Há exatos trezentos anos, nossa civilização atingiu uma série de avanços no campo do pensamento científico que excederam qualquer tipo de expectativa. Entretanto nada poderia nos deixar realmente preparados para as revelações daquela geração.

Uma pequena, mas progressiva inclinação do eixo do planeta tomava curso. Especialistas de todas as áreas e um sem número de oportunistas discutiam o tema e muitas vezes criavam mais desinformação do que progresso.

Uma transição mais brusca pôs termo a esse desentendimento. As estações do ano já não eram mais as mesmas e certas regiões tornaram-se quase inabitáveis. O degelo acelerado dos polos elevou os níveis dos mares fazendo com que alguns territórios perdessem suas dimensões naturais. Outro dano provocado foi o aumento e o aparecimento de algumas doenças, além de ciclos migratórios alterados em aves, animais terrestres e insetos. Por pura sorte não obtivemos a extinção de nenhuma espécie...nem mesmo da nossa.

Quando as coisas se acalmaram um pouco, cientistas decidiram averiguar o estado em que se encontravam as camadas de gelo polar afim de evitar maiores consequências ao equilíbrio do planeta.

E lá estava... a mais ciclópica descoberta daquela era.

Soterrada sob as massas de gelo estava a maior e mais assustadora construção ancestral do nosso planeta. Em princípio pensaram se tratar do espólio de alguma civilização que nos precedeu, mas em seguida tornou-se evidente que a verdade, a insólita verdade, era mais perturbadora.

Toda aquela estrutura, suas dimensões e suas formas, nada daquilo era nativo de nosso mundo...

Esta notícia espantou a todos e muita celeuma foi gerada em torno dela. Exames revelaram mais tarde que todo aquele complexo foi criado para proteger algum tipo de conteúdo interno, para preservar além do tempo o seu segredo. Tratava-se então do esquife de uma raça inteiramente desconhecida e extinta.

Estudiosos tentaram desvendar aquele enigma ancestral por gerações e muita especulação foi criada, mas acabavam sempre num beco sem saída. Somente 500 anos depois, o sábio Worlaff apresentou uma visão esclarecedora dos fatos. Ele dedicou sua vida inteira a decifrar aquele mistério, bem como outros antes dele fizeram. Por fim Worlaff conseguiu traduzir a linguagem usada por aquela raça lendária que escolhera nosso planeta para morrer.

A audiência oficial em que sua tese foi apresentada percorreu o mundo através da conexão das redes de informação quase ao mesmo tempo em que era proferida no salão do ministério das ciências.

"...Ilustres representantes e demais presentes..." começou Worlaff

"...agradeço pela honra que me concedem por expor meus estudos em tão edificante lugar...agradeço também aos meus nobres colaboradores que sacrificaram muito de si mesmos para que obtivéssemos êxito...O resultado a que chegamos a respeito do nosso material de investigação revela que a cidade espacial a que nos referimos era na realidade uma espécie de nave...os restos fossilizados que encontramos em seu interior sugerem se tratar de um lote incrivelmente numeroso de zigotos de toda uma fauna alienígena...descobrimos também, com base no que acreditamos ser algum tipo de “modus operandi” de navegação estelar, o que julgamos ser a trajetória destes desafortunados das galáxias...deste modo afirmo, que eles referiam-se a si mesmos como seres humanos do planeta terra..."

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