He's My Dream
4 Everybody Hurts
Notas iniciais
...
– Desculpa Ever, mas, você não entenderia.
Ele atravessou a porta, batendo-a com o pouco de força. E se, eu prestasse bem atenção podia escutar meu coração rachando e despedaçando.

Prendi a respiração na tentativa de prender as lágrimas que se acumulavam em meus olhos mas, foi em vão. Duas delas escorreram quentes pela minha face. Eu não sabia se aquilo era de tristeza ou de raiva.
Não raiva de James, de mim mesma. Que fui tão burra ao me entregar para ele, na tentativa de alimentar um desejo que me queimava por dentro pensando que acabaria ali, que aquela chama iria se apagar, de uma hora para outra.
Estava claro que não. Ter uma noite com ele só faria aumentar o que eu sentia. Antes meus lábios afirmariam com toda a certeza que não o amava, agora minhas palavras carregariam um pouco de dúvida, mas, meu coração sabia a verdade.
A quem eu estava querendo enganar?
Sequei as lágrimas que caiam sem parar, parei de fitar a porta e me encaminhei para o banheiro, fiquei olhando meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam inchados, meus lábios mais vermelhos do que já eram de tanto apertá-los um contra o outro.
– Eu... – Respirei fundo – Eu amo o James. – Confessei para minha imagem. Uma lágrima caiu.
Aos poucos as batidas do meu coração foram voltando ao normal.
Normalmente, seria a hora para fugir. Voltar para a minha pacata cidade onde nada acontece, esconder o que sinto e esquecer o que aconteceu, só que dessa vez eu não faria isso.
Sabia que ele não me pertencia, mas isso não seria o suficiente para desistir. Não à essa altura. O primeiro passo já estava dado, agora eu precisava ir até o final.
Tomei um banho bem gelado e vesti-me rapidamente, de jeito nenhum ficaria em casa chorando, isso não iria resolver nada. Se for preciso lutar por ele, então eu o faria, sem medo.
Meu coração já foi quebrado antes, mais uma vez não iria fazer mal.
Dirigi até a universidade, indo falar direto com a secretária da reitoria, o mais depressa possível, ajustei – de uma vez por todas- minha matrícula em psicologia. Resolvi caminhar pelo campus, relembrando os poucos meses que passei estudando. Ao longe vi duas garotas fazendo pose para um garoto. Fiquei atrás de uma árvore, escondendo parcialmente o corpo.
– Legal, não é mesmo? – Uma garota falou do meu lado, levei a mão ao peito do susto que havia tomado.
– É, bem legal.
– São do curso de fotografia, deve ser o melhor curso daqui. Preciso ir. – Ela se afastou acenando com a mão em despedida.
Dei as costas aquilo. Meu Deus, onde minha cabeça estava?
Voltei para o carro, sem saber para onde ir. Uma música começou a tocar, procurei meu celular na bolsa.
– Blue?
– Oi Kends, por favor não brigue comigo, de novo. – Falei, seguindo um suspiro.
– Ao contrário, eu queria desculpar-me, prima. Onde você está? Já tomou café?
– Ainda não, estou na universidade. – Mordi o lábio.
– Ótimo, venha aqui em casa. Pode ser?
– Claro. Em poucos minutos chego por aí. Beijooo.
Desliguei. Eu só não sabia com que cara iria olhar para o Kendall. E pior seria se ele já soubesse o que havia acontecido.
Dei partida no carro e tentei manter o limite de velocidade, do jeito que eu me encontrava era capaz de atropelar velhinhas, crianças e o pior cachorrinhos. A confusão estava estampada nitidamente no minha face não havia pessoa mais desnorteada na face da Terra.
Parei em um semáforo, quando vi o carro de James passando, mas, ele não estava sozinho. Havia uma mulher no banco do passageiro. Meu coração deu um solavanco ao mesmo tempo em que meu pé pisou no acelerador, ultrapassei o sinal.
Tudo aconteceu muito rápido, uma buzina fez-me voltar à realidade, freei o carro no cruzamento a 5 cm de bater em outro.
Merda! O que diabos eu estava pensando? Iria começar uma perseguição.
O cara do outro carro começou a me xingar e estirou o dedo do meio pra mim, ignorei-o, afinal nada havia acontecido e continuei meu trajeto antes que algum policial visse a cena e meu dia ficasse pior do que já estava.
Mas... Eu nunca pensei que James já estivesse com outra. Ele não havia nem colocado o pé do lado de fora do meu apartamento para já estar com uma mulher diferente nos braços.
A confusão borbulhava dentro de mim.
Em alguns minutos estacionei em frente a casa do Kendall. Pelo retrovisor vi minha cara inchada e olhos vermelhos, me recompus o máximo que pude, e respirando fundo entrei, sem apertar a campainha.
A imundice da noite anterior dominava a sala. Logan estava dormindo de boca aberta no sofá, e dava pra escutar a voz do Carlos e do meu primo vindo da cozinha.
– Eu estou com fome. – Os assustei. –Espero que tenha ovos mexidos, bacon, panqueca, suco de laranja.
– Caramba Ever, você come isso tudo? – Carlos me ofereceu um sorriso que eu quase considerei como um bom dia. Ele era tão lindo, tão fofo, não parecia ser mulherengo que nem o James. Por que eu não me apaixonei pelo Garcia?
Ri, não deixando parecer o quanto eu estava machucada.
– Oi prima. – Kendall olhou-me envergonhado – É... Desculpas por ontem. Vocês dois só estavam ficando, eu me exaltei porque já havia bebido. Claro que você não passaria de beijos com o James.
Engoli em seco. ÓTIMO!
– Não precisa se desculpar. E, o que aconteceu com o Logan?
Eles riram.
– Passou da conta. Está mais morto do que vivo.
– Você viu o James saindo da festa? – Carlos perguntou, e só a menção do nome dele fez meu coração acelerar.
– Acho que dormiu na cama de uma vagaba qualquer.
Acabei engasgando com as palavras do loiro.
– Oh Ever, acabei falando sem querer. Vou reformular a frase: Acho que dormiu na cama de alguma mulher.
Uma vagaba qualquer. Não... Eu não era isso.
Tomei café da manhã/ almoço com os meninos, até que escutamos a porta da frente batendo. Os passos ressoaram na casa, e então pararam na entrada da cozinha.
– E aí? — Aquela voz.
– Hm, o pegador resolveu aparecer?
James passou por mim, sem ao menos dirigir-me a palavra e encostou-se no balcão, mordendo uma maçã. E, quando finalmente seus olhos se encontraram com os meus, eu me resumi a nada debaixo daquele brilho castanho-esverdeados.
Para ele, eu não tinha importância alguma.
Isso não ficaria assim. Sim, sabia que estava longe de alcançar o seu coração. Mas, algo me dizia, ele iria me amar...
De um jeito ou de outro.
“Parece que, nada realmente importa mais quando você vai embora, eu não posso respirar... Isso não pode estar acontecendo.”
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