Herança de Avalon
22 Alexander Vane Le Fay
A caverna estava mergulhada em uma penumbra úmida e fria, o fogo verde-azulado na lareira natural crepitando baixo, lançando sombras alongadas que dançavam nas paredes de pedra como fantasmas inquietos. O ar cheirava a musgo molhado, terra antiga e um leve traço metálico de magia residual. Charlotte estava sentada em uma poltrona improvisada de peles grossas e almofadas, a mão protetora sobre a barriga, sentindo o bebê se mexer devagar, como se também sentisse a dor que preenchia o espaço.
Alexander Vane Le Fay estava de pé diante do fogo, as costas voltadas para ela, os ombros largos curvados como se carregasse o peso de séculos. Quando finalmente se virou, seus olhos verdes — os mesmos de Mordred, mas mais assombrados, mais quebrados — encontraram os dela. Havia uma dor ali tão profunda que parecia ter sido entalhada na alma dele com uma lâmina enferrujada.
Alexander Vane Le Fay respirou fundo, os olhos fixos nas chamas verdes da lareira, como se o fogo pudesse levá-lo de volta no tempo. Sua voz saiu baixa, rouca, carregada de uma dor que parecia ter sido entalhada na alma dele com uma lâmina enferrujada.
— Dez anos atrás… eu era outro homem.
Ele parou, passando a mão pelo rosto, os dedos tremendo levemente. Charlotte ficou em silêncio, sentindo o peso da história dele como se fosse sua própria.
— Eu era o herdeiro perfeito. Inteligente, ambicioso, frio o suficiente para sobreviver no mundo dos negócios e sensível o suficiente para não me tornar um monstro. Em Mayfair, eu comandava uma das maiores firmas de capital privado da Europa. Movia bilhões. Comprava empresas falidas, transformava-as em impérios, vendia com lucro absurdo. Os jornais me chamavam de “o jovem rei de Mayfair”. As pessoas me temiam. Me respeitavam. Me queriam. Eu tinha tudo… ou achava que tinha.
Alexander soltou uma risada amarga, os olhos brilhando com lágrimas não derramadas.
— Eu me apaixonei por Elara numa tarde de outono chuvosa. Ela era curandeira de uma linhagem menor, sem grande poder, sem nome antigo. Cabelos castanhos cacheados que caíam como cascata sobre os ombros, olhos cor de mel quente que faziam o mundo parecer menos escuro. O sorriso dela… ah, o sorriso dela era capaz de curar feridas que nem magia conseguia tocar. Ela trabalhava em uma pequena clínica gratuita no East End, tratando feridas que os médicos comuns não conseguiam explicar. Eu a vi pela primeira vez curando uma criança com febre mágica apenas tocando sua testa. Foi como se o mundo inteiro tivesse parado.
Ele fechou os olhos por um instante, como se pudesse vê-la ali, na caverna, diante dele.
— Nós nos apaixonamos em segredo. Noites roubadas em apartamentos discretos, passeios pelo Hyde Park ao amanhecer, risadas baixas para não acordar o mundo. Eu planejava fugir com ela. Deixar a família, o dinheiro, o poder. Viver uma vida simples, longe da escuridão dos Le Fay. Eu disse isso à minha mãe.
A voz dele falhou. O fogo crepitou mais alto, como se respondesse à dor.
— Morrigan ficou possessa. Ela gritava que eu estava traindo o sangue, que eu estava enfraquecendo a linhagem, que uma mulher como Elara ia me transformar em um fracasso patético. As brigas eram terríveis. Cian tentava intervir, segurando minha mãe pelos ombros, implorando para ela parar. Eu disse que ia embora. Que ia sair daquela casa, daquela vida, e viver com Elara longe de tudo isso.
Alexander engoliu em seco, os olhos brilhando com lágrimas que ele se recusava a deixar cair.
— Ela disse que não. E então… ela matou Elara.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Alexander fechou os olhos, o corpo inteiro tremendo.
