Here without you
11 I Can't
Notas iniciais
– Boa noite vossa majestade. – o conde Dare cumprimentou o Rei e em seguida se voltou para o príncipe – Alteza.
Perseu apenas balançou a cabeça enquanto a condessa e sua filha faziam uma breve reverencia antes de se sentar a mesa de refeições. O rei estava na ponta da mesa, com seu filho ao seu lado seguido de Raquel. Do outro lado do rei estavam o conde e sua esposa.
– Temos que agradecer ao convite majestade. – disse a Condessa.
– Não há de que. – o rei disse – Eu e meu filho ficamos felizes por terem vindo.
Perseu assentiu quando seu pai o olhou com seriedade. Raquel sorriu parecendo um pouco envergonhada para o príncipe que retribuiu o sorriso. Mesmo não querendo aquele jantar Perseu não podia negar que estar na companhia do conde e sua família era agradável e não podia ser deselegante.
Ele não pode deixar de comparar Raquel e Annabeth. Raquel tinha cabelos ruivos que sempre ficavam soltos e caiam sobre seus ombros, olhos verdes e roupas até muito simples para uma filha de um conde. Já Annabeth tinha cabelos loiros quase sempre presos em um coque, vestidos simples e olhos cinza que lhe lembravam um céu tempestuoso, era o que ele mais gostava nela, poder olhar para os olhos dela e se perder naquela imensidão.
–Então alteza. – o conde se virou para o príncipe – Soube que está à procura de uma noiva.
– É verdade. – respondeu – Pretendo escolher uma noiva que ira ocupar o lugar de futura rainha ao meu lado, em breve.
– Perseu. – disse Poseidon – Por que não mostra os jardins para Raquel?
– Claro. – o príncipe disse sabendo que não poderia contestar uma ordem de seu pai – Gostaria de dar um passeio?
Ele se levantou e Raquel assentiu também se levantando. Os dois sairam lado a lado em direção ao jardim da frente e pararam em frente a ele. Possuía um enorme gramado que era cortado por um caminho de pedras e dividido pela entrada do palácio. Perseu a conduziu até a trilha de pedra que tinha espaço para que andassem um ao lado do outro.
– São lindas. – Raquel falou olhando as flores ao redor.
Passaram por um canteiro de rosa vermelhas e brancas, por girassóis, azaleias, margaridas e outras mais que davam cor ao jardim. Encostado ao muro do palácio havia um banco simples de madeira pintado de branco, os dois caminharam até lá e se sentaram.
– Minha mãe amava flores. – Perseu comentou um pouco distraído.
– É uma pena tudo que aconteceu. – Raquel falou com sinceridade.
– O pior de tudo é saber que eu tive que descobrir varias coisas pelos conselheiros de meu pai, porque ele nunca me diz nada. – agora ele parecia um pouco melancólico.
– Deve ser muita pressão ter que escolher uma noiva. – murmurou olhando o jardim para onde o olhar do príncipe se direcionava – Tem alguém em mente?
– Meu pai nunca permitiria que eu ficasse com a pessoa que me interessa nesse momento.
– Está falando da moça loira do baile? – ela perguntou com um pequeno sorriso e ele apenas assentiu com a cabeça – Vi o jeito que você olhava de relance para ela enquanto dançava comigo.
– Se meu pai descobrir que gosto dela, ele... – Perseu suspirou sem conseguir terminar a frase – Por favor, não conte a ninguém.
– Não se preocupe de minha boca não sairá nada. – garantiu e pôs uma das mãos no ombro do príncipe como uma forma de consolo – Será que poderíamos ser amigos?
– Claro. – ele sorriu sincero para ela que retribuiu – Pode ser bom ter uma amiga.
Então ela o abraçou forte. Por cima dos ombros de Raquel os olhos de Percy pararam em um par de olhos cinza que encarava a cena nos fundos do jardim. Eles pareciam ter perdido uma parte do brilho que geralmente tinham.
