Notas iniciais
AGORA FOI! Me perdoem pelo vacilo, o fim não estava pronto e eu nem tinha me ligado... Enfim, comentem! Boatos de que se a história for bem aceita por vocês poderá ocorrer uma parte 2 heeueheu Vocês vão querer matat a Ana heueheu, mas eu não deixarei claro. Estamos abertas à críticas, xingamentos (peguem leve), sugestões e afins! Tanto aqui quanto no twitter @parrillakisses (eu) e @lperrylla (Aninha, namoradinha, vamos casar um dia e tal) Aproveitem!

Emma Swan.

Me larguei no sofá e abri meu livro de química depois do almoço na espera do nome de Regina aparecer na tela do meu celular.

Tive que respirar fundo para não desistir de dar aquele ensaio ao lembrar que Robin estaria nele. Que ser humano inescrupuloso.

Bufei e joguei o livro no chão quando percebi que não estava conseguindo meu concentrar naquilo. Meus pensamentos voavam e iam todos na mesma direção. Que grande bagunça estava dentro de mim. Cruzei os braços irritada com a minha criancisse interior. Nunca que eu teria coragem o suficiente para arriscar uma amizade por causa de sentimentos idiotas (que não eram tão idiotas assim, mas eu odiava admitir para mim mesma que eram reais). E apesar das inúmeras merdas e mentiras que Robin falava e fazia, Regina era feliz com ele. Meu Deus, o quanto era. Ela sempre trazia consigo um sorriso magnífico o qual desejara eu ser o motivo...

O único sentimento ruim que eu tinha em relação a Regina era o exato fato de ter que guardar todos os outros sentimentos maravilhosos que eu nutria por ela. Era perturbador vê-la sendo feliz nas mãos de alguém que não a merecia. Ai, mas se ela é feliz quer dizer que você está só com inveja então? Não. Não é inveja. Até porque eu nunca na vida gostaria de ser Robin, nem mesmo por causa de Regina. Ele era, me desculpem o palavreado, escroto.

Porém Regina era feliz, eu não podia dizer que não. Mas Robin não a ama, é esse o meu ponto. Ele finge que a ama, ele finge que se importa, ele finge que não está com ela apenas por interesse e ele finge que não se aproveita apenas das pernas lindas que ela exibe pela escola usando shortinhos e sainhas. E é óbvio que isso me deixa puta da cara.

O fato contraditório disso tudo, é que eu havia descoberto aqueles sentimentos não fazia muito tempo. Talvez uns três ou quatro anos. Para ser mais exata, foi na oitava série. Ambas tínhamos 15 anos quando aconteceu dos meus sentimentos se manifestarem por ela.

Flashback On

"Emma o que aconteceu?" Regina entrou no quarto da loira e a encontrou desolada deitada na cama.

"O que está fazendo aqui? Não quero que me veja chorando." Cobriu-se com um travesseiro. Sua voz embargada pelo choro.

"Sua mãe me pediu, Em. Qual é o problema? Já te vi chorando tantas vezes." A morena sentou na borda da cama e apoiou por cima do lençol a mão na perna da amiga.

"Mas não por um motivo tão idiota." Ouviu-se por debaixo do travesseiro.

"E qual é?" Emma não respondeu. Regina então andou até a outra extremidade da cama e sentou-se no chão ficando na altura do rosto de Emma. "Vamos, me conte. Não sairei daqui enquanto você não desabafar o que está se passando aí dentro." Com o indicador bateu de leve no lado esquerdo do peito dela.

Depois de um imenso silêncio Emma se manifestou baixinho. "Regina eu odeio homens." Ela fungava cuidadosamente segurando o choro enquanto a amiga acariciava seus fios quase dourados.

"O que?!" Regina estranhou tal comentário.

"Todos eles são iguais. Eu odeio todos." Ela disse com desprezo e desviou o olhar profundo.

"Emma do que está falando?" Regina insistiu.

"Esses imbecis que não tem sentimentos." Sua raiva era clara.

