Notas iniciais
Olá! É, faz um tempão desde a minha última postagem.Andei meio desanimada, mas mesmo assim não desisti da história. Esse capítulo ficou bem restrito de certo modo,mas acho que vcs vão gostar de descobrir algumas coisas. O que vcs acham a propósito? Me contem suas teorias ok? Boa Leitura

Era grande. Uma grande e assustadora cobra que se debatia enquanto atacava com uma fúria assustadora a minha cama. Por alguns instantes eu não soube o que fazer ou pensar, tão assombrada que estava. Quando voltei a ter controle sobre meu corpo novamente, a minha mão voou até a maçaneta da porta numa tentativa de fuga: um grande erro. Ela percebeu que eu não estava na cama e olhou fixamente para mim. Duas imensas bolas prateadas.

Abri a porta e cruzei os corredores correndo com toda a minha vontade. Apesar disso, toda vez que eu arriscava olhar para trás via a cobra lá, deslizando ferozmente em minha direção enquanto pouco a pouco eu ia perdendo as forças. Caí no chão arfando enquanto gotas e mais gotas de suar escorriam pelo meu rosto.

—Porque você sempre tem tanto medo Kira? — ela sibilou para mim, mostrando sua língua bifurcada — o medo da presa só potencializa o desejo do predador.

Ela foi se enrolando no meu corpo apertando-o até que eu não pudesse mais me mexer.

—Não!!!!

Eu tentava desesperadamente me mover. Não conseguia mais respirar tamanha era a pressão nos meus pulmões.

—Socorro!

—Kira! Kira! — uma voz aflita me chamava.

Num instante a cobra havia partido e eu não estava mais no corredor escuro do castelo. Eu estava no chão do meu quarto debatendo-me feito louca enquanto braços fortes me envolviam. Pouco a pouco eu fui me recuperando. Meus olhos ardiam assim como minha garganta.

—Tudo bem Kira — alguém sussurrou no meu ouvido.

Até esse momento em sequer tinha percebido que estava chorando. Depois de algum tempo eu olhei para cima e encontrei um par de olhos dourados fitando-me com intensidade.

—William? — chamei, piscando algumas vezes para espantar as últimas lágrimas.

Suas sobrancelhas estavam unidas em clara preocupação.

—O que aconteceu?

Olhei em volta procurando pela cobra, mas não havia nada de diferente no quarto. Nem mesmo a cama que antes estava rasgada tinha qualquer sinal de ataque. Pelo visto eu tinha tido outro pesadelo.

—Kira? —ele me chamou novamente puxando-me para ficar de pé.

—E...eu não sei. Acho que foi outro pesadelo.

—Outro? — ele ainda segurava meus braços como se tivesse medo que eu fosse cair a qualquer momento — você já teve outros como esse?

Engoli seco.

—Não, não como esse. Esse foi muito...real.

Ele não disse nada. Parecia estar um pouco cansado e perdido, sem saber o que fazer. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados.

—O que está fazendo aqui? Não que eu esteja reclamando, mas como?

Ele olhou para mim por alguns instantes e eu pude ver várias emoções atravessando seu rosto austero. Depois ele piscou, voltando ao normal e soltando meus braços como se eles estivessem em chamas.

—William? — perguntei confusa com sua atitude.

—Eu estava caminhando e ouvi vozes no corredor. Quando eu cheguei aqui não tinha mais ninguém e então você começou a gritar.

Vozes no corredor? Pensei. Então Maurine realmente esteve aqui com suas amigas. Será que foi ela era a responsável?

Um silêncio estranho se estabeleceu no ambiente. Eu não sabia o que pensar ou dizer. Meu corpo ainda estava dolorido por causa do aperto da cobra. Como podia um sonho machucar de verdade? Foi a sensação que tive quando entrei no lago e fui atacada pelos ursos. A dor era real, mas não tinha nenhum sinal de que algo pudesse ter acontecido.

—Pode me contar sobre os seus sonhos? — William pediu depois de um bom tempo.

