Hereafter
26 Cap. 22: Eu prometo te encontrar
Notas iniciais
Eu poderia correr e pular em seus braços, mas ainda não acreditava se o que via era realmente verdade ou se tudo não se passava de mais um dos meus sonhos. Então em passos curtos me aproximei da cama na qual ele estava sentado.
Ele levantou os olhos para me fitar e seu sorriso torno estava lá e seus olhos cinzas me olhavam com carinho.
– Que bom te ver, Juh.
Como? Só podia ser imaginação... Ele tinha ido embora, mas agora esta aqui na minha frente tão tranqüilo como sempre com esse sorriso que me mata, será que ele faz idéia do que eu passei esse mês sem ele? Não, claro que não. Ele só pode estar brincando comigo. Droga. Era pra mim ter ódio, raiva dele, mas a única coisa que consigo fazer é encará-lo com um aperto em meu peito.
Me virei para a porta onde o Adam estava escorado com um olhar que eu não consegui decifrar, vendo que eu o olhava ele apenas fez um aceno com a mão para mim ir até onde o Nathaniel estava e saiu fechando a porta e me deixando sozinha com... Será que ele é mesmo um fantasma afinal?
– Acho que você tem perguntas a me fazer... – Ele sorriu e bateu com a mão na cama para que eu me sentasse ao seu lado. E sem dizer nada ainda meio que sem entender tudo isso o fiz. – Você esta bem? – Apenas neguei, na verdade as palavras pareciam estar presas ao nó da minha garganta. – Desculpa por ter ido daquela forma, bem, acho que eu não fui de verdade, pois estou aqui. – Ele riu pelo nariz.
Minhas emoções estavam totalmente fora de mim, eu tinha raiva, tristeza, felicidade tudo ao mesmo tempo, e agora não saberia dizer de qual dessas emoções seria responsável pelas lagrimas rolaram em meu rosto.
Ele com o seu jeito calmo passou os dedos pelos meus olhos secado as gotas.
– Sinto muito Juh, eu nunca quis te ver assim. Chorando.
– V-você vai ficar? — Minha voz estava tremula.
– Não posso. – Ele levantou ficando de frente para mim. – Juh, eu sei que parece estranho, mas eu não pude te deixar. Mas eu preciso.
– Nathaniel, eu não consigo entender. Você tinha ido, como você esta aqui? E por que diabos você não pode ficar comigo? – Enfim consegui dizer e talvez um pouco mais alto do que o esperado.
– Eu nunca fui. Na verdade eu queria voltar para você, mas não conseguia. Eu estava preso, preso pela sua dor. – Ele me olhava calmo, mas eu o conhecia e via em seus olhos o quanto ele sofria, talvez até mais do que eu.
– Como você pode estar aqui então? E por que aqui? – Ele respirou fundo e se ajoelhou a minha frente.
– É uma longa história. – Suspirou.
– Não importa, eu quero que me conte, eu quero entender. – Ele sorriu de lado e pôs uma mexa do meu cabelo para trás.
– Depois que eu disse o que sentia por você, eu achei que poderia ir, que seguiria enfrente e que assim seria melhor para você. – Eu iria falar, mas ele me impediu. – Eu estava enganado, dizer que te amava não me libertou, só me fez ficar ainda mais preso a você. – Ele suspirou e encostou a cabeça em meus joelhos. – Eu estava preso em uma sala escura. Não tinha nada lá e a única coisa que eu queria era poder ter ver mais uma vez. E assim eu te vi. – Eu passei as mãos em seus cabelos enquanto ele ganhava tempo para continuar. – Eu vi você, desde o momento que eu te deixei, e durante todo esse mês.
– Você me viu chorar? – Perguntei baixo.
– Todos os dias. – Ele se virou e seus olhos se fundiram aos meus. – Aquilo foi a gota d’ água, eu não queria te ver assim, ainda mais sabendo que era por mim. Mas eu não podia fazer nada, só era possível te assistir. Eu estava me sentindo inútil. – Ele sorriu fraco. – Eu sempre quis te proteger, para que você nunca sofresse, mas no fim eu fui sei maior sofrimento.
– Fica comigo que eu não vou chorar mais. Eu estava tão sozinha. – Disse sentindo as lagrimas caírem.
– Você nunca esteve sozinha, só que você se negava em aceitar os outros, pois queria a mim.
– Nathaniel eu te amo, por isso quero estar só com você. – Ele suspirou e segurou firme minhas mãos.
– Eu também te amo, mas eu tenho um pedido a te fazer. – Ele me olhava e apertava minhas mãos. – Quero que me esqueça. Esqueça que me amou, esqueça que um dia foi minha melhor amiga. Esqueça que me conheceu!
Não ele não podia me pedir isso, como ele pode achar que pode ser tudo tão fácil assim? Como vou esquecê-lo? Só pode que depois de morto ele ficou completamente doido.
– Você está me zuando? – Perguntei segurando seu rosto.
– Juh, por favor. Me esqueça! – Ele pôs as mãos sobre as minhas que ainda estavam em seu rosto.
– Por que você quer que eu te esqueça? Melhor, por que você apareceu para o Adam e não para mim... Que droga isso estar tão confuso. – Me levantei sem me importa que ele tenha caído sentado ao chão.
– Lembra que eu disse que estava preso? – Assenti. – Então, eu achei que ficaria ali para sempre, mas de repente eu fui puxado para a casa da Margo e o Adam que me chamou.
– Porque ele fez isso? Ele nem de você gosta. – Ele sorriu e se levantou do chão.
– Mas ele gosta de você. – Eu o encarei, sabia dos sentimentos do Adam, mas isso. Isso foi especial.
– Tem algo mais que eu preciso saber?