"Aconteceu algo com seu pai?" A morena logo imaginou que algo daquele tipo poderia ter acontecido. Afinal Emma descobriu a traição de seu pai quando tinha apenas 10 anos. Nunca ela fora capaz de perdoá-lo ou sequer se recuperar do trauma de ter visto a cena de seu pai na cama com outra mulher. Havia sido horrível e desde então a pobre menina nunca fora capaz de confiar em alguém tão rapidamente. Até mesmo sua relação com Regina na época ficara um tanto abalada.

"Não." Regina agradeceu mentalmente. Era menos pior que não envolvesse a família.

"Então o que foi?" Tentou mais uma vez delicadamente.

"Graham." Emma respondeu seca e enfiou o rosto nas mãos.

"O que ele fez?"

"Disse que era para eu me tocar, que o que tínhamos era uma brincadeirinha. Foram 5 meses de pura brincadeira? Estou ficando louca?" Os olhos vermelhos da loira entregavam o quanto ela estava chateada por ter levado um fora. Aquilo era totalmente desumano. Graham era um idiota, realmente parecia não ter nem coração.

"Em, calma! Vão aparecer outros caras. Eles não são iguais." Regina passava os dedos por entre os fios do cabelo da amiga sem parar.

"Não quero mais saber deles." Ela sentou-se na cama deixando a cabeça chegar por último como se estivesse muito pesada.

"Emma! Isso é precipitado." Regina olhou-a ainda sentada no chão.

"Estou decidida."

"E o que você vai fazer?" Arqueou uma sobrancelha.

"Com o que?"

"Ah... Sua vontade de beijar e essas coisas." Disse sem graça sentando na cama ao lado de Emma.

"Posso supri-las com qualquer um."

"Ai Emma."

"O que, Regina?" Sua impaciência foi ressaltada.

"Quero que fique com uma pessoa só." Admitiu e Emma franziu o cenho não entendendo.

"Por quê?"

"É difícil sentir ciúmes de várias pessoas." Ela entonou o "várias".

"Ciúmes?"

"Sim, ué." Regina deu de ombros e Emma continuava confusa.

"Como assim?"

"Você acha que eu me sentia confortável com Graham te fazendo rir à toa e te beijando na minha frente o tempo todo?" Revirou os olhos.

"Mas... Por que não?" Emma realmente se sentiu confusa e insistiu em saber.

"Eu sei lá, Emma. Eu apenas sentia ciúmes." Tentou desvencilhar-se do assunto mas a loira não parecia convencida.

"Gina, eu nunca imaginei que você..."

"Eu nunca lhe falei, certo?" Regina a interrompeu.

"Mas eu teria parado."

"E por que isso? Você gostava dele." Sorriu com os lábios, sincera.

"Mas eu gosto mais de você. Se não te fazia bem você poderia ter me falado." Emma admitiu e sem demonstrar Regina sentiu o comentário a acalentando.

"Eu não estava a fim de parecer intrusa." Deu de ombros.

"Mas você não é."

"Eu acabaria com um dos motivos pelos quais você sorria. Não seria justo." A morena encostou a cabeça na parede ao lado da cama.

"Pelo menos me pouparia dessa choradeira."

"Ai, sabe..."

"O que?" Emma virou-se para aquela direção e prestou atenção na amiga.

"Nós deveríamos casar." Regina disse espontaneamente e Emma arregalou os olhos.

"O que?!"

"É... Eu e você. Aí teríamos nossos pequenos rolos particulares aqui e ali, contaríamos a verdade sobre tudo e apenas amaríamos a nós mesmas. Ninguém se machucaria." Pareceu tão simples na hora que ela nem se importou de explicar.

"Você está falando sério?" Emma sorriu.

A ideia era louca? Precipitada? Estranha? Era. Tudo isso. Mas não era de se negar. O que poderia dar errado? Eram melhores amigas, mais próximas entre si do que qualquer pessoa já fora antes, amavam-se incondicionalmente e acima de tudo valorizavam-se pelo que real e unicamente eram: elas mesmas.

