Heroína

23 O céu é um lugar na terra com você


Notas iniciais
VOLTEEEEEEEI E como nem só de drama vive o homem, aproveitem esse capítulo que é SÓ AMOR!!!! Af chorei umas duas vezes escrevendo (e lembrando o que estou planejando pra eles depois askjdkas) Ai gente, eu amo demais essa fic. Amo escrever ela, planejar o roteiro, tudo. Absolutamente tudo. Muito obrigada pelo apoio que vocês dão, cada visualização, cada acompanhamento, tudo isso significa muito pra mim ♥ Aproveitem o capítulo, e hoje tem duas músicas!! (duas músicas que eu amo demais da conta) Link playlist do Spotify: https://open.spotify.com/user/12181997845/playlist/7bhYns4WjKVuwzb867Q3wH Link Pinterest: https://br.pinterest.com/erohime/hero%C3%ADna/

Me deixe ser o seu medidor de energia

E nunca irei parar de funcionar

Me deixe ser o aquecedor portátil

Que você vai sentir frio se não tiver

Eu quero ser sua loção hidratante

Envolver seu cabelo em profunda devoção

Pelo menos tão profunda quanto o Oceano Pacífico

Eu quero ser seu

— Wanna Be Yours, Arctic Monkeys

—Capítulo XXIII–

O céu é um lugar na terra com você

Logo no primeiro instante, Hinata percebeu que se tratava realmente de uma festa de faculdade para angariar fundos. Embora a estrutura do lugar fosse grande, as atrações eram, sendo gentil, baratas – ela identificou uma mesa de pong beer, e nos fundos do salão alguém montara uma tenda improvisada com alguns pedaços de tecido, criando uma barraca do beijo voluntária. A mesa do DJ ficava no palanque mais alto, mas consistia, basicamente, em um computador e caixas de som potentes. Imediatamente, ela se sentiu a vontade.

As pessoas se aglomeravam em pontos específicos da pista de dança e no balcão do bar, conversando animadamente. Usavam roupas formais e sofisticadas, mas alguns já aparentavam falta de sobriedade, deixando o quadro geral mais cômico. Seus olhos não demoraram para se ajustar à parca luz, e ela se aproximou devagar do centro do salão. Absorveu uma grande quantidade de informações, buscando desviar o olhar e distrair a mente. A verdade era que suas pernas estavam tremendo, e, se não fosse a mão de Naruto segurando-a firmemente, já teria desfalecido; ou saído correndo para fora.

Hinata não viu o olhar repreensor dado por Sakura para as pessoas atrás de suas costas – todavia, nem precisava. Cada um deles alimentou uma expectativa assombrada no momento em que a viram entrar com Naruto. Ela não sabia, mas eles também esperavam, há muito, por aquele momento.

Caminharam em direção à Haruno, que sorria largamente – talvez a única alheia à bolha de tensão estabelecida –. Hinata apertou o braço ao redor de Shion, que mantinha a postura e o rosto tranquilo. Naruto estava sério, atento para a garota e os amigos. Imaginou não precisar alertá-los; provavelmente eles já sabiam que lado ele tomaria caso alguma desavença acontecesse. Naquela noite, não estava nervoso, tampouco inquieto. Sabia muito bem das suas prioridades – segurava-as em sua mão.

O encontro inevitável aconteceu. Hinata parou a uma distância segura, parando sob a luz branca que iluminava o bar. Seu rosto estava sem cor, exceto nas bochechas; estas insistiam em esquentar de vergonha. Vergonha, arrependimento. Culpa. Ela entenderia caso eles virassem as costas e cruzassem o salão para o lado mais afastado dela. Não era uma boa pessoa, afinal. Não era digna do perdão deles.

Foi quando Gaara saiu de sua posição e prostrou-se na frente. Hinata piscou lentamente, engolindo em seco. Desde o dia em que se encontraram e ela ofereceu ajuda com um de seus exercícios de cálculo, não tinha conseguido parar de pensar na falta que sentia dele. De todos eles. Com o Sabaku, construira uma amizade íntima e confidente. Sentimentos como aqueles não desapareciam, ainda que se esforçasse muito – se Hinata continuava a amar Naruto, da mesma forma ela o fazia com Gaara –. O ruivo usava uma jaqueta de couro que a lembrou demasiadamente de Sasori, a quem tinha com muita estima, pelos últimos anos. De fato, os irmãos estavam mais parecidos do que nunca, portadores de uma beleza exótica. Parado diretamente a sua frente, ela notou as olheiras e a velha tatuagem, fruto de uma façanha adolescente inconsequente. Mesmo que suas pálpebras estivessem baixas, seus olhos eram intensos.

Hinata esperou pelos xingamentos e pelas acusações. Elas não vieram. Em um espaço de milésimos, algumas coisas aconteceram, mas seu cérebro não processou todas ao mesmo tempo; Shion soltou-se de seu braço, e ela não teve tempo de acostumar-se com o vazio, tampouco de se virar para perguntar o porquê. A música diminuiu gradativamente, para começar outra. Em meio a confusão, Naruto a empurrou sutilmente pelos ombros, sem soltar sua mão. Ligeiramente desequilibrada, tropeçou com um pé para frente, e lembrou-se de pensar que teria de colocar a perna para frente. Não foi preciso.

