Herança de Ódio : O Som do Silêncio
9 Capítulo 9: O Acorde Final
A poeira sobre o escândalo Vancamp ainda não havia baixado quando a notícia da ordem de prisão de Julian Ricci vazou. O homem que Aria um dia chamou de "tio" agora era um fugitivo, um rato acuado que vira sua fortuna ser confiscada e sua máscara de benevolência arrancada por Dante.
Aria e Dante estavam na antiga mansão dos Moretti, que acabara de ser devolvida. A casa estava vazia, apenas com alguns móveis cobertos por lençóis, mas exalava uma paz que Aria não sentia há dez anos.
— Eu vou buscar as últimas caixas no carro, Aria — Dante disse, beijando-lhe a testa. — Fique aqui. Não abra a porta para ninguém.
Ele saiu, e o silêncio da mansão envolveu Aria. Ela caminhou até o centro da sala de estar, onde seu violoncelo esperava. Mas, antes que ela pudesse tocar a primeira nota, um estalo de madeira vindo da biblioteca a fez congelar.
A Sombra no Escritório
— Uma bela casa, não é, Aria? — A voz era rouca, carregada de um veneno que ela reconheceria em qualquer lugar.
Aria virou-se lentamente. Julian Ricci estava parado nas sombras, a roupa outrora impecável agora estava amarrotada, e seus olhos injetados de sangue mostravam que ele perdera a sanidade. Na mão direita, ele segurava um revólver, apontado diretamente para o peito dela.
— Julian... — Aria sussurrou, tentando manter a voz firme. — Acabou. A polícia está atrás de você. Entregue-se.
— Acabou para mim, mas vai acabar para você também! — ele gritou, aproximando-se. — Eu construí tudo! Eu fiz o trabalho sujo que o Lorenzo não tinha coragem de fazer! Ele era fraco! Ele merecia morrer por ser tão patético! E o Dante... aquele moleque tatuado acha que pode me destruir? Eu vou tirar dele a única coisa que ele valoriza mais que o dinheiro: você.
O Sacrifício do Leão
Julian engatilhou a arma. Aria fechou os olhos, esperando o impacto, quando a porta da frente se escancarou.
— Ricci! Abaixe essa arma! — O grito de Dante ecoou pelas paredes, mas ele não esperou. Ele correu em direção a Aria no exato momento em que o som ensurdecedor do disparo preencheu a sala.
O corpo de Dante colidiu com o dela, derrubando-os no chão de mármore. Aria sentiu o peso dele sobre o seu, o calor súbito de algo molhado manchando seu vestido claro.
— Dante! Não! — Aria gritou, as mãos buscando o rosto dele.
Julian tentou atirar novamente, mas os seguranças de Dante entraram logo atrás, derrubando o traidor e imobilizando-o no chão. O som das sirenes da polícia já inundava o jardim.
O Medo da Perda
Aria olhou para as mãos; estavam cobertas de sangue. O tiro atingira o ombro de Dante, quase perto do peito. Ele estava pálido, a respiração curta, mas seus olhos dourados ainda estavam fixos nela, protegendo-a até o fim.
— Você está... bem? — Dante tossiu, um sorriso fraco surgindo em seus lábios.
— Por que você fez isso, seu idiota? — Aria chorava, pressionando o ferimento com o próprio xale. — Você poderia ter morrido!
— Eu já estava morto antes de você entrar naquela estufa, Aria... — ele sussurrou, a voz falhando. — Morrer por você seria a única coisa nobre que um Vancamp já fez.
— Não diga isso! Você não vai morrer! — ela ordenou, a força dos Moretti voltando para sua voz. — Nós temos uma vida para viver, Dante. Você me ouviu? Você não tem permissão para me deixar!
O Renascimento
Semanas depois, a poeira finalmente assentou. Julian Ricci foi condenado à prisão perpétua. Dante sobreviveu, embora a cicatriz no ombro agora fizesse companhia às tatuagens, um lembrete físico de que ele escolhera o amor em vez da linhagem.
Eles não reconstruíram o império Vancamp. Em vez disso, criaram a Fundação Moretti-Vancamp, voltada para a música e para a justiça social.
No dia da inauguração, Aria subiu ao palco do auditório principal. Ela não usava joias, apenas o anel de noivado que Dante lhe devolvera. Ela posicionou o violoncelo e, pela primeira vez, não tocou uma música de dor. Ela tocou uma peça que ela mesma compusera: O Som da Redenção.
Na primeira fila, Isabella Moretti e Elena Vancamp estavam sentadas juntas, unidas pela sobrevivência e pelos filhos. E, ao lado delas, Dante observava Aria com uma adoração que nenhuma câmera poderia capturar.
Quando a última nota ecoou e o silêncio tomou conta do salão, Aria olhou para Dante e sorriu. A herança de ódio fora finalmente gasta. O que restava agora era apenas o som de dois corações que aprenderam que, às vezes, é preciso perder o mundo inteiro para encontrar o que realmente importa.
Fim da Saga Herança de Ódio.
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