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1 Capítulo 1: Julgamento


Notas iniciais
https://youtu.be/A9JTtGe0Ago

P.O.V. Valerie.

Não acredito que a Roxane me traiu.

—Conte a eles o que me contou.

Ela estava chorando.

—Desde que éramos crianças ela sobe nas árvores mais altas, corre mais rápido que as outras garotas... ela usa uma capa vermelha da cor do diabo.

—Bobagem! Eu fiz essa capa.

—Silêncio! Prossiga.

—E ela fala com lobisomens.

A multidão em volta toda começou a perguntar:

—Ela fala com lobisomens?!

—Eu vi. Com os meus próprios olhos.

—Você nega isso?

—Não. Eu não nego. Eu não sei como aconteceu, não queria que acontecesse, só aconteceu.

Então uma mulher apareceu. Ela apareceu do nada, com certeza era nobre.

—Ah, esses católicos. Tão ignorantes.

—Bruxa!

—Híbrida na verdade. Mas, sim eu sou uma serva da natureza. Uma bruxa. Mas, essa menina não é.

—Mentirosa!

—Não. Mas, eu sei o que você é. Como conseguiu compreender o lobo.

—Como?

—O gene dos lobisomens está na sua família. A várias gerações. Mas, você não é o lobo e nem ativou a maldição.

—Ativei a maldição?

—Para que maldição seja ativada. Você tem que matar, matar outro ser humano uma vida. Uma única vidinha humana e já era.

—Bruxas!

—Quem são seus pais?

—Suzette e Cesaire.

—Estão aqui agora?

—Sim.

—Onde?

—Ali.

—Ta bem. Hora de provar que o seu Santo Padre, não sabe nada sobre bruxas ou lobisomens.

Ela olhou para o meu pai e disse:

—Pega.

Ela jogou uma bola vermelha pra ele e quando ele a pegou largou na hora e reclamou de dor.

—Ai. O que é isso?

—Wolfsbane. Mata-lobos. Tem seu lobisomem, agora deixe a menina ir.

—Primeiro eu quero saber como sabia de tudo isso?

—A Hollow criou os primeiros lobisomens, Inadu usou a própria morte para lançar uma maldição sob sua tribo. Forçando-os a se transformar em lobos toda a lua cheia. Isso aconteceu a muito, muito tempo.

—Eu não sou o lobo.

—Olha mas, que mentiroso. Eu costumo ir longe pra provar que estou certa, desculpe mas eu não terei pena querido. Você finge ser tão confiante, mas eu sei a verdade. Você teme que todos possam ver o que você realmente é. Um animal.

Com um movimento de sua mão meu pai caiu de joelhos, gritando, dava pra ouvir o barulho dos ossos quebrando.

—Uma fera. Porque não nos mostra sua verdadeira face?

Ela o fez se transformar.

—Pronto. Tem seu lobisomem. Deixa a garota ir.

—Eu não posso fazer isso.

—Sério? Você. Você olhou nos olhos dessa gente, dessa menina Roxane e mentiu na cara deles, se aproveitou do desespero e da inocência dela.

Ela atacou o Padre Salomão

—Me ouça.

—Você se diz um homem de Deus, mas você é um assassino igual aos seus comparsas católicos. Por séculos vocês derramaram o sangue dos inocentes. Porque não se afoga nele?

Ela matou o Padre Salomão.

—Um homem de Deus? Deus não odeia, Deus não mata, não guarda rancor. Deus é amor infinito e imensurável.

A bruxa se colocou diante de mim, sorriu para mim e disse:

—Tranca-te, abre-te.

As correntes que me prendiam se soltaram. Os soldados a atacaram e ela os matou. Pegou a espada e com um movimento rápido e limpo decepou a cabeça do meu pai.

—Pronto. Acabou.

—Espera. Como sabia que o meu pai era o lobo?

—Ouvi você dizer que podia falar com o lobisomem e o resto eu deduzi. Quando o seu pai pegou a bola e a bola o queimou eu soube que era ele. Lembre-se menina, nunca mate outra pessoa ou será igual a ele. E se transformar em lobo é uma dor excruciante. Você tem que quebrar todos os ossos do seu corpo um por um.

—Então bruxas não são ruins?

—Não mesmo. Se não fossem as bruxas o mundo já teria se afogado no próprio sangue.

—O meu irmão? Onde está o meu irmão?

—Lamento querida, quando eu cheguei já era tarde. Eles já haviam assassinado o pobre menino.

—Pode trazê-lo de volta?

—Está louca?! Alterar o tempo de vida de alguém foi o que começou toda essa bagunça em primeiro lugar. Não se mexe com as forças da vida e da morte. Mesmo se eu o trouxesse de volta isso traria consequências devastadoras.

—Então pode trazê-lo de volta?

—Isso é magia negra menina. Um corpo sem alma é um parquinho para os demônios. E mesmo seu o trouxesse de volta com a alma, o lugar dele não é mais aqui. A morte o seguiria onde quer que fosse.

—Como sabe tudo isso?

—Vocês nem fazem ideia do quão ignorantes vocês são.

—Qual é o seu nome?

—Eu sou Tamara Cullen Mikaelson.

—O que o Padre Salomão disse sobre a Lua de sangue... é verdade?

—O que ele disse?

—Que sob a lua de sangue um homem mordido é amaldiçoado. Que somente durante a lua de sangue um novo lobisomem pode ser criado.

—Infelizmente sim. Mas, a maioria morre no processo. A maioria dos lobisomens nasce lobisomem. Um humano mordido e transformado? É um em um zilhão. As chances são mínimas. Porém ser transformado em lobisomem é a menor das suas preocupações. Lua de sangue é uma época propícia para praticantes de magia das trevas.

A Madame Lazar se benzeu.

—Isso não vai ajudar senhora. Se benzer diante de uma bruxa das trevas é como... jogar água benta em vampiro. Não serve pra nada.

—Vampiros não reagem a água benta?!

—Água benta da até pra beber, crucifixo é mito, mas a parte da estaca é verdade bom, pelos menos para os membros da primeira raça. A maioria não consegue andar no sol, eles queimam.

—A maioria?

—Alguns conseguem.

—Como?

—Segredo. É raro, extremamente raro um vampiro que caminhe ao sol. Chegou a um nível de evolução em que apenas um é capaz de matar o outro. Ou bruxas e vampiros geralmente não se dão, uma bruxa pode matar um vampiro. Não importa a qual das duas raças ele pertença.

—Como?

—Magia. Requer um poder muito grande que poucas de nós possuem, para matar um único vampiro usando apenas magia é necessário um Coven inteiro ou canalizar uma enorme quantidade de energia mística. Mesmo que uma bruxa sozinha consiga matar um vampiro ela morre no processo.

—Porque?

—Porque elas são tão humanas quanto você. O corpo não suporta, o nariz sangra, a cabeça dói, os órgãos começam a falhar e ela morre. Todos temos limites.

—Tamara?

—Sim?

—Obrigado.

—Disponha. Só cumprindo o meu dever. E você Padre Augusto, é um dos poucos padres que realmente nasceram pra isso. Que é realmente um homem de Deus.