Herdeiros

26 Ataque a Hogsmeade


Notas iniciais
Em primeiro lugar, gostaria de pedir milhões de desculpa pela a minha demora. Gente, realmente sinto muito por ter demorado tanto a postar um capítulo, mas já havia escrito o motivo no meu último aviso e de uns dois meses para cá, a inspiração simplesmente não estava cooperando comigo, mesmo que eu ficasse horas sentada olhando para as teclas do computador ou com um caderno e uma lapiseira na mão, não me vinha nada na cabeça e isso vinha me desanimando. Até que resolvi tentar escrever alguma coisa e me saiu esta ideia que é o capítulo que vocês vão ler agora.
Sei que nem de longe está o melhor capítulo, mas depois de tanto tempo sem escrever, estou voltando agora e preciso voltar a me acostumar. Espero que me desculpem a demora e vou tentar postar agora normalmente. Leiam as notas finais.

Nuvens grandes e cinzas se acumulavam no céu aquela noite e a nevasca que fazia batia fortemente contra a janela do estabelecimento, mas os casais que ali estavam não se importavam com isso e jamais imaginariam o que estava por vir.

Sentados no final da casa de chá, perto de uma redoma de vidro, um garoto e uma garota, ambos ruivos, permaneciam calados a um canto. Pareciam muito corados e por mais frio que estivesse fazendo, sabiam que nada tinha haver com isso, já que a casa de chá Madame Poddifoot era considerada a mais confortável e quentinha de Hogsmeade por conta dos casais que iam parar lá.

Após alguns minutos de silêncio, o garoto lançou um olhar nervoso a garota e começou a falar um tanto hesitante.

–Soube que terminou com Harold. — disse.

A menina, que antes mexia as mãos nervosas sobre a mesa, olhou para ele e deu um sorriso tímido.

–Ele era mais velho do que eu, deve ter encontrado alguém que combinasse melhor com a idade dele, já que parecia um tanto estranho nos últimos dias de namoro.

–Sinto muito. – foi a única coisa que conseguiu dizer.

Depois desse breve diálogo, o silêncio monótono voltou a reinar novamente e ambos viraram os rostos, constrangidos. Lílian continuava a mexer as mãos nervosamente sobre o colo e Hugo abria e fechava a boca constantemente como se quisesse falar algo, mas nenhum som saía. Vendo que o garoto não conseguia falar, Lílian tomou a iniciativa dessa vez e perguntou hesitante:

–Por que me chamou aqui Hugo?

Hugo encarou a garota por um momento e respondeu finalmente.

–Queria te dar isso. – ele puxou uma caixinha preta de dentro do bolso e de lá tirou uma pulseira, a qual havia vários lírios como pingentes e prendeu no pulso da garota. –Feliz aniversário Lílian!

Lílian olhou a pulseira, encantada. Jamais imaginou que Hugo pudesse fazer uma surpresa dessas em seu aniversário e mal notou um sorriso acanhado se alargar em seus lábios como se pedisse permissão.

A garota levantou os olhos para o ruivo sentado a sua frente e tomou um susto ao vê-lo tão perto de si. Este apenas sorriu e se aproximou mais. Estavam a centímetros um do outro e seus narizes chegavam a se tocar, enquanto o coração dos dois batiam no mesmo ritmo.

Mas antes que qualquer coisa se concretizasse ou viesse a acontecer, um barulho estridente se foi ouvido no lado de fora da casa de chá e Hugo e Lílian se separaram imediatamente ao verem as pessoas se amontoarem na janela para ver o que estava acontecendo. Viram pequenos flocos cinza caindo de encontro a neve branca do chão e um pouco mais longe, ouviram risos sarcásticos e alto como se estivessem comemorando alguma coisa. No mesmo ambiente, gritos cortantes se foram ouvido, os quais fizeram as mãos dos garotos tremerem.

Hugo foi o primeiro a petrificar e sem dizer mais nada, a não ser uma exclamação com o nome da irmã, correu em direção á porta da casa.

Lílian o chamou.

–Hugo! – gritou ela nervosa. – O que está fazendo?Volte aqui!

Mas o garoto já não a escutava, abriu a porta com força e saiu no meio da nevasca. Lílian não pôde fazer mais nada a não ser correr atrás dele.


~~ XX ~~


Ela não fazia ideia do que tinha acontecido, mas uma hora ela estava lá, parada, acenando para seu primo e para sua amiga e no outro ela havia sido lançada contra a parede de um bar fazendo um baque surdo ao cair no chão. Ainda era latente a dor de cabeça em suas têmporas, seu cérebro parecia está rachando com a dor por conta do impacto e ela podia jurar que estava sangrando. Mas o pior não era isso, sentiu uma dor agonizante no próprio tornozelo, sabia que isso era devido ao fato de ter batido o pé com força no chão e viu quando um loiro se ajoelhou ao seu lado e quando um moreno se agachou a sua frente verificando seu pulso.

