Herdeiras do Trono
1 Prólogo
Em uma era distante daquela que os humanos atuais chamam de "pré-história" já existia vida no planeta. O povo que aqui habitava era chamado de Elfos. Os mesmos que Tolkien(1) e Christopher Paolini(2) descrevem em suas respectivas obras. Seu mundo girava em torno da natureza e sua tecnologia era muito mais avançada do que a que temos hoje em nossas mãos. Os Elfos dividiam o mundo em cinco reinos: Sulkio, Nasrad, Assiúr, Windland e Lisarb. Sulkio antes fazia parte do reino de Lisarb, cuja capital era Larouffe.
A sociedade em Sulkio era governada por mulheres, e apenas mulheres da realeza se tornavam Rainhas. Quando Duna Castellan, mulher de Thormean, um bravo guerreiro que morreu em uma das muitas batalhas de Sulkio, assumiu formalmente o poder, soube que estava grávida, e grávida não poderia governar. Com ódio de si mesma, abandonou sua vida na capital do reino para se passar por uma camponesa que havia perdido a família em uma cidade no interior do Reino, chamada Fairland. Conseguiu despistar a todos de sua família, apenas Kuro de um ano sabia o que ela estava fazendo, mas isso não atrapalharia seus planos, pois o pequeno nem sabia falar. Isso apertou seu coração. Deixou-o aos cuidados de sua irmã Mary e em homenagem a ela adotou o nome de Meredith.
Sua única preocupação era a possibilidade de Alef a encontrar. Alef era seu Guardião. Um guerreiro que ela escolheu com 17 anos para ser seu companheiro de vida, uma tradição da família real.
Em seu estado de luto, por seu marido, e tristeza, por não poder assumir o trono, Meredith conheceu um homem, por quem logo se apaixonou novamente. Meryan era um carpinteiro que sonhava em montar seu próprio negócio e passar o resto da vida com sua mulher e sua filha. Sim, ele se referia a Avery como sendo sua filha, mas não tinha ideia dos segredos que Meredith escondia. Até que chegou o dia pelo qual Meredith esperava, não ansiosa, mas preocupada. Alef a encontrou, durante um passeio com Avery, que tinha cinco anos.
Ele pediu a ela que voltasse, pois agora poderia assumir o Trono. Ela se negou, dizendo que estava apaixonada e que não abandonaria seu marido.
Alef voltou para o reino, magoado, se sentia ofendido pela Rainha ter escolhido um simples plebeu ao Soldado que ele era. Mais dez anos se passaram e Alef decidiu voltar para reencontrar a Rainha. Acreditou que iria encontra-la com mais um filho, ou grávida, mas para sua surpresa a encontrou sozinha em um jardim colhendo flores de diferentes cores. Ela parecia tão pequena e delicada, com seus cabelos castanhos presos pela metade com uma rosa em botão segurando o penteado. Seu vestido era verde, com detalhes em branco e prata. Ela cantava uma melodia calma e a barra de seu vestido arrastava-se no chão enquanto ela ia de um lado para o outro.
- Alef? — disse a voz da Rainha em um sussurro, ela vinha do outro lado de onde a garota colhia as flores. O guerreiro se virou para onde a voz tinha vindo e percebeu que aquela colhendo as flores era Avery e não a Rainha. Ele foi em direção à Rainha.
- Não — falou ela ainda sussurrando e colocando sua mão no peito de Alef impedindo-o de se aproximar mais, sua expressão era confusa e havia marcas roxas por todo o seu braço, onde a manga arregaçada deixava a mostra.
- O que é isso?- perguntou ele no mesmo tom.
- Entre — disse ela o puxando para dentro. E colocando a cabeça para fora disse para a menina — Avery, querida, me chame quando seu pai chegar, sim.
Alef não ouviu a resposta da Princesa. A Rainha fechou a porta e ordenou que ele a seguisse. Ele foi, pois a seguiria até o inferno, ou onde quer que sua vida acabasse.
- Você não deveria estar aqui. — disse ela enquanto fechava a janela de um cômodo e trancava a porta por onde ele havia acabado de entrar. — O que você quer?