"Ah... Sei lá." Borboletas invadiram o estômago da loira, mas ela resolveu se mostrar imparcial. E se Regina virasse e dissesse "duh idiota, estou só zoando!"? Seria um belo de um soco no meio de sua cara. E com certeza não seria nada, nada agradável. "Não é má ideia." Porém, a morena pareceu bem convicta e espontânea sobre o que falava e isso animou a outra garota.

"Jura?" Um sorriso tímido surgiu nos lábios da (por meses) mais nova.

"Também não sei. Somos tão ligadas, talvez desse certo." Regina olhou nos olhos azuis da amiga e sorriu genuinamente. Aquilo era sério? Uma declaração? Ambas estavam com nuvens nos pensamentos depois daquilo.

"Não tenho dúvidas de que daria..." Emma soltou um pequeno riso e encostou-se em Regina, que logo após também rir, pôs os braços em volta dela abraçando-a forte.

Flashback Off

O toque escandaloso do meu celular começou a tocar e repensei em atender quando vi o nome dela. Minhas opções eram: Regina, caída escada ou minha mãe precisa da minha ajuda, MELHOR quem sabe Graham me pediu auxílio com os estudos? Não. Merda. Todas as desculpas pareciam forçadas. Revirei os olhos então, e atendi.

"Oi coisinha." Disse insossa.

"Olá, dear Swan!" Já ela parecia transbordar felicidade.

"Que animação!"

"Impressão sua..." Abaixou o tom e eu me perguntei se a ligação não estava no viva voz.

"Mentirosa."

"Cala boca." É. Não estava no viva voz.

"E aí?" Referi-me ao almoço dos dois.

"Pode vir."

"Lembre Robin do nosso trato." Desejei intensamente que estivesse no viva voz.

"Ele já está ciente, Em. Venha." Pelo tom que usou comigo subentendi que era hora de me calar.

"Chego em 5." Peguei minha bolsa na mesa perto da escada e fui saindo pela porta.

"I'll be waiting." Cantarolou a última palavra mostrando o quão animada realmente estava e droga, eu sorri. É lógico... Regina era o constante motivo dos meus sorrisos eu nunca poderia evitar sorrir por ela.

_________

Pisei na frente da casa de Regina e respirei fundo, muito fundo. Olhei o horário no celular e calculei que faltavam o total de duas horas e dez para que a princesa Regina assinasse uma cópia da lei Áurea e me libertasse do inferno que aquilo seria.

Dirigi meus passos direto para a garagem e os encontrei sentados, abraçados e rindo ao lado da porta. Parei imediatamente e Regina deu um pulo quando me viu.

"Oi meu amor!" Beijou minha bochecha calorosamente e foi quando percebi o olhar distante de Robin dali. Ué. Fiquei bem confusa. Ele sempre me encarava até que meus olhos sangrassem e depois saía com um sorriso vencedor estampado no rosto. Idiota. OLHA BEM PRA MIM ABRAÇANDO SUA NAMORADA. Mas não. Ele não olhou, nem se quer incomodou-se de dar uma olhadinha descontraída. Fui completa e totalmente ignorada por Robin.

Resolvi ignorar tal ser também. 1 que ele não merecia minha paciência ou meu precioso tempo. 2 que eu não gastaria neurônios tentando descobrir por que o fofo estava todo destraído. E 3 que estava ótimo! Estava total e completamente ótimo sem o som da sua voz, sem as piadas irritantes, sem graça e inconvenientes. Eu estava a vontade perto dos dois pela primeira vez na vida enquanto passava um tempo com Regina especificamente. Robin não somava para mim, apenas dividia e dividia e dividia...

Juntei os dois e ensinei em rápidos 40 minutos a base do que fariam. Eu mandava Robin conduzir Regina para tal lado e ele fazia. Pedia para Regina girar, soltar e dar um passo e ela graciosamente executava fazendo-me morrer de vontade de conduzi-la pelo lugar. Enfim, deixando a história toda menos dolorida, eles eram bons alunos. Ou talvez eu fosse uma professora maravilhosa. É... Quem sabe fosse isso.

