Her.
1 Piloto.
Notas iniciais

Elisabeth corria como uma águia voando no céu. Não era a primeira vez que ela fugia do orfanato, mas ela não deixaria uma próxima existir.
Estava muito velha, sabia que não seria adotada. Quem quereria uma garota de 16 anos com as mais novas na casa?
Passando por entre as árvores e arbustos, ela pensava em que caminho tomaria quando chegasse na estação de ônibus. Não tinha muito dinheiro, se fosse para muito longe, acabaria sem nada para comer. Ela estava ferrada. Parou no meio caminho e olhou para trás, se certificando de que ninguém estava seguindo-a, e voltou a correr. Seu All Star levantando poeira, o gorro quase escapulindo da cabeça, uma mochila nas costas com suas coisas e roupas eram tudo que ela levaria consigo.
Lizzie sentiu lágrimas se formarem em seus olhos quando se lembrou do lugar em que vivia. A mulher que cuidava das crianças não era muito amigável e tinha o apelido de Cruella De Vil. Quantas vezes ela já fora machucada por essa mulher? Quantas vezes ela já ouviu crianças chorarem a noite inteira sem poder fazer nada? Ela apenas pensava que poderia ter se livrado de tudo isso, se os seus pais não tivessem abandonado-a na porta daquele lugar horrível.
Seus olhos já estavam embaçados e ela não enxergava um palmo na sua frente, quando tropeçou em alguma coisa e acabou caindo, batendo com o queixo em uma pedra. Aquilo fez com que as lágrimas caíssem de vez. Não estava sangrando muito, dava para parar em algum lugar e limpar o ferimento.
Olhou para o que havia tropeçado e achou um livro com uma capa de couro marrom, nele, estava escrito “Once Upon A Time.”Apenas isso. Ela abriu a capa com a mão livre e se deu conta que era um livro de estórias infantis. A primeira era da Branca de Neve.
– Contos de fadas? – sussurrou para si mesma e guardou o livro na mochila.
Se levantou do chão, tirou a terra dos joelhos e olhou para frente, dando de cara com uma estrada.
Subiu a pequena ladeirinha e viu que aquilo não dava em lugar algum. Bufando, colocou as duas mãos no bolso do casaco e sentiu algo estranho ali. Tirou sua mão direita e trouxe um tipo de pergaminho. “Como isso foi parar ali?”Ela se perguntava.
Desamarrou a cordinha vermelha e o abriu, revelando uma escrita história.
– O que é isso? Hebraico? – franziu o cenho, tentando decifrar alguma coisa.
Amarrou a cordinha novamente e enfiou o pergaminho no bolso, olhou para frente e uma placa apareceu:
“Bem-vindo a Storybrooke.”
Aquilo não estava ali antes. Como o pergaminho. E, supostamente, o livro.
– Eu só posso estar maluca! – levantou as mãos e deu meia volta.
Começou a andar novamente, mas a tentação de descobrir o porque daquelas coisas estarem aparecendo do nada era maior… Então ela voltou e entrou na cidade.
Com alguns minutos caminhando, a cidade já foi criando forma, ela passava por casas, lojinhas e apartamentos pequenos. Um senhor caminhando com um cachorro lhe desejando uma boa tarde e dizendo que o dia estava bonito, uma moça com um carrinho de bebê e crianças entrando no ônibus da escola.
Na outra calçada, ela viu a placa:
“Restaurante da Vovó.”
Ela esperava aquelas coisas de uma pequena cidade.
Elisabeth atravessou a rua e entrou no local, sentando-se no balcão. O lugar não estava muito cheio e o cheiro de comida fazia seu estômago roncar.
Ela abriu a mochila e retirou de lá alguns dólares. A garçonete passou na hora.
– Hã… Com licença. – Lizzie a chamou, fazendo a moça sorrir enquanto caminhava em sua direção.
A garçonete tinha o crachá escrito Ruby, seus cabelos eram castanhos longos, com algumas mechas vermelhas.
– O que vai querer? – Ruby sacou seu bloquinho.
– Vocês têm Milkshake de morango? – a garçonete hesitou por um momento, mas assentiu, anotando no bloquinho.
– Dois dólares. – Lizzie entregou a nota para a moça.
– Trago em alguns minutos. – e saiu sorrindo.
Lizzie, então, se lembrou do livro na mochila e abriu a mesma para pegá-lo. Folheando as páginas, ela viu que os contos que conhecia não eram parecidos com aqueles detalhados no livro. Tinha algo a ver com vingança, maldições, dragões… Era muito complexo.