Gaara a envolveu pelas costas, e puxou. Hinata não entendeu o que estava acontecendo, no primeiro instante. Os braços eram finos, diferentes dos de Naruto; contudo, eram tão quentes quanto. Ele a apertou quase dolorosamente, inclinando-se para que seu rosto encaixasse. A garota prendeu a respiração quando se deu conta do toque contra sua pele. Era macio e caloroso. Foi como se seu cérebro tivesse se esquecido de como um abraço era, e não conseguia retribuir.

Começou a tremer, e rezou com todas as forças para não desfalecer. Quando o choque abandonou suas reações, elevou o braço livre, outrora dado com a amiga, e passou pela cintura do garoto, receosa. Teve medo de tocá-lo diretamente. De alguma maneira, o enlace não durou mais que poucos segundos – embora, para Hinata, tenha durado uma eternidade. Ainda com a respiração entrecortada, se afastaram lentamente, e ela ainda sentia a pressão com os dedos estavam. Gaara distacniou seu rosto, pairando próximo o suficiente para que seus olhos se conectassem. Tudo aquilo foi surreal.

Para os telespectadores de fora, inclusive para o restante do grupo que estava mais perto, e certamente conhecia a história por trás daquela iniciativa, pareceria como um cumprimento. Mas – e era até mesmo clichê dizer isso – foi muito mais que isso. A questão era que eles não se abraçavam há quatro anos. Quatro longos anos. Hinata se afastou aos poucos, amalgamando a distância e dedicando-se exclusivamente à Kiba. Ignorou todas as mensagens, as ligações, as tentativas de procura. Quando estava na casa de Sasori, não ultrapassava um limite seguro estabelecido para que não esbarrassem acidentalmente. Todas essas medidas se tornaram mais concretas a medida que o tempo passava, e foram, para ambos, igualmente pungentes. Hinata tinha consciência, dessa forma, que determinadas cicatrizes não curavam de uma hora para outras. Sabia, também, que ir àquela festa e interagir com aquelas pessoas drenaria dela muito mais do que ela imaginava.

Foi por isso que aquele braço se tornou uma promessa. Uma promessa de que as coisas ficariam bem. Uma promessa de que ele estaria ali, e estaria disposto a tentar. Uma promessa de que ela era bem-vinda. Uma promessa de que seus pecados não definiriam quem ela realmente era. Uma promessa de que ele poderia perdoá-la.

E ninguém mais percebeu, a não ser eles dois.

Quando Gaara arrumou novamente a postura, voltando para trás, trazia um sorriso mínimo, disfarçado em uma máscara que tentava ser indiferente. Hinata, por outro lado, não se importava em aparentar olhos lacrimosos e ter as mãos trêmulas. Shion, do seu lado, assistia a cena com uma espécie de orgulho reprimido, enquanto Naruto sorria largamente, sem se importar em disfarçar.

Depois do ruivo, foi Sasuke quem deu um passo a frente, inclinando-se para abraçá-la respeitosamente, afagando a base de suas costas e deixando-na um tanto surpresa. Ino Yamanaka, com quem Hinata costumava sair, fazer compras e fofocar de madrugada, também a puxou para um cumprimento, apertando-a pelo pescoço com mais vigor. Ela passou também por Shikamaru e uma garota morena. Todos eles falavam de suas roupas e de seu cabelo, e faziam elogios que ela genuinamente acreditaria serem reais até o fim da noite.

Caminharam até o bar e pediram algumas rodadas de cerveja. Hinata ficou mais para trás, recuperando-se do momento. Percebeu que Naruto ainda segurava firmemente sua mão, com os dedos entrelaçados de maneira segura, e percebeu que gostava daquela sensação, e agradeceu internamente por ele não tê-la deixado só. Shion esboçava um meio sorriso, voltando a segurá-la pelo braço.

— Você consegue acreditar nisso? – murmurou para a loira, rindo nervosamente.

— Claro que consigo. – ela sussurrou de volta, revirando os olhos – Todos eles gostam de você. Uns mais que os outros. – completou quase inaudivelmente, e Hinata se virou para o loiro, que trocava algumas palavras com Sasuke.

Era verdade. Naruto estava ali, ao seu lado, segurando sua mão. Nem em seus sonhos mais profundos se atreveria a imaginar aquela cena. Com a luz iluminando seu perfil enquanto ele ria, parecia mais maduro e mais bonito do que Hinata jamais se lembraria. Ele estava de volta; não era mais uma dúvida ou uma esperança. Naruto estava de volta. Depois de tantos anos, e de tanto esperar, ele estava de volta, de volta para ela. Lhe causava estranheza pensar que quase dois meses haviam se passado desde que se encontraram pela primeira vez, coincidentemente. Quando ela pensou que seus olhos a estavam traindo. Muita coisa mudara, dentro de si, sobretudo. No entanto, enquanto ela admirava seu rosto sem que ele reparasse, percebeu que algumas coisas realmente nunca mudariam.