___________

"Amor, eu tenho treino agora." Escutei Robin dizendo bem baixo perto de Regina que assentiu e virou para a direção que eu estava.

"Em." Olhei-a pelo pequeno espelho.

"Sim?"

"Robin tem treino agora. Podemos continuar no domingo?"

"Claro. Sem problemas." Assenti tranquila.

"Hm... Tchau." Ele disse um tanto sem graça e procurando sua bolsa. "Tchau, baby." Voltou para onde Regina estava e a beijou nos lábios tomando algumas frações de segundo enquanto eu fingia que não estava vendo aquilo.

"Me liga." Ela disse mais alto virada para a direção oposta e pôde-se escutar um assentimento vindo dele.

Eu encarava ora meu rosto ora o corpo dela pelo espelho. Reparei sua movimentação cautelosa ao se virar e encarar-me.

"E então?" Ela disse mordendo o lábio.

"O que?" Ainda nos olhávamos pelo espelho.

"Robin."

"O que tem ele?" Eu estava realmente tentando alcançá-la no assunto.

"Dá pra continuarmos assim? Digo..." Ela começou a explicar e então entendi.

"Ah! Sim, Gina. Tranquilamente." Sorri e olhei para ela. Eu realmente estava em paz. "Se preferir, podemos voltar a ensaiar amanhã e aí no domingo retomamos."

"Certo. Por mim está ótimo, só vou confirmar com Rob e te aviso."

"Sem problemas."

Eu estava total e completamente surpresa pelo silêncio e obediência de Robin. Juro. Cada segundo das duas horas e tanto que passei ali, ele abriu a boca apenas para dizer "por que você conta até oito?" ou "qual pé que eu piso primeiro mesmo?" e isso me deixou satisfeitíssima. Durante todo o tempo eu fingia que não era ele e felizmente conseguia me concentrar em ensinar a coreografia para os dois.

"Emma, como faz aquela parte mesmo?" Regina me acordou dos meus devaneios e eu ajudei-a relembrando os passos daquela sequência com calma.

Admirei seu empenho e atenção durante todo o ensaio. Não é nova informação que Regina era aplicada, mas nunca poderia imaginar que se dedicaria tanto apenas por um simples baile de formatura. Era definitivamente muito importante para ela.

Naquele dia repassei a dança com ela umas três ou quatro vezes. Sim. Eu e ela. Eu estava conduzindo Regina Mills. Ok, era pelo medíocre cenário de uma garagem, com roupas de ginástica e os cabelos bagunçados, mas ainda sim eu a tinha em meus braços mesmo que de mentira e como substituta, EU A TINHA. Era horrível falar aquilo porque eu não sentia verdadeiramente o quanto Regina era minha SE quem sabe parte dela fosse. Para mim, parecia o movimento viciante da areia escorrendo pelos dedos: você o retoma do início milhões de vezes por gostar da sensação dos grãos em sua mão. Regina era o conjunto de todos os grãos. Ela era um deserto todo pelo qual eu poderia sair pegando infinitas mãozadas de areia e sempre, sempre, sempre eu terminaria com a pele da mão queimada e as mesmas vazias.

...

No dia seguinte compareci a uma competição de torcida com a minha equipe e apesar de ser a capitã e precisar de concentração e foco para liderar o resto do pessoal, eu com certeza havia esquecido minha atenção em casa. Ou melhor ela tinha sido esquecida na sexta-feira à tarde na casa de Regina... Merda. Precisávamos tirar nota boa naquela fase da competição e tudo que meus pensamentos queriam saber era de uma certa Mills. O lado — extremamente — positivo é que éramos bons animadores de torcida e sempre ficávamos com a nota que precisávamos ou na maioria das vezes até com mais. O que facilitou para que a segunda maior nota da noite viesse para nós e também para que eu pudesse relaxar um pouco. Ou apenas tentar...

