POLLUX

Viver sem seu irmão era como viver sem uma parte do corpo.

Dizer aquilo não era exagero porque era exatamente como Pollux Dawson se sentia. Mesmo depois daqueles anos, acordar e não sentir a presença de Castor no beliche de cima no Chalé 12 era uma sensação estranha e desconfortável.

Pollux tirou os lençóis de cima do corpo, sentando-se na cama. Mais um dia começava na rotina do Acampamento Meio-Sangue. Eram sete e meia da manhã agora, portanto Pollux tinha meia hora para se preparar para o café da manhã. Ser o filho do ex-diretor do Acampamento não lhe dava nenhum benefício ou vantagem. Pollux não se importava com isso, mas não negava que poderia se aproveitar de uma vaga das aulas e caças à bandeira ocasionalmente.

Em quinze minutos Pollux já tinha escovado os dentes, tomado um banho, vestido shorts de praia e a camiseta laranja do acampamento. A roupa usual que todos vestiam. E quando o sinal de café da manhã tocou, ele seguiu para o Refeitório.

Quando Castor estava vivo, Pollux tinha companhia na mesa de café. Mas agora? Ele sempre comia sozinho, nas três refeições. Era o único chalé que só tinha um campista na mesa. Enquanto os outros semideuses riam sem suas mesas, comendo com seus meio-irmãos, Pollux ficava sozinho, cabeça abaixada, encarando seu prato. E o pior é que essa situação fazia ele ser, ao mesmo tempo, ser invisível e chamar atenção ao mesmo tempo.

Pollux odiava muita gente amontoada. Primeiro, porque ele vivia num lugar que era basicamente um monte de adolescente amontoado. E segundo, adolescentes eram péssimas pessoas. Quando Dionísio comandava o acampamento, Pollux era sempre ignorado pelos outros campistas, que tinha medo de seu pai.. E se Castor ou Pollux se machucassem no Capture a Bandeira? Todos sentiriam a fúria de um deus. E se Pollux se machucasse jogando vôlei? Dionísio faria todos enlouquecerem.

Era mais fácil quando Castor estava vivo. Pollux tinha alguém para conversar. Mas depois que Castor morrera, Pollux ficara só....

“Percebi que você está só” disse uma voz que vinha de cima, Pollux a conhecia. Ele franziu o cenho, ainda encarando o prato. Ele olhou pra cima, mas sua franja loura atrapalhava sua visão. Colocando-os para cima, ele viu: uma garota alta, cabelos pretos, asiática. Quem era ela? Ele a conhecia dos encontros de líderes de chalé, mas não lembrava de seu nome... Ela havia sido a conselheira de Afrodite, certo? Isso até Piper McLean acabar com a raça dela e pegar o título. Seu nome era Drew Tanaka, ele lembrou.

“Faz mais de um ano que eu sento sozinho” disse Pollux, com uma voz entediada. “... e agora você percebeu isso?”

Drew deu de ombros, sentando em frente a Pollux. “Não importa, não é? O fato é, você não está mais só!” ela disse, como se a sua companhia fosse a maior façanha que Pollux poderia conquistar no Acampamento.

Pollux não era antissocial. De fato, ele só era tímido. Muitas vezes ele queria ter coragem para falar com as pessoas. Mas não rolava. Nas reuniões de líderes, abstinha-se de falar o máximo possível, e só o fazia quando era extremamente necessário. E quando acontecia, acabava balbuciando e gaguejando e provocando risadinhas.

“Ah... Obrigado, Drew” disse Pollux, percebendo só agora que estava segurando um garfo com um ovo frito no meio do caminho até a boca.

O que Drew queria? Pollux não era atraente, nunca imaginara olhando pra ele, ainda mais alguém como Drew. Pollux não tinha um corpo malhado, era normal, alto e magrelo e desengonçado. Seus cabelos loiros escuros eram um emaranhado bagunçado de cachos que precisam de um corte urgente, e ser filho de Dionísio presenteara-o com incomuns e quase assustadores olhos violetas. Algumas pessoas achavam que se olhassem muito para os olhos do garoto, iam ficar loucas, porque talvez ele tivesse aqueles poderes do pai. Como se Pollux já não fosse impopular o suficiente.

“Deuses, essa mesa é muito deprimente” disse Drew, esfregando os braços como se tivesse sentido uma corrente de ar frio. Considerando que era o meio de uma manhã e estavam numa praia, era mais ou menos provável. “Deve ser por isso que você é assim, sabe? Essa mesa tem uma vibe ruim”

E então Drew ficou quieta por quase um minuto, o que fez Pollux achar que o assunto tinha acabado. “Okay...” ele disse, não entendo bem o que estava acontecendo. Suspirando, Pollux pousou o garfo na mesa e tava pensando em dar o fora dali quando Drew deu um berro e ergueu os braços pra cima, sorridente.

“Eu tive uma ideia!” a garota exclamou, chamando atenção para si e para Pollux e fazendo o filho de Dionísio tentar se enterrar no chão de vergonha. “Venha se sentar na mesa de Afrodite. Nós podemos conversar e...”

O discurso animado da garota foi interrompido quando de súbito um som seco e alto reverberou pelo Refeitório. Todos os semideuses imediatamente se levantaram, em alerta, tentando achar a fonte do som. Um burburinho alto se instaurou, cabeças olhando para todas as direções. Pollux levou a mão ao sinto, mas a espada não estava lá. Droga, ele pensou.

Não demorou menos de um minuto para todos se acalmarem quando Quíron, de sua mesa, mandou todos se acalmarem.

“Sentem-se todos! Eu... reagi exageradamente a um recado que uma ninfa me trouxe” ele disse, com a testa enrugada. Tinha batido no chão com um de seus cascos e provocara o som. Pollux estudara as expressões do diretor do acampamento vezes o suficiente para saber que havia algo errado. Ele estava preocupado de verdade.

O olhar do centauro correu pelos adolescentes até parar em Pollux. Não tinha erro, ele estava mesmo olhando para Pollux, que mais uma vez quis sumir no chão para que não olhassem para ele.

“Pollux, precisamos conversar na Casa Grande. Agora”

Notas finais
capítulo curto porque não tinha muito o que por, os próximos terão mais conteúdo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.