Hinata o amava. Hinata amava Naruto, tão profunda e tão dolorosamente quanto no dia em que ele a deixou. Não – bem mais que naquele dia. Há quatro anos, ela era imatura, e muitos aspectos da sua vida deixaram isso claro. Quando Naruto voltou, ele também era. Ambos eram pessoas diferentes, com bagagens diferentes e percepções diferentes da realidade. No entanto, Naruto ficara. Ele permanecera ao seu lado, independente de quantas vezes ela gritou e o acusou, de quantas vezes o rejeitou, de quantas vezes pediu para se afastasse e a deixasse em paz. Ele ficou, não para importuná-la. Naruto ficou, em silêncio, ajudando-a, dando-lhe espaço. Ele amadureceu, em tão pouco espaço de tempo, e entendeu os momentos pelos quais ela estava passando. Naruto ficou ao seu lado, então não haviam mais motivos para negar o óbvio. Seu coração palpitava desenfreadamente quando as orbes azuladas fitavam-na. Ele a contemplava como se todo o mundo se condessasse a apenas uma única mulher – e Hinata nunca tinha resistido àquele olhar.

Um novo ciclo se iniciava dentro dela. Não estava liberta, contudo. Tampouco estava presa. Finalmente, depois de anos, ela via a perspectiva. Tinha as feridas, tinha as cicatrizes, mas também tinha a ele. Não era como se, em um passe de mágica, voltassem a ser o que era – entretanto, agora Hinata sabia, verdadeiramente, que não estava mais sozinha. Podia se curar. Aquele era o primeiro passo.

Foi por isso que deu alguns passos para o lado, e apertou mais forte sua mão, sentindo os dedos macios escorregarem mais por entre os dela. Naruto, surpreso, voltou-se para olhá-la, e o sorriso que ele lhe deu iluminou tudo dentro de si. Silenciosamente, ela lhe disse que não estava mais com medo, e agradeceu por, entre tantos outros feitos, ter permanecido. Hinata precisava de pessoas que não a abandonassem mais, e agora seu coração transbordava.

Naruto tinha ficado temeroso durante a semana, sem saber o que esperar, mas naquele momento ele viu se preocupara a toa. Sakura parecia radiante, e todos seus amigos também sorriam e conversavam animadamente. Quando Gaara deu o primeiro passo e a abraçou, não sentiu ciúmes ou qualquer outro sentimento semelhante – somente se encheu de alegria, principalmente por vê-la tão emocionada. Todos foram muito mais receptivos do que poderia querer, e as coisas estavam dando certo, afinal. Era um processo lento, reconquistar sua confiança, assegurar que ela se sentisse protegida entre eles – foi por esse motivo que significou tanto sua aproximação voluntária, o aperto de mão. Ela estava acreditando, e Naruto faria o possível e impossível para que continuasse assim.

Ficou um pouco apreensivo quando lhe estendeu um copo de cerveja, por conta dos antibióticos que estava tomado recentemente, mas ela aceitou de bom grado o copo vermelho, tomando um gole pequeno, então procurou relaxar.

O grupo se misturou com outras pessoas conforme o salão enchia, e Hinata cumprimentou uma ou duas garotas do seu curso de Administração. Permaneceu parada no canto, apoiada no balcão, analisando o lugar e se familiarizando. Shion já tinha conquistado o barman, se inclinando para conversar e torturando o pobre rapaz. A Hyuuga soltou um risinho, bebendo da cerveja aguada e quente – não podia exigir muita coisa mesmo, e o gosto de cevada não era tão ruim. Naruto se recusou a sair do seu lado quando Sakura chamou Ino para dançar e Sasuke a acompanhou, desgostoso.

— Pelo visto você está se divertindo. – Hinata sentiu um impulso elétrico percorrer sua coluna quando ouviu a voz muito próximo ao seu ouvido. Engoliu em seco, assentindo.

— Não está tão ruim quanto imaginei. – deu de ombros, também se virando para que ele pudesse ouvi-la. Devia ser pouco mais de meia-noite, e até mesmo as luzes do bar diminuíram, deixando a festa mais barulhenta, se possível.

— Você está com dor? – Naruto soprou, levando uma das mãos até seu rosto e afastando uma mecha de cabelo, colocando-a atrás da orelha. Hinata sentiu o corpo esquentar.

— Não estou sentindo nada. – respondeu, quase impercebível.

Seus olhos moveram-se lentamente para a boca de Naruto, fitando-a. Os lábios finos estavam úmidos, sorrindo marotamente. Ele estava perto, tão perto quanto possível, e ela conseguia sentir o cheiro de seu perfume. Como a gravidade sobre eles, seus corpos eram atraídos, e ela tinha de tomar cuidado para não se deixar levar por aquele instinto. Naruto percebeu para onde ela olhava e não resistiu a um riso charmoso, unicamente para provocar.

— Então eu posso te chamar para dançar. – propôs, sem muito pudor. Hinata, por algum motivo, sentiu as maçãs esquentarem, e praguejou internamente, se perguntando quando tinha se tornado aquele tipo de garota. Balançou a cabeça positivamente, sabendo que não tinha outra resposta.

Sorrindo como se tivesse acabado de ganhar o grande prêmio, Naruto abraçou sua cintura possessivamente, guiando-a por entre os universitários festivos. Sakura, em algum lugar no meio da pista, acenou para eles, balançando os quadris animada. A música era um remix genérico e envolvente, e o casal começou a se mover um pouco timidamente, próximos. Hinata estava bastante ciente dos braços que ainda a envolviam pela base, as mãos firmes de quem estava seguro de si; já ela não podia dizer a mesma coisa.

