Herdeiros de Illea
2 Para quem?
Notas iniciais
POV's Juliette Schreave
Desde que me entendo por gente adorava ver meu pai fotografar em seu tempo livre. Foi vendo-o captar os momentos que vivia, que aprendi a beleza em observar e fotografar. No meu aniversário de 11 anos, ganhei minha primeira câmera. Lembro daquele dia como se tivesse passado a apenas alguns segundos.
Minha mãe havia me dado um piano, na tentativa me fazer gostar dos mesmos passatempos que ela gostava na minha idade. Mas, a música era mais a cara do meu irmão. Sempre gostei da ideia de poder guardar um momento, não apenas na memória.
E, cá estou eu, no riacho atrás do palácio, fotografando alguns pássaros que param nas rochas ao lado, quando ouço passos. Me apresso em esconder-me, pois os guardas do palácio receberam ordens expressas pra não deixarem eu ou Gregory virmos aqui. Sei que se pegarem-me aqui, estarei encrencada. Mas, logo vejo um ruivo confuso, olhando de um lado para o outro, procurando-me.
– Juli, cadê você? – Ele sussurrava – Idiota, o palácio desabando e você tirando fotos.
Saí detrás da rocha onde estava escondida, emburrada.
– O que você quer, Gregory?
Ele bufou. Éramos bastante parecidos, mas não como gêmeos. Tinhamos a mesma cor de cabelo, herdado de nossa mãe. Fios ruivos. Nossos olhos são iguais aos do nosso pai. Olhos castanhos como chocolate. Mas as semelhanças acabam ai. O meu nariz, como minha mãe sempre fala, foi herdado do meu avô materno, que não cheguei a conhecer. O nariz de Greg, de acordo com papai, veio da nossa avó paterna, a antiga Rainha. As sobrancelhas dele eram mais retas e finas, como as do Rei Clarkson (Que eu não gostava de reconhecer como avô, por causa das coisas que as pessoas me contavam sobre ele), as minhas pareciam mais com as do meu pai.
– Você precisa entrar. Agora. Vamos.
Peguei a câmera e deixei ele me rebocar para dentro do palácio. Ao entrarmos, ele me empurrou para dentro da sala de música e sentou em uma da poltronas no canto. Sentei no pequeno banquinho do piano. Antes de falar, ele fechou as cortinas.
– Marlee e Aspen estão ai.
– É isso? – Falei, irritada – Toda essa confusão para dizer que nossos padrinhos estão no palácio? Gregory, Marlee é assistente da mamãe. É o trabalho dela estar sempre aqui. E Aspen é o melhor amigo de mamãe e ajudante de papai.
– Estavam conversando com pai e mãe sobre nós.
Ajeitei-me no banquinho.
– Sobre o que?
Ele sorriu, irônico. Ele sabia que eu sabia sobre o que era. Não fazia nem 2 semanas que tínhamos feito 18 anos, mas nós sabíamos que ia acontecer.
– Está muito cedo. – Falei, mais pra me convencer do que convencer ele – Além disso, mamãe não irá permitir.
– Eu estava ouvindo a conversa escondido. Realmente, mamãe não estava satisfeita com a ideia. Mas papai, Marlee e Aspen estavam convencendo ela. Eu teria ouvido o final, se Carter não tivesse me pegado no flagra, eu teria ouvido o final.
O minuto que se seguiu foi em total silêncio. Pensavamos no que iria acontecer. Quem de nós seria o próximo a ter que escolher seu amante? Quem de nós teria 35 pessoas brigando por seu amor?
– Vai ser você. – Falei – Que eu saiba, é o herdeiro homem que governa.
– Não. – Ele respondeu, de imediato – É o mais velho. No caso, você.
Suspirei. Não tinha como sabermos. Teríamos que esperar eles virem falar. Saímos os dois e fomos aos nossos quartos. Do meu quarto, podia ouvir um doce toque de violino. Quando Gregory ficava nervoso ou irritado com algo, tocava. Resolvi que não iria ficar parada. Iria procurar a única pessoa que talvez me contasse algo.
