Heros Aphrodite
2 II - A culpa é do cookie!
Notas iniciais
Cap II – A culpa é do cookie!
– Estão me dizendo que sou filho de um deus com uma mortal, assim sou um semideus, meio-sangue, meio deus... Sei lá? E que todos aqueles deuses estão por ai?
– Quantas vezes quer que eu repita? Daqui a pouco mais monstros virão atrás de nós e você continua na mesma. — Renna/Spencer revirou os olhos e disse com um pouco de irritação em sua voz.
– O que eu posso fazer? Isso é muito confuso, tem um garoto bode bem ali e mulheres cobras atrás de mim!
Começamos a discutir, Denver me olhava com uma careta, parecia ofendido por eu ainda não acreditar que ele era metade humano, metade bode.
– Para sua informação eu sou um sátiro! Devemos ir ao acampamento meio-sangue hoje mesmo, então você pode deixar de ser teimoso, ainda precisamos passar em sua casa.
– Querem uma carona?
A mãe de Renna/Spencer girava as chaves de seu carro no dedo indicador, não pudemos recusar, Renna tinha pegado uma mochila com seus pertences para levar ao acampamento de verão pelo que entendi, então descemos até o subsolo do prédio onde ficava o estacionamento, o carro da Sra. Vector era um Corsa branco com alguns desenhos em azul na traseira deste, iguais aos do olho mágico em seu apartamento, adentramos o carro, Denver sentou-se no banco do carona ao lado da Sra. Vector e eu e Renna atrás, ficamos um sem olhar para o outro, dei o endereço de meu apartamento para sua mãe, há essa hora minha mãe já devia ter saído do trabalho e meu padrasto ainda estaria em seu escritório, meu meio irmão mais velho na faculdade, então eu teria tempo de conversar com minha mãe sobre isso tudo. Olhava o transito pela janela não via praticamente nada de diferente, mas sentia um arrepio cada vez que passava rápido demais pelas ruas, via vultos pretos que faziam os pelos da minha nuca eriçarem, Renna não conseguia ficar parada, assim como eu, talvez por causa da hiperatividade que temos, percebi que ela começou a olhar pra mim o que me deixou meio desconfortável, uma verdade é que eu nunca consegui falar com uma garota diretamente antes, nem sequer ficar perto de uma, somente minha mãe, mesmo sabendo que ela era Spencer antes, não me sentia à vontade, ela continuava a me fitar com aqueles olhos brilhantes, eu a olhava de canto de olho, depois voltava a atenção para o transito, senti minhas bochechas esquentarem. Ela mostrou um sorriso, virou-se e começou a rir. O que me deixou constrangido, eu sempre achei a voz de Spencer muito fina para um garoto de sua idade, mas nunca poderia imaginar.
– O que é tão engraçado? – disse com um pouco de irritação na voz.
– Nada, apenas que você tem medo de garotas, já que elas nunca falaram diretamente com você, talvez esteja pensando que eu vou te morder ou algo assim, seu constrangimento é engraçado – ela riu novamente. – Há alguns minutos atrás estávamos discutindo normalmente – Seu sorriso sumiu de repente – Agora que você sabe que sou uma garota... Acha que vai mudar alguma coisa entre a gente?
Demorei a responder, pensei bem, não queria que nada mudasse e talvez nada mudaria, afinal mesmo agora ele sendo ela, vai ser sempre o Spencer que eu conhecia, o garoto ou a garota comilona que sempre me ajudava e ficava ao meu lado nas brigas em que eu me metia, um dos poucos e verdadeiros amigos que tenho, assim como Denver. Então olhei a e mostrei um sorriso e respondi:
– Sim.
Ela olhou para o lado com uma expressão triste, confesso eu estava começando a me acostumar em ver Spencer como uma garota, e ela era realmente bonita, não aguentei o riso, minha pequena vingança por ela ter me deixado constrangido. E ela pareceu entender.
– Como você é idiota.
