Acordei, mais cedo que a Alex, dei um beijo nela, senti aquele cheiro de frutas e me levantei, desci e dei meu jeito pra achar e fazer o café. Coloquei em uma xícara branca normal e apoiei meus cotovelos no balcão de granito negro da cozinha e comecei a beber. Meu anjo começou a descer, com uma camisola fina de seda azul-bebê, bem curtinha e sexy, aguentei toda aquela vontade de babar e olhar praquela beldade como um cão sem dono. Ela me deu um abraço por trás e me deu um beijo, no fazendo parecer um casal de recém-casados.

-Danny, o que você vai fazer hoje? –Ela perguntou, agora sim, parecíamos namorados.

-Acho que nada de muito, só tenho que ir falar com uma amiga minha pra pegar umas anotações, e depois não tenho mais nada pra fazer. –Eu cheguei ainda mais perto.

-Ótimo, queria saber se hoje a noite... você queria... –Linda e boba como sempre.

-Sair? Claro, que tal irmos pro mirante? –O Mirante, o lugar mais lindo da cidade, perfeito pra um casal lindo que nem a gente.

Ela concordou, marcamos e depois sai, ia encontrar a minha prima para pegar umas informações sobre a nossa família, pra um trabalho de crédito extra. Sai da casa e respirei fundo, estava com a mesma roupa com a qual dormi, mas estava de bom tamanho, só ia até a praça bem rápido, falaria com a Bequinha e depois iríamos embora.

Chegando no parque logo vi ela, baixinha, loira de cabelo pintado, fofa que nem um ursinho de pelúcia, ela se levantou e foi falar comigo, me entregou os papéis e começamos a conversar, mas não pude deixar de me sentir vigiado, fomos até uma sorveteria próxima. Pedimos um sundae gigante de morango, e dividimos, ainda colocava algumas cerejas na boca dela e limpava o chantilly na boca dela com o dedo, depois ela lambia o meu dedo, me senti vigiado o tempo todo, e acho que a Bequinha também se sentia assim, então decidi logo voltar pra casa da Alex, até porque tinha percebido que esqueci o celular. Mas logo que cheguei, fui correndo, Alex estava chorando inconsolável, sentada no sofá.

-Alex! O que foi?! –Perguntei, nunca me senti tão apreensivo e assustado até aquele momento.

-Como se você não soubesse. –Não entendi nada, mas no momento seguinte, ela me deu um tapa, daqueles bem fortes, só não cai no chão porque me segurei. –Porque não vai pra Bequinha e me deixa sofrendo!? Idiota!!

Entendi. Era ela quem estava me seguindo, e achou que e a Bequinha... nem quero pensar nessa possibilidade, ela apontou pra porta e eu sai, não adianta ficar colocando o dedo na ferida nesse tipo de coisa, a Becca estava do lado de fora da casa, ela logo chegou perto pra ver o que acontecia, expliquei tudo pra ela e ela pegou o telefone e eu disse o numero da casa.

-Alô. –Ouvi a voz chorosa da Alex, eu me sentia horrível.

-Bom dia, é a Alessandra? –Ela estava sozinha na casa, quem mais seria?

-É sim, mas quem é? –Ela parecia já ter se acalmado um pouco.

-Meu nome é Becca, eu quero falar com você. –Naquele momento rezei que nem um padre, pra que ela não desligasse. –Me encontre no mirante hoje, as 7, serve?

-Ta, mas é melhor eu não me decepcionar. –Amém, eu tinha uma chance ainda.

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O mirante era lindo de noite, dava pra ver a cidade toda, os prédios, as casas, as luzes as árvores, tão excitante, queria que Alex estivesse lá comigo, pra podermos aproveitar a lua juntos. Eu me escondi atrás de uma pedra, junto com o violão da Becca, já estava tudo planejado, ouvi a Alex chegar e a vi ficar encarando Becca com cara de quem queria explicações.

-Por um instante, achei que não viesse. –Bequinha sorriu, estava toda agasalhada com um moletom e tudo. –Mas, o que quer saber?

-Tudo, desde quem é você até o que vocês estavam fazendo na praça. –Ela falou, já estava até com uma pose de durona, que me excitava, mas tinha que me controlar.

-Meu nome é Becca Diamond. Tenho 14 anos, estudo na sua escola e meus pais são divorciados, minha mãe é fisoterapeuta e meu pai é psicólogo. Dannyel é o meu único primo. –Ok, até ai tudo bem.

-PRIMO!?! Dannyel sai com as próprias primas!?! –O trem desandou.

-Consegue falar mais baixo? Agradeceria se fosse uma conversa mais pessoal. –Becca falou, tentando silenciar Alex. –E não saímos do jeito que você imagina, sabe aquela prova sobre genética que vocês tiveram há umas duas semanas?

-E daí? –Pronto, com sorte ela me perdoaria agora.

-Bem, Dannyel se saiu mau, e pra ter mais pontos, tinha que fazer um trabalho sobre suas raízes genéticas e ele não tinha fotos nem informações sobre os nossos avós, e eu fui entregar pra ele, aproveitamos e fomos tomar um sorvete. –Uma história bem plausível, qualquer um acreditaria naquilo.

