Heresia

5 Uma manhã com um demônio


Notas iniciais
Agora sim... Finalmente consegui começar essa história após tanta enrolação. Espero que gostem e comente... Gostaria muito que comentassem.

Estava um homem, na verdade um jovem à beira de um penhasco, ao seu lado havia outro, claro que este não era um humano mesmo e o que estava preste a pular o penhasco não o via.

— Isto é o fim. Sua mãe morreu, seu pai não quer mais saber de você, ninguém se importa contigo. Dizia o demônio encostado em uma árvore olhando para uma avelã, ele parecia brincar com a mesma em suas mãos.

— Não tem mais jeito. O jovem que estava preste a pular chorava sem parar- Não tem mais jeito para mim nesta vida.

— É o que estou dizendo. O demônio jogou a avelã no rumo do penhasco e foi andando até o garoto — Sabe qual é a única saída disso tudo? É a morte, você não tem mais nada a ganhar nesta vida.

— Talvez se eu pulasse... Tudo isso acabaria. Minha dor, minhas tristezas, minha vida.

O jovem deu um passo para frente, o demônio sorriu estridentemente. Mas o garoto olhou para baixo e parou de chorar, olhou novamente e deu meia volta, o demônio o seguiu.

— Eu não posso fazer isso! Não posso!

— Epa, claro que pode. Você é um homem ou um saco de batatas?

O jovem olhou para trás e logo em seguida continuou andando.

— Isso, volta seu fraco. Mas lembra de que é culpa sua a sua mãe estar morta, o que você vai fazer contra isso? O demônio riu com o tom mais sádico que conseguia rir.

Aquele pobre garoto, com muitos anos pela frente caiu ajoelhado no chão, tampou seus ouvidos e começou a gritar:

— Sai da minha cabeça!

— Hãm... Eu não vou sair, eu sou sua consciência.

O jovem pegou um terço que havia em seu bolso e começou a rezar.

— Já disse, isso não funciona comigo! Aquilo fez o jovem voltar a chorar – Vamos, o fim dessa dor está logo à frente, olhe para trás. Não dá vontade de pular, é tão bonito.

O jovem olhou para trás, levantou-se, olhou fixamente para trás e começou a andar na direção do penhasco.

— Isso, corra... Feche os olhos e faça como se fosse mergulhar em um rio.

O jovem saiu correndo de olhos fechados e pulou o penhasco. Enquanto caia viu aquela vista majestosa, podia sentir por aqueles breves segundos como um pássaro livre a voar. Antes de cair no chão fechou novamente os olhos e uma lágrima caiu sobre sua face e foi levada com o vento, ao cair sua vida acabou. O demônio que assistia tudo de camarote começou a bater palmas e dar pulos de alegria.

— Bravo! Bravíssimo! Que espetáculo!... Ah, como é bom brincar com humanos, mas agora vamos o meu prêmio.

O demônio assumiu a forma do jovem que acabara de matar. Tinha olhos azuis escuro no tom mais vibrante que se possam pensar, cabelos loiros e extremamente lisos, tinha um corpo um tanto fraco, mas era a forma de um garoto de 14 anos, não poderia esperar muito em relação a isso. A sua última forma era de um homem barbudo e bem forte, mas havia se enjoado dela.

O demônio saiu saltitando de alegria, havia ganhado o dia realmente.

Em outra parte da mesma floresta estava Noah, parecia um tanto irritado, estava acompanhado de Miguel que não parava de falar em humanos, costumes humanos, construções e outras coisas relacionadas a humanos.

— Ah, também tem as pirâmides no Egito são belíssimas. Apesar de serem feitas por mão de obra escrava, elas são lindas.

Por um minuto Miguel parou de falar, Noah sentiu-se aliviado por um instante. Mas depois ela voltou a falar de outros costumes humanos, foi à gota d’água para Noah.

— Chega! Você só sabe falar de humanos?! Disse Noah já sem paciência.

Ela arqueou a sobrancelha esquerda rodeou Noah e encostou-se em uma árvore.

— Só uma coisa fortão... Você agora é humano, sabia?

— Pode até ser, mas não quer dizer que eu vá viver como um.

— Hum... Duvido muito, você só não conheceu eles direito ainda.

— Não conheci e nem quero conhecer para sua informação.

— Ah é mesmo?! Façamos uma aposta então.

— Apostar o que?

— Que eu estou certa, simples.

— Fale, que aposta é essa?

— Simples, se você arrumar uma família, eu quero ir jantar em sua casa.

Quase caí duro naquele momento, ela achava realmente que eu iria viver com humanos?! Minha irmã é tão otimista quanto... Bem, não conheço anjo mais otimista do que ela, então ela ganha de todos.

— Olha, se você parar por um instante de falar de humanos... Eu aposto qualquer coisa.

Passado alguns minutos Miguel foi embora e Noah ficou sozinho, estava silencioso, mas silencioso demais para seu gosto, por mais que sua irmã falasse sem parar, era ruim ficar sozinho, era triste.

Noah resolveu descansar um pouco aos pés de uma frondosa árvore. A sombra daquela árvore era capaz de acalmar qualquer um, mas sua calma foi interrompida por gritos de alguém vindo À distância. Ele foi à procura da origem da voz, no meio da estrada encontrou uma mulher desesperada.

— Ei senhora, o que houve?

A mulher que corria chorando, parou assim que viu Noah, estatelou os olhos e começou a correr na direção oposta.

— Senhora, o que houve?

— Vá embora seu ladrãozinho imundo!

— Eu não sou ladrão, apenas escutei seus gritos, o que houve?

A mulher virou-se novamente para mandá-lo embora, mas ao virar-se tropeçou em um galho e iria cair no chão se Noah não a tivesse segurado pelo braço.

— Não chegue perto de mim!

— Como quiser. Disse Noah soltando seu braço — Eu iria ajudá-la, mas pelo jeito você não precisa.

A mulher viu que estava enganada sobre o homem que acabava de acusar de ladrão e começou a falar:

— Senhor, perdoe-me. Mas tente entender, roubaram minha casa e levaram minha filha junto, estou desesperada, qualquer um pode ser um ladrão nos dias de hoje.

— Sim realmente, mas eu não sou. Disse Noah indo embora.

— Espere, o senhor não disse que iria me ajudar?

— Realmente, mas perdi a vontade quando você me chamou de ladrão.

— Por favor, perdoe-me. A mulher começou a chorar em meio a seu desespero.

— É claro que eu vou te ajudar, não seja tão tola.

Ele disse isso sem olhar para a mulher e com certo rancor em seu coração, faria isto porque era certo, não por vontade própria, assim pensava ele para não mostrar para ele mesmo que iria ajudar humanos.

— Então, para onde que eles foram?

— Para a direção em que eu estava correndo.

— Você iria enfrentá-los sozinha?

— Sim, se preciso fosse.

— A senhora tem muita coragem.