Ela me deu um soco no ombro e começou a rir junto comigo, Denver olhou para trás confuso, não queria explicar à ele então disse para esquecer, o que vai mudar entre agente é que eu não vou chama-la de amigo e sim amiga, eu não vou chama-la de Spencer e sim de Renna, acho que ela pensou o mesmo que eu.
Chegamos ao meu apartamento, cumprimentei o recepcionista e perguntei se minha mãe já estava em casa, ele disse que não a viu saindo de casa hoje, chamei o elevador e fui ao segundo andar apartamento 202, adentrei em minha casa, senti um cheiro tentador de cookies, mas não vi minha mãe.
– Mãe? Está em casa?
Ela apareceu, estava com um hobbie verde musgo de seda e descalça, estava com seus cabelos cor da noite como os meus desgrenhados, acho que estava tirando um cochilo antes de eu chegar, seus olhos verdes estavam meio fechados, comprovando o que eu disse, ela me abraçou e começou a roçar sua bochecha na minha.
– Meu precioso Tayler, por que veio tão cedo da escola? Você está bem? Foi expulso de novo?
Eu estava corado, minha mãe me soltou quando viu meus amigos na porta, olhei para eles que estavam com as mãos na boca prendendo o riso, até a Sra. Vector mantinha um sorriso no rosto. Olhei para minha mãe, ela estava agora com os olhos arregalados para Denver, provavelmente o par de chifres foi percebido, por alguma razão aquele idiota não tinha colocado o boné antes de sair da casa de Renna, na realidade os chifres eram quase imperceptíveis, minha mãe tem bons olhos afinal.
Estávamos todos sentados na sala, quando minha mãe chegou com uma travessa de cookies e colocou na mesinha de vidro em nossa frente, eu não hesitei em pegar um, eram diversos cookies diferentes, de chocolate branco, amêndoas e chocolate ao leite e pingos de chocolate, ficamos em silencio, o que não me agradava.
– Mãe – cortei o silencio – Hoje fui atacado por mulheres-cobras.
Disse tranquilamente e comecei a tomar um pouco do café que minha mãe deixara também em cima da mesa, ela me fitava preocupada, enquanto Renna me lançava um olhar que dizia “direto ao ponto?” Bebi um gole e continuei a falar.
– Ataquei uma com um canivete e a vi se transformar em pó, descobri que tenho um amigo bode e que Spencer é uma garota, eles dois me contaram que sou filho de um deus, sendo assim sou um meio-sangue, queria saber se isso é verdade.
Ela estava transtornada, eu continuava a encara-la, seus olhos estavam se enchendo de água e ela olhava o nada, depois pareceu pensar.
– Você levou um canivete para a escola? – disse com a voz tremula.
– Mãe...
– Ok, ok, sim, mas eu não queria que descobrisse, não queria te deixar longe de casa, pareço egoísta eu sei, mas enquanto você não soubesse, eles não o fariam tanto mal.
– Tanto?
– Ah, me esqueci de dizer, nós somos como imãs de monstros eles sentem seu cheiro e vem até você, quando se sabe que é um meio-sangue, bem... O cheiro tende a ficar mais forte. – disse Renna.
Olho com fúria para Renna, que murmura um “desculpe”, volto a olhar minha mãe, ela parecia triste, Sra. Vector começou a falar com ela sobre o acampamento de verão e tudo, minha mãe pareceu concordar, e parecia que sabia sobre ele já faz um tempo, ela sempre foi muito dramática, mas estava estranha hoje concordava com tudo.
– Talvez você fique mais seguro lá, vá arrumar suas coisas.
– Vai me deixar ir assim? Sem nenhum drama nem nada? – Ela virou a cara chorosa, eu só suspirei.
Todos se despediram, disse para irem em frente, precisava me despedir de minha mãe, que eu vira com olhos ainda marejados. Disse a ela que ficaria bem, e que passaria só o verão depois eu voltava, isso pareceu deixa-la um pouco tranquila, ela ainda me abraçava. Uma coisa me ocorreu: "Quem seria meu pai?" Não podia deixar essa duvida continuar, desde quando era bem pequeno, vivia só com minha mãe, via os garotos da minha idade com os pais, mas nunca tive coragem de perguntar a ela quem poderia ser o meu, então talvez agora seria o momento certo.
