Em um país da América do Sul existia uma cidade, na parte sul ficam as fábricas, empresas de grande porte, comércios, supermercados, hotéis e todas as demais áreas de serviço e indústria. E na parte norte, é a parte “residencial” da cidade, é onde grande parte da população morava, casas com jardins lindos, outras nem tanto, de tamanhos variados conforme o seu dono. Médicos, advogados, grandes empresários e assalariados dividiam aquela região. As ruas eram sempre limpas e bem iluminadas, para muitos um exemplo de cidade. Mas também existia a região abandonado pelo estado, onde o esgoto emergia a céu aberto, a luz que iluminava a rua vinha das casas ou dos celulares daqueles que estavam andando na penumbra tentando não cair nas suas ruas esburacadas sem asfalto. Mesmo assim, todos viviam e sobreviviam com seus problemas diários.

A parte norte da cidade é cheia de praças, onde os moradores gostam de ficar conversando depois de um longo dia de trabalho, onde jovens gostavam de ficar e namorar ao redor das varias fontes de água ou simplesmente conversar. As praças sempre seguiam o mesmo padrão, majestosas, sempre bem iluminadas com lâmpadas brancas, com o objetivo de dar um ar mais aconchegante, o piso era feito com ladrilhos circulares. Tinham sempre quatro saídas, uma em cada extremidade, e em seu contorno aviam bancos brancos e canteiros com flores típicas da estação. Graças ao grande espaço, são muito bem ventiladas, o que as tornam ainda mais agradáveis em dias quentes. Suas saídas seguem uma linha reta ate os limites da cidade ou até encontrarem outra praça. Essa ideia de ruas tão longas foi do prefeito que fundou a cidade em mil setecentos e doze, para as ruas das praças ajudassem na locomoção, afinal achar uma rua de referencia ajudava muito em uma época que não tinha GPS.

Na parte pobre da região, as crianças brincavam de futebol, bolas de gude, andavam de bicicleta, tudo isso, em meio aos carros e motocicletas. As casas seguiam o estilo de seus moradores, umas com cores alegres, outras com cores mais neutras e até umas coloridas apenas pelo reboco ou só pelos tijolos. O formato geralmente não mudava muito, o mais visto eram o de casas com uma porta e uma janela na fachada, contudo aviam as variações, casas com janelas apenas nos lados, com duas janelas, com alpendres, esses poderiam rodear a casa inteira ou não.

Uma dessas casas “diferentes” morava a família Gomes, uma família bem conceituada no bairro, o Sr. Tiago Gomes era professor da universidade local, ele lecionava cadeiras de raciocínio lógico para estudantes de graduações de matemática, física, química e computação. Sua esposa a Sra. Fabiana Gomes era formada em engenharia química, mas nunca exerceu a profissão, preferiu dedicar-se a casa e ao marido. O senhor Gomes é um homem alto, cerca de um metro e oitenta, era forte graças às horas semanais na academia da faculdade e as corridas diárias que fazia acompanhado de seus vizinhos ao redor das praças da cidade. Seus cabelos pretos com alguns fios grisalhos que começavam a surgir, devido seus quarenta e dois anos, contrastavam muito bem com sua pele branca, seus olhos castanhos escuros e suas feições maduras de um homem responsável e serio.

A Sra. Gomes era alguns anos mais jovens que seu marido, tinha cabelos castanhos compridos, lisos, que caiam suavemente sobre seus ombros, seus olhos verdes e sua face de uma mulher forte, e ao mesmo tempo frágil e adorável, a tornavam uma mulher com uma aparecia invejável.

Tiago e Fabiana tinham um filho chamado Igor, ele tinha quinze anos, era magro, cabelos lisos como os da mãe e olhos castanhos iguais ao do pai. Igor era um garoto esperto, sempre brincou com o pai de argumentação logica, sempre perdia é claro. Gostava de vídeos games e era apaixonado por animes, passava horas e horas assistindo animes dos mais diversos temas, também gostava muito de ler livros de aventura e mistério, esse ultimo gosto herdou do seu pai que sempre o instigou a resolver problemas apenas com uma pequena parcela de informações. No mais Igor era um garoto igual aos demais.

Igor estudava em uma extensão da escola Olímpia, fazia o ultimo ano do fundamental, a escola utilizava o campus da universidade local onde seu pai trabalhava. Seu pai que todos os dias saia muito cedo, preparava os laboratórios para que os alunos pudessem sempre ter maquinas capazes de ajudar na resolução das atividades. Igor como toda criança de 15 anos adorava poder dormi até tarde, então preferia sempre ir de ônibus.

Em uma segunda-feira levantou-se às seis horas da manhã como era de costume nos dias de aula, tomará banho e iria se sentar a mesa com a sua mãe para tomar café da manhã.

Mas naquele dia foi especial, pois ao entrar na cozinha se deparou com a imagem do pai, com um copo de café na mão vendo-o entrar com cara de sono. Nesse instante uma sensação de alegria e curiosidade tomou conta de sua mente, mas como as brincadeiras com seu pai tinham lhe ensinado não permitiu que essa sensação explodisse totalmente. Contudo logo resolveu matar sua curiosidade:

- Pai? Por que o senhor ainda não foi trabalhar?

- Eu não tenho aula para dar hoje filhão! Portanto, o pai vai lhe deixar na escola, o que acha?

Com um largo sorriso, Igor o abraçou e ficou muito animado com a ideia de poder ir com o pai para a escola. Igor ficou hiperativo durante o café, quase não comeu, queria logo sair e poder ser visto pelos colegas chegando e descendo do carro de seu pai. No meio do percurso para a faculdade eles passaram pelo ponto onde ônibus onde Igor e seus colegas subiam no transporte escolar todas as manhãs. Por ser diariamente frequentado por estudantes tinha suas paredes riscadas, a cesta de lixo sempre estava cheia de embalagens de salgadinhos de milho, biscoitos e outras guloseimas.