Naruto se misturava bem à multidão – alto, com os ombros largos cobertos pela camiseta social, o cabelo loiro e os olhos charmosos, ele era o objeto de desejo de boa parte das garotas daquele lugar. Seus pés se mexiam desajeitadamente, mas ele não parecia ligar; sua confiança disfarçava todo o resto. Ele era louro, lindo e cobiçável. Podia estar com qualquer garota que quisesse, e, ainda assim, estava com ela. Era sua cintura que ele segurava, e era somente para si que sorria aquele sorriso torto tão mordaz. Quer dizer, ela deveria ter feito algo certo para ser tão sortuda. Apenas não conseguia se ver como o tipo de garota que merecia um cara daqueles.

— Você é horrível. – alfinetou, rindo quando ele se fez ofendido.

— Eu compenso no charme. – piscou, deixando-a ligeiramente mais enrubescida.

Hinata manteve as mãos postas sobre seu peitoral, tentando conter o nervosismo. Tinha se esquecido como simplesmente se divertir – estar com Kiba exigia uma camada constante de tensão, sempre preparada para o pior. Precisava estar atenta em como se portava, o que dizia, o que fazia; e, quando ingeria outras substâncias, mantinha bem pouco de suas memórias, lembrando-se meramente da sensação de aperto e desconforto. Nunca era natural, tranquilo. Aquelas festas eram regadas de drogas, bebidas e pessoas de má índole. Agora, não conseguia curtir uma simples festa de faculdade, com jovens normais, despreocupados, dançando só porque era legal.

O Uzumaki percebeu seu desconforto – reparou em como suas linhas de expressão estavam sobrecarregadas, embora estivesse gostando da proximidade –. Queria que ela se sentisse despreocupada, e aproveitasse a noite. Não fazia ideia de quais lembranças negativas estariam rondando sua mente, mas sabia que a mera hipótese já o deixava irado; se pudesse, quebraria aquele maldito na porrada. Todavia, aquele não era o momento para isso. Tudo que importava para ele era Hinata – era tudo que importava há um bom tempo. Precisava fazê-la se sentir querida, desejada. Queria mostrar a ela como estava deslumbrante, e como a desejava de maneira quase aflita.

— Quer ir embora? – inclinou-se para que se fizesse ouvir, e acariciou suas bochechas com o dedo indicador. Hinata encolheu o pescoço, desfalecendo com o afago. Contudo, negou com a cabeça. Não queria acabar com a noite dele. Naruto ficou pensativo por alguns segundos, e teve uma ideia. Soltou seu quadril, provocando-a confusão.

— Espera, eu já volto.

Ela parou, acompanhando-o com os olhos, enquanto atravessava o salão, mas o perdeu entre as pessoas. Mordeu os lábios, esperando. A música começou a diminuir gradativamente, provavelmente para mudar para outra. Entretanto, em vez de começar outro remix, uma melodia lenta começou em vez disso. Hinata estranhou, e Naruto apareceu de volta, com um sorriso maior e misterioso.

Balançando no quintal, você chega no seu carro veloz, assoviando meu nome.

Ele a puxou novamente, envolvendo-a mais apertado. Hinata entreabriu a boca, chocada. Em seguida, começou a rir, genuinamente surpresa.

— Eu não acredito! – exclamou, rodeando seu pescoço por impulso – Você se lembrou!

— É claro que lembrei. – confirmou, quase unindo suas testas. Ela estava maravilhada.

— E ainda fez o DJ colocar uma música lenta. – riu, e ele a acompanhou.

— Acho que ninguém está sóbrio suficiente para se importar. – concluiu, balançando morosamente de um lado a outro. Muitos casais se formaram na pista, mas Hinata não prestou atenção neles. Subitamente, apoiou a cabeça contra o ombro de Naruto, e ele disfarçou a comoção.

Abra uma cerveja, e diz: " venha até aqui" e jogue videogame.

Tinha sido há muito tempo, mas eles se lembravam, tão claramente quanto possível. Hinata começara um curso de inglês, animada para aprender uma nova língua, e fez Naruto acompanhá-la em algumas das lições – posteriormente, seu conhecimento básico teria permitido que ele vivesse na América sem maiores dificuldades que as já esperadas –. Aquela era uma de suas músicas preferidas, lançadas na época, e passavam horas balançando pelo quarto, memorizando-a. Apenas mais uma das milhares de memórias.

Eles dançavam devagar, na varanda. Naruto era péssimo dançarino, mas gostava de ninar Hinata, observá-la cantar e rir, porque errava a maioria das palavras. Era uma lembrança inocente, de um período em que as coisas eram mais fáceis. De repente, a atmosfera mudou.

Hinata fechou os olhos, se teleportando para a varanda de seu quarto. Muita coisa tinha mudado, contudo, ainda eram os mesmos braços. Eram os braços dele abraçando-a. Sentia-se protegida, confortada. Nada no mundo importava mais, a não ser aquele minuto. E ele era infinito.

