Here without you
5 I Think About You
Notas iniciais
– Onde estava? – perguntou o Rei ao seu filho que acabara de entrar no escritório do pai.
– Fui cavalgar. – respondeu simples e diretamente – O senhor sabe que gosto de sair do palácio.
– Sim, mas não desacompanhado. – falou em tom de raiva – Se alguma coisa acontecesse a você o que seria do reino?
– Não acredito que o que mais te preocupa é o futuro do trono. – disse indignado – Se não fosse por mim uma das criadas do palácio teria sido levado por dois ladrões.
– Você foi atacado por ladrões?! – perguntou parecendo exasperado.
– Não fui atacado. – o príncipe respondeu com um revirar de olhos – Apenas defendi uma pessoa.
– Deveria ter ficado de fora. – o rei disse em tom severo.
– E ter deixado eles a levarem? – agora o príncipe parecia indignado com o que seu pai lhe dizia – Não deixaria isso acontecer só para ficar em segurança. Que tipo de pessoa acha que eu sou?!
– Alguém que só pensa em si mesmo e não se importa com o que suas ações causaram para as outras pessoas.
Perseu não aguentava mais ouvir seu pai dizer o quanto seu ato fora egoísta, pois ele sabia que não havia sido. Sua segurança não custava a vida de outra pessoa. Saiu do escritório sem dirigir mais nenhuma palavra a seu pai e deu de cara com Grover que era ao mesmo tempo seu conselheiro e amigo.
– Problemas? – perguntou e o príncipe assentiu.
– Não consigo acreditar que ele possa ser tão frio. – Perseu suspirou e os dois começaram a caminhar pelo corredor do palácio em direção ao salão onde o evento do dia seguinte seria realizado – Ele acha que eu deixaria uma moça indefesa ser levada só para não me arriscar? Ele acha que sou quem?
– Como assim? – perguntou Grover já que não sabia do que seu amigo falava – O que aconteceu?
– Fui cavalgar como sempre e acabei vendo dois ladrões atacarem uma das criadas do palácio. – ele explicou – Simplesmente não consegui ficar parado.
– Salvou uma das criadas? – perguntou Grover – Qual delas?
– Lembra-se da moça que havia levado o almoço de meu pai hoje? – o príncipe perguntou e Grover assentiu – Ela havia ido comprar mantimentos que faltavam para o evento de amanhã.
Nesse momento os dois haviam parado no meio do salão de eventos que nesse momento encontrava- se vazio, mas totalmente limpo. O príncipe imaginava como seria no dia seguinte quando todo aquele lugar estivesse lotado de pessoas. Claro que já havia ido a outros eventos como aquele no salão, mas nunca com o dever de talvez escolher uma noiva.
– E imaginar que amanhã esse salão estará cheio de lindas senhoritas. – disse Grover olhando para os arredores do salão – Uma delas pode se tornar a futura rainha.
– Isso é o que mais me assusta. – o príncipe suspirou – É muito pouco tempo para conhecer uma pessoa que talvez vá dividir a vida com você.
– Tem algo mais te incomodando? – Grover conhecia seu amigo e sabia quando ele estava realmente preocupado com algo.
– Sei que é loucura, mas não consigo parar de pensar na moça que salvei essa tarde. – ele suspirou, sabia que era errado, mas não podia evitar.
– Não acho que seja loucura. – comentou – Você não escolhe quem gostar.
– Mesmo que eu gostasse dela e ele de mim nunca poderíamos ficar juntos. – Perseu suspirou – Sabe como é meu pai, ele espera que eu me case com uma princesa.
– Eu entendo. – disse Grover – Talvez devesse falar com ela novamente.
– Gostaria de fazer isso, mas do que qualquer coisa. – ele começou a caminhar em círculos parecendo frustrado – Nunca havia conhecido moça tão linda e simples como ela. Era diferente da outras além do fato de não tentar me impressionar como as outras que conheci.
O príncipe suspirou se lembrando da conversa que haviam tido, ele nem havia visto o tempo passar e sabia que queria ter prolongado ainda mais aquela conversa. Era loucura saber que não conseguia parar de pensar em uma pessoa da qual nem conhecia direito, mas não conseguia esquecer seus olhos cinzas diferentes de tudo o que ele havia visto.