Igor pediu ao seu pai que parece o carro para que Lucas, seu melhor amigo, pudesse ir com eles, o pai prontamente parrou o carro e esperou seu filho convidar seu amigo para entrar e fazer companhia a ele no banco de trás. Deu uma olhada para os dois garotos e disse:

- Coloquem os cintos tudo bem?

Os dois prontamente se ajeitaram e enquanto o pai dirigia o carro rumo à escola os garotos brincaram e riam bastante. Passando pela guarita, onde seu pai cumprimentou o vigia com a buzina, o carro continuou seguindo em linha reta passando por dois blocos de aulas. Chegando ao seu destino final, próximo a uma esquina, Igor e Lucas desceram do carro agradecendo pela carona.

O prédio onde os dois estudavam era um prédio branco, com colunas pintadas de azul, tinha 10 salas ao todo, uma para cada ano do fundamental, uma para a diretoria e outra para a biblioteca, ficava a uns 20 metros virando a esquina que se encontrava a uns 5 metros de onde os dois desembarcaram. Os garotos se sentaram em um banco de cimento ali perto enquanto viam o carro do senhor Tiago fazer o contorno e voltar para casa. Os dois amigos ficam ali parados conversando, Lucas comentava o quanto o pai do seu amigo era legal, Igor por sua vez falava sobre o ultimo capitulo do mangá que estava acompanhando, Lucas mesmo não se interessando por esse tipo de coisa, escutava o amigo.

- Cara foi o máximo! Apareceu um Dragão enorme e o herói quase morto teve que lugar contra o bicho... Foi muito show! Tô louco pra sair o próximo capítulo.

Esse monólogo sobre a luta entre homem e dragão durou uns 10 minutos, depois outras coisas tomaram espaço na conversa: desenhos animados, atividade da professora de historia. Até que Lucas olha para o relógio:

- Ihhh cara já são sete e vinte, tá na hora da gente ir pra sala.

Os dois meninos se levantaram e foram rumo a esquina, uma forte rajada de vento quase os jogou para frente, por sorte a rua é um pouco inclinada e ajudo no equilíbrio. Os dois nem tiveram tempo para se perguntarem de onde tinha vindo tanto vento, então gritos começaram a ser ouvidos por todos os lados, segundos depois um som soou por todos os lados. Lucas que inutilmente tentava abafar o barulho cobrindo as orelhas com as mãos gritou para o amigo:

- Que troce é esse? Vai explodir minha cabeça!

Mas Igor não o escutou, estava tão atordoado quanto o amigo.

O barulho foi sumindo aos poucos, os dois ainda se recuperando do barulho ensurdecedor se entreolharam, em seus rostos a aflição e o medo de descobrirem o que teria causado tal estrondo. E como se os dois pudessem ler a mente um do outro, ambos correram virando a esquina em busca da proteção da escola logo a frente. Mas antes mesmo de pudessem perceber o que estava acontecendo, outro estrondo rompeu o ar, os dois garotos ainda atordoados com o primeiro estrondo desabaram no chão. O barulho parecia uma mistura do som de placas gigantescas de metal em fricção com gritos roucos de animas que eles não conseguiam distinguir.

Quando o novo estrondo se dissolveu, novos gritos de medo e desespero começaram a surgir, Igor que se encontrava caídos logo na esquina, ficou paralisado com o que viu. Tudo a sua volta parecia ter se tornado fumaça, para ele a única coisa que importava no momento não era o medo, o desespero ou o perigo que corria permanecendo ali, a única coisa que ele conseguia ver e sentir era aquela figura gigantesca a sua frente, com escamas negras, que faia luz sumir ao seu redor, a membrana que formava sua asa tinha cicatrizes que certamente poderiam ser vistas do outro lado. Sua cauda que levantada formava um “S”, apresentava em cada lado algo que Igor pensou ser barbatanas, formando algo parecido com um machado de duas laminas na ponta.

Seu pescoço longo sustentava uma cabeça na qual parecia ter o formato de um elmo, seus dentes, Igor reparou imediatamente, eram alvos. — “Mas como poderia algo assim ter dentes tão brancos?”- Ele não entendia como aquilo poderia estar ali, pairando sobre o prédio que ele acabará de correr em busca de proteção, aquilo era real? Um monstro estaria realmente ali?

- Um... Um...

Não adiantava, ele não conseguia falar, se perguntou se mais alguém ali estaria sentido aquilo? Seu coração estava preste a pular do seu peito, suas pernas e braços ficaram dormentes de repente, sua cabeça fervilhava, mas nada se comparou ao que estava por vir, algo dentro dele começou a percorrer o seu corpo no momento em que “Aquilo”, Igor não conseguia falar o que realmente estava vendo, parecia um sonho, tinha que ser um sonho, olhou diretamente para ele. Ele sabia, sabia que aquilo estava olhando para ele, não por já ter presenciado aquilo, sabia simplesmente por que algo dentro dele o fazia acreditar nisso.

Igor sentiu sua respiração parar por um segundo e uma onda de calor encheu o seu corpo, mas não era uma sensação boa, era perigosa, ficar ali era perigoso, ele sentia, então a respiração ficou funda, mas não a sua respiração. Sentiu que algo quente estava vindo, então percebeu que quem o observava abriu a boca e dela saiu um jorro de chamas em sua direção e um segundo depois tudo se apagou.

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Igor acordou suado naquela noite, parecia que alguém o tinha enforcado enquanto dormia. Ele se sentou na cama, o que teria acontecido? Aquilo foi real? — “Não!” - Disse a si mesmo, se tivesse sido ele seria um pedaço carvão agora, deveria ter sido um pesado, afinal “Aquilo”, Igor ainda não conseguia chamar aquilo pelo nome, não existe. Ele culpou o mánga que andava lendo por ter trazido “Aquilo” para seus sonhos.