***
– Deixa eu ver se eu entendi. – Ela respondeu, confusa – Você não tem coragem de ir perguntar a seus pais, e está me pedindo para dizer se a Seleção será para você ou para Gregory?
Assenti com a cabeça, já arrependida.
– Ora, Juliette, seria mais fácil esperar para ver o que eles dizem, não?
Tia May era, de longe, minha tia preferida. A filha mais nova da casa da minha mãe. Seus cabelos, ondulados e ruivos como os meus, estavam esparramados sobre o sofá do Salão das Mulheres. Eu tinha certeza que se ela soubesse de algo, iria contar-me.
– Tia, o problema é que não sei quando vão falar. E estou ficando...
Neste momento, minha mãe entra no salão, com um de seus vestido azuis.
– Juliette,procurei você por todo o palácio. – Falou, com sua cara de repreensão típica, depois percebeu que Tia May estava ao meu lado. – Oh, oi, May. Não sabia que estava aqui? Vai participar conosco?
Eu e May nos entreolhamos.
– Participar de que, Meri? – Ela perguntou.
– Do Jornal Oficial, óbvio. Gavril está nos esperando.
Claro, sua tonta. Como pude esquecer que hoje era Sexta e teríamos o Jornal Oficia
– Ah, não. Preciso ir para casa. – May falou, levantando-se. – Gerad está precisando de ajuda, já que você mandou a mamãe para o outro lado do mundo.
Mamãe riu.
– Ela precisava de um descanso. E é apenas uma viajem de poucos dias. Logo, logo ela estará aqui.
– Claro que sim. Enfim, estou indo. Boa noite para vocês. Deem um beijo no meu cunhado e no meu sobrinho por mim.
Antes de sair, ela piscou para mim.
– Seu irmão já está pronto a horas, e você ainda está nestas roupas? – Mamãe falou, assim que May saiu. – Vamos, pedi para Mary preparar um vestido especial para você. Hoje será um dia especial.
Será que vão contar hoje?
Me apressei em vestir-me e fui direto para a gravação. Sentei no meu lugar de costume, ao lado direito da minha mãe. Ao lado dela, estava papai, o rei. E, por último, Gregory, vestindo um traje azul, no lugar do habitual preto que costumava usar sempre durante as gravações. Ele olhava para mim, confuso. Eu sabia tanto quanto ele.
– Boa noite, Illea. – Gavril falava, dando inicio ao Jornal.
Meu pai havia me falado, que, quando ele tinha minha idade, quem comandava o jornal era outro Gavril, pai do que apresentava hoje. O Gavril-Pai morreu quando eu tinha, mais ou menos, 3 anos. Ele tinha um filho escondido, que foi acolhido pelo palácio. Hoje, Gavril Fadaye Junior tem 27 anos.
Observei, enquanto ele dava algumas noticias, como de costume, e depois passou a palavra ao meu pai.
– Boa noite, todos que estão nos assistindo. Eu e America esperamos a algum tempo poder dar esta notícia. Desde que tivemos Juliette e Gregory estávamos ansiosos por esse dia. E, finalmente chegou. – Ele deu uma pausa, olhou para minha mãe, sorriu daquela sua forma encantadora, e continuou – Junto de minha esposa, e de meus filhos, anuncio uma nova Seleção.
Um momento de silêncio ocorreu no estúdio, e então várias pessoas fizeram um coro de “Oh” e “Uau”. Olhei para Gregory, e ele estava apavorado. Então, as câmeras focaram em nós dois, e tentamos estabilizar nossa expressão, o que era quase impossível.
– Ora, Majestade, isto é uma noticia incrível. Realmente explêndida. – Gavril falava, e eu só ouvia o eco de sua voz passeando pela minha mente. Sentia que ia desmaiar. – Mas, para qual dos dois?
Forcei-me a ouvir o nome de Gregory. Porque, seria ele, óbvio, o próximo rei. Foi minha mãe que respondeu, sorrindo abertamente para mim e para Greg, antes de virar-se para Gavril.
– Para os dois.
A ultima coisa que vi, foi a câmera focando em mim, e os braços de minha mãe tentando me segurar.
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