Notas iniciais
Eu queria poder ter uma desculpa boa desta vez, mas não tenho. Desculpem-me. Enfim, eu disse nas notas finais do capitulo anterior pra vocês me ajudarem dizendo que havia algo errado que eu pudesse mudar na história. Uma pessoa disse que o nome "Lucy II" parecia estranho. Então mudei o nome da filha de Aspen e Lucy, de Lucy II para Stacy. Espero que não se confundam... Boa leitura.

POV's Gregory Schreave

Meu pai havia acabado de sair do quarto quando eu me permiti alguns minutos de sossego. Eu me sentia sobrecarregado e cansado, embora a semana anterior tivesse sido pior.

Todos os dias, de manhã, logo depois do café, meu pai me entregava relatórios de melhorias e pioras em relação a exclusão das castas. Eu deveria entregar os relatórios logo depois do almoço. Enquanto isso, mamãe trabalhava com Juliette a cerca da Seleção. Logo depois do almoço eu recebia aulas com Esme (nossa estilista e professora de Etiqueta) sobre as garotas e como eu deveria agir diante delas. Era patético. Enquanto isso, minha irmã fazia seus próprios relatórios. Depois do jantar, tínhamos alguns minutos livres antes das últimas atividades para nós dois. Juliette tinha seu encontro com Esme, e eu com papai. Meu pai fazia comigo o que mamãe fazia com Juli de manhã, me contava como fora sua própria seleção e todas as possibilidades do que poderia acontecer na minha.

Era pra ser apenas uma conversa, mas era mais como um aviso. "Esteja preparado!". Não via razão pra eles tratarem aquilo como se fosse uma guerra. Era apenas entretenimento para Illea.

Ao mesmo tempo que me sentia cansado disso tudo, sentia-me ansioso por tudo isso. Sabia que em breve, tudo valeria a pena. Mas precisamente no dia seguinte.

No dia seguinte tudo começaria. Todas aulas e todos os conselhos mostrariam sua servidão. No dia seguinte trinta e cinco opções estariam passeando pelo palácio com vestidos esvoaçantes e sorrisos encantadores. No dia seguinte eu veria, pela primeira vez, minha esposa. Seja lá quem fosse. Eram apenas 20h quando caí no sono.

Sonhei com Rachel, em um vestido branco, andando até mim. Meus pais estavam ao meu lado esquerdo, e Cory ao meu lado direito. Ao lado de Rachel, estava Juliette, em um vestido que, eu tinha certeza, ela só usaria em um sonho. As duas caminhavam confiantes, e no momento em que percebi o que estava acontecendo, acordei assustado.

Sentei-me na cama, arfando. As vezes temos que fazer uma coisa que não queremos para nos afastar de outra que não queremos de maneira alguma. Foi o que aconteceu quando escolhi Rachel para entrar na minha seleção. Tudo o que eu não queria era ter que colocar Stacy, irmã do Cory, na minha seleção. Éramos melhores amigos, e eu não queria que aquilo mudasse. Mas a minha outra opção, fora Stacy, seria Rachel, já que não iria escolher uma estranha. Acabei optando por ela. Não era como se eu fosse escolher ela. Isso estava longe de acontecer.

Olhei o relógio laranja ao lado da minha cama. 2h05. Decidi levantar-me e tomar um ar puro. Desci as escadas e fui ao sofá do grande salão. Sentei-me e apenas fiquei lá por alguns minutos, relaxando. Até que ouvi vozes.

– Ruth, preste atenção, não vou deixar você jogar tudo que tivemos fora assim, de repente.

Fui ao encontro das vozes e vi duas sombras se aproximando, e me escondi atrás de um dos enormes vasos dos corredores. Infelizmente, as duas pessoas pararam bem em frente de onde eu estava. Reconheci uma delas. Um dos criados do meu pai, o mais novo. Se não estivesse enganado, seu nome era William. Na sua frente estava uma garota. Como eu estava um pouco distante a única coisa que eu pude ver foi que ela mancava enquanto andava, e era relativamente baixa. Sua cabeça raspava os ombros de William. Não a conhecia. Poderia ser uma das novas criadas.

– Will, preste atenção. Isso não pode continuar aqui. Não vamos correr este risco. Não vou deixar você se meter em encrencas por minha culpa.

Ela parecia atordoada, mas não chegava aos pés do desespero dele.

– Ruthelly, não vou perder você. Não quero.

Ela ficou na ponta dos pés e o beijou. Uma pequena parte de mim, a parte que não tentava entender o que estava acontecendo, sentiu ciúme. Eu queria ter alguem que me amasse, como aquela garota parecia amar William. Mas eu nunca ouvi William dizer que tinha alguem. Para mim, ele sempre fora sozinho.

– Escute, — ela falou — não vou ser eu. E, quando eu sair, nós nos encontraremos.

Com isso, ela tocou os lábios do garoto, sussurrou um "boa noite" e saiu dali, mancando. William olhou o corredor, procurando algo, e então foi embora, pelo lado oposto ao da Ruthelly.

Decidi que havia visto coisas demais por uma noite, e voltei para o quarto. Mas, assim que me deitei, lembrei do sonho, e não consegui dormir. Estava assim, desperto, quando meu pai entrou no quarto, às 6h30 da manhã, gritando (o que não é muito do feitio dele. Devia estar bastante eufórico):

– Bom dia, Greg. Que ótimo dia para conhecer sua futura esposa, não acha?