Em pé na frente dos três estava uma garota de cabelos castanhos e olhos verdes lhe olhando com certa preocupação, Evelyn parecia desesperada com o ataque dos seguidores de Slytherin ao vilarejo e Rose viu quando ela lhe lançou um olhar de profundo desamparo.

–O que está acontecendo? — perguntou a ruiva num sussurro rouco, enquanto Alvo e Scorpius a ajudava a se levantar do chão frio.

–Parece que estamos sendo atacados, Mendel....- respondeu a castanha.

Uma risada estridente ecoou logo atrás deles e os quatro puderam ver um homem velho com uma roupa um tanto estranha duelando com dois seguidores de Slytherin. Alvo reconheceu na hora o tal homem, ele era o irmão de Dumbledore, Aberforth. A semelhança do bruxo com o irmão era incrível, mas diferente de Dumbledore ele parecia ser impulsivo, fazer as coisas pelo o impulso e não se preocupava com as consequências de seus atos.

O moreno e Evelyn se viraram para olhar a luta, enquanto Scorpius ajudava Rose a ficar em pé, a garota mancava um pouco, tinha um corte profundo sobre o pé e o loiro teve certeza que ela havia torcido o tornozelo quando foi lançada de encontro a parede. A segurando com esforço com todo o peso da garota sobre seu braço, o loiro pôde observar ao redor e percebeu que o vilarejo antes imponente com a neve branca que caia sobre os pequenos estabelecimentos do vilarejo, agora estava sendo atacado e destruído aos poucos.



~~ XX ~~



O beco ladeado de pedras cheirava a esgoto e os quatros puderam ver um gato negro sair de dentro de uma caçamba de lixo e os encarar, ele miava ruidosamente e os quatro jovens começaram a se desesperar com o barulho que o gato fazia, ele poderia entregá-los para os encapuzados que passavam pelas ruas a qualquer momento e isso não seria nada agradável de ver. Alvo tentou espantá-lo, mas o felino parecia não querer sair de perto deles.

–Sai daqui sua bola de pelos, sai! — enxotou o garoto, fazendo um gesto estranho com a mão, mais o pequeno gato negro ainda lhe encarava miando ruidosamente.

–Alvo o faz calar a boca! — mandou Evelyn.

–Estou tentando.

–Eu já sei — sussurrou Rose baixinho, tirando uma bola de barbante de dentro do grosso casaco de lã.

Ela jogou a pequena bola de barbante para o gato e esse correu até a bolinha, a abocanhando com os dentes e com as patas. Alvo, Evelyn e Scorpius olhavam incrédulos para o gato que agora brincava feliz com a bola de barbante e Rose vendo a expressão dos três respondeu:

–Mackenzie gosta de brincar com essas bolinhas de barbantes, sempre carrego uma comigo.

–Ok, agora escutem, eles estão vindo — respondeu Evelyn, escorada na parede mais perto de onde as vozes estavam vindo.

Era nítido o barulho de passos se aproximando dos quatros, pareciam ser um grupo de pessoas com risos estridentes e eles distinguiram como sendo os encapuzados que estavam atacando Hogsmeade. Um silêncio perturbador se instalou naquele momento, nenhum dos quatro falava nada apenas ouviam a respiração forte um dos outros. Rose que se apoiava no braço de Scorpius tentava não fazer barulho, mas a dor a estava matando e com o impulso ela soltou uma sonora exclamação de dor que fez os outros três lançarem olhares alertas a garota e o som de passos pararem abruptamente.

A primeira coisa que viram foi uma mão coberta por uma luva tocar a parede ao seu lado e logo três homens se colocaram a sua frente, o mais baixo e com cabelos terrivelmente pretos foi o que falou:

–Ora, ora o que é que temos aqui?!



~~ XX ~~



–Hugo! — chamou ela nervosa correndo atrás de um ruivo que parecia ter desaparecido ou então simplesmente a nevasca não a estava deixando ver. – Hugo!

Duas mãos agarraram sua cintura e a puxou para trás de um barril, a garota esperneou e tentou gritar, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, ouviu uma voz conhecida lhe sussurrando.

–Silêncio Lílian!Quer que descubram a gente?

Lílian soltou um suspiro sofrido e se permitiu relaxar nos braços de Hugo, o garoto a soltou e apontou com o dedo para uma cena um tanto trágica. Um dos seguidores de Slytherin postava fogo em uma casa de um senhor idoso, o homem apenas olhava a cena com os olhos marejados e viu outro encapuzado bater palmas e gargalhar juntamente com o que estava fazendo o ato. Lílian olhou ao redor e viu que quase todas as lojas e casas haviam sido fechadas ou arrombadas e que mais ninguém se encontrava nas ruas a não ser os que estavam sendo atacados. Olhou novamente para a cena e perguntou baixinho:

–Onde estão os estudantes?Os que vieram com a gente?

