Herdeira
1 O começo.
Notas iniciais
''O cúpido existe ou será tudo armação da sociedade?'' Ouvi a menina alta de cabelos longos ruivos falar.
Esses humanos... Mal sabem que na realidade o cúpido se chama Anne e alias, sou eu mesma. Ri alto. Olhei para ela mais um vez e para um menino, alto de cabelos negros logo á sua frente. Peguei meu IHeart, olhei para eles de novo e cliquei no botão de coração. Segundos depois já estava feito, ele não parava de olhar para ela e ela para ele. A atração estava falando mais forte quando ele já não aguentando foi falar com ela. Fiquei os observando mais um pouco e sai. Andei mais algumas quadras e encontrei um casal que eu havia entrelaçado um ano atrás. O que? Cúpidos tem a mente boa! Eles riam e andavam com um animalzinho nas mãos, deduzi que fosse um cachorro.
Os observando senti algo no peito... não liguei e continuei a observar e vi que ele estava carregando uma caixinha junto a ti. Cheguei mais perto e vi que era uma caixinha Tiffany & Co. e que dentro havia um lindo anel! Oh, ele iria pedi-la em casamento. Me entusiasmei com a ideia e esperei ele pedir.
Eles andaram mais algumas quadras até que a pegou pelo braço, ela o olhou tensa. E então, ele se ajoelho retirou a caixinha do bolso e lhe pediu. Lágrimas começaram a correr pelo seu rosto e sim... ela aceitou. Eles riam e se beijavam... eles estavam felizes... mas era uma felicidade nova para mim, uma felicidade que eu nunca havia presenciado ou sentido.
Deixei-os a sós. Andei um quarteirão até chegar em um parque e me sentar num banquinho rosa que lá havia. Olhei as mulheres, os homens, algumas crianças, alguns casais e alguns animais, em geral cachorros. Os casais eram felizes, andavam de mãos juntas, alguns até tinham filhos que os abraçava com força. Outras mulheres não saiam do telefone e outros homens do notebook... vendo-os a sensação estranha voltou... mas agora eu sabia o que era... sim, eu estava com vontade. Com vontade de poder viver esse amor, de poder compartilhar minha alegria com um homem?! 140 anos entrelaçando casais... eu... mereço umas férias! Sorri com a ideia.
Enquanto eu pensava no que fazer para conseguir as merecidas férias, um rapaz alto, com a barba para fazer, cabelos negros bagunçados, camisa social dobrada até o cotovelo e calça jeans se sentou ao meu lado. Ele olhava para frente e de minuto em minuto olhava para o celular... ele estava mal. Disse que como cúpida tenho o poder de ver a Aura da pessoa e ficar invisível, me tele transportar, ter roupas de marcas... Só passa de um clique que pronto... Tudo muda.
Percebi que ele ficava observando algumas fotos no celular, me aproximei e vi que era de uma loira, olhos azuis. Ri incrédula com o mau gosto que aquele homem tinha, ele era bonito merecia alguem melhor.
Olhando fixamente para ele, percebi que seus dentes eram brancos, quando ele falava olhando para as fotos dava para perceber, meios tortos mais quando ele sorria... sentia algo.
E então a lágrima rolou de seus olhos... Não aguentei e me ousei a aparecer para ele. Peguei meu IHeart e pronto, num clique estava em carne e osso sentada ao lado dele. Meus cabelos eram dourados enrolados, meus olhos verdes e minha pele branca. Estava com o cabelo preso.
— Você esta bem? — Disse sem pensar.
Ele pulou do banco e arregalou os olhos.
— Você esta ai faz quanto tempo? — Disse gaguejando.
— A mais tempo que voce pensa. — Sacaneei.
Ele ficou tenso, seus músculos travaram, senti a respiração dele frear e ele começar a soar.
- Você viu... Que eu... Estava chorando? – Ele disse engolindo as palavras em seco.
Dei uma gargalhada, o que o deixou num mesclado de raiva e vergonha.
- Sim. – Me ajeitei no banco e arrumei meus cabelos que estavam sendo desembrenhados por causa do vento forte. – Quem é ela?
