais brilhantes que eu já conheci, como pode sequer imaginar ser incapaz de fazer qualquer coisa que imaginável ou inimaginável — ela responde resignada.
— Você sabe que não é verdade — ele olha para o outro lado, de modo que Larissa só pode ver a parte de trás da cabeça dele.
— Ei — ela chama a atenção dele acariciando delicadamente os fios loiros — Se é sobre aquilo que seu pai falou, pare de pensar nisso.
— Não foi só ele — o garoto respondeu ainda olhando o horizonte.
— Você só teve alguns problemas para acompanhar a matéria esse ano — ela responde solidária — não é algo pra se envergonhar.
— Fala isso pro meu pai — Ele rebate finalmente olhando-a.
— Eu falo, falo mil vezes se necessário — ela responde categoricamente.
— Ele é meu pai, me conhece melhor que ninguém — e ele volta a olhar o horizonte.
— Você sabe que isso não é cem por cento verdade — Larissa continua — ele esteve fora por muito tempo.
— Se ele não sabe o que é melhor pra mim, quem vai saber? — Ian pergunta parecendo um pouco desesperado.
— Você — Larissa responde —, nós dois sabemos que você tem capacidade de ser mais incrível que já é, pelo menos tenho certeza de que eu sei.
— Obrigado — ele sussurra levantando o queixo da garota delicadamente e beijando seus lábios.
— Isso já está passando dos limites — Lucas murmura com uma risada.
— Vamos dar um passeio? — Fernanda sugere — clarear as ideias.
Lucas concorda com a cabeça e os dois se levantam espalmando a areia das roupas. Começam a andar pela areia clara enquanto o sol meio coberto já brilha no horizonte.
— Meus pais vão me torturar, depois me enterrar — Fernanda sussurra horrorizada — depois me desenterrar, e me queimar, dançar ao redor das chamas, vender meu corpo para um ritual de magia negra, depois me doar para canibais e só aí, eles vão me matar.
— Pensei que você não estivesse ligando pra isso — Lucas parece confuso.
— Alguém tem que acalmar as meninas, ser a forte do grupo — ela argumenta.
— Foi o que eu pensei — ele dá uma risada seca — bem, sua lápide não será a única aquisição recente do cemitério — ele acrescenta solidário.
— Seus pais são legais — ela rebate.
— É por isso que estou me sentindo culpado — o garoto abaixa a cabeça — não gosto de desapontá-los.
— Quem dera esse fosse meu problema — Fernanda murmura,
— Vamos começar as férias de castigo — ele grita para o nada com falsa animação.
— Sem computador! — Fernanda entra na onda levantando os braços.
— Sem televisão! — Ele levanta um braço como se fosse uma vitória.
— Sem videogame! — ela retruca também gritando.
— Sem Celular! — Lucas conclui.
— Eu queria não ter usado toda a minha bateria — Fernanda murmura cabisbaixa.
— Você mora aqui na frente — Lucas responde pasmado — Por que não voltou e avisou?
— Eles não teriam me deixado sair — ela responde — e eu não perderia essa noite por nada.
— Hum — Lucas responde alheio — eu queria conversar, mas meus olhos estão fechando.
— Ah, me desculpe — Fernanda abraça seus ombros.
— Não sou acostumado com tanta aventura — ele sorri, aquele sorriso que faz seus olhos azuis como o céu brilharem.
— Vamos — ela também sorri — eu te levo pra casa — ela propõe tomando-o pelo braço.
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