Herdeira das Trevas
4 Novas Amizades
Notas iniciais
Para minha sorte, a aula ainda não tinha começado e os alunos conversavam sentados sobre as carteiras. Quando entrei na sala, todos os olhares voltaram-se para mim, mas logo atrás de mim entrou Severo Snape, fazendo todos os alunos correrem para seus lugares rapidamente.
-Não adianta escolherem os lugares. -Avisou o professor sem tirar os olhos de uma lista de papel. -Previamente, separei duplas que ficarão juntas até o fim do semestre.
-Ah não. -Os alunos murmuram em uníssono, mas Snape apenas ignorou as tantas reclamações e começou a enunciar as duplas que trabalhariam juntas. Infelizmente, o nome de Francis foi um dos primeiros e ela faria parceria com uma menina loira da Grifinória.
-Mia Hathaway e Hermione Granger. -Procurei minha dupla pela sala e encontrei a menina que dividiu a cabine do trem comigo: a senhorita educação. Ela respirou fundo e arrastou seus passos sentando ao meu lado com feição extremamente infeliz.
Decidi não arrumar mais confusões, muito menos na aula de Severo, e apenas abri o meu livro na página que ele mandou. Pelo visto, hoje aprenderemos a fazer uma poção Wiggenweld, que serve para acordar alguém do sono induzido. Resumidamente, um antídoto que a Bela Adormecida podia ter tomado. Como ninguém pensou nisso?
-Somente as duplas que conseguirem fazer a poção estarão livres para o almoço. -Ameaçou o professor fazendo-me revirar os olhos. Fala sério, isso não é uma escola ditatorial. Quem ele pensa que é? Adolf Hitler?
Mal pisquei os olhos e Hermione já estava com todos os ingredientes necessários em cima da mesa, ela parecia extremamente concentrada lendo o livro e seguindo suas instruções. Hermione aparenta ser aquele tipo de pessoa que não pede ajuda e tenta resolver tudo sozinha, além de ser um pouco arrogante também. Não tenho moral para falar sobre as pessoas, mas qual seria a graça se não falasse?
-Pode passar o muco de verme-cego? -Encarei-a tentando decifrar suas palavras, mas minha mente ficou presa no verme. -Muco de verme-cego. -Repetiu silabicamente pensando que eu não havia escutado.
-Não faço ideia do que seja isso. -Confessei procurando entre os frascos. -Não diga que isso é realmente sangue de salamandra.
-O que seria? -Ela pegou um dos frascos que estavam perto de mim e chacoalhou na frente de meus olhos. Uma substância verde com algumas bolhas. -Então a filha de Clarice de Lacroix, a rainha das poções, não sabe o que é um muco de verme-cego?
-Alguém leu meu histórico. -Brinquei explorando os frascos coloridos. Como uma poção com espinha de peixe-leão pode dar certo?
-Você é bem popular por aqui. -Nossa poção mudou de roxa para laranja, mas não me preocupei. Hermione parece saber o que está fazendo. -Louisa mereceu aquilo. -Sorri em agradecimento e ela sorriu de volta, bem minimamente. -Agora só falta um pouco de sangue de salamandra para ficar perfeito.
-Não acredito que eles matam o bichinho só para fazer isso. -Falei entregando o frasco em suas mãos.
-Salamandras não são tão amáveis quanto um gato.
-Só por isso merecem morrer? -Declarei abismada. Qual é o problema dessas pessoas com os animais? -Salamandras são fofinhas também.
-Tudo bem, defensora das salamandras. -Hermione levantou a mão e Snape veio até nós com seu semblante odioso. Que homem amargurado. -Terminamos.
Ele levou o líquido até o nariz e torceu o mesmo fazendo-me cruzar os dedos. Espero que essa porcaria tenha funcionado e não tenhamos matado animais em vão. Aliás, será que eles usam essas coisas para alguma coisa no final das contas? Espero que sim.
-Quais foram os ingredientes, senhorita Hathaway? -Perseguidor.
-Sangue de salamandra, espinha de peixe-leão e muco de verme-cego. -Respondi sem encara-lo.
-Quanto tempo no fogo, senhorita Granger?
-Em média quinze minutos, senhor Snape, mas pode variar entre dez e vinte minutos dependendo do tempo em que a pessoa está desacordada. -Nerd.
-Cinco pontos para cada Casa por terem entregado primeiro. -Hermione sorriu alegre e apenas a agradeci mentalmente. Agora faltam apenas vinte e cinco pontos para cessar minha dívida com a Sonserina. -Estão liberadas.