Eram quatro horas da manhã, mas decidiu ficar acordado até o amanhecer. Quando desceu para tomar café, o Sr. Gomes não estava na mesa, apenas sua mãe, preparando seu café. Decidiu não contar a ninguém sobre o que sonhou, não queria que fosse proibido de ler suas revistas só por que teve um sonho ruim. O seu dia correu tudo bem, recebeu o resultado da prova de historia, se tinha algo que poderia acabar com seu currículo era historia, um sete e meio, não era sua melhor nota no período, mas era suficiente para ser aprovado pela professora. Ao sair da sala encontrou com Helena no corredor, ela tinha dois anos amais que ele, estava no meio do ensino médio, mas já se destacava em competições mundiais de arco e flecha, ela tinha um irmão de sete anos um gênio superdotado de habilidades intelectuais. Ela cumprimentou Igor com um abraço apertado, os dois eram grandes amigos antes que ela sai-se para cursar o ensino médio, mas continuavam mantendo o contato.

- Olá Helena! Veio pegar seu irmão?

- Oi Igor! Sim, estou esperando ele sair da sala, pelo visto tem prova hoje... – Os dois começaram a andar pelo corredor.

- Mas ele é um gênio não é? Por que ele demora tanto?

- Parece que é um teste de aptidão para uma escola de gente superinteligente ou algo assim, nossa mãe consegui um contato com um amigo de uma amiga e pediu que a instituição avaliasse a aceitação dele. Enfim, como você esta? Parece um pouco pálido?

Foi a primeira vez depois do café que Igor se lembrou do sonho.

- Não é nada, provas sabe como é né? Deixa a gente nervoso.

Quando Igor tentou olhar para os olhos da amiga ele percebeu algo diferente, estavam vermelhos como se ela não tivesse dormido.

- O que foi que aconteceu com seus olhos?

- Ahh, não é nada, foi só um cisco. – Disse ele virando o rosto depressa.

Isso não foi causado por um cisco, parece que ela não dormiu. Pensou Igor. A amiga sempre dormiu feito uma pedra e quando ela começou a competir, dormir para ela é algo fundamental, pois, seu treinar dizia que atletas deveriam dormir bem.

- Onda esta o Lucas? Não veio para a aula?

- Pelo visto não.

“Igor seu tolo, onde esta o Lucas? Será que não sobreviveu ao fog...”

- Foi só um sonho! – Exclamou Igor.

- Hã? Sonho que sonho? – Seu tom de voz parecia ter mudado, parecia que algo ruim.

- Não, não é nada. Olha lá o Marcos, Helena.

Marcos sairá do prédio com um sorriso no rosto, tinha os cabelos loiros que caiam sobre a testa, seus óculos balançavam devido aos seus pulos de excitação.

- Helena! Helena eu passei! Eu passei! – O menino correu pros braços da irmã.

- Parabéns meu bruxinho! – colocando-o no colo e beijando o seu rosto.

Igor permanecia ao lado dos dois, rindo da cena.

Quem não conhece Helena acha que ela não se importa com o irmão devido a forma que ela fala dele, mas estão enganados, para ela, o irmão é a coisa mais importante do mundo, ela só não sabe expressar da forma “correta” – pensou o amigo.

“Bruxinho” era a forma carinhosa que Helena tinha de chamar o irmão, na verdade, pensou Igor, para ela qualquer pessoa que consiga fazer um vulcão de bicarbonato é um bruxo.

- Bom Igor, até mais!

- Até mais Igor! – Falou Marcos.

- Tchau pra vocês dois.

Helena foi embora com o irmão me deixando mergulhado nos pensamentos.

“Lucas, onde você tá?”

Peguei o celular da bolsa, comecei a digitar os primeiros dígitos do número dele até que seu nome apareceu na tela e cliquei no botão verde para ligar.

“O número se encontrar ocupado, por favor, deixe sua mensagem depois do bipe.”

Droga de linha, pensei.

Liguei para minha mãe e disse a ela que iria para a casa do Lucas e que talvez não fosse almoçar em casa.

- Droga Lucas cadê você cara?

Peguei um ônibus, meia hora até chegar na casa dele. Comecei a pensar no sonho, como parecia real, era tudo tão..., as vozes, as sensações, mas como um dragão poderia pairar sobre o meu bloco de aulas? É loucura.

Igor estremeceu de repente, agora que se deu conta, acabou de falou o que “Aquilo” realmente era. Eu vi, eu senti aquilo, tinha que ser real não é? Será que Lucas também teve aquele sonho? Lucas! É isso, se ele teve o sonho e não foi a aula por estar muito assustado? Não seria rídico da parte dele, levando em consideração que a 3 anos um garoto da oitava serie o fez gritar feito um bebê só por que o ameaçou corta-lo em pedaços com uma espada de plástico colorida. Pensou Igor com o rosto se enchendo de vida.

Quando toquei a campainha, Julia a mãe de Lucas atendeu a porta e logo abriu um sorriso.

- Igor que bom tiver! Veio ver o Lucas? Entre.

Eu assenti com a cabeça, parece que nada estava errado, ele me parece muito bem para uma mãe que teve seu filho queimado pelas chamas de um dragão. Estremeço de novo. ““Dragão” essa palavra vai me matar se continuar assim.”

A casa é relativamente pequena, assim que você entra a sala se encontra no a frente, do lado esquerdo duas portas, cada uma da acesso a um quarto, um para o Lucas e um para os seus pais, fazendo com que eu dormisse no sofá sempre que venho dormir aqui. Depois da sala tem um corredor a esquerda que da acesso a cozinha.

- Lucas o Igor esta aqui para te ver! – Gritou a mãe do meu amigo.

Lucas abriu a porta do quarto e diz:

- Iai Igor!? Como foi na escola? Meu pai precisou de ajuda para limpar a garagem e mamãe disse que eu poderia matar aula se eu ajudasse.

