Her.
11 Epílogo.
Notas iniciais

Depois de Emma ter explicado como achou os feijões para Regina, a morena deixou a família em casa e correu para o hospital, pronta para interrogar Úrsula.
A prefeita entrou no lugar e logo se direcionou para a ala psiquiátrica, desceu as escadas, cumprimentou a recepcionista – pessoa qual, ela achava muito estranha. Mas ali, naquele lugar, tudo era estranho. – e caminhou lentamente até a porta em frente ao maluco que nunca parava de varrer o chão.
Abriu o quarto com magia e no mesmo momento que empurrou a porta, acabou derrubando uma bandeja de comida que era servida para os pacientes.
— Que diabos… – reclamou quando reparou a bagunça feita e bufou, levando os braços a cintura.
Assim que Regina levantou a cabeça, quase desmaiou, a cena era chocante.
Úrsula apoiada na parede, os olhos abertos e branca como uma folha de papel. Seus pulsos estavam com um grande corte vertical, assim como seu pescoço. O sangue escorria pelo chão e fazia uma grande poça.
A prefeita levou uma mão a boca e deixou lágrimas caírem, mas não estava chorando pela bruxa morta, e sim pela cena.
A morena deu dois passos para trás e correu para fora do quarto gritando:
— Whale! Chamem o doutor Whale!
***
O médico saiu da sala acompanhado pela Madre Superiora, logo se deparando com Regina e Robin, que esperavam no corredor.
A freira se despediu com um aceno de cabeça e deixou os outros três para conversarem sozinhos.
— Não tinha muito o que fazer. – o doutor começou. – A senhora a encontrou morta. Apenas limpamos e tapamos os machucados.
— Vocês sabem com o que ela fez… Isso? – Regina perguntou, visivelmente conturbada.
— Achamos um prego sujo de sangue. E isso também, no bolso dela. – Whale retirou de seu jaleco um pequeno envelope branco manchado de vermelho e o estendeu para Regina. – Está destinada a você.
Robin observou calado a esposa pegar o papel e ficar olhando para ele por longos minutos, a mulher nem prestou atenção quando o médico voltou para seus fazeres.
— Regina. – ele a chamou, tocando-lhe as costas. – Vamos para casa, você pode ler isso lá com mais calma.
— Tem razão. – ela despertou e tentou sorrir, seguindo o marido para fora do hospital.
A Rainha não entendia o porquê de estar tão abalada pela morte de uma mulher que só lhe fez mal. Mas bem, ela era humana, e aquela cena horripilante lhe afetou profundamente.
Porém de uma coisa ela tinha certeza: sua família finalmente estava em paz.
O arqueiro e a prefeita foram a pé para casa, não estavam em condições de dirigir. Quando chegaram a mansão, puderam ouvir as risadas de Henry e Elisabeth. Abriram a porta e foram direto para a sala de estar, observando os dois sentados no sofá jogando videogame e comendo porcarias. Emma, Mary Margaret e David também estavam ali.
— O que aconteceu, Regina? – a ex professora foi a primeira a notar a presença do casal abraçado ali na sala. – Você está pálida.
Henry pausou o jogo e correu na direção da mãe, seguido por Lizzie.
— Por favor, gente, agora não… – a morena gemeu e se desvencilhou dos braços do marido. – Eu preciso subir. Diga a eles, querido?
Robin assentiu e lhe deu um beijo na testa, vendo a morena subir as escadas vagarosamente.
Ao chegar no andar de cima, trancou a porta do quarto, se jogou na cama, passou as mãos pelo rosto e bufou. Era muita emoção em pouco espaço de tempo.
A face de Úrsula com os olhos abertos rodava pela sua cabeça. Seria difícil esquecer.
Regina retirou a carta que Whale lhe dera do bolso e a desdobrou. O papel estava muito manchado de sangue e mal dava para ler o que estava escrito, mas, mesmo assim, ela queria saber as últimas palavras da Bruxa.
“Regina,
Eu realmente não sei como começar isso aqui. Mas preciso me desculpar e lhe contar uma coisa que escondi até mesmo de Cruella.
Se você encontrou isso, é porque tive coragem suficiente para fazer o que deveria ter feito há muito tempo. A escuridão estava me consumindo e eu morreria de qualquer maneira.
Não sei o que está passando pela sua cabeça, mas tenho certeza de que nunca irá me desculpar. Fiz coisas terríveis para todos aqueles que você ama. E é por isso que lhe devo contar o que descobri, como forma de arrependimento.
Daqui a seis anos, se tudo for como está escrito, uma profecia irá se realizar. Não se preocupe, no final, você e sua família ficarão seguros, mas precisarão manter a salvadora longe do perigo. Ela será a chave para tudo.
Eu não posso explicar muito por aqui, mas há um livro que pode te ajudar.
Você com certeza deve ter achado meus feijões, certo? Use-os para voltar para a Floresta Encantada. Eles estão enfeitiçados, se forem, será permanente.
Vá ao meu castelo e entre na biblioteca, há uma
Regina franziu o cenho, havia uma grande mancha de sangue que lhe impedia de ler o resto do parágrafo. A partir dali, só estava legível as últimas palavras na carta:
“Queime isto e proteja Emma.”
Uma profecia daqui a seis anos? E por que proteger a Emma? Tantas perguntas giravam em sua cabeça…
Saiu do quarto a passos largos e entrou na biblioteca da casa ainda no andar de cima, rasgou o papel em vários pedaços e os jogou na lareira, vendo a brasa abraçar a folha branca. Voltou para o quarto e abriu o closet, arrastou alguns vestidos para o lado e pode ver seu cofre grudado na parede. Digitou a senha e pegou um pequeno frasco marrom de lá de dentro.
Poção do esquecimento.
Não, ela não se esqueceria de ninguém. Apenas apagaria toda a dor e sofrimento que estava lhe atormentando.
De alguma maneira, Regina achava que não se lembrar da profecia seria uma boa ideia. Só que ela não sabia que estava completamente enganada.
***
A noite, naquele mesmo dia, Emma e Regina fizeram uma palestra para toda a cidade, explicando a situação e lhes assegurando de que tudo voltaria ao normal. As duas explicaram sobre os feijões e que era para todos se prepararem e arrumarem seus pertences. