Herança Perdida
1 Capítulo 1
Abro meus olhos e sinto meu corpo pesar no instante do ato.
Espero uns instantes até minha visão se ajustar à luz do ambiente.
uma sala escura, iluminada somente pelas chamas de algumas pequenas velas arrumadas em uma ordem um tanto peculiar. Olho para além dela e vejo uma parede irregular e úmida, que identifico como sendo de pedra.
Onde será que estou?Como vim parar aqui?
Tento me lembrar dos eventos ocorridos naquele dia e uma luz brilha em meus olhos quando alcanço uma memória.
O dia tinha começado igual aos outros. Havia levantado,tomado meu banho e café da manhã. Estava perdida em meus pensamentos quando minha atenção foi chamada por um barulho vindo da janela. Ao olhar, reparei o vidro quebrado e a pedra repousando no chão da sala. Logo associei que teriam sido crianças.
Saí pela entrada procurando pelos jovens infratores e vi alguém entrando de bicicleta na casa abandonada da rua. decidi ir atrás.
Ao passar pelo portão da casa,prendo o olhar na mesma bicicleta, agora parada em frente à porta principal, deitada no chão. No momento achei um pouco estranho, mas imaginei ser apenas crianças se divertindo com a casa que quase despencava. Nem penso duas vezes antes de entrar.
A porta range ao meu toque. Eu adentro a casa, que me recebe com um ar quente no rosto, quase acolhedor. O interior é nem um pouco melhor que a faixada, suas paredes descascando, enfeitadas com pichações esquisitas, combinando com o lugar. Os cantos eram um festival de teias de aranha e do teto pendulava uma simples lâmpada. Acesa.
Aquilo fez um calafrio percorrer meu corpo. A casa havia sido abandonada a tempos, a luz havia sido cortada a anos...como crianças conseguiriam resolver esse problema?
Olhei para o chão. Havia tanta poeira que o piso deixava marcas de quem havia passado por ele.Olhei com mais atenção e pude perceber os passos de não só uma pessoa, mas de três.
Qualquer um teria ido embora, mas eu decidi seguir os passos, que me levaram à cozinha da residência, onde encontrei três figuras debruçadas em um balcão velho, com suas cabeças abaixadas. Não eram crianças.
Com estatura um pouco maior que a minha, deduzi ser de adolescentes. Seus rostos eram cobertos por um capuz escuro.
Tentei me virar para correr, mas tropecei no meu pé e fui pro chão. Nunca me senti tao estúpida, conseguia nem correr em caso de emergência.
As figuras levantaram a cabeça e antes que eu pudesse me mover, uma delas estava ao meu lado, Por baixo do capuz a voz de um garoto surgiu.
"Já estávamos achando que não viria."
Foi quando algo acertou com força minha cabeça.
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