- Ah, bom pra você, a aula de historia foi pior que tudo! – Menti, o sonho era de longe o pior.

- Imagino! Mas me fala o que você veio fazer aqui?

Parando para pensar, eu não tenho nenhuma desculpa para dar. Pensou Igor.

- Sua prova! Vim trazer sua prova de historia. – Ufa! Que bom que lembrei que a professora tinha me entregado a prova dele. — Vim trazer pra você.

- Fala baixo! – Lucas já estava me puxando pro quarto dele quando me dei conta. – Tá louco? Se minha mãe vê essa prova ela me mata. – Falou o amigo ficando um pouco branco.

- Fica calmo, você se saiu muito bem, toma veja só.- E entreguei a prova para ele mesmo ver a nota oito que ele conseguiu.

Quando ele põe a mão na prova e percebe que é o seu nome estava escrito no topo da página com sua própria caligrafia, ele sai do quarto gritando:

- Mamãe! Mamãe olha só minha nota!

A mãe de Lucas falou algo que não consegui distinguir, meus pensamentos se apoderaram de mim no momento que vi, meu melhor amigo correndo do quarto alegre como uma criança de cinco anos.

Ele está bem, pensei, ele esta bem, foi apenas um sonho ruim, bem ruim.

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Demorei a dormi quando me deitei na cama, fiquei refletindo, o que teria acontecido se eu tivesse pulado para o lado, no momento que eu senti tudo aquilo? Lucas teria morrido queimado com certeza! Respondo a mim mesmo. Então adormeço, pensando nas coisas que poderia ter feito, se não tivesse ficado parado.

Acordo naquela manhã muito bem, eram seis horas quando olhei no despertador. Tomei banho e desse para tomar café, meu pai estava sentado comando café, uma forte sensação de alegria tomou conta do meu corpo, era muito difícil meu pai tomar café com a gente durante a semana, já que às 7 da manhã ele da aula na faculdade.

- Pai? Por que o senhor ainda não foi trabalhar?

- Eu não tenho aula para dar hoje filhão! Portanto, o pai vai lhe deixar na escola, o que acha?

Foi incrível ouvir aquilo, sempre tive um pouco de inveja dos meus colegas que iam com os pais para a escola, nada contra os meus, sei que não vão, pois são muito ocupados, mas mesmo assim é ótimo ouvir uma notícia dessas pela manhã.

Dei um abraço nele, a sensação de segurança foi incrível, o dia estava maravilhoso lá fora, mi sentei na mesa e minha mãe trouxe uma caneca de café branca com torradas, não comi muito, parecia o irmão de Helena quando recebeu o teste do resultado, pulando de alegria. Quando deu seis e meia, nos despedimos da minha mãe e fomos em direção ao carro.

- Pai, o senhor pode passar lá no ponto de ônibus para pegar o Lucas?

- Da sim. Será que ele já esta lá?

- Tá sim! Ele costuma chegar cedo no ponto.

Entramos no carro e fumos rumo ao encontro do Lucas, o ônibus passa a uns cinquenta metros da minha casa, de modo que logo eu o avisto do banco de traz. O carro para e baixo a janela olhando para ele e começo a dizer:

- Lucas, oitavo ano, escola Olimpia, se apresente ao carro imediatamente.

Ele abriu o sorriso meio envergonhado por telo lembrado como a secretaria o chamou a sala do diretor algumas semanas atrás, devido a uma briga contra um valentão que tentou roubar nosso dinheiro, mesmo sendo uma ação totalmente diferente de sua personalidade. Não que fosse algo errado, mais ele levou uma bronca em casa, afinal o cara poderia estar armado.

- Que é isso seu mane? Virou gravador daquela louca da “Dama”?

“Dama” era a maneiro como chamávamos a secretaria do diretor, pois todos sabiam que os dois tinham um romance, mesmo ambos sendo casados. Mi afastei para o lado e deixe o Lucas sentar. Ele trazia nas mãos seu vídeo game que recebeu como presente no ultimo natal.

- Coloquem os cintos tudo bem? – falou meu pai.

Ele me passava o jogo toda vez que perdia uma partida, nesse meio tempo nos dois rimos muito toda vez que um perdia ou quando fazia algo tão imbecil que levava ao inicio da fase novamente.

Meu pai cumprimentou o vigia que estava na guarita com uma buzinada e em troca recebeu um aceno com a cabeça, por ele trabalhar aqui na faculdade ele conhece muita gente. Poucos metros antes de uma esquina meu pai parou e disse que podíamos descer, assim ele poderia fazer o retorno logo a frente. O Lucas desceu e disse:

- Muito obrigado senhor Tiago. Tenha um bom dia.

- Bom dia pra você também Lucas. – Retribuiu meu pai.

- Igor eu venho te buscar depois da aula, OK? Me espere na guarita com o Jorge.

- Certo pai.

Jorge era o vigia que ficava na guarita durante o turno do dia, eu o conhecia, pois sempre jogava conversa fora com ele enquanto esperava o ônibus.

Ainda faltava meia hora para a aula começar, decide chamar o Lucas para sentar em um banco de cimento, enquanto isso meu pai sumia em meio as ruas da faculdade. Então o Lucas começou a falar.

- Cara seu pai é muito legal por ter trazido a gente aqui. Meu pai prefere ficar em casa dormindo. Se não, é minha mãe quem me traz, que nem daquela vez que o ônibus teve um problema no meio do caminho e liguei pra ela ir me buscar.

Eu me recostei no banco, não estava quente, o sol que incidia sobre ele ainda não era forte. Então me veio a cabeça a contar para Lucas o que tinha saído no ultimo volume da revista que estava acompanhando.

- Lucas eu já te contei o que aconteceu na revista que tô acompanhando?

- Não! – Respondeu fechando a cara como se soubesse que um monólogo estava por vir.