— Eu a encontrei Elara estava pálida, os olhos abertos, sem vida. O sangue… o sangue estava por toda parte, escuro, quente, ensopando o tapete do quarto. Eu a segurei contra o peito, sentindo o corpo dela ainda quente, ainda macio, como se a vida pudesse voltar se eu a abraçasse com força suficiente. Eu gritei até minha voz falhar. Eu chorei até não sobrar mais lágrimas. Eu amaldiçoei minha mãe até minha garganta sangrar. E ela… ela apenas ficou lá, olhando para nós dois, com aquele sorriso frio, dizendo que tinha feito o que era necessário.
Charlotte sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu próprio rosto. A dor dele era tão palpável que parecia preencher a caverna inteira, sufocando-a.
— Eu me culpo todos os dias — confessou ele, a voz rouca de culpa profunda. — Por ter abandonado Mordred. Por ter deixado que ele crescesse sozinho com aquela mulher. Por ter sido fraco demais para protegê-lo. Se eu tivesse ficado… talvez ele não tivesse passado por tudo isso. Talvez você não estivesse aqui, fugindo, carregando uma criança que o mundo quer destruir.
Charlotte se levantou devagar, aproximando-se dele. Ela tocou o braço dele com gentileza, sentindo os músculos tensos sob os dedos.
— Não foi culpa sua — sussurrou ela, a voz embargada. — Você não podia prever o que ela se tornaria.
Alexander ergueu o olhar, os olhos verdes brilhando com uma dor profunda e uma esperança frágil.
— Nós estamos bem escondidos aqui — disse ele, a voz baixa, quase suplicante. — Você pode sair da caverna, respirar ar fresco, sentir o sol. Mas… por favor, não vá embora ainda. Eu preciso de tempo para proteger você. Para proteger os dois.
Eles se encararam. O ar entre eles estava carregado — não de desejo, mas de uma cumplicidade dolorosa, de duas almas quebradas que se reconheciam no escuro.
Charlotte não respondeu imediatamente. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, o peito apertado com uma mistura de medo, gratidão e uma desconfiança que ainda não conseguia afastar.
Alexander esperava, o silêncio da caverna parecendo eterno.
Charlotte sentiu o peito apertar, o ar frio da caverna parecendo entrar em seus pulmões como gelo afiado. O bebê se mexeu novamente, um chute suave que a fez levar a mão à barriga, como se quisesse proteger a vida que carregava de todo o caos ao redor.
— As pessoas vão me procurar — disse ela, a voz baixa, mas carregada de urgência. — Julian… meus pais… eles não vão simplesmente aceitar que eu desapareci. Vão virar Londres de cabeça para baixo.
Alexander a observou por um longo instante, os olhos verdes cheios de uma tristeza antiga e uma determinação quieta. Ele deu um passo mais perto, a luz fraca do fogo dançando em seu rosto marcado pelo tempo.
— Eles não vão te encontrar — respondeu ele, a voz calma, quase gentil. — Não aqui. Não agora.
Charlotte franziu o cenho, o coração acelerando.
— Como assim? O que você fez?
Alexander estendeu a mão, um gesto simples, convidando-a a segui-lo. Ela hesitou por um segundo, mas a curiosidade — e o medo de ficar sozinha com seus pensamentos — a fez aceitar. Eles caminharam por um corredor natural da caverna, as paredes úmidas brilhando com cristais que emitiam uma luz suave e azulada. O ar era frio, carregado de musgo e terra antiga, e o som distante de água correndo ecoava como um sussurro constante.
Quando saíram pela boca da caverna, Charlotte parou, o ar fugindo dos pulmões.
Eles estavam no meio do nada — uma clareira cercada por uma floresta densa e antiga das Terras Altas. Árvores centenárias se erguiam como sentinelas, os troncos cobertos de musgo verde-escuro, as copas formando um dossel tão fechado que mal deixava passar a luz cinzenta do dia. O chão era um tapete de folhas úmidas e samambaias, o ar fresco e cortante, cheirando a pinho, terra molhada e liberdade selvagem. Não havia estradas, não havia casas, não havia sinal de civilização. Apenas natureza pura, intocada, como se tivessem sido transportados para um mundo esquecido.