- Você precisa voltar Rainha.
- Não. Eu não posso voltar. Mary está cuidando do reino por mim, deixe isso do jeito que está.
- Rainha, não é tão fácil. Mary está com graves problemas de saúde, não governa mais. Kuro está liderando nosso povo.
- Kuro — disse Duna com a voz falhando. — Como ele está Alef? Como ele é?
- Devo dizer que se parece muito com o pai, Senhora — disse Alef sorrindo — Está aprendendo agora a montar em um cavalo de guerra, será um ótimo guerreiro, Rainha.
- Não me chame assim — disse ela com um pesar no rosto e na voz — Eu sinto tanta falta dessa vida, meu Guardião. Mas...
- Mas o que, Duna? O que lhe prende nessa vida medíocre e sofrida?
- Avery. Ela me prende aqui. Não posso abandoná-la do jeito que fiz com Kuro.
- Mas não tem de abandoná-la Rainha. Logo ela fará 17 anos e terá de escolher seu Guardião. Lembra-se de como nos conhecemos? Faz tanto tempo.
A Rainha sorriu. Realmente fazia muito tempo. E ela estava cansada dessa vida que levava aqui. Meryan nunca havia sido o "marido exemplar" que Thormean foi. Sabia que não deveria ter se casado com esse homem.
- Tudo bem Alef — disse ela sem encará-lo — Eu vou com você. Mas tenho que preparar Avery, ela só tem 16 anos e não está acostumada com mudanças.
- Tudo bem Rainha. Temos dois dias para voltar, mas leve o tempo que precisar.
- Você tem... — ela limpou a garganta. Sentia-se com dezesseis anos de novo, conhecendo alguém que nunca tinha visto na vida e que estaria com ela até o fim desta. — Você tem lugar para ficar durante a noite, Alef?
- Sim Rainha. Botão de Ouro está em um estábulo no centro da cidade, pretendo passar a noite com ela.
- Está certo — disse ela. Alef foi embora e logo mais Avery entrou no quarto avisando que Meryan estava chegando. Duna respirou fundo, pronta para receber seu marido ingrato. Mal sabia ele que logo não estaria mais ali para ser sua escrava, pois era assim que ele lhe tratava, como uma escrava.
Depois da janta chamou Avery no quarto. Duna havia vestido seu vestido vermelho e preto, de magas longas e saia rodada. Eram suas roupas de gala, as mesmas que usava quando tinha festas em Sulkio. Sua coroa estava pousada sobre uma das varias caixas que havia arrumado. E havia vários vestidos espalhados pela cama. Avery olhou todas aquelas roupas e se surpreendeu.
- Nossa mãe, está tão linda — disse a filha abraçando a mãe.
- Obrigada. Que tal você experimentar um desses vestidos?
- Vamos a algum lugar? — perguntou Avery escolhendo um rosa comprido, com alguns detalhes em roxo.
- Sim minha filha — Duna colocava os brincos de ouro — E iremos nós duas.
- Sem meu pai? — disse Avery, curiosa. Ela sabia o que se passava entre eles, mas sentia que havia algo além de todas as brigas.
- Olha querida — disse Duna puxando a Princesa para se sentar na cama. — Tenho que lhe contar uma coisa, mas preciso saber se você está pronta para isso.
- Claro que estou mãe. Pode me contar qualquer coisa.
- Filha, pra começo de tudo, eu não me chamo Meredith. — disse Duna olhando para baixo. — Eu sou Duna, Duna Castellan, a Rainha do Reino.
Avery se espantou com o que sua mãe havia dito, como assim ela era a Rainha?
- C-como assim? — perguntou Avery confusa.
- Eu não sei como lhe explicar filha. Quando eu tinha 22 anos meu marido morreu em guerra e logo após sua morte eu soube que estava grávida — Duna olhava para baixo e tinha lágrimas escorrendo por seu belo rosto — Eu não poderia assumir o Trono, e era muito difícil para eu ver minha irmã mais nova governando em meu lugar, sem poder fazer nada. Confesso que no começo foi tudo inveja. — ela sorriu e ergueu a cabeça, limpando as lágrimas — Mas agora ela está doente. E está precisando de mim e eu tenho que voltar e assumir o Trono.