Sua garganta se fechou, emocionada. Afastou o rosto para poder fitar Naruto nos olhos. A luz baixa não permitia que visse muita coisa, mas, de alguma maneira, ela já tinha decorado todos seus detalhes. Queria agradecê-lo, pela música, e por muito mais; não encontrou palavras.

— Assim está melhor? – novamente, acariciou seu rosto, descendo o dedo até seu queixo, traçando uma rastro de fogo. Hinata não encontrou sua voz. Assentiu minimamente.

Tantas memórias.

— Eu estou aqui. – tinha um significado muito mais profundo que ela jamais imaginara.

Tantos sentimentos.

Não parecia mais errado.

Ela precisou unicamente fechar os olhos. Naruto se inclinou, cuidadoso, gravando cada detalhe até o último instante. Os lábios se tocaram suave, com um gosto amargo da cerveja. Uma corrente elétrica transpassou suas células, e, passado o toque afetuoso, houve uma urgência desesperada. Hinata apertou a nuca, entrelaçando a ponta dos dedos nos fios sobressalentes, puxando para baixo. Naruto soltou um suspiro, pressionando a cintura por cima da barra da calça. Estavam quentes, e envoltos. Suas línguas se enlaçaram em encaixe. Ainda que fosse apressado, o beijo era plácido.

Diferente da primeira vez, quando todas as mágoas e rancores sobressaíram além de qualquer outro sentimento, era como se estivessem começando de novo. Naruto segurava seu rosto com afeição, e Hinata o abraçava em apoio. Era um beijo livre de arrependimentos, porque ela estava se libertando.

Envolvidos em sua bolha particular, poderiam ficar ali para sempre. O lugar começou a ficar abafado, no entanto, e Hinata sentia as pernas formigarem. Se afastaram, ofegantes, mas Naruto seguiu uma trilha de beijos por seu pescoço, incapaz de permanecer distante por muito tempo. A Hyuuga arfou, apertando os olhos e suspirando, satisfeita. Seus corpos unidos encaixavam-se como duas peças feitas para estarem juntas.

Voltaram a unir suas bocas, agora imediatas. A música era lenta, ou rápida – eles não saberiam dizer. Hinata não sentia mais o peso em seus ombros, e era como se suas percepções estivessem aumentando. De repente, ela conseguir seguir os dedos de Naruto passeando por seus braços, ombros e tronco. Quis, então, que percorressem cada milímetro de pele, e redecobrissem todo seu corpo.

— Você quer... – afastou-se, tentando falar. Naruto grunhiu, beijando seu queixo – Sair... – ofegou quando ele mordiscou sua orelha – Sair daqui? – propôs. O Uzumaki concordou mais que depressa, sem pensar – Tudo bem, eu só preciso ir no banheiro e avisar a Shion. – foi quase fisicamente doloroso distanciar-se do abraço, mas o sorriso ansioso que ele lhe deu valeu a pena. Ela retribuiu, não se importando em como estava uma bagunça. Pela primeira vez em muito tempo, sentia que estava caótica apenas do lado de fora. Sua mente estava clara, e seu peito, desapertado.

Costurou, cambaleante, até o banheiro, próximo da saída lateral onde estava. A fila estava demasiada grande, e o corredor tinha as paredes acolchoadas. Entrou, verificando a própria aparência no espelho – o batom manchado e o cabelo desgrenhado estavam exatamente como imaginava –, e, enquanto esperava, avistou uma cabeleira loira, recostada e conversando intimamente com uma garota desconhecida.

— Shion! Que sorte. – chamou, se aproximando. Ela se virou, abraçando-a e lhe dando um beijo molhado. Hinata riu – Uau, você está mesmo se divertindo.

— Amiga, você é incrível, sabia? – sua voz estava arrastada, claramente bêbada – Eu amo você.

— Eu também amo você, Shion. – reprimiu um riso, porque ela certamente a lembraria disso quando estivesse sóbria – Eu estou indo para a casa do Naruto, tudo bem? Não se preocupe comigo.

— Uh, vai sim, amiga. Ele é ótimo e tão lindo. – dependurou-se em seus ombros. Hinata rolou os olhos, se divertindo.

— Aqui, fica com sua amiga. – a virou para a garota morena, não muito diferente.

— Ah, amiga! Você é tão maravilhosa. – soluçou, com a morena repetindo suas palavras, emocionada.

Hinata esvaziou a bexiga, respirando fundo para acalmar os tremores. Muita expectativa estava se formando, e ela não conseguia deixar de se sentir agitada. Voltou para o salão, e Naruto estava a vista, com o casaco e os dois primeiros botões abertos. Ela suspirou, sentindo o nervosismo esvair. Secretamente, sentia-se um pouco envaidecida. Caminhou até ele, e foi recepcionada pelo maior dos sorrisos. Maldito sorriso.

Naruto entrelaçou suas mãos, a guiando para fora do clube. Muita gente estava na calçada, bebendo, conversando ou simplesmente sentada na sarjeta. Hinata não fazia ideia de horas eram, e, sendo sincera, não se importava. O vento frio deixou sua pele arrepiada, mas a mão que segurava Naruto estava suando. Entraram em seu carro, e ele deu a partida, descansando os dedos em suas pernas desnudas. A atmosfera estava carregada, e ambos tinham ansiedade.