Comecei a contar como tudo tinha acontecido, perguntava a ele se lembrava de algum fato que tinha acontecido anteriormente e que é essencial para a história. Depois conversamos sobre a professora de historia e outros temas, quando ele olhou para o relógio e falou:

- Ihhh cara já são sete e vinte, ta na hora da gente ir pra sala.

Nós nos levantamos e partimos em direção a esquina que ficava logo a frente quando uma rajada de vendo quase nos jogos para frente, no mesmo momento que gritos começaram a ecoar por toda parte, mas então algo ecoou pelo céu.

Era insuportável, atordoantes, pareciam que meus ouvidos iriam sair correndo da minha cabeça, tentei olhar para o lado, tenho a leve impressão que Lucas falou alguma coisa, não deu para entender. O som se esvaiu aos poucos, decerto modo, algo naquilo me parecia familiar, não sabia o que, apenas achava que já tinha me deparado com algo familiar, não igual, seria impossível ter passado por isso alguma vez e ter esquecido.

Meus olhos encontraram com os olhos do Lucas, e como se nossas mentes estivessem conectadas, sabíamos o que deveríamos fazer. Corremos em busca do bloco onde tínhamos aula, era o único lugar seguro por ai, lá encontraríamos com nossos outros colegas, os professores, certamente estaremos seguros lá.

Mas bastou alguns passos após virarmos na esquina, para aquele barulho ensurdecedor romper novamente em nossos tímpanos, ainda atordoado com o primeiro, caí no chão, levando a mãos as orelhas tentando filtrar qualquer fração que conseguisse, mas foi tão inútil quanto da primeira vez. – “Por que isso me parece familiar?” – É a segunda vez que estou ouvindo, mas é como se já conhecesse esse som.

Tentando me levantar, olho rumo ao meu objetivo, mais uma coisa muito maior e mais importante chamou minha atenção, não só a minha, mas a de todos que estavam paralisados de medo ali perto.

Novos gritos ecoaram, mas era como se existisse apenas eu e “Aquilo” — “Aquilo? Por que isso me soa tão familiar?” - Ele tinha escamas negras, que faiam a luz sumir ao seu redor, a membrana que formava sua asa tinha cicatrizes que certamente poderiam ser vistas do outro lado. Sua cauda que levantada formava um “S”, apresentava em cada lado algo que parecia ser barbatanas, formando algo parecido com um machado de duas laminas na ponta. Seu pescoço longo sustentava uma cabeça na qual parecia ter o formato de um elmo, seus dentes eram alvos. – “Mas como poderia algo assim ter dentes tão brancos?” - Não entendo como aquilo poderia estar ali, pairando sobre o prédio – “aquilo é real?” — Um monstro estaria realmente ali?

Não me importo, eu tenho que sair daqui, tentei mexer meus pés, era como ele estivessem grudados no chão. Algo subiu minha espinha – “Eu já senti isso antes não? Por que tudo isso me parece familiar?” ­– Percebi que aquilo estava olhando para mim, minha respiração parou por um segundo e uma onda de calor encheu o seu corpo, mas não era uma sensação boa, era perigosa, ficar ali era perigoso, eu sinto – “Eu já senti isso antes! Eu sei que já mais onde?” - Minha respiração ficou funda, mas não a minha respiração. Senti que algo quente estava vindo, então percebei que quem mi observava abriu a boca e dela saiu um jorro de chamas em sua direção. – “O sonho”.

Acordei totalmente atordoado, não por causa do sonho em si, mais pelo fato de estar sonhando e mesmo assim saber que estava sonhando, e o pior, lembrar que o sonho que estava sonhando eu já tinha sonhado. Minha cabeça estava uma loucura – “Como isso pode acontecer?”. Desci para tomar um copo de agua, estava suado, mais não estava quente, pelo visto eu não gritei ou coisa do tipo já que meus pais não notaram nada nessas duas noites.

Voltei para o quarto e me deitei, mas o que aconteceu perturbou minha mente durante algumas horas, até que cai novamente no sono.

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- Ihhh cara já são sete e vinte, tá na hora da gente ir pra sala. – falou Lucas. E aquilo me despertou de algum jeito. Mi encontrei sentado em um banco de cimento no campus onde a universidade local cedeu um bloco para o funcionamento de parte da minha escola.

“O sonho! Estou sonhando de novo”.

- Lucas tapa os ouvidos – Disse a medida que fazia a mesma coisa com as mãos. Lucas não entendeu mais repetiu o meu gesto, alguns segundos depois algo com a força de um tornado quase nos derrubou no chão, e então os gritos das pessoas começaram a surgir – “Ele apareceu” – momentos depois um rugido ecoou por toda parte, mesmo sabendo que iria acontecer, não foi menos devastador, ficamos visivelmente atordoados.

Lucas correu em busca do bloco de aulas, mais eu sabia o que existia lá, mas dessa vez não serei queimado vivo. Quando viramos a esquina vimos o dragão pairando sobre o bloco de aulas, mas eu estava preparado, esperei que seus olhos fixassem em mim – “É agora pensei” – Todas aquelas sensações estranhas percorriam meu corpo. – “Isso é bem familiar não é?” – Pensei ironicamente, então eu senti o calor percorrer meu corpo, e em uma fração de segundos peguei o braço de Lucas e pulamos para a rua na busca de escapar das chamas, o calor foi forte o bastante para chamuscar meus sapados, eu me levantei e encarei aquela coisa novamente. – “O que eu faço agora?” – Pensei.

Uma pessoa apareceu, começou a me dar ordem para sair dali, alguém que eu queria que estivesse a quilômetros de distancia.

- Igor sai daqui! – Gritou meu pai.