– Mãe... – ela me fitou com aqueles olhos ainda cheios de preocupação – Quem é...
– Tayler? Tão cedo?
Fui interrompido por meu padrasto Felipe Yamazaki, que chegou do escritório, ele era um cara legal, feição asiática, usava um terno cinza e camisa branca, gravata vermelha de bolinhas azuis, provavelmente comprada por minha mãe, cabelos escuros e olhos castanhos bem claros, levemente puxados, sempre cuidou muito bem de minha mãe era carinhoso e protetor talvez um dos “últimos caras sinceros do mundo”, como ela sempre dizia, é muito feliz com ele, confesso que não ia muito com a cara dele antes quando se conheceram, mas percebi como minha mãe sorria perto dele, então decidi aceitar, ele tem um filho cinco anos mais velho que eu, como eu já disse está na faculdade. Ficaria feliz se fosse meu pai de verdade. Ela me soltou, dei-lhe um beijo na testa, coloquei minha mochila nas costas e dei um tapinha no ombro de Felipe.
– Cuide bem dela.
Disse a ele, que me seguiu com o olhar com um ponto de interrogação enorme na cabeça, murmurou algo como “aonde ele... por que ele... hãn?” e eu desci rindo no elevador, chegando lá em baixo Renna me olhava furiosa com os braços cruzados e batendo o pé direito varias vezes no chão.
– Demorou, quer ser devorado por monstros por acaso? – disse ela irritada.
– Você poderia se acalmar e ser um pouco mais paciente? – disse no mesmo tom de voz que ela.
– Você sabe muito bem que é impossível se tratando de você.
Começamos a discutir novamente, sempre foi assim, Denver já estava acostumado, mas a mãe de Renna parecia preocupada, como se algum de nós fosse pular no pescoço do outro, bem... isso aconteceu apenas uma vez, quando peguei um donuts dela no mês passado, ela tentou me sufocar e me fez comprar outro. Entramos no carro e íamos direto para o tal acampamento, percebi que Renna tinha um cookie em sua mão, ouvia Denver mastigando alguma coisa, olhei pelo retrovisor, era uma barra de cereal, porém ele a mastigava com embalagem e tudo, o cookie de Renna ainda estava muito cheiroso.
– Ei não quer me dar um pedaço? – perguntei a ela.
– Não, você já comeu.
– Você também, não seja egoísta.
– Não seja chato, quem mandou não pegar um enquanto estava lá ainda?
– Certo, é assim então?
– Pode apostar.
Tentei tirar o cookie de sua mão, mas ela o levou para o lado, eu fazia de tudo pra pegar, trocávamos de lugar toda vez que ela desviava, o carro se mexia para os lados violentamente com a velocidade com que Sra. Vector dirigia e nós consequentemente nos batíamos, sim parecíamos crianças naquela situação, Sra. Vector estava concentrada demais na estrada para nos dar atenção, mas Denver era sempre o apavorado e tentou sem sucesso nos parar.
– Você dois podem...
– Ahá peguei. – No momento em que Renna olhou para Denver, eu consegui pegar o cookie – Baixou sua guarda.
– Ferrou... – ouvi Denver murmurar.
– Me... Devolve!
– Chegamos! – Avisou a mãe de Renna, fui salvo. Sai do carro com a mão com o cookie esticada para cima, Renna foi rápida em minha direção e tentou alcançar o cookie eu me virei desviando dela, não sei como ela escorregou... Mas puxou a manga da minha camiseta e me levou junto, consegui colocar o cookie na boca antes de cair e me apoiar com as duas mãos no chão, Renna me olhava com a face corada e com aqueles olhos azuis nos quais eu poderia novamente ficar hipnotizado, estávamos com os rostos muito próximos separados apenas por um cookie, até Renna olhar para o cookie e dar uma mordida, senti um rubor subia à minha face.
– Er... Gente...?