Foi acometida por muitas recordações quando viu o prédio residencial se erguer na madrugada. Virou-se, admirando o perfil de Naruto, concentrado, dirigindo; ele ficava inegavelmente sexy, e, ao menos por aquela noite, ele seria dela. E ele queria ser dela.

A garagem estava escura, e ela esperou ele sair para ajudá-la. A todo momento Naruto procurava tocá-la, fosse nas costas, nas mãos ou nos ombros. Pegaram o elevador do subsolo, e ele apertou o botão de seu andar. Estava tudo tranquilo, e o prédio dormia. Quando as portas se fecharam, o espelho exibiu seus reflexos. Naruto estava atrás, abraçando-a com a cabeça apoiada abaixo. A segurava de maneira orgulhosa, como costumava fazer quando tinham quinze anos. Hinata quase não se reconheceu – ainda que estivesse com as mesmas roupas e o mesmo cabelo, aquele brilho em seu olhar não parecia pertencê-la, tampouco a postura confiante. Era como um quadro. Naruto acariciou seu abdômen, fazendo cócegas, e ela se acomodou no calor de seus braços.

— Nós formamos um belo casal. – comentou, vaidoso. Hinata revirou os olhos, não querendo concordar; mas ela concordava.

Saíram para o corredor com um tropeço e uma risada. Naruto se atrapalhou com as chaves, como um adolescente, e resmungou, envergonhado. Hinata ainda zombava dele quando abriu a porta e a puxou pela cintura, colando seus lábios com urgência. Imediatamente, agarrou-se ao seu pescoço, como se seu corpo estivesse programado para isso. Chutou os sapatos para fora dos pés, e o loiro a ergueu com facilidade, fazendo-a entrelaçar as pernas sobre ele. A carregou pela sala de estar, fechando a porta com um baque alto; nenhum dos dois ligou.

Não tinham mais que se preocupar em reprimir a constante bolha de tensão sexual. Hinata podia, finalmente, puxar os fios dourados como gostava tanto de fazer, e Naruto podia apertar suas coxas, sentir a carne macia afundar em seus dedos, esquentar sobre sua pele. Entrou no quarto, mais gelado, e não acendeu nenhuma das luzes, fazendo com que o cômodo fosse iluminado tão somente pela luz lunar. A garota queria ver os cômodos, redescobrir cada um dos mesmos detalhes, mas não teria tempo agora. Estava ocupada demais se preocupando com as sensações que a língua dele causavam em si.

O Uzumaki a acomodou sobre a cama delicadamente. Ele parou, pairando seu peso sobre ela, com um braço a cada lado. Hinata abriu os olhos, ofegante, e olhou para seu rosto. O cabelo caía acima dela, mas seu olhos estavam tão brilhantes que poderiam emitir luz própria. A morena tocou seu rosto, e foi tomada por um forte pressentimento de dèjavu. Já havia estado naquela posição – naquela cama, ou no sofá, ou no balcão da cozinha. Já tinha segurado seu rosto, e memorizado seus detalhes. Já tinha encarado os lábios finos, e ficado deslumbrada. Ela conhecia aquele filme; todavia, não sentia mais dor. Não doía mais em seu peito o sentimento de abandono, ou saudade, ou remorso, ou raiva. Tudo que sabia era que segurava seu rosto contra suas mãos, e ele era lindo.

— Você é lindo. – repetiu seus pensamentos, direta e despudoradamente. Naruto, ainda que estivesse corando, abriu um sorriso. Era diferente. Torto, singelo e cálido. Hinata sentiu um calor inexplicável tomar seu peito, arrancando-lhe a respiração. Sim. Aquele era o seu sorriso.

Finalmente.

— Você também é linda. – respondeu – Você é perfeita.

Sua voz estava carregada de tanta devoção que ela ficou sem palavras.

Naruto abaixou, a beijando sem pressa, apenas aproveitando. Os gostos amargos e doces se misturavam, e eles nem sabiam mais como identificar um ao outro. Os quadris se tocaram, criando uma fricção extenuante. Ainda que a brisa gélida balançasse o cortinado, o ambiente estava abafado. Se antes a exigência os fizera correr para o apartamento, agora não tinham motivos para não ir devagar. Aguardavam aquilo há muito tempo – e, quando amanhecesse, Hinata não teria medo de acordar sozinha, porque sabia que ele estaria ali.

O garoto quebrou o beijo novamente, desta vez para endireitar as próprias costas. Apoiou o peso sob os joelhos, sem interromper o contato visual, e começou a desabotoar a camiseta. Hinata aproveitou para subir até a cabeceira da cama, mordendo o lábio inferior. Assistir Naruto despir a si mesmo era, dentre muitas coisas, excitante. O peitoral definido começou a se revelar, e os ombros largos não deixavam a desejar. O abdômen definido era tão bronzeado quanto seus bíceps, e uma fileira de pelos loiros seguia pela v-line, desaparecendo pelo cós baixo, e Hinata quis – desesperadamente – continuá-la. Ele jogou a camisa no chão, sem se importar, e ajudou Hinata a puxar a sua para cima. A garota passou as alças e a arremessou também. O Uzumaki ficou encarando seu colo tão descaradamente que ela ficou constrangida.