— Eu envolvi o lugar com um feitiço ocultivo — explicou Alexander, a voz baixa, quase reverente. — Ninguém vai nos encontrar aqui. Nem mesmo minha mãe. Nem mesmo o Conselho, se eu não quiser.
Charlotte virou-se para ele, os olhos arregalados, uma mistura de espanto e raiva subindo pela garganta.
— Onde você aprendeu tanto?
Alexander soltou uma risada curta, amarga, o som ecoando entre as árvores como um eco de dor antiga.
— Quando você quer desaparecer de verdade… você aprende as coisas. Coisas que ninguém deveria precisar aprender.
Charlotte cruzou os braços sobre a barriga, o vento frio bagunçando seus cabelos loiros.
— Até sequestro — disse ela, a voz afiada, mas com um fundo de exaustão.
Alexander riu novamente, um riso mais suave dessa vez, quase resignado. Seus olhos encontraram os dela, cheios de uma compreensão profunda que doía.
— Até sequestro — concordou ele.
Eles ficaram ali, no meio da clareira, o vento das Highlands soprando forte ao redor deles, carregando o cheiro de liberdade e prisão ao mesmo tempo. Charlotte sentia o bebê se mexer, como se quisesse lembrá-la de que o tempo estava correndo. Alexander observava-a em silêncio, o olhar carregado de segredos que ainda não havia revelado.
Mordred voltou de Inverness como um homem possuído pelo fantasma de si mesmo.
O celular de Charlotte — encontrado abandonado no quarto do castelo, a tela rachada, o carregador ainda plugado na parede — queimava no bolso do casaco como uma acusação viva. Ele não havia dormido. Não havia comido. Apenas dirigira de volta para Londres com o pé no acelerador, o coração martelando no peito como um tambor de guerra.
Ele entrou no prédio do Parlamento como um furacão, ignorando os seguranças que tentavam barrá-lo. Seus passos ecoavam pelos corredores de mármore frio, o casaco escuro molhado da chuva ainda grudado nos ombros. O ar cheirava a cera de piso, papel velho e poder envelhecido.
Julian estava no escritório particular, de pé atrás da mesa de mogno, o rosto pálido e os olhos vermelhos de exaustão e raiva. Quando Mordred irrompeu pela porta, Julian ergueu a cabeça, os punhos cerrados sobre a mesa.
Sem dizer uma palavra, Mordred tirou o celular do bolso e o jogou sobre a mesa. O aparelho deslizou pelo mogno polido e parou diante de Julian com um baque surdo.
— Encontrei isso no castelo — disse Mordred, a voz rouca, exausta. — Ela desapareceu. De verdade.
Julian pegou o celular, os dedos tremendo. A tela rachada refletia a luz fria do lustre. Ele olhou para Mordred, os olhos cheios de fúria e desespero.
— O que você fez com ela? — perguntou ele, a voz baixa, perigosa. — O que você fez com a minha esposa, Le Fay?
Mordred deu um passo à frente, o peito subindo e descendo com força.
— Eu jamais machucaria Charlotte. Nunca. Eu a amo mais do que você jamais vai conseguir entender.
Julian soltou uma risada amarga, curta, quase um rosnado.
— Amar? Você a destruiu. Você e sua família de monstros. Eu acionei a polícia. Eles estão procurando por ela agora. E se você tiver feito alguma coisa…
Ele não terminou a frase. Em vez disso, deu a volta na mesa e acertou um soco no rosto de Mordred.
O impacto foi seco, violento. A cabeça de Mordred virou para o lado, o gosto de sangue explodindo na boca. Ele cambaleou, mas não caiu. Em vez disso, respondeu com um soco no estômago de Julian, o ar saindo dos pulmões dele com um grunhido surdo.