–Os mais velhos aparataram de volta a Hogwarts levando alguns consigo e os mais novos fugiram em direção a entrada de Hogsmeade. Provavelmente poucos ficaram aqui e devem estar escondidos em algum lugar. – respondeu ele, era possível ver seu hálito saindo em forma de fumaça de sua boca.

Lílian lhe lançou um olhar desesperado e se calou. Mas o garoto sequer a olhou ou falou palavras que a reconfortasse, apenas apertou sua mão com força e voltou a olhar para a cena com uma expressão séria. Os seguidores de Slytherin não se encontravam mais atacando a casa do pobre senhor, só havia restado ele ali e segurando um pequeno globo de neve e com os olhos molhados saiu de frente da casa que estava em chamas e foi caminhado em frente sem olhar para os lados, passando ao lado do canto em que Hugo e Lílian estavam escondidos. Quando ele passou, Lílian jurou que o viu olhar para eles de modo tristonho, mas ele já estava longe quando a garota a olhou novamente.



~~ XX ~~



Era insuportável o caminho que eles faziam até uma casinha no centro da floresta. Estavam exaustos e suas barrigas roncavam com a fome, a estrada íngreme não ajudava muito, nem o barulho que alguns bichos faziam os assustando. O moreno de óculos levava um mapa a sua frente, o loiro olhava para os lados como se estivesse procurando alguma coisa e o ruivo ia chutando algumas pequenas pedras pelo caminho, segurava também um lampião, já que não enxergariam um palmo a sua frente se não fosse com a luz do mesmo.

Após passarem por um espaço minúsculo entre duas árvores esfolando os braços nas mesmas, viram no meio de uma clareira uma casinha de madeira totalmente arruinada e desgastada. Perguntaram-se como alguém poderia morar ali, longe de todos e no meio de uma floresta perigosa. Não sabiam a resposta.

O moreno foi o primeiro a andar em direção a casa lançando um olhar nervoso aos outros dois. Draco e Rony entenderam o recado e seguraram firmemente as varinhas por debaixo das capas. Havia alguns brinquedos jogados a um canto na varanda e provavelmente pertenceu a alguma criança quando esta morou ali, mas agora estavam tão velhos e mofados que os três chegaram a ter nojo de sequer tocá-los.

Harry levou o punho até a porta com a intenção de bater para ver se alguém vinha atendê-lo, mas antes que ele formulasse alguma palavra ou tivesse tempo de olhar para Draco e Rony uma última vez, a porta foi aberta com estrondo e uma mulher de aspecto maltratado, com grades olheiras e cabelos desgrenhados apareceu segurando firmemente a porta, que por milagre ou por magia não se soltou das dobradiças.

Os três ficaram em silêncio por um momento, apenas encarando a mulher que os olhava com certa urgência e com todo o rancor que conseguia colocar no olhar. E como sempre, o inimigo é o primeiro a começar a falar, foi ela quem perguntou primeiro.

–Quem são vocês?

–Aurores do ministério senhora, soubemos que já teve contato com o bruxo das trevas pelo qual estamos procurando e gostaríamos de saber mais sobre esses encontros. – respondeu Harry, olhando de esguelha para dentro da casa por cima do ombro dela.

–Não sei do que estão falando!

Ela segurou a porta bruscamente com a intenção de fechá-la, mas Draco foi mais rápido e a segurou antes que ela fechasse a porta na cara deles. A mulher se virou indignada e o fuzilou com o olhar. O loiro imediatamente tirou a mão da porta e ela tornou a tentar fechá-la, mas uma vez não conseguiu, dessa vez Harry foi quem a segurou e a empurrando de leve para o lado com umas das mãos entrou na casa sem cerimônia juntamente com Harry e Draco. Dessa vez a mulher não se conteve.

–O que pensam que estão fazendo?Não os convidei para entrar! – ela gritou em alto e bom som, tentando ser ouvida pelos três.

–O caso é sério minha senhora, sabemos que teve contato com Mendel e se continua viva é porque sabe de muita coisa – Rony começou.

–Se a senhora nos contar tudo o que sabe, talvez não precisaremos prendê-la e levá-la a interrogatório – continuou Draco.

–Isto é um absurdo, não podem me obrigar! – reclamou a mulher.

Harry notou que ela andava cada vez mais para trás, se esgueirando em direção à porta. Acabando com todos os seus esforços, o homem colocou a varinha no pescoço da mulher e lhe falou uma única ordem:

–Sente-se! – apontou para uma poltrona verde, velha e mofada perto da lareira.