**

A semana voou aos meus olhos e quando percebi lá estava eu dirigindo para casa de Regina para o último ensaio que teríamos antes do baile. Eu não sabia se sorria por não ter que passar mais tempo com Robin revirando os olhos escondido ou se me desanimava por não passar mais tempo extra com a Regina. Aliás, aqueles ensaios malucos tinham nos aproximado ainda mais. Eu a via todo santo dia e o melhor de tudo: sem Robin. Quer dizer... Robin ficava lá plantado, quieto e bufando pelos cantos, mas eu não me incomodava, eu me concentrava em Regina e apenas nela. Ensinava indiretamente para ele e para salvação da minha paciência ele aprendia rápido.

Mas onde quero chegar é o momento após o ensaio quando o ignorante tinha treino e ia embora. Ahhhh... Os dias iam passando e comecei a perceber que esse era a hora mais esperada de todo meu dia. Quando Regina e eu tínhamos alguns minutos sozinhas. Alguns era para não me gabar. Nós ficávamos vaaaários minutos sozinhas, perto de uns 40 ou às vezes uma hora. Pode não parecer muito (e droga de fato não era), mas qualquer tempo gasto com ela valia a pena e ainda mais quando a gente falava sobre milhões de assuntos em menos de dez minutos... Eu adorava aquilo.

"Vamos a última vez? Está perfeito gente, de verdade. Se vocês ganharem com certeza vão adorar a interação. Não percam esses olhares que vocês trocam o tempo todo, é assim que tornam a coisa real e convincente." Falei trocando meu olhar de um para outro. Meu bom humor exalava pelos meus poros e eu até sorria um pouco. As coisas corriam bem e Regina estava feliz, dava para perceber que sim. Então era óbvio, que se ela estava feliz eu também estava. Meu otimismo era tanto naquele dia que eu poderia dizer que até Robin sorriu alguma vez durante o ensaio. Ou talvez não e eu estivesse ficando louca.

"Ok Swan, lindo discurso agora agiliza que eu tenho horário." Arregalei os olhos realmente surpreendida com a drástica mudança de humor que ele apresentava nos últimos dias.

"Robin!" Regina repreendeu-o surpresa.

"O que?!" Ele perguntou debochando.

"Seja mais delicado." Falou mais baixo na tentativa de apenas ele escutar.

"Estou sendo delicado há dias." Porém Robin não se importou em manter a discrição.

"Menos hoje não é?" Ela irritou-se e resolvi intervir pelo bem da minha paciência e da dela que já estava indo embora.

"Deixa Regina." Virei-me para a caixinha de som e desbloqueei meu celular que provinha a música.

"É... Deixa Regina." Ele me imitou e eu revirei os olhos tentando não explodir. "Só por favor vamos logo com isso antes que eu me irrite de verdade com vocês duas."

"Cala boca! Você não tem noção né?" Eu tentei, mas foi impossível não perder a paciência com aquele mauricinho fresco. "Estou sendo paciente e fofa até demais! Você acha que eu não vejo seus olhos se contorcendo quando você vira de costas? Não sou idiota Robin."

"Bem... Mas que bom não é mesmo?" Ele sorriu irônico.

"É ótimo! Ela está tentando conviver pelo menos! Você poderia ter o mínimo cuidado de tentar também Robin. Poxa! Eu pedi pra você! Por mim!" Regina me defendeu e senti meu corpo todo ser atingido por um mini choque. Enchi o peito mentalmente porque não queria me gabar por aquilo, afinal não era sempre que acontecia.

"Regina eu estou fazendo por você. Só que hoje estou irritado. É só isso." Ele passou a mão no cabelo abaixando o olhar.

"O que aconteceu?" Ela se aproximou dele e abaixou o tom colocando as mãos em seu peitoral. Merda. Eu via a coisa toda acontecendo.

"Não quero falar sobre isso agora." Robin levantou o olhar para ela.

"Tá. Então vá para o seu treino e depois ensaiamos à noite eu e você tá legal?" Desejei veementemente não ter escutado aquilo, mas escutei. Cada uma das letras.