Perseu se separou de Raquel que logo percebeu o que havia acontecido. Annabeth apenas saiu rapidamente passando pela área dos estábulos. O príncipe olhou para Raquel como que pedindo desculpas e ela assentiu acenando para que ele fosse atrás de Annabeth.
Ele logo alcançou a moça que agora apenas caminhava lentamente perto dos estábulos e segurou seu braço levemente a fazendo pular de susto. Annabeth olhou para ele um pouco incerta e soltou seu braço dele que sinalizou para que eles entrassem nos estábulos para conversarem. Um pouco hesitante ela entrou atrás dele que se sentou em um monte de fenos nos fundos.
– O que você quer? – ela perguntou quando já estavam devidamente acomodados – Deveria voltar para acompanhar a filha do conde.
– Estávamos apenas conversando. – ele explicou – Não está com ciúmes está?
– Por que eu teria ciúmes? – rebateu um pouco na defensiva e ele deu de ombros com um sorriso.
– Meu pai fez esse jantar, porque quer que eu escolha uma noiva o mais rápido possível. – Perseu disse olhando para o chão – Acho que ele quer me empurrar uma noiva.
– E você vai se casar com a Raquel? – Annabeth olhava para ele que parecia com a mente um pouco longe.
– O que? Não. – ele parecia realmente surpreso – Ela é só minha amiga.
– Então boa sorte na difícil tarefa de encontrar uma futura rainha.
– Ultimamente só tem uma garota que me interessa. – Perseu olhou intensamente para Annabeth que olhava para seus olhos verdes que pareciam estar com um brilho diferente.
– Poderia dizer quem? – murmurou baixinho.
– Para que dizer se eu posso mostrar? – sussurrou.
Perseu foi se aproximando de Annabeth e segurou seu queixo com uma das mãos delicadamente antes de seus lábios roçarem um no outro. O beijo começou leve e simples, até um pouco hesitante. Aos poucos o beijo foi ficando mais apaixonado e os dois tinham a sensação de que nada poderia estragar aquele momento. O príncipe colocou as mãos na cintura da moça a trazendo para mais perto e ela entrelaçou suas mãos no cabelo do rapaz fazendo com que ficassem bagunçados.
Assim que o ar fez falta eles se separaram colando suas testas antes de abrirem os olhos e sorrirem.
– Isso foi... – ela começou e antes que completasse a frase ele o fez.
– Perfeito.
Então a realidade os acertou em cheio e Annabeth se afastou um pouco virando o rosto para o chão. Perseu não pode deixar de ficar um pouco decepcionado.
– O que foi? – ele perguntou um pouco incerto – Eu fiz alguma coisa errada?
– Não, você não fez nada de errado. – Annabeth explicou – É só que... – suspirou – Isso é errado.
– Por quê?
– Você sabe exatamente. Isso nunca daria certo entre nós. – ela disse – Você tem que escolher uma noiva em breve.
– E se eu... – o príncipe disse – Escolhesse você?
Ela o olhou boquiaberta.
– Isso é loucura e seu pai nunca te deixaria fazer isso. – ela disse – Eu tenho que ir.
Se levantou para sair, mas Perseu segurou seu braço a impedindo de ir embora e a puxou para perto.
– Poderíamos tentar. – pediu – Só não me faz se separar de você.
– Vamos poupar mais sofrimento para nós dois. – Annabeth falou já com os olhos marejados tentando segurar as lagrimas.
Hesitante ele a soltou e ela começou a se afastar até sair dos estábulos sem olhar para trás. O príncipe olhava desolado para o lugar onde ela estivera e tentava aplacar inutilmente a dor que se instalava em seu peito.
Sentia o mesmo vazio quando pensava em sua mãe, mas dessa vez ele sabia que nada poderia fazer com que os dois ficassem juntos e isso era uma das poucas coisas que o fazia querer chorar.
I'm not a princess
This ain't a fairytale
I'm not the one you'll sweep off her feet
Lead her up the stairwell
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