Depois disso, tudo passou num piscar de olhos. Via ligeiramente alguns criados deixando roupas perto de mim, as quais eu vesti, ou deixando comida, as quais eu, mecanicamente, comi, mas não processava direito o que via. Estava com sono, exausto.

Apenas quando Juliette entrou correndo no meu quarto, e me surpreendeu com um abraço apertado, que eu me dei conta do que estava prestes a acontecer.

– É agora, é agora, é agora! — ela gritava.

Iríamos a um café-da-manhã com nossos candidatos. Iriamos conhecer todos. Esme havia me falado ontem como iria acontecer. Mas eu não estava realmente preparado.

Ao deixar o quarto, e ser separado de Juliette, encontrei mamãe, que me abraçou e me lançou um "boa sorte" rápido, enquanto arrumava minha gravata. Depois me deu mais um abraço e eu fui encaminhado por Esme para o grande salão. O café-da-manhã de Juliette e seus candidatos seria no jardim, e eu escolhi o grande salão.

Trinta e cinco mesas haviam sido dispostas pelo salão, e em cada uma delas havia uma garota. Nas mesas haviam cestas com pães, bolos e sucos. Eu deveria passar 5 minutos com cada garota. Observei Rachel sentada na mesa de numero 18, ela sorria irônica e parecia relaxada, enquanto as outras garotas pareciam prestes a desmaiar. Bem, eu também estava. Digo, prestes a desmaiar.

Decidi seguir a ordem e fui a primeira mesa. A garota era loira, e seus olhos castanhos me cercavam. Assim que sentei, ela sorriu, e pegou uma fatia de bolo.

– Bom dia. — falei, tentando parecer casual. Me servi de suco e então olhei-a de novo.

– Bom dia. Sou Amelia Sparks.

– Ah, Amelia. É um prazer conhecê-la. Casta 4, não é?

Ela piscou, aturdida.

– Há trinta e cinco garotas e você lembra a casta e o nome de cada uma?

– Tive bastante tempo para decorar.

Conversamos e enquanto o nervosismo passava, o tempo passava junto. Quando dei por mim, Esme estava acenando, deixando claro que meu tempo com Amélia havia acabado. Despedi-me rapidamente.

As outras garotas foram bastante simpáticas e divertidas. Até chegar no número 18.

Rachel era só sorrisos e ironias. Desde quando sentei-me até o minuto em que me levantei a única vontade que tinha era de desfazer tudo e mandá-la pra casa.

– Bom dia, Senhorita.

– Ora, se não é o grande e excelentíssimo Príncipe Gregory Schreave.

E assim a conversa fluiu. Ela não parecia feliz em estar ali. Acabei levantando-me antes do tempo acabar e continuando com as outras.

Na vigésima-primeira garota, percebi que todas elas agiam da mesma forma. Com sorrisos derretidos e suspiros contidos. Com delicadeza forçada. Parecia que tinham ensaiado suas falas na frente do espelho.

Na trigésima-segunda, porém, eu tive uma surpresa.

– Bom dia.

– Pra você também.

A essa altura, já estava cheio, então só a observei comer.

– E então, qual seu nome?

– Cristine. E o seu?

Rimos.

– Casta 3?

– 5. Antes eu era 7, mas seu pai nos ajudou.

– Sério? Você não aparenta ter sido 7.

– Porque não estou imunda e com roupas rasgadas, e comendo feito uma porca?

Ela parecia estar irritada.

– Não, não foi o que quis dizer — apressei-me em corrigir — Desculpe se a ofendi, não foi a intenção.

– Claro que não. — ela bufou — Não se preocupe, estou acostumada.

– Não deveria estar.

– Mas estou. E então, o que achou das outras?

Quase engasguei.

– Você deveria estar me perguntando o que achei de você, não?

– Na verdade, eu não deveria nada. Se eu quisesse ficar calada, poderia.

– Certamente.

Aquela garota era estranha e grossa, mas certamente era instigante, também.

– E então, qual sua idade?

– Tenho 17.

A conversa correu bem, e, de longe, ela era a mais interessante de lá. Claro que eu ainda precisava de tempo para conhecer as outras. Mas se o casamento fosse nesse exato momento, Cristine estaria de branco. Tudo bem, estou exagerando.

Esme acenou, e eu levantei-me.

– Obrigada, garotas. Adorei conhecer todas vocês. Espero que não se ofendam pelo pouco tempo que tivemos juntos. Mas, tenho deveres a fazer ainda esta manha. Por enquanto, estão dispensadas. Minha mãe e Juliette as esperam no Salão das Mulheres, onde vocês passaram bastante tempo nas próximas semanas. Esme as mostrará o caminho.

Com isso, vi todas elas se levantarem, e reparei que Cristine era razoavelmente baixa. O que era bom, odiava garotas mais altas que eu. Observei-a andar até Esme, e enquanto ela andava notei algo que não havia notado antes. Ela estava mancando.

Uma pessoa há 500 metros de mim poderia perceber as engrenagens do meu cérebro trabalhando a todo vapor para lembrar o sobrenome de Cristine. Eu sabia que lembrava de ver alguem da casta 5. E tentei lembrar a todo custo. Quando me dei conta, seu nome estava ocupando toda a minha mente.

Cristine Ruthelly.

Notas finais
Espero que toda a demora tenha valido algo. Espero que tenham gostado. Enfim, se a algo que estão gostando, ou algo que não estejam gostando tanto, por favor, deixem reviews para eu saber como estou indo. Obrigada, e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.