- Espere — disse Avery tentando entender. — A senhora está dizendo que vai voltar para Sulkio? Para a capital?
- Nós vamos voltar meu amor. — disse ela pegando na mão da princesa.
- Mas aquele é o seu lugar, e-eu não pertenço àquele universo.
- Sim. Você pertence. — disse Duna, surpreendendo a filha — Seu pai não é Meryan Lancaster. Seu pai foi o Rei de Sulkio, o Rei Thormean. O mais honesto, bonito e carinhoso homem que eu conheci nesta vida. Ele foi o grande amor da minha vida — ela parou, não conseguia segurar a dor em seu peito — Seu pai foi incrível.
Avery estava chorando, assim como sua mãe. Depois de se acalmarem ela se apressou a colocar o vestido que lhe serviu como uma luva. Ela encarou o espelho, não estava acreditando no q seu reflexo lhe mostrava.
"Eu sou uma princesa" — pensou com os olhos brilhando. Ela sabia que era ridículo pensar isso, mas era a realidade, a sua realidade! Podia até ser um sonho, mas estava disposta a vivê-lo intensamente.
Duna entrou no quarto com os cabelos arrumados e viu sua filha alisando o vestido. Ela limpou uma lágrima. Meryan dormia no quarto ao lado e Alef estava chegando.
- Filha — disse Duna tirando Avery de seus devaneios — Nós temos que ir.
Avery assentiu e pegou suas coisas fazendo o mínimo de barulho que conseguiu. Sua mãe seguia na frente sendo silenciosa e carregando suas malas com uma graça surpreendente. Avery esbarrou em uma cadeira e quase caiu. Seu coração gelou, se Meryan as pegasse agora não ia ser boa coisa. Duna se aproximou da filha e sussurrou algo como "silêncio", mas Avery não entendeu direito. Ela pegou uma das bolsas de Avery e continuou seu caminho até a porta. A abriu sem fazer ruído algum e se encaminhou até o portão da casa destrancando-o com Avery a seguindo.
- Ele está chegando. — anunciou Duna.
- Como a senhora sabe?
- Eu o sinto se aproximar — disse ela com um sorriso no rosto. Havia passado esses dez anos sem o contato de seu Guardião, com exceção das duas vezes que ele aparecera de surpresa. E agora ela o aguardava, ansiosa.
Momentos depois chegou uma carruagem toda enfeitada com flores, preta com detalhes em dourado. O símbolo do reino estava gravado na porta e na bandeira que estava hasteada em cima do teto. O condutor parou a carruagem e acenou para Duna que o cumprimentou com um movimento de cabeça. A porta se abriu e de dentro saiu um homem alto de cabelos pretos, quase grisalhos. Seu rosto era liso, mas seus olhos castanhos estavam cansados.
Ele era muito bonito, Avery percebeu. Seu sorriso iluminava seu rosto. Ele tinha a musculatura de um guerreiro e estava vestido como tal. Suas armas estavam penduradas em seu cinto e ele esticou os braços para Duna que também sorria. Ela o abraçou feliz. Havia tempo que ela sonhava em fazer isso, jogar-se nos braços dele e sentir-se segura de tudo, como se sentia nesse exato momento.
- Avery — disse ela limpando as lágrimas que insistiam em cair. — Este é Alef, meu Guardião.
- Então esta é a pequena Princesa?
- Pelo que dizem – Avery olhou tímida para sua mãe.
- Vamos? Tem alguém lhe esperando Rainha. — disse Alef estendendo a mão para ela que aceitou e subiu na carruagem. Avery achou bonito o gesto e quando ele lhe ofereceu a mão ela aceitou sorrindo.
Dentro ela se sentou ao lado de sua mãe e Alef na frente delas e enquanto eles discutiam assuntos que ela não entendia direito ela se se encostou ao colo da Rainha e dormiu. Estava cansada e queria conhecer logo o castelo. Por isso dormiu e se lembrou de todos os contos de fada que ouviu quando era criança. Ela chegou numa conclusão: Que todas as histórias são reais.
Fale com o autor