Franzindo o cenho e xingando Harry de todos os palavrões conhecidos, ela se sentou na poltrona a qual foi ordenada e os esperou falar nervosamente. Olhou para a sua varinha em cima de uma estante ao lado da porta e se xingou mentalmente por ser tão idiota a ponto de não se lembrar da própria varinha. Harry arrastou outra poltrona colocando-se em frente a ela e perguntou o mais cautelosamente possível:

–Quando foi a última vez que o viu?

A mulher sabia que ele estava se referindo a Mendel e lançando um olhar nervoso a Harry, se levantou da poltrona bruscamente e foi em direção a lareira onde uma chaleira fervia alguma coisa. Viu os três homens a olharem desconfiados e com o sorriso mais forçado que conseguiu dar, falou suavemente sem toda a selvageria de antes e perguntou:

–Querem um pouco de chá, posso responder as perguntas de vocês se tomarem um pouco. – outro sorriso forçado se alargou em sua boca.

Os três homens trocaram olhares desconfiados e resolveram aceitar a oferta, sentaram nas poltronas e a esperaram. A mulher os serviu e sentou novamente na poltrona verde esperando as pergunta, mas nunca deixando de olhar a varinha posta em cima da estante. Após tomar um pouco do chá e se sentir meio tonto, Draco voltou com o assunto que a mulher não havia respondido.

–Já faz um tempo – respondeu. –Não sabia que era ele, até mostrar a verdadeira identidade, ele estava com outra aparência.

–Outra aparência?Como assim? – perguntou o mais ruivo dos quatro, sem conseguir tirar os olhos de sua xícara de chá.

–Eu...não me lembro direito, apenas parecia com outra pessoa, parecia com...com ele. – apontou para Draco.

Os três homens a olharam surpresas, mas estavam tão entretidos no chá que a mulher havia servido que não se deram o luxo de perguntar como isso era possível e nem notaram quando ela se levantou vagarosamente e começou a espanar a poltrona e as coisas ao redor, com um espanador tão velho quanto tudo naquele lugar. Harry levantou a cabeça e a olhou parecendo cansado, mas mesmo assim não deixou de notar que ela parecia ter se afastado deles espanando um quadro quase perto da porta.

O moreno a olhou alarmado, mas era como se algo o tivesse fazendo querer ficar sentado e apenas fechar os olhos enquanto se preparava para uma boa noite de sono. Olhou para os lados e viu Draco e Rony tomarem seus chás confortavelmente, mal notando o que estava acontecendo e quando voltou a olhar para a porta percebeu o inevitável.

A varinha estava na mão da mulher agora e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela apenas deu um sorriso de escárnio e aparatou deixando para trás sua casa e os três aurores que ela considerava invasores. Harry despertou imediatamente assim que ouviu o barulho da aparatação, correu na direção da porta e não encontrou ninguém. Viu seus amigos quase desmaiados no sofá e tratou de acordá-los com um jato d’água. Rony assim que sentiu a água gelada em seu rosto resmungou alguma coisa e reclamou em alto e bom som.

–Por que fez isso?!

–Por que acho que acabamos de perder uma testemunha de grande valor para o Mendel! – respondeu Harry, ainda olhado nervoso para a porta.

– Como é? – perguntou Draco, levantando imediatamente da poltrona e olhando ao redor. – Onde ela está?

–Fugiu, foi mais esperta do que a gente e aparatou antes que pudéssemos impedi-la.

–O chá! – exclamou Rony. – Ela drogou a gente!

Harry balançou a cabeça afirmativamente e olhou desanimado para os amigos. Os três ficaram em silêncio por um momento até Draco se abaixar e pegar um pedaço de papel jogado no chão perto da poltrona que a pouco tempo atrás a mulher estava sentada. Os outros dois olharam desconfiados para o papel e se juntaram a Draco na leitura, uma única ordem estava escrita:

“Próximo ataque: Ás seis horas da noite em Hogsmeade.”

“Os filhos do trio de ouro são o alvo.”

“Esteja lá”.

Após a pronúncia dessas três únicas frases, um som estridente foi ouvido em toda a clareira e já não havia mais ninguém lá, os três homens haviam aparatado.



Notas finais
Finalmente Hugo e Lílian aparaceram *-* Eu sei que eles mal aparecem por toda a fic e me lembro de tê-los colocado logo nos primeiros capítulos, mas os dois também são partes essenciais da fic e se vocês puderem relacionarem eles ao capítulo anterior que eu escrevi entenderão melhor. Não pensem que eu me esqueci de Lara e Jonh, eles ainda irão aparecer e bem é isso, comente, façam recomendações e me perdoem pelo o meu terrível atraso em postar o capítulo.
Beijos e até o próximo#