Deixamos a sala de aula juntas e seguimos até o Salão Principal, onde alguns outros alunos estavam reunidos em suas mesas. A da Sonserina estava bem vazia em relação ao outro dia.
-Vou tentar dar uma lida sobre poções para ajudar mais na próxima aula. -Falei para Hermione de forma sincera. Não é justo que ela passe o restante do ano fazendo todas as atividades sozinhas. -Mas não prometo nada. Posso ser filha de Clarice de Lacroix, mas somos pessoas bem diferentes.
-Está tudo bem. -Ela concordou e ajeitou os cabelos extremamente cheios. -Você não é tão ruim quanto eu imaginava.
Francis entrou no Salão feito um trovão e empurrou Hermione para chegar até mim.
-Esses idiotas da Grifinória me tirar do sério. -Exclamou fazendo Hermione revirar os olhos e andar na direção contrária. -A Susan é a pessoa mais burra que conheço, não vou passar mais um segundo ao lado dela nem que eu tenha que subornar o professor Snape. -Desabafou de uma vez cruzando os braços sobre os peitos. -Minha parceira é tão imbecil que esqueci que você está fazendo dupla com a Granger. -Falou fazendo uma careta ao enunciar o sobrenome. -Como foi?
-De boa. -Respondi unicamente caminhando ao seu lado até chegarmos à mesa da Sonserina. Ela continuou reclamando sem parar da tal Susan e sua incapacidade de manter as mãos junto ao corpo até o banquete de almoço ser servido.
A primeira coisa que avistei foi uma salada extremamente chamativa que estava bem na minha frente, parece que Dumbledore está fazendo de propósito, espero que continue assim. Servi um pouco de sopa de tomate e um enorme copo de suco de laranja também. E permaneci em silêncio devorando cada alface como se fosse a última folha do Mundo. Que fome que eu estava!
-Pensei que seria expulsa no primeiro dia, princesa. -Comentou Draco Malfoy com seu sorriso malicioso. Ele se sentou bem à minha frente e arrancou um prato pronto das mãos do menino que estava ao seu lado. -Louisa Silverstone está bem puta da vida.
-São dois trabalhos: ficar e desficar. -Revirei meus olhos tomando mais um gole.
-Estou bem animado para conviver com você. -Confessou ele. Draco é extremamente atraente, Samanta diria que ele tem “o campo magnético”. A pessoa que tem esse “dom” é capaz de atrair outra com poucas palavras, é como se tudo que ela dissesse fosse instigante. Malfoy é realmente um imã, sinto que vou me divertir bastante com ele por aqui.
O resto do dia passou lentamente junto com as aulas entediantes e os comentários infinitos sobre o incidente na aula de Feitiços. Umas meninas do primeiro ano vieram dizer que me achavam o máximo, inclusive.
Para o meu azar, descobri que a tal Louisa também é da Sonserina e esbarrei com ela no vestiário enquanto saia do banho. Ela e Pansy apenas me encararam com ódio, mas não comentaram nada sobre o ataque de mais cedo. Como é bom fazer amigos.
Quando finalmente tive um tempo livre, escrevi uma carta para minha mãe contando sobres os últimos acontecimentos. Pensei um pouco sobre a briga com Louisa e decidi ocultar essa parte. Não quero que ela fique preocupada desnecessariamente. Apenas falei sobre as coisas boas, que se resumiam a comida e ao colchão confortável. Contei um pouco sobre minha conversa com Dumbledore também e sobre ter conhecido a Francis, uma amiga em potencial.
Pensei em escrever alguma coisa para Sam, mas acho que ela pode achar estranha. Decidi que esperarei alguns dias até pensar em alguma desculpa para, ao invés de mandar um torpedo estar mandando uma carta no estilo barroco. Samanta pode não ser a menina mais inteligente de Beverly Hills, mas também não é imbecil.
-Ninguém para de falar do seu feitiço. -Comentou Francis empolgada penteando os cabelos. -Todos acham a Louisa tão insuportável que nem ligaram para os pontos.
-Estou me sentindo bem culpada em relação a isso. -Confessei fechando o envelope. -Vou dar um jeito de recuperar todos esses pontos, nem que tenha que passar o fim de semana inteiro fazendo deveres.
-Não se cobre tanto. Todo mundo perde ponto todos os dias. -Ela deu de ombros. Sei disso Francis, mas não quero ter dívidas com ninguém quando eu finalmente deixar Hogwarts. -Se quiser que essa carta seja entregue hoje, é melhor correr. Não deixam entregar nada depois das sete.
-Merda. -Resmunguei e levantei-me num pulo.