– Você tem que me esquecer. – Disse apenas.
Tinha algo a mais, e eu sabia disso, e ele ia me dizer.
– Nathaniel. – Me aproximei onde ele estava em pé me olhando. – Você quer mesmo que eu te esqueça? – Toque sua testa com a minha e ele tentou se afasta, mas eu o segurei o abraçando.
– Eu não quero, mas é preciso. – Disse baixo passando as mãos em meus fios loiros
– Por que? O que você esta me escondendo? – Ele me afastou. – Disse que te conheço muito bem. – ele riu.
– Como sempre minha espertinha. – Ele sorriu se sentando na cama e me puxando para sentar em seu colo. – A Margo disse que eu era o espírito vivo. – Arquei uma sobrancelha e ele continuou. – Também achei isso tudo estranho, mas ela disse que isso é porque eu quero viver. – Então ele contou toda a história.
Como se sentiu sozinho e como estranhamente a Margo disse que ele poderia voltar à vida.
Isso para mim parecia uma grande loucura, como alguém depois de morto pode voltar? Mas depois de ver meu amigo morto acho que isso seria o de menos.
Meu Deus, por que será que eu acho que tudo isso não passa de um sonho muito louco? Acho que eu nunca vi o Nathaniel, ele continua morto e esse é o sonho mais longo de todo minha vida. Sim é isso.
A quem eu quero enganar? Isso tudo é real, ele esta aqui me olhando e esperando que eu diga algo enquanto eu continuo com uma cara de idiota perdida em todos os meus pensamentos.
– Nossa. – Disse depois de um bom tempo. – Então afinal eu sou mesmo a chave. – Ri irônica.
– Isso é o que ela diz. – Ele deu de ombros.
– Mas como isso pode ser tão simples? Eu apenas decido te esquecer, aceito não ter você em minha vida e pronto você volta a vida? – Eu estava ficando irritada, pois sabia que mesmo que parecesse ser fácil apenas esquecê-lo, eu não conseguiria “simplesmente” esquecê-lo.
– Não é fácil Juh. – Disse como se tivesse lidos meus pensamentos. – Mas temos que tentar. Você tem que me esquecer.
– Mas se pelo o que disse, eu nunca iria ter te conhecido. – Pensava alto e ele assentiu. – E assim, eu nem ao mesmo sentiria falta de você. Mas... Eu não vou conseguir simplesmente te esquecer. – Disse por fim sentido que voltaria a chorar.
– Eu também não quero te esquecer. – Ele se aproximou e tocou meus lábios, a aquela corrente elétrica correu por todo meu corpo. – Eu tenho uma idéia. – Ele sorriu me dando um beijo casto.
– Se for algo que me faça ficar com você eu estou pronta para escutar.
– Juh, eu alguma vez quebrei uma promessa que fiz para você? – Eu achei que sim, mas não, ele continuo comigo mesmo morto.
– Não, mas o que isso tem a ver com sua grande idéia? – Ele me deitou na cama ficando por cima de mim.
– Eu prometo, prometo pela minha alma que mesmo que você me esqueça, que a gente não se conheça desde a infância. Eu prometo que eu vou te encontrar, prometo que vamos nos conhecer e que eu vou te conquistar e você será só minha. – Parecia perfeito, mas meu coração não conseguia acreditar.
Ele vendo que meus olhos formavam mais lagrima beijou onde uma gota escorria ao lado e da li foi ate meus lábios os envolvendo com carinho como sempre.
Sua língua contornava minha boca. Ele tocava meu rosto com seus longos dedos finos e assim secava minhas lagrimas.
Aos pouco ele se separou e um sorriso doce mostrando seus dentes tão perfeito me fez suspirar.
– Eu prometo. – Ele tocou meu rosto. – Você acredita em mim?
– Sempre. – Disse e o abracei fazendo que ele caísse em cima de mim novamente. – Eu vou te esquecer. Não só porque você me prometeu me encontrar, mas porque eu quero que você viva.
Ele parecia espantado e feliz.
Eu sabia que tinha que fazer isso, eu sempre quis que ele estivesse vivo, e se a Margo estivesse certa? E se ele pudesse ter uma vida normal? Não podia ser eu a responsável por impedir isso. Ia doe ter que esquecê-lo, não só porque ele é o homem que eu amo, mas porque ele é meu melhor amigo, meu porto seguro onde eu posso ser eu mesma sem me importa com nada e com ninguém.
Como será minha vida sem ele? Como será mesmo dia sem ver aquele sorriso, sem esses olhos cinzas.
– Jullie, eu te amo. – Ele disse me beijando mais uma vez, e eu sabia que esse seria o último, só espero que seja o último dessa vida.
– Por favor, não demore a me encontrar. – Disse entre o beijo. E estranhamente senti algo quente contra o meu rosto, mas não era minhas lagrimas.
Me afastei lentamente e o olhei para seu rosto. Um sorriso torto estava em seus lábios, e lagrima escorriam em seu rosto.
– Você esta chorando. – Disse tocando seu rosto. – Acho que você esta mesmo vivo.
– Eu vou te encontrar Juh. Você será minha de verdade. – Ele sorriu passando as mãos nos olhos.
Sorri e me aproximei de novo nossos lábios. Eu iria esquecê-lo. Eu queria ele vivo, queria que ele fosse meu de verdade como ele queria que eu fosse sua. E antes que nossos lábios se tocassem simplesmente tudo ao meu redor começou a girar e uma exaustão repentina tomou conta do meu corpo fazendo com que meus olhos começassem a se fechar. Nathaniel aos pouco foi se transformando em um borram e antes que eu apagasse a única coisa que vi foi os olhos claros por trás dos óculos do Adam me segurando em seus braços.
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