Ele assentiu àquilo e beijou Regina rapidamente antes de pegar sua mochila e sair da garagem em silêncio.

"Me desculpe." Ela disse então depois de ter certeza que ele estava longe.

"Está tudo bem. Eu até estranhei tanta calma vinda dele, já estava esperando seu limite estourar." Era realmente estranho Robin tão cheio de paciência para mim tanto quanto eu estava para ele. Fora uma troca de favores por um bem comum: Regina. Na verdade, eu esperava do fundo do meu ser que fosse uma troca de favores e Regina não estivesse se dando para Robin para que o imbecil calasse a boca. Seria loucura!

Mas se tudo fossem apenas favores, eu havia apostado comigo mesma que ganharia e aguentaria segurar a barra naquela semana e para minha surpresa o que aconteceu foi que, me acostumei rapidamente a não discutir e não ficar estressada por causa de Robin. Era muito mais fácil ambos ficarem calados e sinceramente me deixava confortável.

"Fica tranquila. Estou numa boa. Vou embora também, me mande notícias do ensaio depois." Abaixei e peguei minha bolsa quando ela me fez parar.

"Não..." Regina entrou na minha frente percebi que involuntariamente.

"Não o que?" Estávamos extremamente perto e não pude deixar de reparar naquilo.

"Fica aqui." Me pediu baixinho. "Quer dizer... Se você não tiver nada pra fazer e quiser ficar, seria legal." Recuou um pouquinho da nossa proximidade e eu abri o maior sorriso que consegui.

"Mesmo se eu tivesse o compromisso da minha vida eu ficaria com você." Deixei minha bolsa no chão novamente e sentei-me encostada na parede.

"Você fala essas coisas pra eu me sentir culpada." Ela disse antes de se sentar ao meu lado.

"Não é verdade! Eu falo por que é o que eu faria. Regina eu não ligo de amar você." Ela franziu o cenho tentando entender meu ponto e eu ri um pouco da cara dela. "Quero dizer, você precisa dar atenção ao Robin e eu entendo isso apesar de odiar. Já eu não tenho ninguém para dar atenção, apenas você. Então eu reservaria toda minha atenção e tempo pra você se quisesse. Entende?" Peguei a mão dela e trouxe para perto de mim. Eu voava meu olhar sobre todas as coisas ali presentes menos nos olhos dela. Fingi estar destraída e admitindo coisas que não eram tão importantes assim para mim. MAS EU FINGI. Só fingi. Já Regina me observava constantemente esperando que eu virasse o rosto em sua direção e pusesse minhas íris nas suas. "E não é pra se sentir culpada. Nunca. Eu amo amar você..." Finalmente voltei meu olhar no seu e fora a vez dela de desviá-lo.

Percebi que ela ficou sem graça, mas deixei que o silêncio nos guiasse e sorri olhando para cada pedacinho do rosto dela.

"Sabe que às vezes me pergunto se é a coisa certa pra mim." Disse brincando com meus dedos.

"O que?"

"Robin." Fechei os olhos e encostei a cabeça na parede, eu sempre tinha tantos argumentos sobre como ele era errado pra ela, mas uau, naquele exato minuto parecia que todos eles eram precipitados e equivocados.

"Gina..."

"Não... É sério. Você não gosta dele, minha mãe também não é das mais fãs. Eu viro minha vida de cabeça pra baixo pra vê-lo e passar um minutinho sequer com ele e na maioria do tempo não sinto que recebo o mesmo." Ela deu uma rápida chegada em minha expressão e logo voltou a encarar minha mão.

Optei então, pelo silêncio. Deixei que ele se fizesse presente por alguns segundinhos enquanto Regina pensava no que me disse.

"Você lembra, quando eu estava na mesma droga de dilema qual resposta você me deu?" Perguntei baixinho perto dela como se estivéssemos sendo vigiadas.

"Que deveríamos casar." Regina respondeu no mesmo tom e subiu seu olhar no meu. Eu quis segurar meu sorriso, mas foi impossível.