– Deveria realmente ir falar com ela. – insistiu Grover – Quem sabe não a chama para o baile?
– Terei que lidar com meu pai. – o príncipe disse – E se eu acabar complicando ainda mais as coisas e no final não puder ficar com ela?
– Não pense no futuro. – aconselhou seu amigo – Daremos um jeito independente do que acontecer.
– Obrigado amigo. – ele agradeceu.
– Por nada. – sorriu – Esse é meu trabalho afinal. E alias é meu dever dizer para tomar cuidado em suas cavalgadas.
– Ah, por favor. – pediu Perseu – Já basta meu pai.
– Ele não deixa de ter razão sobre não ser tão seguro já que as coisas com o reino de Cronos estão ficando piores. – Grover explicou.
– Acha que uma guerra se aproxima? – o príncipe perguntou realmente preocupado.
– Esse deve ser um dos motivos para seu pai forçar a barra para que encontre uma noiva. – respondeu Grover.
– O problema é que não sei se estou preparado para enfrentar uma guerra a essa altura.
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– Mary. – disse Annabeth cansada de ouvir sua amiga falar a mesma coisa – Não foi nada demais.
– Nada demais? – perguntou Mary completamente indignada – Como pode dizer isso? O príncipe te salvou e depois vocês cavalgaram juntos! Isso é o sonho de qualquer moça.
– Talvez. – Annabeth comentou – Foi realmente muito bom.
– E como ele é? – Mary curiosa como sempre.
– Incrível. – suspirou lembrando se dos olhos verdes do príncipe, o que mais lhe chamara a atenção em sua aparência desde o momento em que o viu no escritório do rei.
Havia sido muito bom conversar como ele e saber que ele era mais do que o príncipe e o futuro rei. Era loucura, mas não conseguia parar de pensar nele. Ele era o príncipe e ela só mais uma simples criada.
– Mary... – começou Annabeth – Tenho que parar de pensar nisso ou vou enlouquecer.
– Você gosta dele. – concluiu a amiga.
– Do que importa? – suspirou – Ele com certeza não gosta de mim e mesmo se gostasse, ele é o príncipe.
– Sei o que está sentindo. – Mary suspirou – Me lembro de quando me apaixonei, foi a mesma coisa que está acontecendo com você.
– Não posso estar apaixonada. – exclamou Annabeth se levantando da cama onde sua amiga estava sentada em seu simples quarto.
Havia apenas uma pequena cômoda, uma janela com uma cortina branca que nesse momento estava aberta e uma cama simples no meio do quarto. Caminhou até a janela e se debruçou ali olhando para as estrelas e a lua que enfeitavam o céu naquele momento.
– O que mais me irrita é saber que se pudesse falar com ele mais uma vez eu iria sem hesitar mesmo sabendo o quão louco seria isso. – disse Annabeth.
– Deveria fazer isso. – disse Mary.
– Não posso. – suspirou – Ele nunca ficaria com alguém como eu e além do mais é quase impossível se apaixonar assim.
– Isso se chama amor a primeira vista amiga. – Mary explicou.
– Isso não está ajudando. – disse baixinho.
– Sei que não, mas tem que lutar pelo que quer. – ela aconselhou.
– E se o que eu quiser não for o que ele quer? – doía saber que talvez estivesse pensando nele por todo esse tempo e ele nem sequer se lembrasse do que aconteceu – Não quero lutar por algo que não existe.
– Primeiro deveria ter certeza de que é algo que não existe. – Mary disse – Sabe o que isso está me parecendo? Uma história de conto de fadas.
– Conto de fadas não existem. – Annabeth revirou os olhos.
– E se existirem? Tudo é possível sabe disso. – insistiu Mary.
– Só sei o que pode acontecer e um nós com certeza não vai acontecer nessa história entre mim e o príncipe. – afirmou Annabeth.
Mesmo ela mesma não acreditando em suas palavras. No fundo Annabeth tinha esperanças que o príncipe também estivesse pensando nela.
I think about you
Every morning when I open my eyes
I think about you
Every evening when I turn out the lights
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