— Eu não lembrava como você era, uau, perfeita. – sussurrou, inclinando-se novamente. Hinata suspirou, sorrindo. Seus troncos se comprimiram, e ele beijou todo o caminho de sua testa até sua boca.

Suas coxas roçavam, ainda com roupa, se justapondo sem que precisassem fazer alguma coisa. As cinturas se moviam em sincronia, quase como se tivessem vontade própria, de se tocar. Os braços enganchavam entre o beijo, em uma confusão de toques e carícias ardentes. Duas, três horas da madrugada, e não sentiam sono.

Quando o ar começava a se tornar rarefeito, afastavam-se, minimamente. Naruto beijava seu pescoço, deixando mordiscadas e chupões leves; a pele esbranquiçada, quase mármore, adquiria tons avermelhados, e aquela era a única maneira de marcar uma mulher. Hinata sentia arrepios e comichões em seu interior. Ele suspendeu o peso, tornando a fitá-la, e não rompeu o contato visual enquanto tecia um caminho de beijos para seu colo. Quando se aproximou de seu colo, ela prendeu a respiração, esperando que ele tirasse seu sutiã; isso não aconteceu. Continuou descendo, beijando sua barriga. Ela contraiu o músculo, diminuindo, mas Naruto não se importou.

Desabotoou sua saia, e a puxou para baixo lentamente. A demora angustiou Hinata, conforme sentia a peça deslizar por suas pernas. Exposta, sentiu vergonha, ao passo que Naruto voltou ao seu campo de visão, permanecendo no alto para poder fitá-la. Por alguns segundos, nada disse ou fez; a garota se mexeu, incomodada. Não conseguia decifrar sua expressão.

— Hm, Naruto? – chamou, por fim, agoniada.

— Você é uma obra de arte. – sua voz estava emocionada. Hinata parou, pega de surpresa. Enrubesceu – Quer dizer, seu corpo é fantástico. Você é fantástica. Eu gostaria de poder pintar essa cena, agora, para me lembrar disso para sempre.

Naruto era direto; ele não sentia vergonha de dizer o que estava pensando. Hinata quis cobrir-se com os braços, porque seu tom de voz a deixou acanhada. Ela não estava acostumada com aquele tipo de reverência – era inevitável comparar, embora não quisesse. Não recebia elogios, ou carinhos. Não tinha alguém admirando seu corpo e lhe fazendo aquele tipo de enaltecimento. Não sabia o que dizer, ou como reagir, apenas porque era uma emoção totalmente nova.

Lembrou-se dos dias em que passavam no apartamento, com Naruto a pintar, usando um avental manchado; ela se sentava na bancada, ou no sofá, e ficava admirando a maneira que ele se esforçava, unindo as sobrancelhas e analisando horas a fio apenas para encontrar a cor perfeita. Era, incontestavelmente, uma obra de arte. Seu rosto ficava com respingos e ele a olhava por trás do cavalete, sorrindo. Tinha a alma e a essência de um artista, contagiando todos ao seu redor. Ele era dia, quente. Hinata era noite, fria. Nunca houve um casal com maior combinação.

— Você pode me pintar, quando quiser. – respondeu, unindo forças para superar a vergonha. Naruto sorriu, beijando seus lábios com delicadeza.

— Há quem passe uma vida sem ouvir palavras tão boas. – sussurrou, ecoando em todo seu espírito. Hinata o puxou para seus braços, encontrando, no toque, uma maneira de transmitir o que estava sentindo. Era tão forte que chegava a doer dentro dela. Aquele sentimento sufocante tomava conta de seus membros, seus órgãos e suas células. Ela estava completa, e tudo era brilhante.

Os afagos eram íntimos e cheios de uma veneração palpável. Mesmo que somente estivessem se beijando, seus corpos identificavam um ao outro, relacionando-se eles e não mais que eles — nada mais importava fora de sua pequena bolha de realidade. Hinata sentia-se como uma adolescente, tendo sua primeira vez; experimentava percepções que há muito não sentia. Sua mente estava limpa de pensamentos, concentrando-se em sentir mais. Naruto a segurava com as mãos firmes e, ainda assim, de alguma maneira, eram as mais macias que já tinha sentido.

Naruto se afastou para tirar sua própria calça, e assumiu uma postura urgente. A peça íntima era escura e marcava contra a pele. Com os olhos já acostumados à escuridão, Hinata pôde identificar o volume já proeminente; mordeu os lábios, ficando, ela mesma, em chamas. Ele se deitou, e puxou sua cintura para encaixar contra o abdômen. Hinata inclinou-se por cima, espalmando contra seu peito e beijando-o ávida. Suas pernas voltaram a se atrelar, friccionando, e as roupas de baixo eram as únicas peças que estavam entre eles. O ritmo aumentou, e Naruto recostou na cabeceira, puxando Hinata para seu colo. A garota passou as pernas ao seu lado, sentando-se na altura do ventre e sentindo o volume friccionar no interior de suas coxas. Apertou seu pescoço, suspirando, e, involuntariamente, moveu-se, procurando mais contato. Quando Naruto gemeu entre seus lábios, ela pensou que não era capaz de ficar mais excitada que naquele momento.