—É meio estranho sabe? Eu sei que é um sonho, pelo menos na maioria das vezes. E sempre acontece alguma coisa terrível — expliquei. Um a um eu contei cada um dos meus sonhos para ele que acenava muito sério diante de cada afirmação. Quando terminei estava sem fôlego.

—Isso é...eu — ele parecia estar dividido entre me contar algo ou não.

—Mas são só sonhos né? — meu sorriso era nervoso — eu não tenho com que me preocupar. Certo?

Ele comprimiu os lábios.

—Não acho que sejam apenas sonhos Kira. Quando eu vi aqueles ursos te atacando eu..,

—Espera aí! — franzi o cenho lembrando-me — você estava lá? Você me viu ser atacada? Pensei que você tinha me tirado do lago porque eu estava me afogando.

William andou nervosamente pelo quarto.

—Eu não devia ter feito aquilo Kira. Você não pode dizer isso para ninguém.

—Dizer o que? — eu estava confusa — o que você fez?

—Ninguém deve interferir no teste, nem mesmo um mestre. As consequências são desastrosas. Mas de alguma forma eu sabia que você estava em perigo. Eu..e..eu tive que ir.

Entendimento me alcançou enquanto eu encarava seu semblante preocupado.

—V...vo...cê. Você era o pássaro.

O silêncio dele era o bastante para mim. Então William era o pássaro que havia me salvado.

—Mas porque isso é uma coisa ruim? Se você não tivesse me salvado, eu teria sido morta!

Ele andou para mim novamente balançando a cabeça em negação.

—Não é tão simples assim. Uma atitude assim tem consequências para mim e para o Kaure. Ainda mais agora com tud... — ele parou de falar.

—O que? — insisti.

—Só não conte para ninguém. Por favor.

—Claro — respondi instintivamente. Era estranho que a ideia de vê-lo prejudicado me causasse mal, mas era assim que eu me sentia.

—Volte a dormir — ele disse recuperando calma — amanhã conversaremos.

—Não sei se quero dormir — disse olhando de relance para cama. Só de pensar em ter outro pesadelo como aquele os pelinhos do meu corpo se arrepiaram.

—Posso ficar aqui. Se você quiser, é claro.

Minhas sobrancelhas subiram imediatamente. É claro que a ideia de ter alguém por perto era muito agradável, mas sendo o William isso soava muito estranho. Seria no mínimo muito constrangedor. Olhei para ele por um instante, mas não havia nada em sua expressão.

—Não precisa fazer isso por mim. Eu...eu vou ficar bem — menti.

Ele disfarçou muito mal o alívio quando eu disse isso e eu repreendi a mim mesma por ter ficado magoada com isso. Ele mexia demais com as minhas emoções.

—Amanhã bem cedo tentaremos encontrar seu hamish de novo. Acho que é a melhor coisa a se fazer — ele mudou de assunto rapidamente —eu acredito que, de alguma forma você esteja sendo manipulada.

Eu ia falar, mas ele ergueu uma mão pedindo silêncio.

—Conversaremos melhor uma outra hora. Mas você tem que ser discreta e não contar a ninguém o que você me disse hoje. Inclusive sobre o incidente no lago.

Acenei e ele caminhou em direção à porta e ficou lá parado por um momento antes de retornar retirando de seu pescoço um cordão.

—Isso vai te ajudar com seus sonhos — ele pôs o cordão com um símbolo de uma ave de asas abertas na minha mão — é um talismã. Proteção caso o que aconteceu hoje se repita.

Ele parecia um pouco nervoso.

—William...

—Só aceite, tudo bem?

Ele se virou e saiu rapidamente enquanto eu ficava olhando para o objeto em minhas mãos.

O que William quis dizer quando disse que eu estava sendo manipulada? Ele parecia saber de algo, mas relutava em me contar. Por quê? Porque ele estava tão estranho? E o que Maurine havia feito? Eu desejava muito respostas, mas estava tão cansada que não queria mais pensar nisso naquele momento. Então coloquei o cordão ao redor do pescoço e fui dormir sentindo o calor reconfortante da peça em meu pescoço.

Notas finais
E então o que acharam? Sinto falta dos comentários pessoal. E por favor fantasminhas, se revelem! Beijos e até qualquer hora
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.