“Não consegui entender? Ele não tinha ido embora?” — Ele me agarrou pelos ombros e começou a me chacoalhar em busca de um sinal ação da minha parte, então eu senti o perigo surgindo novamente no meu peito, eu sabia o que era aquilo, olhe para o lado, o calor subiu pelas minhas entranhas – “Tenho que tirar meu pai daqui” – O tempo pareceu andar mais lentamente, as chamas saíram da boca do bicho em câmera lenta, o sentimento de culpa surgiu no meu peito, meu pai esta aqui comigo, ele vai morrer, vai morrer por minha culpa. As chamas estavam a uns 20 metros de distancia, mas eram tão quentes que eu já podia sentir um pouco de calor daqui.

“Meu pai não pode morrer” — Disse a mim mesmo. O abracei, meu coração começou a chorar, “Tenho que protegê-lo” — Imagens dos nossos momentos juntos começaram a surgir na minha mente, a primeira lembrança que tenho dele, um homem bem jovem, me segurando nos braços e proporcionando a mais pura sensação de proteção. Depois quando cortei o cabelo por conta própria e para que eu não me sentisse ridículo na frente dos outros, ele fez a mesma coisa. Quando estava no hospital com pneumonia e ele fez questão de me acompanhar todos os momentos. – “Tenho que salva-lo! Preciso de algo para protegê-lo! Algo que dê a ele a mesma sensação de segurança que ele me proporcionou!” – A imagem do acidente de moto que sofremos a dois anos atrás me veio a memoria, quando caímos ele de alguma forma largou o guidão, virou no ar e me abrasou muito forte antes de atingirmos o chão, ele me protegeu de todos os danos do acidente, mas quebrou os dois braços, e o ligamento do joelho esquerdo se rompeu – “Ele ainda sente dores no joelho por causa disso.” - As chamas então agora a cerca de 10 metros.

“Tenho que protegê-lo” – 5 metros eu reparei. O que sentia era algo sufocante, não sou forte, não sou capaz, nada adianta agora, mesmo assim é meu dever, disse a mim mesmo. Algo brotou do meu peito, algo que não há como descrever, a sensação tomou conta do meu corpo, era boa, segura, me dava forças para acreditar que seria capaz de passar pela maior tormenta. 4 metros vieram à mente, 3 metros pensei imediatamente, tudo a minha volta estava voltando à velocidade normal, então em uma súbita ação de desespero ou esperança, não sabia mais distinguir o que estava senti, a não ser a ultima coisa surgiu no meu ser, deixei fluir para todo o meu corpo e a jorrei para o mundo exterior. Abri os olhos para encarrar as chamas, estavam a menos de 2 metros, notei uma poeira dourada surgindo a minha frente, mas não importava, não era isso que me importava agora, e do nada um grito rasgou a minha garganta em busca do mundo ao meu redor.

- PAI!!!!!!!!!!!!

Como se tudo tivesse parado, abro os olhos, as chamas estão queimando, queimando ao nosso redor, a poeira dourada que antes não passava de alguns grãos se tornou densa e solida, formando uma cúpula ao nosso redor, mesmo assim permitia que eu visse o que avia fora dela. As chamas queimavam bem alto, o dragão rugiu novamente, em meio às chamas, tive a impressão de ter visto um lampejo dourado atingir o bicho no rosto, senti novamente a sensação de fogo queimando minhas entranhas, mais sua atenção não estava aqui, eu sentia isso. Novos gritos surgiram, alguns se tornavam mais nítidos, chamavam meu nome. Tive a sensação de ter visto um rasgam dourado pelo canto do olho esquerdo. Deixei tudo de lado, olhei para o meu pai, me olhando nos olhos, perplexo, com medo, eu entendia, eu também estava, então fechei os olhos, o meu nome soava cada vez mais alto em minha mente. Abro os olhos, meu pai esta olhando para mim, alguém acendeu a luz. Estava de volta no meu quarto, são e salvo, junto com ele, consegui protege-lo no fim das contas.

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Meu pai sentou do meu lado e perguntou o que aconteceu, respondi que foi apenas um sonho ruim. Minha mãe estava agachada na minha frente, segurando minhas mãos e me olhando nos olhos. Era um olhar compreensível, cheio de carinho e ternura. Mas despachei os dois mesmo assim, fiquei deitado na cama, sem pensar em mais nada a não ser no sonho que me acometeu – “Por que estou sonhando com isso? Faz algum sentindo?” – Adormeci em algum momento da madrugada.

O fim de semana chegou e passou bem rápido para falar a verdade, acordei na segunda-feira às seis horas da manha, tinha que ir pra aula. Tomei banho como de costume e desci para tomar café com minha mãe, quando cheguei na cozinha tive uma ótima surpresa, meu pai estava lá sentado, fazendo o que só Deus sabe. Mesmo assim fiquei muito feliz – “Isso não aconteceu antes?”.

- Pai? Por que o senhor ainda não foi trabalhar?

— Eu não tenho aula para dar hoje filhão! Portanto, o pai vai lhe deixar na escola, o que acha?

“Acho que tem algo estranho, por que isso me parece um déjà vu?”

- Que ótimo pai! – Disse automaticamente, afinal iria com meu pai para a escola.

Mi sentei, mas não comi quase nada, algo me dizia que tinha alguma coisa errada. Nos despedimos e fomos em direção ao carro, perguntei ao meu pai se podíamos passar no ponto de ônibus e pegar o Lucas. Ele disse que sim.

Antes de chegar ao ponto já tinha avistado o Lucas, quando o carro parou o chamei para ir conosco. Ele abriu a porta, me acomodei uma pouco mais para o lado e ele sentou do meu lado.

Começamos a revessar no vídeo game que ele trazia, ele começou a rir quando entrei em uma passagem e acabei voltando para o inicio do jogo, estávamos passando pela guarita da faculdade quando meu pai buzinou para cumprimentar o vigia – “Ué, mas ele não tinha jeito isso?” – Um filme veio a minha cabeça onde tudo era igual, eu sentado no mesmo lugar, lembro-me de perde nas mesmas fases do jogo e cometendo os mesmos erros. Até o jeito que o vigia acenou com a cabeça.