Levantei-me num pulo, relutante estendi minha mão para ajudar Renna a se levantar, ela não aceitou, preferiu se levantar puxando meu cabelo, isso doeu muito, eu pude me ouvir dizendo um “Aaaai” horrível. Que tirou um sorriso sádico dela. Despedimos-nos de Sra.Vector, ficamos praticamente no meio do nada olhando o Corsa branco se distanciar, vi Denver e Renna subirem a colina então os segui, nada poderia me surpreender, ou era o que eu achava, logo adiante havia um enorme pinheiro, em um galho mais baixo vi algo reluzir, mas era como uma pele de carneiro, um velocino... De ouro. Ele estava sendo guardado por uma criatura enorme, parecia ter cinco metros de altura e de comprimento talvez uns duzentos metros ou mais, era um dragão imenso dormindo em baixo do pinheiro, cada vez que respirava expelia uma fumaça negra de suas narinas.
– Aquele é Peleu, mas não fique assustado ele não vai fazer nada com você, enquanto estiver conosco.
Disse Denver percebendo que eu ficara alucinado com a enorme criatura à frente. Eu queria ficar assustado, mas parecia que veria coisas bem piores que um dragão protetor de pinheiros, o interessante é que não chegamos sozinhos, avistei outro sátiro chegando com duas garotas, eles corriam de uma criatura enorme e nojenta, sua pele parecia solida, era algo como uma cobra com o corpo de um gorila, que soltava gases pelas costas e gosma pela boca, não sei exatamente se algum monstro nós seguiu até aqui, chegamos mais perto da colina com o pinheiro, Peleu o dragão, levantou sua cabeça, mas nos ignorou assim como as duas garotas e o monstro, uma delas parecia ter a minha idade era alta e loira com uma pele branca como a neve e a outra provavelmente era sua irmã mais nova a mesma pele branca e olhos esverdeados. A criatura estava se aproximando cada vez mais das duas garotas, a mais velha puxava a menor que segurava um ursinho de pelúcia, o sátiro tinha um porrete, porém ele não iria definitivamente fazer nada, pois o pavor estava estampado em seu rosto, não sei o que deu em mim, eu não podia deixar que aquele monstro machucasse nenhum deles, então arremessei uma pedra no monstro chamando sua atenção pra mim.
– EI! Seu nojento!
O monstro se virou, me olhando com aqueles olhos asquerosos e completamente negros, “como sou idiota!” pensei. Ele agora correria atrás de meus amigos, gritei para que corressem, saquei meu canivete e corri também, o monstro começou a jogar uma gosma com um tom esverdeado que se solidificava enquanto vinha em minha direção, a única coisa que eu podia fazer era me desviar, o que eu poderia fazer com um simples canivete? Praticamente nada. Queria proteger meus amigos, o que era impossível para um meio sangue sem treinamento. Senti aquela sensação de poder, um repuxo no estomago e um formigamento no braço, mas antes que eu pudesse atacar, duas flechas passaram zunindo perto de meus ouvidos e se cravaram em cheio na criatura o transformando em pó e gosma, senti minhas pernas fraquejarem, era Renna que havia pulado sobre meus ombros, caindo em minha frente.
– Você é maluco? Queria mesmo lutar com aquilo? Você nunca teve treinamento algum! Aquele monstro podia ter te matado! Seu grande idiota!
Ela estava muito nervosa e extremamente irritada comigo, senti de repente meu braço arder, arder muito, eu o segurei e pude ver que estava sangrando, mas havia um liquido roxo também, cai de joelhos, uma daquelas gosmas que se solidificaram deve ter me acertado, por causa da adrenalina eu não havia sentido nada.
– Arde!
A dor subia rapidamente por meu braço, minha visão estava escurecendo, Renna se ajoelhou também preocupada, até que não vi mais nada, e apaguei.
Tive um sonho estranho daqueles outra vez... Eu estava em uma grande casa, vi minha mãe discutindo com uma mulher, ela era alta e magra, além de ser realmente bonita, não consegui distinguir a cor de seus olhos, nem mesmo se seus cabelos eram ruivos? Loiros? Castanhos? Mesmo estando discutindo, ela mantinha uma expressão serena e apenas a ouvia, mas de repente se pronunciou.