– Então, a Rainha Má e o Robin Hood foram separados, forçados a viver uma eternidade sem se lembrar um do outro, numa cidade estranha. – ela repetia as frases do livro.
Ruby chegou bem naquela hora, estranhando aquelas palavras até reconhecer o livro.
O que o livro do Henry estava fazendo com aquela garota?
– Seu Milkshake. – Ruby despertou a menina, que levou um pequeno susto. Pegou o copo da mão da garçonete, colocando-o na mesa e guardou o livro novamente na mochila.
Bebeu o líquido em poucos minutos.
Levantou do balcão, pronta para sair do local, talvez procurar algum lugar para passar a noite, quando esbarrou em alguém na porta de entrada.
– Me desculpe! – Lizzie pediu. Atrapalhada como sempre.
– Não tem problema… – a mulher abanou as mãos e só então ela notou o distintivo grudado na jaqueta de couro.
Seus cabelos loiros eram um pouco abaixo do ombro e ela carregava uma caixa de rosquinhas.
– Eu acho que nunca te vi por aqui…
– Eu já ouvi falar de você, xerife. – mentiu.
– Como é o seu nome, criança?
– Elisabeth.
– Onde estão seus pais? – ela perguntou, colocando as mãos na cintura.
– Abastecendo o carro. Eu preciso ir agora…
E saiu praticamente correndo.
A xerife sabia que ela não era da cidade e que não tinha pais, reconhecia quando alguém estava mentindo. E, principalmente, reconhecia um órfão quando o via.
A loira bufou e olhou para a caixa em suas mãos, as rosquinhas teriam de esperar. Então, correu para fora do restaurante, vendo Elisabeth correr em direção a floresta.
Quando finalmente achou que era seguro, ela parou e sentou em um tronco caído. Arfando, ela passou o dedo indicador pelo queixo e não sentiu sangrar, mas ainda precisava de um band aid, então, tirou a mochila das costas e começou a procurar algo que tivesse a mesma função. Sem sucesso, fechou a mochila novamente.
– Por que não me disse a verdade? – Lizzie levantou num pulo. A loira estava parada a alguns passos delas. – Por favor, não precisa correr… Só vamos conversar, tudo bem?
***
A loira, que se chamava Emma, levou Elisabeth para um apartamento que dizia ser de alguns amigos. Um casal, que aparentava a mesma idade de Emma. David e Mary Margaret eram bem amistosos. Ela tinha os cabelos bem curtos e castanhos, seus olhos eram tão verdes que pareciam brilhar. Ele tinha os olhos azuis como o céu e cabelos tão claro quanto o da xerife.
– Elisabeth… – Mary Margaret começou. – Como veio parar aqui? Em Storybrooke?
– Bom, – Lizzie desencostou-se do sofá e abriu a mochila. – começou com isso aqui. – retirou de lá o livro.
Emma arregalou os olhos e a menina notou.
– Você conhece isso? – Emma assentiu.
– É o livro do meu filho.
– Como isso foi parar com você? – David questionou.
– Eu não roubei, se pensam isso. – ofendeu-se. – Quando fugia do orfanato, eu tropecei nele e bati meu queixo em uma pedra. – mostrou o machucado. – Viram?
Os três se entreolharam.
– Lizzie… Posso te chamar assim? – Emma perguntou e ela assentiu. – Ninguém disse que você roubou. Só achamos estranho isso ter acontecido, meu filho não sai de perto desse livro.
– Tem algo mais que queira nos contar? – David perguntou novamente. Ela pensou um pouco e colocou a mão no bolso, retirando o pergaminho de fita vermelha.
– Isso apareceu no meu bolso…
Emma pegou e abriu, mostrando para Mary Margaret em seguida.
– Eu não sei. Foi muito estranho… Uma hora eu não via nada, na outra, a placa apareceu. Foi como… Magia.
Os três se entreolharam mais uma vez.
– Oh, querida, você deve ter batido com a cabeça quando caiu. – Mary sorriu docemente. – Venha, eu vou cuidar desse machucado.
Elisabeth se levantou e acompanhou Mary até a bancada da cozinha, a mesma pegou uma caixa de primeiros socorros.
– Isso é tão estranho. – David sussurrou para Emma.
– Você está pensando o mesmo que eu? – Emma olhou para Elisabeth, que ria de alguma coisa contada por Mary. – Se o livro e o pergaminho, de alguma maneira, apareceram para ela…
– Quer dizer que ela é daqui?
David olhou para a filha, tentando achar alguma resposta.
Elisabeth voltou com Mary para o sofá, agora a menina tinha um band aid cor-de-rosa no machucado.
– Emma, você não vai me levar de volta para o sistema, vai?
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