Poucos metros antes de uma esquina meu pai parou e disse que podíamos descer, assim ele poderia fazer o retorno logo a frente. O Lucas desceu e disse:

- Muito obrigado senhor Tiago. Tenha um bom dia.

- Bom dia pra você também Lucas. – Retribuiu meu pai.

— Igor eu venho te buscar depois da aula, OK? Me espere na guarita com o Jorge.

- Certo pai.

Ainda faltava meia hora para a aula começar, decide chamar o Lucas para sentar em um banco de cimento, enquanto isso meu pai sumia em meio às ruas da faculdade. Então Lucas começou a falar.

- Cara seu pai é muito legal por ter trazido a gente aqui. Meu pai prefere ficar em casa dormindo. Se não, é minha mãe quem me traz, que nem daquela vez que o ônibus teve um problema no meio do caminho e liguei pra ela ir me buscar.

Eu me recostei no banco, não estava quente, o sol que incidia sobre ele ainda não era forte. Então me veio a cabeça a contar para Lucas o que tinha saído no ultimo volume da revista que estava acompanhando. – “Por que isso é tão familiar?”

- Lucas eu já te contei o que aconteceu na revista que tô acompanhando?

- Não! – Respondeu fechando a cara como se soubesse que um monólogo estava por vir. Comecei a contar como tudo tinha acontecido, perguntava a ele se lembrava de algum fato que tinha acontecido anteriormente e que é essencial para a história. Uns dez minutos tinham se passado quando ele olhou para o relógio e falou:

- Ihhh cara já são sete e vinte, tá na hora da gente ir pra sala.

- Estou sonhando de novo!!? – Acabei falando.

O Lucas me olhou com cara feia, acho que pensou que estava pirado.

- Você tá acordado! Acordado até demais, pois fica enchendo meu saco com essas revistinhas que você acompanha.

Ele continuou me olhando, e logo tudo começou, o vento forte veio. Antes mesmo de pensar em alguma coisa, disse que tapasse os ouvidos. Mesmo sem saber o que fazer, ele fez o que mandei.

Tudo aconteceu igual ao que tinha sonhado. O rugido do dragão negro soou, Lucas correu, o segui com o objetivo de para-lo antes que chegasse a esquina, mas foi inútil. O dragão surgiu, Lucas ficou paralisado, as pessoas gritavam ao nosso redor. Outro rugido, dessa vez não cai no chão, gritos encheram as ruas, a sensação de queimação subiu pelo me estômago, as chamas percorriam o espaço rapidamente, segurei Lucas pelo braço e o puxei para o meio da rua em busca de fugir das chamas.

E igual ao meu sonho, meu pai apareceu, então tudo dali para frente pareceu um borrão, até que o meu grito me despertou novamente para a realidade.

Meu pai estava olhando para mim, perplexo, gritos aumentavam, mas dessa vez não fechei os olhos, ninguém chamou meu nome e algo me dizia que tudo aquilo não era um sonho, não desta vez.

Um lampejo dourado atingiu o dragão no olho esquerdo, um borrão dourado ia à cada pessoa que estavam ali e as pessoas sumiam, em segundos todas elas sumiram. O fogo ao nosso redor foi sumindo, a cúpula dourada foi se desintegrando com o ar. Olhei para o lado, Lucas não estava mais lá.

- Lucas? – Falei.

Meu pai sumiu, mais antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa uma voz falou:

- Eu tirei os dois daqui, não se preocupe. Agora temos que focar em derrubar aquela coisa.

Ele apontou para o dragão enquanto respirava fundo, parece que ele correu quilômetros.

- Bruno? – A pergunta saiu no modo automático. Ele deu de ombros e fez cara de ‘fazer o que né?’.

- Helena tinha razão, você também sonhou com ele – apontando novamente para o dragão – poderzinho legal o seu.

- Cuidado! – Alguém gritou.

Minhas entranham queimaram, eu sabia o que estava vindo. A energia que tinha sentido voltou a fluir no meu corpo, dessa vez foi mais fácil, uma nova cúpula surgiu, agora envolvendo eu e Bruno. As chamas atingiram a redoma que nos protegia, olhei para quem tinha gritando, Helena estava segurando um arco dourado, olhando em nossa direção e instantes depois ela pulou para o lado e desviou da calda que o dragão usou para tentar acerta-la.

A cúpula se desfez novamente, Bruno correu, mas não normalmente, ele estava rápido, muito rápido, ele era um borrão dourado em meio aquilo tudo. Observei Helena criar um arco e uma flecha dourados do nada, e acerta dentro da boca do dragão que estava prestes a lançar novas chamas.

Uma explosão aconteceu, ele caiu sobre o prédio de aulas destruindo tudo. Mas infelizmente, ele se levantou, abriu a asas e voou para o céu. Ficamos os três olhando o dragão se torna uma mancha preta no céu e depois sumir. Helena correu ao meu encontro carregando o irmão no colo, Bruno já estava ao seu lado por causa da sua super velocidade. Ela me abrasou, estava nitidamente preocupada comigo.

- Eu achei que você tinha sonhado com ele! Naquele dia você falou sobre um sonho. Quando eu vi o dragão eu fiquei ainda mais preocupada, pois parecia que você tinha sonhado com ele à pouco tempo e talvez não soubesse usar seus poderes.

- Espere ai! Quer dizer que vocês dois tinham sonhado com aquele dragão? Desde quando?

- Fazia uns dois meses desdá primeira vez que eu sonhei. — Falou Bruno.

- Eu também – completou Helena – Bruno percebeu que eu estava tendo esses sonhos quando desenhei um dragão negro em uma folha e lancei varias fechas nele.

- E comecei a tentar me aproximar da Helena aos poucos, mas só a uns 15 dias que eu abri o jogo e falei do meu sonho. – Bruno falava enquanto Helena confirmava com a cabeça.