– Você pode se acalmar Helena? Ele chegou bem no Acampamento Meio-Sangue, Quíron vai ajuda-lo a se adaptar e treina-lo, agora que ele sabe, não posso mais esconder, posso? E logo, logo ele vai fazer seus dezesseis anos e a promessa que os deuses fizeram ao filho de Poseidon eu não posso quebrar. Apesar de já ter quebrado, não o reclamando esse tempo que para vocês mortais é grande. Fique tranquila ele não vai odiá-la, não é possível! Eu tenho certeza.
Ela mostrou um lindo sorriso, que me fez me sentir aconchegado, como quando ouço minha mãe cantando antes de dormir, ela então assentiu derrotada, meu sonho mudou, me vi entrando em um lugar escuro, me mantinha rente às paredes andando vagarosamente como um espião com muita habilidade, parecia estar seguindo alguém, mais a frente ouvi uma briga.
– Eu preciso encontrar! – Disse um homem alto, com voz grossa, ele usava uma armadura completa de batalha, com uma bainha nas costas, não pude ver seu rosto, pois ele usava um elmo que o cobria, ele gritava com uma mulher bonita, alta e morena, mas seu olhar era frio, e ela mantinha a expressão séria e os braços cruzados, usava um vestido longo azul escuro e uma coroa de flores da mesma cor em sua cabeça.
– Sabe que o herói apareceu, não sabe? Ele vai conseguir o que você quer, e tudo ficará mais fácil – Sua voz era fina e muito firme, como que se ela me desse uma ordem, essa seria cumprida na mesma hora.
– Provavelmente eles não sobreviverão até chegarem aqui então...
O homem foi interrompido por um som de uma motocicleta, tudo ficou escuro em meu sonho e eu acabei por acordar sem entender nada, em quase todos os sonhos que tenho esse mesmo homem de armadura aparece, ainda não pude entender o motivo.
Com um pouco de esforço me sentei na cama, não fiz praticamente nenhum barulho, porém Renna que estava sentada em uma banqueta ao lado da cama levantou sua cabeça, estava dormindo anteriormente.
– Me desculpe.
Ela pegou um copo em cima da escrivaninha e me deu. Aquela bebida tinha gosto de brownie de chocolate amargo e pudim de leite, mesmo misturados eram uma delicia, o mesmo brownie que minha mãe fazia apenas uma vez por ano, era o doce que eu mais gostava no mundo todo, Renna continuava a me olhar com aqueles olhos brilhantes.
– Ah! Renna você queria um pouco? – ela balançou a cabeça em negação, então sorriu e se virou para olhar o lado de fora da tenda onde estávamos, não entendi aquela reação, mas deixei assim, por que talvez ela estava pensando em uma bronca ainda maior pra mim.
– Não sei como você consegue ser tão cabeça dura. E pensar nas tantas baboseiras que você fez enquanto ainda estávamos em Nova York, e ainda tem isso para lembrar.
Ela apontou para minha cicatriz na testa, rente a minha sobrancelha direita, fiz em uma de minhas “baboseiras” como ela disse, mas foi por uma causa nobre, e ela sabe muito bem que fiz aquilo para ajuda-la, foi há uns três meses atrás...
*Flash Back*
Um bando de delinquentes enormes do segundo ano da escola vizinha, estavam seguindo Renna, que ainda era Spencer naquele dia, eu e ela íamos juntos até a avenida perto de sua casa, e os caras estavam na nossa cola há muito tempo, desde que saímos da escola, percebi e tentei disfarçar, Renna por sua vez não pareceu notar, como eu disse: “não pareceu”.
