Hes Gonna Save Me
9 The Talk.
Notas iniciais
Só uma de vocês passou no teste.
Meu coração estava prestes a sair pela boca. De qualquer jeito, seria uma notícia ruim. Se Annie passasse, obviamente eu ficaria feliz pela minha melhor amiga, mas teria que vê-la seguindo uma carreira a qual eu também queria seguir. E se eu passasse, teria que lidar com Annie chateada pois esse era o sonho dela – ela queria mais do que eu -, e me sentiria mal com isso.
— Então... – falei, não aguentando mais o suspense que Delly estava fazendo.
— Você conseguiu! Parabéns!!! – Congelei. E agora?? – como sei que você estuda e não quero te atrapalhar, te mando todos os detalhes por e-mail e você me diz se aceita ser parte da agência ou não, tudo bem?
— Tudo bem Delly, muito obrigada. Até mais. – digo, encerrando a chamada.
— DELLY? – Annie se vira para mim. – O que ela disse?? – Pensa rápido Chloe. Pensa rápido.
—Ah, então... ela disse que não passamos... mas tá tudo bem, né, miga? A gente tinha que focar nos estudos de qualquer forma.
Quebrou meu coração ver o semblante decepcionado de minha amiga.
— É verdade né... fico triste que não conseguimos. Eu me empolguei tanto... mas não era pra ser, né? Não adianta ficar mal agora. Vida que segue – disse Annie, tentando se animar.
— Isso! E, voltando ao assunto, acho que um acampamento não seria nada mal! Que tal uma festa para comemorar o final das provas, e em seguida os mais íntimos dormem lá? – sugeri.
— Ótima ideia! É até um incentivo para o término da semana de provas que nem começou. – riu Amber, nossa amiga de corredor.
— Perfeito então! A festa vai ter um tema?
— Podia ser festa a fantasia! – Tyler disse e todos pareceram se animar com a ideia.
Terminamos nossa conversa animada no saguão e eu e Kyle fomos para meu quarto enquanto Annie e Tyler foram lá fora. Era sábado, e de final de semana os inspetores não revistavam os quartos, já que a maioria saía e voltava só domingo à noite. Vai, inspetores também tem coração.
— Ky... Eu passei no teste. – Confessei.
— Amor, isso é incrível! – Ele me deu um abraço apertado e me levantou. – Parabéns!
— É, obrigada... mas a Annie não passou. E eu falei que nós duas não passamos. Não sei se vou aceitar. Ela queria isso mais do que eu, de qualquer jeito. Não to afim de machucá-la.
— Sabe uma das suas qualidades que mais me encanta? – ele pergunta me olhando nos olhos, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e chegando mais perto. – Seu coração enorme.
Eu sorrio enquanto ele chega mais perto e me beija, beijo que começou calmo e foi aumentando a intensidade. Ele me pega no colo e me deita em minha cama, enquanto eu tiro sua camisa e ele vem em cima de mim com voracidade. Eu entrelaço minhas pernas nas costas de Kyle, nos aproximando mais enquanto ele beija meu pescoço e da leves apertadas em minha cintura. Ele abre o botão da minha calça e tira minha camiseta, enquanto eu decido fazer o mesmo com o botão da calça dele. Eu mordo seu lábio, descendo minha mão pelo seu abdome e ele geme baixinho em aprovação; dei um sorriso malicioso e troquei-nos de posição, ficando por cima. Assim que ele abriu o fecho do meu sutiã (com uma mão só. Achei importante ressaltar. Só eu fiquei impressionada?), outra coisa também se abriu. A porta.
— JESUS – grita Annie sem saber se cobre os olhos ou a boca, e Tyler cai na gargalhada enquanto nós, desesperados, tentamos cobrir nossos corpos.
Eles viram de costas enquanto corremos para o banheiro com as nossas roupas na mão, e em seguida adentram o quarto fechando a porta.
— Da próxima vez tentem trancar a porta, tá? Dica de amigo – Tyler brincou, e não conseguimos segurar o riso.
Saímos do banheiro devidamente vestidos e sem saber onde enfiar a cara, mas rindo da situação constrangedora.
— Em minha defesa – Kyle começou – é a SEGUNDA vez que você atrapalha, Tyler. Vamos ter que dar um jeito nessa sua atitude, mocinho – ele diz imitando superioridade, em tom de brincadeira.
