Hexe
8 7. O desejo é a causa de todos os males/Peter
Notas iniciais
Desculpe pela demora, de um dia, e o motivo de eu não ter postado ontem foi:
Lerdeza humana. (:P)
Boa leitura!
Cigarro. Era o que eu precisava. Meus dias como professor estão sendo cada vez mais estressantes, não sei quando tempo eu vou aquentar isso... eu também preciso de férias, ficar em algum lugar calmo com a Christine e fumar. Eu precisava fumar.
Como dizia Epicuro: "O desejo é a causa de todos os males", mas eu realmente desejava cigarros e férias. E Christine. Talvez ler algum livro com Felina enquanto fumo... vários desejos em uma única mente.Eu estava saindo do colégio e estava perdido em pensamentos. Eu já sabia toda a rota do colégio até o estacionamento, até o carro e ai sim eu começava a prestar atenção na estrada (afinal era a hora de dirigir eu tinha que prestar atenção), mas antes de chegar ao carro toda a caminhada é programada, eu não preciso prestar atenção no caminho meus pés simplesmente iam até seu destino. Talvez seja por isso que eu tenha esbarrado em alguém sem perceber e todos os livros que eu segurava foram ao chão o que me deixou mais estressado, eu precisava fumar!— Merda! — Sussurrei enquanto me agachava para pegar os livros caídos.Uma pessoa também se agachou . Eu ainda não tinha olhado para seu rosto, mas as mãos eram pequenas e delicadas, lembravam as de Christine. Essa pessoa me ajudou a pegar os livros, provavelmente era o ser que eu esbarei anteriormente.Nicotina, fumar.— Desculpe por esbarrar em você... eu estava distraída — Uma voz aguda proferiu. Claro que era uma garota.E só naquele instante que eu levantei a face para vê-la. Olhos...— Seus olhos... — Minha mente havia parado de processar informações por alguns segundos.— Gostou deles? — A voz dela estava sussurrada e falha... parecia estar... tímida? — Familiares... — Eu conhecia aqueles olhos verdes de algum lugar — Nos conhecemos? — Eu já havia visto essa garota antes? e se a vi... como eu havia esquecido dela?Não existe um ser humano perfeito, existe? Podia não existir, mas ela estava bem perto de ser. Pelo menos fisicamente. Seus olhos eram... bom... familiares. O cabelo era negro e ia até o ombro... eles terminavam meio ondulados. Ela era magra, magra como a Christine, mas tinha umas curvas que a Christine não tinha. Pálida e era uns centímetros mais baixa que eu. Mas o que destacava era os olhos... e o sorriso tímido.— Não nos conhecemos — Ela apanhou o último livro que ainda estava depositado no chão e entregou a mim,Contato de mãos,Eletricidade.— Eu estava distraído — Disse — A culpa não foi sua. Ah e obrigado por me ajudar com os livros.Ela deu uma risada baixa.— Acho que a culpa é dos dois por esse pequeno incidente. E de nada — O sorriso tímido era realmente uma das coisas que a destacavam.Silencio, Constrangimento pelo silencio constrangedor.— Bom... — Disse calmamente — Eu tenho que ir. Vou acabar chegando atrasado em casa.Comecei a andar. Ela segurou meu pulso. O contato me deixava nervoso.— Ainda são cinco e meia — Ela disse pausadamente — Quer tomar um café?Eu estava atrasado, Christine ficaria preocupada (ela sai mais cedo do colégio, umas duas horas, já que o trabalho dela é fazer as refeições dos alunos. É uma coisa meio rápida de se fazer... mais ainda com a ajuda de outras cozinheiras) eu não queria deixá-la preocupada. Eu ia recusar, quando eu estava preste a dizer "não" ela proferiu:— Tem uma cafeteria que na entrada está escrito: "Aqui vende o melhor café de toda Lynchburg" — Ela tentou deixar a voz mais aguda quando disse a frase. Ficou engraçado e fofo. Ela era fofa. — Mas como Aristóteles dizia: "A dúvida é o principio da sabedoria", temos que descobrir se essa cafeteria está dizendo a verdade! — Ela disse como se fosse a coisa mais importante a se fazer. Como uma missão.Mas o que era realmente importante: Ela gostava de filosofia?Pensei um pouco antes de decidir: — Adoraria tomar um café com você — Seria bom conversar com alguém que entende do assunto. A Christine não sabia. Na verdade ela não se importava com filosofia... e eu gosto de falar disso. Mais ainda com uma boa xícara de café em mãos.Depois de deixar todos aqueles livros dentro do carro caminhamos até a cafeteria em silencio. O estranho é que eu estava começando a achar bom o nosso silencio. Sabe quando você tem alguém especial, mas tão especial que você não precisa procurar assuntos bobos pra dizer? Vocês curtem o silencio um do outro, já sentiu isso alguma vez? Eu estava me sentindo assim enquanto caminhamos calmamente rumo a cafeteria, mas eu acabei de conhece-la... sentir isso era estranho, mas eu estava sentindo de qualquer maneira.Eu pedi um café preto e ela pediu um "Mocha". Ela perguntou ao atendente o que tinha em todos os cafés do cardápio, um mocha vinha com calda de chocolate, leite vaporizado, espuma de leite e uma dose de expresso. Ela também pediu marshmallow, mas não tinha na cafeteria e ela sussurrou pra mim "Como eles podem dizer que aqui vende o melhor café se não tem marshmallow?" Aquilo me fez rir. Foi uma conversa agradável, falamos um pouco de tudo, mas o assunto mais falado foi filosofia e história. Era estranho uma moça tão jovem saber tanto! eu realmente fiquei impressionado.Seis da tarde. Eu estou extremamente atrasado! Christine...— Eu tenho que ir agora — Levantei deixando quinze dólares na bancada. Ai eu lembre, conversamos muito mais eu esqueci de perguntar o seu nome — Como você se chama?
Ela sorriu antes de responder:— Kate, eu me chamo Kate.— Peter.— É um belo nome.— O seu também.Eu estava indo em direção a saída. Novamente ela segurou meu pulso. Virei pra ela e ela me beijou. Um beijo no rosto, um beijo rápido, mas naqueles segundos de contato fez seus lábios encostarem a centímetros dos meus. Isso me fez tremer. Depois disso eu sai, sozinho, da cafeteria. Me dirigi até o colégio e até o estacionamento do mesmo, fui até o carro e ai sim eu comecei a prestar atenção na estrada... na estrada e nos acontecimentos. Christine estava brava, muito brava pelo atraso. Discutimos um pouco até eu decidir ir ao meu quarto de leitura. Felina não estava lá e até aquele ponto eu havia esquecido de ir ao mercado comprar um maço de cigarros, talvez dois. "O desejo é a causa de todos os males"... Bom, Epicuro estava certo... eu queria tê-la beijado, mas não no rosto.Eu ainda quero beijá-la.
Notas finais
Sigam o exemplo da Samara e da Whatever: Comentem!
Afinal é de graça!!
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