-Sério? –Ouvi ela se sentindo culpada.

-Sério. –Falei saindo de detrás da tal pedra.

Take time to realize

That your warmth is

Crashing down on me

Take time to realize

That I am on your side

Well didn\'t I, didn\'t I tell you

But I can\'t spell it out for you

No it\'s never gonna be that simple

No I can\'t spell it out for you

Eu cheguei mais perto, nossos dedos se entrelaçaram, agora era Realize, da Colbie Caillat, era a música perfeita para pedir desculpas. Eu sorri para ela, vendo que ainda haviam algumas lágrimas escorrendo dos olhos dela.

If you just realize

What I just realized

That we\'d be perfect for each other

And we\'ll never find another

Just realize

What I just realized

We\'d never have to wonder

If we missed out on each other, now

Lambi as lágrimas do rosto dela e a dei um beijo. Becca pegou o violão de detrás da pedra onde eu estava e começou a tocar junto com A música. Ela sorriu sem jeito de volta, e só ai percebi que estávamos cantando juntos.

Take time to realize

Oh oh, I\'m on your side

Didn\'t I, didn\'t I tell you

Take time to realize

This all can pass you by

Didn\'t I tell you

But I can\'t spell it out for you

No, it\'s never gonna be that simple

No, I can\'t spell it out for you

Eu abracei forte a minha amada e começamos a dançar. Becca estava emocionada, e eu a apertei forte, ela sorriu pra mim de um jeito sem jeito que me deixava corado, de um jeito másculo, claro.

If you just realize

What I just realized

That we\'d be perfect for each other

And we\'ll never find another

Just realize

What I just realized

We\'d never have to wonder

If we missed out on each other, but

It\'s not the same

No it\'s never the same

If you don\'t feel it too

If you meet me half way

If you would meet me half way

It could be the same for you

Aquele era um momento que eu ia guardar no coração pra sempre, eu minha anja amada dançando pra lua, a sós. Nada podia ser mais romântico que aquilo, ela apoiou a cabeça na curva do meu pescoço.

If you just realize

What I just realized

That we\'d be perfect for each other

And we\'ll never find another

Just realize

What I just realized

We\'d never have to wonder

If we missed out on each other

-Danny, eu… olha… me desculpa, por favor, não saberia conviver com essa dor de ter achado que você me traiu, eu te amo e... –Coloquei um dedo na boca dela e aconcheguei a cabeça dela na curva do meu pescoço. Comecei um cafuné para relaxá-la.

Just realize

What I just realized

That we\'d be perfect for each other

And we\'ll never find another

Just realize

What I just realized

We\'d never have to wonder

If we missed out on each other, now

Missed out on each other now

Missed out on each other now

Missed out on each other now owa, owa ohh

Realize

Realize

-Alex, compreenda, é amor, nunca é fácil, então, se quisermos que isso dê certo, então, seria bem melhor se você e eu conversássemos ao invés de tirar conclusões precipitada. –Eu dei nela um beijo daqueles de cinema sabe? –Também, faça um favor pra nós e compreenda que somos perfeitos um pro outro, e que nunca precisamos nos perguntar se perdemos um ao outro.

Ta bem, tirei essa última frase tirei da própria música, mas ela sorriu ao invés de reclamar. Nos aconchegamos nos braços um do outro, enquanto Becca se despedia e ia pro nosso carro.

-E agora? –Perguntei, sorrindo e parando o abraço.

-Ela colocou o meu braço ao redor do pescoço dela. –Vamos pra minha casa.

Fomos até o carro e eu dirigi, deixei Becca no apartamento dela e nós fomos juntos pra casa dela. Mais do que nunca, queria ficar a sós com ela. Ela se aconchegou no meu braço e dormiu no

caminho de volta.

Estacionei, levei ela até a cama dela e a deitei, segurei a mão dela e me deitei bem do lado dela. Acordei antes que ela de novo, desci e me sentei no balcão, encontrei um jornal no lugar e decidi ler, peguei ele, abri, me sentei no balcão e comecei a ler enquanto bebia café, também peguei os óculos que estavam na minha mochila que esqueci lá. A minha anja amada desceu as escadas com uma camisola com babados, e alguns laços no cabelo, me deu um abraço por trás e um beijo na bochecha. Tão amável, romântico, fazemos isso toda manhã.

Os pais dela viajam muito e a irmã dela costuma dormir fora. Toda noite, ela insiste naquela mesma cena, estamos deitados, um do lado do outro na cama de casal e eu canto pra ela, enquanto

sinto o cheiro de frutas do cabelo dela, foi a primeira coisa que eu notei nela. Logo antes dela dormir, repito a mesma frase:

-Compreenda que somos perfeitos um pro outro, e que nunca precisamos nos perguntar se perdemos um ao outro. E, Alex, eu te amo. –Dou um beijo na testa dela cheio de ternura e amor, do mesmo jeito que dei na sala de aula e ela dorme, como o anjo que ela é.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!