Herança de Ódio : O Som do Silêncio
5 Capítulo 5: O Banquete das Sombras
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Dante Vancamp não era um homem de gestos óbvios, mas era um mestre em criar atmosferas. Para Aria, ele não preparou apenas um jantar; ele construiu um cenário onde cada detalhe era uma arma de persuasão.
Aria foi instruída a descer às nove. No seu quarto, encontrou uma caixa de veludo sobre a cama. Dentro, um vestido de seda verde-esmeralda, da cor exata de seus olhos, com um decote profundo nas costas que terminava onde a sua coluna encontrava o mistério. Não havia bilhete, apenas o aroma de Dante impregnado no tecido.
Ao descer, ela não foi levada para a sala de jantar principal. O mordomo a conduziu até a estufa de vidro nos fundos da mansão. O lugar estava transformado. Centenas de velas flutuavam em lanternas de ferro, e o som da chuva batendo no vidro criava uma melodia natural que competia com o violoncelo que ela tocara horas antes.
Dante a esperava de pé, junto a uma mesa pequena e íntima. Ele vestia um terno sob medida, mas sem gravata, com o colarinho aberto revelando a tatuagem que Aria agora desejava tocar com os lábios, não apenas com os olhos.
— Você está perigosa, Aria — disse ele, a voz vibrando no ar úmido da estufa.
— Eu sempre sou perigosa, Dante. Você apenas decidiu parar de ignorar isso — ela rebateu, aproximando-se. O brilho das velas refletia-se no seu cabelo ruivo como brasas vivas.
Entre Vinhos e Verdades
Dante puxou a cadeira para ela. O jantar foi servido: lagosta ao champanhe e especiarias que aqueciam o palato. Ele a serviu com um vinho que custava mais do que o apartamento onde ela morara.
— Por que tudo isto, Dante? — Aria perguntou, inclinando-se para a frente, deixando o pingente de esmeralda balançar entre os seios. — Você está a tentar comprar o meu perdão ou apenas a minha confiança?
— O perdão é uma moeda que eu não espero que você tenha, Aria. — Ele girou a taça, observando o reflexo dela no cristal. — Mas a confiança... a confiança é necessária para o que vem a seguir. Eu quero que você veja o homem, não o sobrenome.
— E quem é o homem, Dante? Além das tatuagens e dos bilhões roubados?
Dante baixou o olhar por um segundo, e Aria viu uma fenda na armadura.
— O homem é alguém que passou a vida a tentar limpar a sujeira que não era dele. Eu não destruí o seu pai, Aria. Eu tinha dezoito anos. Eu tentei avisá-lo.
Aria parou com a taça a meio caminho da boca. O coração disparou.
— O quê? Você mentiu no escritório. Disse que o seu pai o esmagou.
— O meu pai o esmagou, sim. Mas eu tentei enviar um ficheiro para o escritório do seu pai na noite anterior. Alguém o interceptou. Alguém dentro da família Moretti — Dante confessou, a voz carregada de uma amargura antiga.
— Mentira! — Aria levantou-se, a cadeira raspando no chão. — Estás a tentar virar-me contra a minha própria memória!
Dante levantou-se também, mas não com raiva. Ele contornou a mesa lentamente. A proximidade era elétrica. Ele parou a centímetros dela, o calor do seu corpo fundindo-se com o dela.
— Eu não ganho nada a mentir agora, Aria. Eu tenho-te aqui. Eu poderia ter-te de qualquer maneira. Mas eu quero que saibas quem é o verdadeiro inimigo.
A Queda das Defesas
Ele tocou o rosto dela, o polegar acariciando o lábio inferior que tremia. Aria queria bater-lhe, queria fugir, mas a atração era como um íman devastador.
— O jogo de sedução acabou, Aria — sussurrou ele, os lábios roçando o ouvido dela. — Agora é apenas a verdade. E a verdade é que eu te desejo desde o momento em que te vi naquele mezanino, a desafiar o mundo com o teu violoncelo.
Aria agarrou as lapelas do terno dele, puxando-o para baixo.
— Se isto for uma mentira, Dante Vancamp, eu juro que te mato enquanto dormes.
— Então mata-me — respondeu ele, antes de a calar com um beijo que não tinha nada de jogo. Era um beijo de posse, de fome e de uma necessidade que nenhum dos dois conseguia mais esconder.
Ele a levantou, sentando-a sobre a mesa de jantar, derrubando cristais e talheres. As esmeraldas de Aria brilhavam sob o fogo das velas enquanto as mãos tatuadas de Dante exploravam a seda verde do vestido. Naquela estufa, rodeados por flores que só floresciam no escuro, o ódio da Herança finalmente foi consumido pela chama da Paixão.
Aria sabia que podia estar a cometer o maior erro da sua vida, mas enquanto a língua de Dante traçava um caminho de fogo pelo seu pescoço, ela só conseguia pensar que o som do silêncio entre eles tinha acabado de ser substituído pelo som de dois corações a baterem no mesmo ritmo de destruição.
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