- Uma menina. – Ele pegou o celular e voltou a olhar para a foto da loira. – Uma menina por qual eu me apaixonei, mas não deu certo.
- Se não deu certo é porque não era para ser, não adianta você ficar chorando agora. Se não foi ela, vai ser com outra. – Olhei-o com toda a ternura que existe dentro de mim.
Ele tossiu e se arrumou no banco, colocando sua perna cruzada com a outra; O que fazia ele se tornar mais intrigante, deixando os humanos e até mim, achando-o misterioso ou sério.
O silêncio se tornou algo constante, ele olhava para foto e eu o admirava. Seu nariz era pequeno, certinho. Seus lábios amarronzados, seus dentes tortos, mas bem brancos; Sua barba deveria estar sem fazer por aproximadamente três semanas, ele cheirava a perfume barato, sua respiração se intensificava quando o vento batia em seu rosto, fazendo seus cabelos ficar pior do que já esta; Certeza de que ele não penteou seu cabelo. Sua pele era clara, seus olhos era a melhor parte de seu rosto... Eram amendoados com um toque de verde escuro.
O silêncio se prolongou por mais alguns minutos, comecei a ficar impaciente e com uma vontade tremenda de lhe perguntar seu nome, me contive um pouco... Mas não consegui.
- Então... Qual seu nome? – Olhei para ele fingindo um sorriso largo, mas que passaria um pouco de segurança a ele.
- Alex. E o seu? – Ele se virou, fazendo nossos rostos ficarem cara a cara.
Não pude ignorar o fato de que quando a luz batia em seus olhos, eles ficavam mais belos do que já era e dava para perceber perfeitamente o verde escuro em torno da íris e o amendoado logo a seguir.
- Anne. Prazer. – Sorri fazendo-o meus olhos se fecharem. – Desculpe por ter me intrometido onde não deveria. – Rolei meus olhos pelo parque, que agora estava com várias pessoas fazendo caminhada e quase não via mais crianças. – Eu queria te ajudar.
Ele sorriu, mas logo se virou e olhou para o chão; Onde algumas folhas estavam espalhadas e parecia caminhar pela calçada ladrilhada, o vento mexia os galhos das árvores o que faziam as folhas caírem por todo o parque. Os humanos estavam no Outono, enquanto nós, cúpidos... Não saímos da Primavera. A estação mais romântica do ano, com as rosas desabrochando, as violetas crescendo, os copos-de-leite servindo como casa para alguns insetos.
- Tudo bem... Você... Me ajudou. – Ele franziu a testa enquanto olhava para as folhas; então olhou para o relógio em seu celular e se assustou novamente. – Eu... Eu estou atrasado. – Gaguejou e se arrumou no banco, colocando o celular dentro do bolso da calça. – Prazer Anne. A gente se vê por ai. – Ele se levantou e saiu correndo pelo o parque.
O acompanhei pelo olhar, enquanto se afastava do banco até ele parar no meio do caminho. Coçou a nuca, pareceu estar indeciso com algo. Sua Aurea passou de azul para verde, o que me fez acreditar que eu havia o ajudado. Aurea é por onde os cúpidos conseguem enxergar como a pessoa esta, o que ela esta sentindo. Existe cinco tipos dela: Preta, quando o humano esta muito mal, quando ele não tem mais chances. Azul, quando ele esta mal... Sofrendo por amor. Verde, quando ele já esta superando. Rosa, quando ele esta gostando de alguém, esta se apegando a pessoa. E vermelho, quando ele esta amando a pessoa.
Ele se virou e sorrio para mim, retribui o sorriso. Ele voltou correndo para o banco, seus cabelos que antes estavam jogados para a direita, agora estão jogados para a esquerda. Quando ele chegou perto de mim, pude perceber que suas mãos estavam agitadas.
- Desculpa, mas... Você pode me dar seu número? – Ele riu sem jeito e voltou a coçar sua nuca. Naquele instante percebi que quando ele coçava a nuca era porque estava indeciso ou com vergonha de algo. Isso o deixava meigo e fofo.