Os dois se atracaram, socos descontrolados, raiva pura e crua explodindo entre eles. Julian acertou o maxilar de Mordred. Mordred empurrou Julian contra a mesa, papéis voando pelo ar. O som de carne contra carne ecoava no escritório, misturado aos grunhidos de esforço e ódio.
Seguranças do Parlamento irromperam pela porta, separando-os com dificuldade. Dois homens grandes seguraram Mordred pelos braços, arrastando-o para trás. Julian foi contido por outro, o lábio sangrando, os olhos ainda flamejando de fúria.
— Saiam daqui! — gritou um dos seguranças. — Agora!
Mordred foi empurrado para o corredor, o peito arfando, o sangue escorrendo do canto da boca. Julian ficou no escritório, limpando o lábio com as costas da mão, o olhar assassino seguindo Mordred até ele desaparecer.
Do lado de fora, a chuva de Londres caía forte, lavando a cidade como se pudesse limpar também os pecados que se acumulavam entre eles.
Os dias na caverna começaram a se confundir.
Charlotte perdeu a noção do tempo. Não havia relógios, não havia calendários, apenas a luz que mudava lá fora — o cinza suave da manhã dando lugar ao dourado fraco do entardecer, e depois à escuridão profunda das noites das Terras Altas. Sua barriga crescia a cada dia, pesada, viva, uma presença constante que a lembrava de que o mundo lá fora continuava girando sem ela. Os chutes do bebê se tornavam mais fortes, mais insistentes, como se a criança também sentisse o isolamento e quisesse ser ouvida.
Alexander era gentil. Quase dolorosamente gentil.
Ele se parecia tanto com Mordred que, às vezes, doía olhar para ele. Os mesmos olhos verdes, a mesma linha do maxilar, o mesmo jeito de inclinar a cabeça quando ouvia. Mas havia uma suavidade em Alexander que Mordred, mesmo nos melhores momentos, nunca tivera — uma calma forjada por anos de solidão e arrependimento. Ele trazia comida fresca da floresta, preparava chás calmantes com ervas que colhia ao amanhecer, e nunca pressionava. Apenas estava lá, presente, como uma âncora silenciosa em meio ao caos que ela carregava.
Charlotte explorava a floresta ao redor da caverna quando o corpo permitia. O ar era puro, cortante, cheirando a pinheiros molhados, musgo e terra fértil. Ela caminhava devagar, a mão sempre na barriga, colhendo flores silvestres — campânulas azuis, urzes roxas, pequenos lírios brancos — e trazendo vida para dentro da caverna. As paredes úmidas ganharam cor. Pequenos vasos improvisados de pedra foram enchidos, e o ambiente escuro começou a se transformar em algo mais acolhedor, quase um lar.
Eles riam. Comiam juntos ao redor da fogueira, conversas leves sobre coisas simples — o gosto de uma fruta silvestre, o som de um riacho próximo, as estrelas que apareciam quando o céu clareava. Alexander contava histórias antigas da linhagem, vozes baixas e calorosas, e Charlotte ouvia, sentindo, por breves momentos, que não estava completamente sozinha.
Uma noite, quando o fogo crepitava baixo e o bebê chutou com força incomum, Charlotte soltou um suspiro surpreso. Sem pensar, ela pegou a mão de Alexander e a colocou sobre sua barriga.
— Sinta — sussurrou ela.
Os dedos dele pararam sobre o tecido da blusa, quentes e hesitantes. O bebê chutou novamente, forte, como se respondesse ao toque. Alexander ficou imóvel, os olhos verdes arregalados, o peito subindo e descendo com respirações curtas. Eles se encararam por tempo demais — um olhar que ia além do necessário, carregado de algo que nenhum dos dois queria nomear.
Charlotte retirou a mão devagar, mas não afastou o olhar.
— Eu me apaixonei por Mordred em Capri — disse ela, a voz baixa, quase um sussurro. — Ele era… diferente. Gentil de um jeito que ninguém esperava de um Le Fay. Amoroso. Sincero. O oposto da mãe dele. Ele tinha o mesmo coração que você, Alexander. O mesmo que eu vejo agora.