Só quando cheguei ao Salão Principal, percebi que não fazia ideia de onde estaria as benditas corujas-correio. Tentei pedir ajuda aos quadros, mas a maior parte deles me ignorava descaradamente. Fantasmas idiotas. Inclusive, o próprio Barão Sangrento me deu perdido quando me viu cruzar o corredor em disparada. É ótimo ver a disposição de todos em ajudar.
-Está perdida? -Perguntou uma voz masculina fazendo-me virar para trás. O menino do trem estava com uma carta nas mãos e suspirei ao vê-lo.
-Você também vai entregar essa carta?
-Sim, estou indo para minha Sala Comunal agora. -Falou dando de ombros.
-Mas como vai entregar então? Não precisaria dar para uma coruja e tal? Não é assim que funciona? -Perguntei rapidamente fazendo-o sorrir. Ele tinha uma covinha bem fofa.
-É que minha coruja está no meu quarto, ela fica comigo a maior parte do tempo. E sinto avisa-la que já não dá mais tempo de entregar, o correio já saiu. -Bufei apoiando na parede com o envelope nas mãos. Nada dá certo nesse lugar. -Não precisa ficar assim. -Ele falou tentando me tranquilizar. -Se quiser, posso pedir para Edwiges entregar sua carta.
-Jura? -O garoto concordou com a cabeça fazendo-me respirar aliviada. -Valeu mesmo... -Travei e lembrei que ele ainda não havia falado seu nome. -Não me lembro do seu nome. -Confessei dando uma risada envergonhada.
-Eu não falei ainda. Sou Harry Potter, prazer. -Então esse é Harry Potter? Filho de Tiago Potter, melhor amigo do meu pai? -Seu nome é Mia. Não quero parecer perseguidor, mas é que todos passaram o dia inteiro falando do seu feitiço e Hermione também falou sobre vocês duas na aula de poções. -Ele é tão amável que sinto vontade de apertar suas bochechas.
Caminhei com Harry até a Sala Comunal da Grifinória. Obviamente, não pude entrar, mas ele prometeu que viria me avisar quando entregasse a carta para Edwiges. Achei muito bacana da parte dele me ajudar, no meio de tantas pessoas achando que sou uma megera, é legal ver alguém disposto a me auxiliar.
Durante o percurso, nós conversamos um pouco sobre Hogwarts. Ele me contou que está aqui desde os seus onze anos e que gosta muito da Escola e que quando não está aqui, está em Londres com seus tios trouxas. Pelas suas descrições, Harry não é tão próximo da família assim.
-Edwiges não ficou muito feliz ao saber que vai ter que cruzar o oceano. -Comentou encontrando-me na esquina do corredor.
-Peça desculpa a ela por mim. -Brinquei fazendo-o rir. -Estou devendo um favor.
-Não se preocupe com isso. -Tentei não encarar diretamente, mas seus olhos verdes eram tão brilhantes que pareciam reluzir. -Então seu pai é Eron Hathaway. -Falou fazendo-me voltar para a realidade.
-Sim. -Concordei animada por ele ter puxado esse assunto. -Nossos pais eram muito amigos.
-Nossas mães também. Ah, sinto muito, acho que me confundi um pouco. Na verdade, Eron é seu pai adotivo, não?
-Ele é sim. Fui criada por ele e Courtney Monroe, minha mãe adotiva que é trouxa. Eu não conheci Clarice de Lacroix, muito menos meu pai biológico, esse ninguém sabe quem é. -Resumi e ele sorriu mais uma vez de maneira compreensiva.
-Muitas pessoas te amam. -Falou passando a mão pelo cabelo bagunçado. -Deve ser legal. Nunca conheci meus pais e meu padrinho Sirius morreu então é meio solitário às vezes. Graças à Merlim, tenho Hogwarts e meus amigos.
-Lembre-me de nunca mais reclamar da minha vida. -Nós dois rimos e uma onda de alunos invadiu o corredor, alguns olhando torto para nós. Estava na hora do jantar. -Está na hora da janta. -Não quer ser mais óbvia, Mia? -Obrigada mais uma vez, quando se lembrar de alguma coisa que eu possa fazer por você. É só avisar.
-Harry! -Exclamou Hermione aparecendo e surpreendendo-se com minha presença. -Sua amiga Francis está bem? -Indagou com ironia fazendo-me suspirar. Francis foi uma verdadeira babaca, confesso. -Tanto faz. Nós estamos procurando você! Precisamos terminar aquele assunto. -Falou em códigos para Harry que apenas arregalou os olhos se lembrando da importância de tal coisa e voltou-se para mim:
-Nos vemos por aí. -E saiu arrastado por Hermione.
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