O loiro tateou por suas costas, procurando pelo fecho do sutiã. Seus dedos habilidosos desabotoaram o traje e o tirou com impaciência, deixando livres os seios de Hinata. Quando os mamilos rijos entraram em proximidade com o peitoral, ela não pôde segurar um gemido, a pele quente pressionando-a. Naruto apreciou o som, reverberado pelas paredes, e esquivou-se para poder dar a devida atenção ao busto. A boca quente se pôs entre o vão, e uma de suas mãos saiu da base das costas para segurá-los. A Hyuuga arfou, contorcendo-se no momento em que os dedos brincaram com a aréola. No entanto, congelou, poucos segundos depois.

— E-Eu...

Naruto parou, fitando seu rosto com preocupação. Hinata parecia insegura, e seus ombros começaram a tremer. Imediatamente, o loiro a segurou pelas costas, a confortando protetoramente. Conseguia supor o que estava acontecendo – nem imaginava quanto abuso psicológico aquele desgraçado teria a feito passar. Uma mulher como Hinata merecia ser adorada e amada da forma correta.

— Nós podemos parar agora. – propôs, com a voz baixa e carinhosa. Ela balançou a cabeça, pedindo alguns minutos.

Não era sua intenção ser deixada levar por aquelas memórias. Desde o começo da noite, tinha estado confortável com Naruto, e havia desejado cada uma de suas carícias. Não se sentia obrigada a aceitar nada, e ele a tratava tão cuidadosamente como quanto a uma porcelana. Tinha sido o amante perfeito, dedicado e carinhoso. Ela estava feliz. Mas, de repente, foi como se visse Kiba na sua frente, e sentisse as suas mãos acariciando-a. E todo o asco, o enjoo, a repulsa, voltaram de uma só vez, atordoando-a. Fazia tanto tempo que não era simplesmente amada, que seu corpo só tinha estranhado.

— Perdão. – murmurou, baixando os olhos, envergonhada – Eu não estou comparando, nem nada do gênero. – ela parecia com tanto medo; Naruto praguejou internamente, querendo protegê-la consigo.

— Hina. – chamou, terno – Olhe para mim. – pediu, levantando seu queixo com o indicador, enquanto a mão esquerda apoiava a base de suas costas. As pérolas o encararam, vulneráveis como nunca tinha visto antes. Naruto gostaria que ela pudesse ter aquela visão: seminua, em seu colo, o cabelo moldando o rosto, iluminada pela luz da lua. Ele nunca tinha visto algo tão belo – Eu amo você. – foi tão direto e repentino que Hinata entreabriu a boca, sobressaltada – Eu amo você. – repetiu, com mais convicção – Eu quero que esteja feliz, segura e confortável. Quero amar com você com meu corpo e a minha alma, e quero te mostrar como você é linda, e como eu estou apaixonado pela pessoa que você. – Hinata sentiu os olhos lacrimejarem – Por todos seus defeitos e qualidades. Eu vou esperar o tempo que for preciso, e estar ao seu lado.

É você.

— Eu também te amo. – murmurou – Eu também amo você, Naruto. – ele engoliu em seco, extasiado.

É tudo por você.

Aquele beijo foi diferente de tudo.

Hinata estava errada. Ela percebeu isso quando Naruto a tocou. Ela percebeu quando seus corpos se encaixaram, e quando ele a segurou pelos ombros. Quando iniciaram uma dança lenta e cheia de paixão, e quando ele sussurrou em seu ouvido, mais uma vez, que a amava. Hinata percebeu que estava errada no momento em que ele a despiu, lentamente, e beijou cada milímetro de pele exposta, sorrindo. Ela estava errada, e nunca estivera mais errada em toda sua vida. Não havia porquê compará-los, a maneira que se envolviam, ou como era tratada. Não existia comparação, porque ela nunca tinha sido tocada daquela maneira. Estava errada em pensar que sua mente não escaparia da analogia óbvia, e que aquilo a impediria de continuar; Kiba jamais tinha possuído seu corpo, ou seu coração.

Ali estava. Naruto beijou sua intimidade, e ela viu estrelas. Ele a segurou em seus braços, acariciando seus braços, pernas e tronco; ela se rendeu. Ele a tomou, romântico, delicado, cuidadoso. Qualquer resquício de dor que poderia haver, desapareceu. Enquanto se uniam em um só corpo, amoldando-se como duas metades perfeitas, Hinata entendeu que tudo que procurara nos últimos anos estava ali. De volta para ela. Nunca existiria mãos que a segurassem como ele, lábios que beijassem como ele, olhos que a admirassem como ele. Nunca existiria outra pessoa como ele. Todas as noites frias, todas as sensações de estar incompleta, todas as comparações e todas as vezes que se convenceu de que era o suficiente – não era o suficiente. Nunca seria, enquanto não estivesse com ele. Hinata era de Naruto, irrevogável, indubitável, inexorável, insuperavelmente.

Eles se amaram durante toda a madrugada, e dormiram quando os primeiros raios solares começaram a despontar por Konoha. Suados, satisfeitos e completos; Naruto a abraçou possessivamente contra si, fungando em seu pescoço. Hinata adormeceu com um sorriso, segurando os braços ao redor de si, garantindo – inconscientemente – que nada os fizesse soltá-la. Não sabia o que faria no futuro, mas, somente por aquele dia, ela não se importaria com isso.

Notas finais
Preparem o coração rs