He's My Dream
13 Love Alone
Notas iniciais
– Eu te amo, James. – Sussurrei.
Como fazer você me amar também?

Opostos.
Sim, talvez esse fosse o melhor termo para nos definir. Não estou falando de fogo e gelo, éramos mais como imãs. Eu o atraía e ele repelia-me.
Era inevitável. James possuía o poder de me deixar surda, muda e cega para o mundo em um piscar de olhos, tudo ao mesmo tempo, exceto para ele. Quando estávamos juntos tudo fazia sentido, tudo era doce, nem mesmo a dor de ter sido magoada pelo homem que você ama tinha importância. E o que se pode fazer? Nada. Completamente nada. Porque não se tem controle sobre seu coração. Ninguém nunca teve e estou incluída nisso.
Eu ainda queria insistir, até encontrar qualquer resquício de amor que poderia existir nele, porque algo me dizia – ou queria acreditar – que sentia algo por mim. Talvez carinho, talvez necessidade.
Não precisava abrir os olhos para saber que James não estava mais ao meu lado, pois meu corpo já não era mais aquecido com o calor do dele, só esperava que ele não tivesse abandonado-me no meio do nada.
Levantei e tomei um banho, fechando os olhos por um momento e relembrando a noite anterior, acho que eu realmente não fazia ideia de onde o meu amor iria, pois ansiava por cada segundo que poderia ficar ao seu lado.
A porta do quarto se abriu e ele a atravessou fazendo meu coração acelerar. James olhou-me dos pés à cabeça, a toalha cobrindo parte do meu corpo. Na verdade, uma mínima parte. Jogou o que provavelmente seria nosso café-da-manhã na cama, abriu a boca para falar, mas, acabou por desistir e caminhou em minha direção, me pressionando contra a parede.
– Bom dia. – Sussurrei.
– Ever. – Ele depositou um selinho nos meus lábios e encheu meu rosto de beijos. – Eu... Eu... – Respirou fundo e se afastou – Trouxe algo para nos comermos antes de voltarmos.
James me puxou para a mesa e arrumou a nossa refeição, uma grande interrogação pairava sobre minha cabeça, o que foi aquilo segundos atrás?
– Vou te levar até L.A., já liguei para o guincho e seu carro já está a caminho de casa, consegui um mecânico e ajeitei o meu.
– Você fez tudo isso? – Soltei uma pequena risada – Ah, fala sério. De que horas você se acordou?
– Cedo – Ele sorriu junto comigo e meu sorriso se alargou mais – Eu tive sorte de te encontrar.
– Foi uma maravilhosa coincidência.
– Não estou falando de ontem e sim... – Calou-se fitando o nada.
– James? – Coloquei minha mão em cima da sua, apertei-a.
– Já terminou? Precisamos ir.
E mais uma vez, ele se fechou e praticamente deu as costas para mim. Uma hora James se rendia e assim que percebia o que estava fazendo, erguia um muro em volta dele para que ninguém percebesse seus sentimentos. Mas, eu ainda conseguiria ver através desse muro, ou, derrubar-lo. Nem que fosse preciso tirar tijolo por tijolo.
No caminho de volta conversamos sobre tudo, exceto sobre nós dois. Quando James percebia que o assunto estava se voltando para nosso “relacionamento”, perdia o interesse ou simplesmente falava de outra coisa.
O carro parou em frente ao meu prédio e quase soltei um suspiro de tristeza.
– Ever? – Seus lábios pronunciaram assim que abri a porta.
– Sim? Algum problema?
– Sabe, preciso me afastar de você. Na verdade preciso fugir de você. Eu não sei o que está acontecendo comigo, quando estamos juntos não consigo pensar em nada, mas, quando nos separamos os problemas voltam como uma enxurrada. – Ele colocou as mãos na cabeça. – Acho que você precisa também se afastar de mim.
– Por quê?
Ele olhou na minha direção e percebeu a expressão que eu carregava.
– Você está bem?
– Um pouco enjoada, acho que o café da manhã não me caiu bem.
– Ever... Você não está gráv...
– Grávida? Não, claro que não. – Isso não podia acontecer – O mal estar passa. Não se preocupe. – Fechei os olhos já sabendo o que viria a seguir. – Então você não quer mais me ver?
– Por um tempo. Blue, faça um favor para si mesma. Saia com outros caras. Esqueça-me por alguns dias, se permita viver como se eu não existisse em sua vida.
– É isso que você quer? – Engoli em seco e ousei olhar para ele.
Seus olhos estavam fechados com um pouco de força, fazendo com que sua testa ficasse um pouco franzida.
– Sim. – Pronunciou.
– Tudo bem. – Saí do carro lançando-lhe um último olhar na tentativa de decorar, para reviver uma outra vez, sua presença e sua essência. — Até logo James.
– Adeus, Ever.
~~~
Eu estava começando a cogitar a possibilidade de arrumar um emprego, cansava ficar em casa o dia todo sem ter o que fazer, a qualquer momento iria enlouquecer, não sabia mais quantas horas, dias, semanas haviam se passado. Tudo estava sem sentido sem ter notícias dele.
Precisei aceitar a proposta de James, mesmo sem entender-lo. Nós não estávamos – de fato – juntos para pedir um tempo.
Pensava que assim, ele iria sentir saudades ou algo parecido e então finalmente poderíamos assumir o que tínhamos. Mas, eu não vivia a ilusão que James estava só, com toda a certeza do mundo havia mulheres que dariam tudo para ter 5 segundos de sua atenção.
Meu celular vibrou com uma nova mensagem.
“Ever, balada... Hoje... Não aceito não.” – Logan fazendo-me sorrir.
Fitei o celular pensando em recusar o convite. Porém ele não se importava se eu ficava com o James, só queria minha companhia. E, ultimamente tenho andado muito solitária e isolada de todos. Meu coração estava conseguindo trancafiar-me dentro de mim mesma, estava impedindo que me abrisse para o mundo e para as possibilidades que ele tinha para dar-me. Sim, eu não podia controlar o que eu sentia por James, mas eu ainda possuía controle sobre minhas escolhas.
E minhas escolhas podem dar novas chances ao meu coração... Pode não valer a pena, mas com certeza vai valer histórias pra contar, dias para lembrar.
“Você não deveria ter me convidado.” – Respondi, antes que mudasse de idéia.
“Não vou me arrepender, Blue. Muito menos você.”
Talvez eu não estivesse fazendo a coisa certa, talvez estivesse cansando de esperar James, porque inegavelmente ele era o amor da minha vida, mas, eu não era o seu.
“Se eu voltar atrás e fingir que não me sinto assim? Não quero dizer uma mentira, não quero ter que esconder.
Preciso saber se devo aumentar ou desistir, meu coração está preso em espera
Quero saber para onde ir.”
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