- Quando Bruno me contou sobre o sonho eu quase cai para traz, nossos sonhos eram idênticos, logico mudando o fato de que eu...

- Era a arqueira e ele um cara que corre super rápido? – Completei.

- Então à uma semana, ela me falou que você parecia estranho e tinha sem querer falado de um sonho. – Continuou Bruno.

- Isso! No entanto, foi no ultimo sonho que tivemos certeza de você também tinha sonhado. Quando você fez o campo de força, ou seja lá o que é, aparecer e proteger você e seu pai.

- Mas você sumiu segundos depois, o que nos fez achar que você tinha começado a sonhar a pouco tempo e ainda não tivesse controle sobre seu poderes.

- Esperem ai! Quer dizer que eu comecei a sonha com esse dragão à pouco tempo? Mas por quê? Se vocês tinham sonhando antes por que não me falaram? – Falei com raiva.

- Igor sou sua amiga e te conheço bem, você acreditaria na gente se dissemos que nossos sonhos eram os mesmos? Mesmo que sim, nos sem sabíamos o que realmente estava acontecendo e depois, poderia ser paranoia nossa achar que você estaria sonhando com aquele bicho.

- hhuuummm – Estava pensando. Se isso fosse verdade, então por que comecei a sonhar depois deles?

- Nos não sabemos por que isso tudo aconteceu – Falou Bruno como soubesse o que estava pensando.

- onde está meu pai e meu amigo, Bruno?

- Estão na guarita junto com os outros que tirei daqui. Não sei como eles vão reagir então...

- Eu vou para minha casa, pensar um pouco sobre tudo isso.

- É claro – Disse Helena ao meu lado.

Eu olhei para ela, estava usando uma calça preta e uma camisa vermelha, seu cabelo preto estava amarrado em um rabo de cavalo. Seus olhos estavam muito bonitos naquela manha. Marcos estava com ela, vestindo uma camisa social de manga curta preta e uma calça jeans azul. Bruno estava com uma camiseta preta e uma calça folgada de uma cor meio amarelo queimado ao algo do assim, perfeita para correr.

Sai correndo para a guarita, Bruno disse que ele está bem, mais não confio totalmente nele, ele é um cara meu carrancudo, linha dura e foi não era muito popular. Até onde ele sabia Bruno era órfão, e vivia em um orfanado que tinha um projeto com a escola para permitir que seus órfãos estudassem na escola.

Helena é minha amiga a muito tempo, sei que posso acreditar nela, mas mesmo assim... Pensar que nos três tivemos o mesmo sonho e que esse sonho se tornou realidade é absurdo. Quando cheguei na guarita logo avistei meu pai sentado, quando ele me viu ele tentou se levantar e acabou caindo sentado – “Saber que tem um filho com super poderes deve deixar qualquer pai desnorteado mesmo”.

- Igor! Igor! Como você estar? – Ele falou enquanto me agachava ao seu lado.

- Estou bem pai. Onde esta o Lucas?

- Ali – Ele apontou para frente, ele estava sentado, com as roupas meio chamuscadas e algumas queimaduras nos pés. Corri ao seu encontro.

- Lucas como você esta?

- Igor! – Ele agarrou meus ombros achando que eu iria escapar – Obrigado! Muito obrigado, você salvou minha vida.

- Não foi nada, você teria feito a mesma coisa por mim. Mas isso não importa agora.

- Todo mundo aqui esta desesperado, as empresas de televisão já estão chegando e estava passando no noticiário que o governo espediu um alarme nível 5, para o aparecimento de um objeto voado não identificado. Toda a força aérea esta atrás dele. Não se preocupe o governo vai matar aquele bicho.

Isso me deu um mau pressentimento, algo ainda esta errado. — “Primeiro o governo jamais vai pegar aquele dragão, segundo, parando para pensar foi fácil demais.”

- Igor liga para sua mãe vir te busca.

- E você? Para onde vai?

- Para casa.

O que ele me falou mi acordou, algo de ruim ainda vai acontecer com alguém que amo, meu pai esta aqui, a única pessoa que amo que esta na cidade é minha... Não, não pode ser!

- Pai! – Ele já estava de pé. – Vamos embora.

Agora eu percebo, muitos que estão ali estão olhando para mim. Meu pai prontamente se dirigiu ao carro comigo.

- Igor o que era aquilo? Como você fez aquilo? Quem me trouxe ate aqui? Você sabe?

- Dragão! Não, eu não sei como eu fiz aquilo! E sim, Bruno um órfão do orfanato que a escola tem um projeto de extensão.

Meu pai virava uma esquina quando ele quase bateu em um ônibus. O motorista o xingou feio, mas tenho problemas piorem para resolver.

- pai, a mamãe esta em casa?

- Hummm – Ele olhou para o relógio no pulso esquerdo – Acho que sim, mas daqui a pouco, ela vai sair para o supermercado, por quê?

- Por nada.

Um frio na barriga me fez perceber que esse “daqui a pouco”, não foi rápido suficiente.

Passamos alguns minutos calados, eu imaginando as piores senas possíveis. Meu pai ligou o radio do carro.

“Bom dia ouvintes! Estamos com uma noticia que vai deixar muita gente morrendo de medo e alguns morrendo de rir. Segundo algumas testemunhas oculares, um dragão negro apareceu no campus da universidade local e....”

Meu pai desligou o radio e continuou dirigindo sem dizer nada. Era incrível como as ruas estavam movimentadas no sentido contrario ao nosso, parecia que todo mundo estava ir para o outro lado da cidade. A poucos quarteirões de casa varias pessoas corriam e gritavam algumas coisas que não conseguia ouvir devido ao isolamento acústico do carro. Então viramos na rua que termina em frente a nossa casa, vizinhos, conhecidos e amigos estão correndo, como o diabo foge da cruz e meu mundo desabou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.