- Claro. É... – Peguei o IHeart do bolso e ele quase o comeu com os olhos. Ri sem graça e senti minhas maças do rosto corarem.
- Seu celular é muito... Moderno. – Disse encabulado com aquele celular, que na verdade era um celular mágico que poderia mudar a vida dele a qualquer hora.
- Sim, é. – Sorri para disfarçar meus pensamentos. Olhei o IHeart e percebi que eu não tinha número. Para que um IHeart precisa de número? Tenho que fazer algo sobre isso. – Olha um gato! – Apontei para a árvore.
- Onde? – Ele se virou e começou a procurar o ‘’gato’’ nas árvores. Nesse tempo cliquei em um botão desejando saber o número de meu IHeart para dar a ele. – Eu não estou achando... – Alex coçou a nuca.
- Ali! – Pronto. Consegui, o número estava agora na tela do celular. – Ele já foi embora. – Disse rindo.
Ele se virou e estava com uma expressão confusa em seu rosto. Decidi não ligar muito, a essa altura ele deve estar me achando louca. Com uma mágica a menos, como meus descendentes falavam.
- E então... O número? – Disse ele, pegando seu celular do bolso para marcar o número da mulher que ele acabou de conhecer, mas que já sente uma atração mutua.
- É 5809-1529. – Sorri tentando disfarçar a euforia em que eu se encontrava. Da para acreditar? Uma cúpida, passando seu número para um humano! Isso vai dar em problema... O conselho... Meu Deus! Eu me esqueci do conselho! Eles vão me exilar!
Um peso desceu por minhas costas, meus músculos travaram, eu o olhava marcando o número e sorria falso... Meu coração se aperta só de pensar em ser expulsa da missão de cúpida. Sou cúpida por mais de 140 anos! E Alex... Ele vai ficar mal, quando me ligar e ver que eu nunca poderei vê-lo novamente... Tremi com a ideia. Eu queria vê-lo! Eu queria... Sentir.
- Pronto! Eu te ligo, pode ser? – Ele piscou e sorriu. Alex estava sem jeito, e sua timidez estava estampada na cara, mas seu jeito de ser misterioso... Me fazia querer saber mais dele.
- Tudo bem! – Dei o sorriso mais idiota de todos os tempos. Pelo menos fiz ele gargalhar.
- Tchau. – Alex saiu correndo pelo parque e dessa vez... Ele não voltou mais.
Me ajeitei no banco e coloquei o IHeart dentro do bolso de minha calça. O vento batia em meus cabelos, o que fazia eles se desajeitarem, mesmo preso havia fios soltos... Se eu me visse andando na rua, diria que sou uma pintora ou uma artista, que luta contra o desmatamento e sou vegetariana.
Olhei uma mulher passar com roupas de ginastica, ela estava com fones de ouvido e estava ouvindo uma musica... Que pelo visto, estava muito alta! Era uma música pop... E sim! Britney Spears e Will.i.am que cantavam. Britney... Já havia entrelaçado ela com tantos homens! Mas então, Joe ia lá e acabava com tudo.
Joe é um Ilusionista. Há vários desses pelo mundo, não são como os Ilusionistas que os humanos conhecem, esses são ruins. Eles vivem acabando com todos os humanos que nós, cúpidos entrelaçamos. Foi um deles que fez com que Alex e a loira separassem. Eles se alimentam das desilusões amorosas que os humanos levam. Quanto mais desilusões, mais fortes eles ficam. Ilusionistas são nossos inimigos desde que me conheço como cúpida. Eles tem alguns poderes que o fazem ser mais fortes do que nós... Por exemplo, eles podem se mostrar para os humanos em sua forma humana. Eles podem ter relações com eles... Mas Ilusionistas nunca amam.
Joe era um cúpido, mas se revoltou contra o conselho por estar apaixonado por uma humana. O conselho o expulsou... Mas os Ilusionistas que não são nada bobos, o pegaram. Joe é uma arma para eles, pois ele sabe todos os segredos dos cúpidos.