— Mas eu lá vou saber que vocês estavam fazendo saliência?? E qual o problema de vocês dois com chaves? Sabem que ela existe exatamente pra isso né? Privacidade e tals. – brincou Ty.
Ficamos conversando mais um montão até que o sono bateu e demos a ideia dos meninos dormirem no nosso quarto. Eles disseram que iam só trocar de roupa (dormir de calça jeans não dá né) e voltariam para nosso quarto.
— Então... — Annie começou assim que a porta se fechou atrás de nós, com um sorriso.
— Então o que, xereta? – Falei rindo.
— Vocês devem ser bons mesmos juntos, já que têm esse fogo todo. Devem ter muita química “lá”. – diz ela, insinuando algo que eu preferia não ter entendido.
— eu não sei... nunca chegamos “lá”. – enfatizei a última palavra, olhando para baixo.
— QUE
— NÃO GRITA DEMONIA, EU TO DO SEU LADO
— Como assim vocês nunca fizeram sexo?? – ela indagou baixinho, com cara de espanto. – vocês namoram faz quase 4 anos, eu pensei que já tivesse rolado... até eu e o Tyler já fizemos
— QUE???
— OLHA SÓ QUEM TA GRITANDO AGORA NÃO É MESMO – ela diz séria, mas em tom de deboche.
— E como você nunca me contou isso, Annabella?
— Ah, não faz tanto tempo, e eu nem pensei em te contar por que achei que já era uma coisa muito normal pra você, então não falei.
— Tá, tá. Tá perdoada. Mas agora, me conta. Como foi?
— Bom... – começou ela, tocando levemente seu queixo com a ponta do dedo indicador, como quem está pensando. – foi há um mês mais ou menos. Lembra o dia que eu te contei que ia dormir na casa dele? – assenti com a cabeça. – então. Estávamos conversando antes de dormir, quando começamos a nos beijar e... foi acontecendo.
— Mas... doeu? – ela riu baixinho diante da minha preocupação.
— Não, não doeu. Aliás, é incomodo, mas não é de chorar nem nada. Você vai ficar bem. – ela disse. – não fica com medo não. Vai ser de boa, eu tenho certeza. Só vai, tigresa. – brincou e eu caí na gargalhada.
— Ui, tigresa – Kyle entra de supetão seguido por um Tyler preocupado demais com o celular em suas mãos para prestar atenção na conversa. – do que vocês estavam falando?
— Sexo. – essa é minha melhor amiga. Delicada e discreta, igualzinha a uma jamanta. Sinto meu rosto corar.
Assim que Tyler ouve a palavra, seus olhos desgrudam do celular e olham diretamente para Annie.
— Oi? – ele indaga querendo saber o restante da conversa, mas é atacado com almofadas jogadas pela minha amiga.
Enfim, os meninos deitaram-se conosco e Ann e Tyler dormiram após alguns minutos de conversa, diferente de mim e do meu namorado, que conversamos por muito tempo. De repente, ele me olha com um olhar intrigado.
— Anjo... você já pensou em nós... digo... já pensou se você se sente confortável ou já teve vontade de... – ele se enrola, tímido com a pergunta.
— Transar? – eu falo, corando e rindo baixinho. – já. Acho que to preparada. Tenho certeza. Você já pensou? – indaguei, já sabendo a resposta.
— Já pensei... o tempo todo, na verdade – ele fala, rindo. – mas eu quero que você saiba, se você não estiver se sentindo confortável com qualquer coisa que eu fizer e ainda não estiver preparada pra fazer, eu entendo perfeitamente, tá? Cê sabe que pode falar tudo pra mim. Te amo, loira. – assinto e ele dá um beijo na ponta do meu nariz, depois que digo que eu também o amo.
Assenti e me aninhei ainda mais a seu corpo, talvez em uma tentativa de virarmos um só. Naquele momento, só sentia extrema gratidão por eu ter uma pessoa tão compreensiva, amorosa, brincalhona e maravilhosa – por dentro e por fora – em minha vida.
Depois de alguns instantes em silêncio, sinta sua respiração pesada bater contra minha pele, quando minhas pálpebras começam a pesar. E aí caio num sono leve, gostoso, sentindo os braços fortes de Kyle me envolvendo e me sentindo completamente segura e feliz.
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