"Uau. Me impressiona você lembrar disso." Depois de dois anos achei que Regina teria jogado aquelas memórias de criança fora. Nossas brincadeiras e piadas, nossas coisas favoritas e momentos marcantes... Realmente achei que para ela eram bagagens antigas e às quais deveriam ser deixadas para trás.

"Ai sua idiota. Eu lembro das nossas coisas ok? De tudo. Ou quase tudo... Você sempre teve a memória melhor do que a minha." Sua sinceridade me fez rir. "E bom, nunca fui de mudar muito de opinião." Deu de ombros e um frio na minha barriga deu as caras.

"Cala boca." Mudei minha expressão numa fração de segundo desviando meu olhar dali e Regina mexeu-se indo na direção do meu rosto como se quisesse olhar nos meus olhos novamente.

"É sério! Nunca deixei de ser a menina de 15 anos que fazia promessas de longo prazo." O fato dela destacar "que fazia promessas de longo prazo" me chamou atenção e nossos olhares se cruzaram novamente.

"Mas a de 15 e meio conheceu Robin né."

"E dai?" Ela franziu o cenho.

"Sei lá. Parece que você mudou tanto depois dele."

"Está enganada, Em." Regina balançava a cabeça lentamente negando minhas palavras. "Você sabe que sou a mesma pessoa, apenas com alguns sentimentos a mais."

"Certo, tudo bem. Mas é que você não parece pensar do mesmo modo." Admiti e ela encostou-se na parede.

"Sobre o que?"

"Sobre tudo..."

"Você duvida mesmo que eu não ache melhor nós duas casarmos?" Ela tinha um sorriso tímido que me provocava no canto da boca.

"Você fala com tanta naturalidade, parece até que aceitaria essa ideia algum dia na vida." Eu ri um tanto desolada, mas ela fechou a expressão.

"Ué. E por que não?" Encarei-a por alguns segundos esperando que ela risse ou percebesse. Mas não.

"Porque você está amarrada em Robin hoje." Soltei meus pensamentos e ela os negou.

"Isso não é verdade."

"Ah não?"

"Não."

"Tem certeza?" Insisti em uma resposta que não me encorajasse a fazer merda.

"Sim." PORRA REGINA. Assim ela não colaborava de jeito nenhum.

"Regina..." Respirei fundo e tomei coragem o suficiente. Aquele olhar profundo dela me fez querer descobrir o que ela pensava sobre nós. É, nós. Eu e ela e quem sabe umas montanhas.

"O que?"

"Fuja comigo." Fitei profundamente os olhos dela e coloquei toda minha vida naquela frase.

"O que?!" Ela levantou as sobrancelhas e eu ignorei, apenas continuei falando, eu não conseguiria parar. Eu já tinha aspirado coragem o suficiente.

"Vamos embora desse lugar eu e você. Juntas. Escolha qualquer lugar no planeta eu acho um jeito de irmos." Eu gesticulava enquanto falava e ela começou a me observar séria.

"Mas Emma como assim? Por que isso agora? O baile é domingo..."