O conselho... Eles podem me exilar também. Mas eles não podem me perder, afinal... Eu sou a herdeira. Ser a herdeira é muito importante para os cúpidos, pois a herdeira os comandará por 500 anos. Ela ficará a frente de todos, até mesmo do conselho. Nós cúpidos, não temos mãe ou pai. Temos o Guardião. Ele que sabe onde e quando um cúpido irá nascer. Nascemos de uma fonte que fica no topo do Monte Gokinsk, é lá onde vivemos. Nascemos como qualquer outro humano, bebês. Mas então crescemos e paramos de crescer quando chegamos aos 23 anos de idade.
Os humanos só sabem da lenda dos cúpidos, pois Ellie uma humana conseguiu achar o Monte e lá ela viu Thomas, um cúpido bebê. O arco e a flecha eram as armas que antigamente usávamos para combater os Ilusionistas. O conselho descobriu sobre Ellie e a puniu por ter revelado alguns segredos sobre nós... Mas os humanos são tão ignorantes que fizeram de nós, uma lenda.
Ninguém sabe de onde viemos, e de onde os Ilusionistas vieram... O conselho tem alguns segredos que não se pode revelar para nenhum cúpido, pois então, o mundo em que conhecemos entraria em colapso.
- Anne... Anne. – Ouvi alguém me chamar com um tom risonho na voz, o que fez meus pelos do braço se arrepiarem.
- Olá Max. – Respondi com toda a frieza que existia em meu coração. Me levantei e olhei para ele. Max era um cúpido. Ele era alto, moreno, olhos castanhos claros, cílios grandes, boca rosada e pele morena.
Max era um tacho para todos nós, ele vive acertando a flecha em quem não pode. Como em um homem em outro homem. Sem preconceito algum, mas isso é contra as regras de nós, cúpidos. Max gosta de brincar com os sentimentos e com a magia que temos. Ele daria um ótimo Ilusionista.
- Se mostrando para os humanos? O conselho gostará de saber disso. – Ele riu. Me atordoei com a ideia e corri até ele. O peguei pelo braço e o ameacei.
- Você não contará nada a ninguém, seu Ilusionista vestido de cúpido. – Tentei assustar ele com meu tom de voz autoritário, mas parece que nada e nem ninguém pode deixa-lo assustado, nem mesmo o Conselho. – Quando eu for herdeira, eu vou te exilar! – Cuspi.
Ele se soltou e me puxou para perto dele, fazendo nossos corpos se colarem. Senti a respiração quente que vinha de dentro dele, até mesmo as batidas daquele coração empedrado. Como ele ainda pode ter coração? Ele é um traidor. Max e Joe eram melhores amigos, viviam fazendo maldades. Joe foi o único que foi exilado, quando na verdade quem deveria ser exilado era ele.
- Não se eu fazer o conselho te exilar mais rápido. – Ele pegou seu IHeart, clicou em uma tecla.
Senti meu corpo se desfazer, não conseguia mais sentir Max. Havia perdido o tato, olfato, visão, paladar e até mesmo audição. Meu corpo se degenerou em mil pedaços. Foi assim por alguns minutos, até eu me regenerar novamente e tomar fôlego.
Aquele Ilusionista havia me levado até o conselho! Ele estava ao meu lado, rindo como um perfeito idiota. Eu queria soca-lo, mas me contive por estar onde estou agora.
O conselho é formado por três cúpidos: Thomas, loiro alto de olhos azuis. Foi ele quem Ellie viu. Thomas era severo e injusto. Havia Rose, ruiva de grandes olhos azuis. Ela era quem fazia os cúpidos serem tão modernos. Sem Rose ainda estaríamos com os Arcos e flechas. Para alguns, ela era maluca. E Meredith, negra, cabelos volumosos pretos. Meredith era encantadora, honesta e inteligente.
Thomas estava no topo, seguido por Rose e logo em seguida Meredith. Vamos dizer que Thomas é o cérebro e Rose e Meredith, seus neurônios. Eles se completavam em três.