Alexander sorriu, um sorriso pequeno, triste, mas verdadeiro. Seus olhos brilharam com algo mais profundo — um brilho que ele tentava esconder, mas que escapava quando olhava para ela por tempo demais. Ele se corrigia sempre, desviando o olhar, passando a mão pelo cabelo, lembrando a si mesmo:
Ela é o amor do meu irmão. Eu estou esperando minha sobrinha.
— Ele sempre foi melhor do que eu — murmurou Alexander, a voz rouca. — Mesmo quando eu era o herdeiro. Mesmo quando eu tinha tudo… ele tinha algo que eu nunca tive. A capacidade de amar sem medo.
Eles ficaram em silêncio, o fogo crepitando, o bebê se mexendo suavemente sob a mão dele, que ainda descansava na barriga dela. O ar estava carregado — não de desejo proibido, mas de uma intimidade perigosa, de duas almas feridas que se reconheciam.
Alexander retirou a mão devagar, como se doesse fazê-lo, e se levantou.
— Você deveria descansar — disse ele, a voz gentil, mas distante. — Amanhã eu te mostro um lugar mais seguro na floresta.
Charlotte assentiu, mas seus olhos o seguiram enquanto ele se afastava para o outro lado da caverna.
E, no silêncio que se seguiu, ela se perguntou quanto tempo mais conseguiriam fingir que aquilo era apenas proteção.
Charlotte acordou no meio da noite com o coração acelerado, o corpo coberto por um suor frio que grudava a camisola na pele. A caverna estava mergulhada em uma penumbra azulada e úmida, o fogo na lareira natural reduzido a brasas vermelhas que lançavam sombras longas e inquietas nas paredes de pedra cobertas de musgo. O ar era frio, carregado do cheiro de terra antiga, musgo molhado e um leve traço metálico de magia residual. O bebê se mexia dentro dela, inquieto, como se também sentisse o peso opressivo da noite.
Ela se sentou devagar, a mão instintivamente indo para a barriga, sentindo o contorno firme e vivo. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo gotejar distante de água nas paredes da caverna.
Então ela o viu.
Alexander estava ajoelhado diante de uma bacia rasa de água escura colocada sobre uma pedra plana, iluminada por uma única luz mágica flutuante que emitia um brilho prateado e frio. Seus ombros largos estavam curvados, o rosto iluminado de baixo para cima, criando sombras profundas sob os olhos. Ele olhava fixamente para a superfície da água, que não refletia o teto da caverna, mas sim uma imagem viva, trêmula — Mordred.
Mordred andava de um lado para o outro em um quarto escuro, o cabelo bagunçado, o rosto marcado por exaustão e confusão. Alexander inclinou-se mais, os dedos mergulhados na água, murmurando palavras baixas em um idioma antigo, gutural. A imagem tremulou, como se ele estivesse tentando invadir a mente do irmão, tocar seus pensamentos, forçar uma conexão.
Charlotte prendeu a respiração, escondendo-se atrás de uma formação rochosa, o coração martelando tão forte que parecia querer sair pela garganta. O bebê chutou com força, como se sentisse o perigo. Ela não sabia o que sentir. Gratidão por Alexander tê-la protegido? Medo do que ele realmente era? Ele havia sido gentil, atencioso, quase carinhoso. Mas ali, no meio da noite, invadindo a mente do próprio irmão como um ladrão, ele parecia outra pessoa — alguém capaz de coisas que ela não queria imaginar.
Alexander inclinou a cabeça, os olhos fixos na imagem de Mordred, um sorriso pequeno e enigmático curvando seus lábios.
Charlotte recuou devagar, os pés descalços silenciosos sobre a pedra fria. O ar parecia mais pesado, mais úmido, como se a caverna inteira estivesse prendendo a respiração junto com ela.
Ela não sabia se Alexander era um salvador…
…ou apenas outro monstro em uma família cheia deles.
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