Nos despedimos, ela esperou que eu virasse a esquina, e começou a andar para o lado oposto a sua casa. Eu esperei ela se afastar um pouco e comecei a correr atrás dela, passando por várias pessoas que saiam do trabalho, por ser horário de almoço, a vi apressar o passo, com os caras na sua cola, entrei em uma loja a direita antes de um deles me ver, Renna correu até um parque abandonado, eu sabia que estaria numa enrascada, mas já que sou um bom melhor amigo ou grande idiota e ela também no sentido de idiota, não queria que nada acontecesse a ela. Renna fez novamente aquele movimento de colocar sua mão dentro do boné onde estava sua presilha, mas eu não sabia que aquela simples presilha se transformava num arco, antes que ela pudesse tirar este, um dos brutamontes quase a acertou com um porrete, quase, pois ela desviou-se do golpe então eu entrei na voadora no mesmo cara que a atacou, ele caiu a alguns centímetros de uma gangorra.
– Tayler!? Droga o que faz aqui? – Grita ela surpresa.
– Você ia entrar numa briga sem mim? – digo incrédulo.
Enquanto discutimos os outros dois brutamontes iam a nossa direção, mas agora estavam armados, tinham facas... Estranhas, que eu reconheci como aquelas que os caçadores usam, sem especificações.
– Já que veio aqui, você sabe Aikido então acho que pode desarma-los não é? – Renna sussurrou pra mim, eu assenti – Pegue aquele ali e eu fico com o outro, eles não são... Q-quero dizer não parecem muito espertos então...
– Tem algum plano? Ou é só bater e correr?
– Bater e correr.
– Sabia que diria isso.
Avancei sobre o segundo cara, ele segurava a faca com o fio cortante para trás, mas de certa forma foi fácil de desarma-lo, então ele usou os punhos, conseguiu me dar um soco na bochecha, eu o retribui com outro em seu nariz e um chute no estomago que o fez cair de costas, mais um chute em suas partes baixas, Renna estava com problemas, tinha conseguido desarmar o terceiro e pulado em suas costas, eu então dei vários golpes em sua barriga extremamente dura, mas consegui o fazer cair de joelhos, Renna o deixou sem ar o que fez esse desmaiar, mas como eu consegui a cicatriz? O primeiro cara que eu pensei que estava nocauteado arremessou de repente uma faca que acertou minha testa, fazendo aquela cicatriz perto da sobrancelha direita, o corte não foi muito profundo, pois a faca havia me pegado de raspão, mesmo assim tirou sangue.
*Fim do Flash Back*
– Droga! Você sabe muito bem que foi pra te ajudar, e ter isso é uma honra pra mim, afinal eu te protegi.
Ela me mostrou um sorriso, que eu conhecia muito bem, o sorriso “Como é? Eu vou te bater!” Ainda bem que estou de cama.
– “Honra pra mim” – disse imitando minha voz — por acaso pensou em como eu ficaria se acontecesse algo sério com você?
– O importante é que não aconteceu nada comigo e eu estou aqui certo? E você também não pensou em mim quando me enganou pra enfrentar aqueles caras, não é?
Ela virou a cara com as sobrancelhas juntas, ela odiava admitir que eu estivesse certo, às vezes acho que ela deve parar de se achar mais esperta que eu, apesar de ser, mas não precisa me lembrar disso toda a hora.
– Parece que você está melhor, precisa conhecer o acampamento. – Eu me levanto – Sabe aquela garota que você “salvou” – ela faz aquele sinal de aspas com os dedos – Ela pediu para que eu te agradecesse por ela, que depois queria falar com você... Pessoalmente.
Ela se virou pra mim e me fitou com uma sobrancelha erguida e os braços cruzados.
– Não olhe assim pra mim, sabe que vou aceitar.
– Ótimo. Peça para Denver te mostrar o acampamento.
Renna saiu da tenda e foi pisando duro em direção a seu chalé, mas por que ficou tão zangada?
Notas finais
Tava esquecendo do segundo capitulo... hehe!
OOOh Siim! Kelven Figueiredo Muuuuuito obrigada por ler minha fic! E acompanhar. Primeirinho ne? Tinha que falar alguma coisa.
Meios-sangues que leram até aqui! Deixem um comentário que Nahna fica feliz! Uhuuuuul beijos. Ah e se tiver algum erro, me deem um toque! Valeu! E ei! Isso me custou um dracma!
(mensagem de íris off)
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