- Ora, ora... Que surpresa agradável. – Thomas sorriu a perceber que Max estava lá. Meredith olhou para mim e percebi que ela estava decepcionada com a minha presença. Rose como sempre estava rindo e olhando para o nada.
- Como você vai, amigo? – Max sorriu e se aproximou de onde Thomas estava. Havia com ele um sorriso sacana no rosto.
- Guarde sua ironia para você, Max. – Meredith virou os olhos e Max se calou, ficando parado no meio do caminho.
Estávamos em uma sala enorme. O chão era feito de madeira e havia alguns lugares onde tinha pequenos diamantes enfincados nela, fazendo a imagem de um símbolo do qual não sabemos do que trata. As paredes eram cinza com detalhes em vermelho, havia lustres espalhados por toda a sala, deles saia um pó metalizado. Aquela sala era um pesadelo, ao contrário do Monte onde vivemos.
- Anne! – Rose pulou em me ver, seus olhos azuis brilhavam igual um mar feito de diamante. Engoli em seco, ao perceber que Meredith me olhava decepcionada. Será que ela teria me visto com Alex? Meus braços amoleceram de medo.
- Minha amiga Anne, estava se mostrando para um humano. Ela até deu seu número para ele. – Max soltou. Ele me olhava com a alegria estampada em seus olhos, parecia que ele queria que eu sumisse dali, que ele me queria longe de lá.
- Isso é verdade Anne? – Thomas me fuzilou com os olhos. – Você sabe que isso é contra as regras... – Ele olhou para baixo e fungou. Meredith lançou um olhar medonho para ele, o que o fez voltar a olhar para mim.
- Eu sei! Mas ele precisava da minha ajuda! Eu... Quis ajudar! – Olhei para Rose pedindo por clemência. Como ela era a mais legal, previ que ela poderia me defender. Mas ao invés disso, aquele brilho em seu olhar, desapareceu.
- Ajudar? E para isso precisa dar seu telefone para ele? – Max ria. Ele estava se divertindo com o meu medo, com a minha preocupação. Não me contive e pulei em cima dele.
- Hurenos! – Meredith gritou e em alguns segundos, eu estava do outro lado da sala e Max ao lado de Rose. Estava paralisada, não conseguia me mover, apenas falar.
Os cúpidos têm alguns poderes e com ele, vem à magia. Hurenos é uma magia que faz com que seu adversário voe para longe e o deixa paralisado por um tempo em que você pode sair correndo para se salvar. Ele é uma magia de defesa.
- Ela é a herdeira, não podemos exila-la. Muito menos castiga-la. Você sabe disso Thomas, então tire esses pensamentos maléficos de sua mente. Guarde-os para alguém que mereça. – Meredith fuzilou Max.
- Anne é uma boa cúpida, nunca fez nada contra as regras Thomas. Concordo com Meredith, não podemos exila-la... Mas podemos propor a ela um desafio. – Rose sorriu sacana.
Max se alegrou ouvindo aquilo, posso ver em seus olhos. Aquele Ilusionista vestido em pele de cúpido! Quem ele pensa que é para me julgar? Para me trazer até aqui? Pela sabedoria do Guardião!
- Um desafio? – Thomas riu. – Mas só se ele for junto com ela. Só aceito com essa condição. Adoraria vê-lo se virando sozinho no mundo dos humanos. – Thomas olhou para Max, que estava sério.
Como ele poderia ficar sério, ouvindo aquilo de Thomas? Max era feito do que? De pedra? Já estou farta desses comentários e nenhuma solução.
- O que vocês querem? – Me ousei a encarar o conselho. Eles se assustaram com a minha atitude, olhei para o lado e Max me olhava com dúvida. Ele deve estar pensando que sou a menina mais burra do mundo.
- Te daremos um desafio. Você irá para o mundo dos humanos, tentará conquistar Alex. Mas você não poderá usar a magia dos cúpidos. Deverá agir por conta própria! E Max irá junto com você, à missão dele é te ajudar. Se você conseguir realizar esse desafio, não iremos exila-la. Mas se não conseguir, exilaremos você. – Thomas olhou para mim de cima a baixo. O que me fez ter um frio na espinha.