"Por que eu amo você, Regina. Eu amo você como minha melhor amiga, mas também amo você como bem mais que isso. Eu amo você milhões de vezes mais do que o Robin ama, eu te respeito bem mais do que qualquer homem na vida conseguirá te respeitar. Todos os meus sentimentos por você são intensamente mais fortes do que você pode imaginar ou sabe sobre..." Sentei-me direito virando para ela enquanto atentamente olhava em suas íris. "Eu não tenho intenção nenhuma de assustar você, muito menos de te afastar. Eu nunca na vida iria contar isso pra você. Essas coisas malucas que se passam dentro de mim quando você me dá uma atençãozinha a mais. É maravilhoso! E eu queria muito ter te contado antes, mas eu era uma criança. Achava que eu estava confundindo a nossa amizade, mas não. Não era nada disso e hoje não é mais nada parecido com o que eu sinto por você como sua melhor amiga. Me desculpe estar te enchendo de explicações e palavras, mas eu não quero te perder Regina! Nem em pesadelo." Droga. Percebi os olhos dela se encherem de lágrimas e eu quis abraçá-la pra sempre e fazê-la parar de chorar. "E eu queria poder apontar exatamente quando e como tudo isso começou, mas eu não tenho certeza. Quando, talvez tenha sido o tal dia em que você teve a brilhante de ideia de casarmos. Foi muito marcante pra mim. Eu nunca esqueci aquela nossa conversa." As nossas memórias passaram como um pequeno e rápido filme na minha mente e agora eram meus olhos que estavam cheios de lágrimas. "Mas como? Eu não sei Regina. Eu só sei que os meses foram passando e eu percebia cada dia mais o quanto eu era apaixonada pelo seu sorriso, mesmo sendo Robin o motivo deles." Suspirei e parei de falar. Ela piscava lentamente e me fitava com uma expressão angustiante como se estivesse fazendo a escolha da vida dela. MERDA. Eu pagaria qualquer coisa pelos pensamentos de Regina naquela hora. "Por favor diz alguma coisa! Eu não sei se devo parar de falar se devo ir embora. Regina fala comigo." Implorei pegando suas mãos.

"Eu preciso que você vá embora." Regina abaixou o olhar e eu senti uma facada em meu peito.

"Regina, não!" Abaixei minha própria cabeça procurando o olhar dela.

"Emma... Eu não sei o que devo responder! Eu não sei! Preciso pensar preciso balancear as coisas. Não se trata só de nós duas." Pareceu estar brava por um momento. Mas eu acho que era a angústia morando em nossos peitos.

"Regina você não precisa pensar em nada. É só botar meus pés no chão e dizer que não, você não me ama desse jeito e você não quer ir embora comigo. Pronto. Acabou. Eu vou embora, a vida segue, nós vamos pro baile, vocês ganham a competição, dançam, o público ama e vocês voltam para casa e tem uma noite linda como todos os high school sweethearts devem ter." Eu acho que nunca quis tanto chorar na minha vida. Mas eu não podia. Eu precisava segurar todas as pontas para que ela soubesse que eu era forte o suficiente. O foda, é que eu não era tudo isso.

"Só que eu não posso te responder isso." Um frio na minha barriga se espalhou por todo meu corpo e droga... por que eu tinha que ser tão esperançosa?

"Não?"

"Não, Em. Por favor, vá. Nos vemos amanhã." Ela levantou-se do chão e eu senti que precisava ir.

"Me desculpe de novo. Eu não tinha intenção de te causar nada." Peguei minha mochila e não olhei para trás. Apenas comecei andar. E não parei. Nem um segundo sequer, nem quando minhas lágrimas começaram e se tornaram um rio caudaloso no asfalto pelo qual eu andava, fazendo o caminho que eu andei.

Quando cheguei em casa sem o carro minha mãe me lembrou daquele detalhe. Revirei meus olhos inchados e vermelhos e apenas para poder ter mais tempo sozinha, refiz todo o caminho até a casa de Regina. Ainda chorando. Ainda andando.

Dirigi de volta refazendo o caminho pela terceira vez, me perguntando por que estaria eu tão chateada e tão desolada como nunca antes se já havia passado por coisas piores por Regina. "Só que eu não posso te responder isso." Eu não sabia exatamente o que aquela frase que estava martelando na minha cabeça significava. E foi então que descobri. Todo o choro era medo. Medo de ser rejeitada. Medo de ser trocada ou esquecida. Medo de não ser mais amada. Medo de não ser correspondida. E por último e o pior deles na minha opinião: medo de perdê-la em qualquer sentido, em grande ou pequena escala, literal ou figuradamente...

I was afraid of losing her while all I wanted to do was protect her and stroke her hair saying softly on her ears: I love you, Regina Mills.

Notas finais
E aí??? Não se esqueçam que as chances da parte dois estão em suas lindas mãos! Até o próximo!!