Hexe

3 2. Peter, Christine e o livro


Notas iniciais
Olá!! Obrigado as pessoas lindinhas que estão comentando os capítulos, E tenham uma boa leitura!

Fazia um mês que eu estava com ele e, até aquele momento, eu não estava com vontade de fugir. Voltar a beber leite e comer uma boa ração era incrível, me sentia a rainha dos gatos, sem responsabilidades só comer, beber e dormir; todo gato gosta disso. Eu também gostava do senhor grisalho... ou melhor: Peter (era o nome dele). Ele era um homem bem peculiar, conseguia fumar um maço de cigarro por dia (um e meio quando estava estressado) dava pra notar como ele ficava calmo tragando um cigarro. Ele era professor de filosofia então, as vezes, você poderia ouvi-lo dizer: "Penso, logo Existo" ou "A dúvida é o principio da sabedoria" frases de filósofos mortos, mas que eu gostava de ouvi-lo discursar. Ele também tinha uma cicatriz no braço que parecia uma cobra e amava usar um velho casaco cinza quando estava em casa. Adorava ler, ele tinha uma coleção com mais de duzentos livros (todos empilhados em um quarto cheio de poeira, mas ele gostava de passar tempos lá) e quando ele estava la, lendo, eu subia em seu colo e o usava como colchão e ele começava a ler o texto em voz alta como se soubesse que me interessava em sua leitura... e em sua voz rouca, Peter acariciava meus pelos e ele era o único que me fazia ronronar tanto, era a primeira vez em anos que eu almejava a companhia de alguém. Era incrível como eu já o conhecia tão bem em tão pouco tempo, e era incrível como eu gostava de tudo nele: os cabelos crisalhos meio ondulados, seu halito que cheirava a cigarro e café, o casaco velho, os olhos castanhos, um corpo nem gordo demais e nem magro demais, os pelos do corpo prateados (eu o via se trocando, as vezes) e eu tinha quase certeza que eu não iria embora, só quando ele fosse, porque aconteceria mais cedo ou mais tarde.

Mas nem tudo era perfeito, ele tinha uma namorada, uma namorada quase noiva (ele já havia comprado o anel só faltava a coragem de pedi-la em casamento) ele a conheceu no colégio em que dava aula, ela trabalhava na cantina como cozinheira e como dizem: "você conquista o homem pelo estômago" e Peter não sabia cozinhar. Ele costumava viver de comida congelada antes dela (não que eu tenha vivido com ele nessa época, é que ele gosta de enfatizar isso e dizer "como a vida dele estava melhor depois de conhece-la"). E eu a odeio... odeio por gostar dela, ela costumava grelhar peixe pra mim, ela também me conquistou pelo estômago.

Sobre a aparência dela, bom, ela não tinha nada muito extraordinário: Ela era bem magra, baixinha, tinha vinte e sete anos, cabelos castanhos, olhos castanhos, pele "café com leite" e um sorriso amável. é aquele tipo de pessoa que não precisa ser bonita pra se interessar por ela, é a personalidade que conta. Ela também gostava de coisas de terror e ocultismo, gostava muito do assunto "bruxas" e dizia que achava errado o que aconteceu com elas no passado e Peter, bom, ele preferia falar sobre Platão, Aristóteles.

Seu nome era Christine.

Um dia Peter estava vendo um filme genérico, genérico o bastante pra eu não lembrar o nome, e eu estava um pouco ocupada caçando um passarinho do lado de fora da casa (os instintos falam alto as vezes) e eu só voltei pra dentro quando eu vi Christine correndo para porta da frente, acabei entrando junto com ela. Ela estava muito animada, naquele dia eu podia chamá-la de "Senhorita Empolgação" igual eu chamo o Peter de "Senhor Grisalho".

— Você não vai acreditar! — Ela disse, com aquela voz fina que me lembrava a voz de meninas que dublam animes japoneses, tenho certeza que entende o que quero dizer — Eu comprei um livro de magia negra! O vendedor disse que foi resgatado da era a caça as hexen!

Peter apenas olhou pra ela por alguns estantes, tirou um cigarro do maço e o colocou novamente no bolso da camisa. Acendeu o cigarro, tragou, expeliu a fumaça, respirou fundo e finalmente respondeu:

— Sabe que não pode acreditar em tudo que vendedores dizem, porque como eu já disse...

— "A dúvida é o principio da sabedoria", eu sei disso — E mais uma vez o sorriso amável.

— Aristóteles era muito sábio — Peter disse, ele não acreditava muito em nós hexen.

Eu subi no sofá e deitei no colo de Peter como eu sempre faço, que começassem a sessão de caricias.

— Eu ainda tenho 50% de chances de ser autentico — Christine disse, mas daquele jeito confiante que queria dizer "eu comprei um livro real de magia negra".

Peter suspirou como resposta.

Eu acreditava tanto naquele livro quanto Christine,

Afinal... mesmo velho e gasto... era idêntico ao livro de magia da minha mãe.

Notas finais
Então? gostaram? Sigam o exemplo da Whatever e da Samara: Comentem! Não custa nada deixar a opinião de vocês!