- Eu sou a herdeira, não podem fazer isso comigo! E como irei conquista-lo sem a magia dos cúpidos? Max, ir comigo? Prefiro ser exilada a conviver com esse Ilusionista.
- Assim você magoa Anne. – Max sorriu torto. – Mas concordo com ela, não tem um porque eu ajuda-la nessa missão. Eu não fiz nada. Humano é uma raça odiosa. Prefiro ter o mesmo final que Joe. – Max falou friamente com o conselho. Sua ousadia me deixou preocupada de que algo acontecesse com ele... Mas veja pelo lado bom, não ficaria com ele.
- Cuidado com o que você deseja Max. – Thomas o fuzilou. – Você não precisará da magia dos cúpidos para conquista-lo Anne, o amor acontecerá sem ou com a magia. O amor é o grande mistério. Somos apenas um mensageiro dele. – Disse Meredith. – Mas só tiraremos essa magia de você, pois você ainda terá as outras magias, para poder sobreviver. Como a de, ficar na moda, arranjar um emprego entre outras coisas que você precisa. – Finalizou Rose.
- Não tem outra saída? – Implorei á Meredith. Ela me entenderia, ela odeia Max tanto quanto eu, ela sabe que eu não sou uma má cúpida para isso.
- Não, desculpe. Ou é isso, ou é ser exilada. – Meredith olhou para Thomas, que estava tenso e ao mesmo tempo feliz, pensando em como Max ficaria no mundo dos humanos, ainda mais ao meu lado.
- Ela aceita. E Thomas, pare de pensar que esta me fazendo algum mal me colocando no mundo dos humanos com essa herdeira de mentirinha, porque não esta. – Max ajeitou seu cabelo e veio até mim, que ainda estava paralisada.
- Não tome decisões por mim Max. – Tentei ser o mais grossa possível. – Se eu sou herdeira de mentirinha, você é um cúpido de mentirinha. Estamos quites Ilusionista. – Terminei.
- Você quer ser exilada Anne? Claro que não. Então pare de ser teimosa e aceite. Não vejo a hora de ficarmos sozinhos. – Disse ele com malicia, o que me deu mais raiva.
- Você é nojento, Max. –Meredith se intrometeu. – Então, aceitam o desafio? – Disse ela nos colocando contra a parede.
- Sim. – Max e eu falamos na mesma hora, e pude perceber que ele estava sorrindo. Eu queria soca-lo, eu queria mata-lo.
- Muito bem. O desafio esta lançado. Boa sorte. — Thomas como sempre sendo irônico. – Cuidado Anne, Max sabe muito bem como conquistar uma mulher e você no mundo dos humanos, estará sujeita ao charme dele. – Rose se preocupou. Virei os olhos. Eu? Max? Prefiro me deitar com um cachorro a com esse Ilusionista. – Antes que eu me esqueça... Hurenos Actinus! – Meredith falou e então consegui me mexer novamente. E agora sim, pude me virar e socar o rosto de Max, como eu queria.
Thomas começou a gargalhar, ele ria só de pensar no sofrimento de Max. Eles se odiavam e ninguém sabe o porquê disso. Rose estava assustada, mas se divertindo. Já Meredith nem tanto.
- Mas qual é meu prazo, para conquista-lo? – Disse me recompondo do soco que dei em Max, minha mão estava dolorida. Mas valeu a pena. Olhei para Max, ele estava passando a mão por cima da bochecha em que soquei. Fiquei feliz e soltei um riso.
- Não tem um prazo para o amor acontecer, Anne. Quando ele acontecer, nós saberemos. – Meredith assentiu. Rose estava bocejando de mentira e Thomas parecia revirar os olhos.
- Vamos linda? – Max me puxou para perto dele, tentei sair de seus braços, mas não consegui. Estava presa a ele por um tempo indeterminado.
- Adeus. – O conselho disse e então fiquei sem os cinco sentidos novamente, estava me degenerando rápido e novamente não sentia mais Max ali.
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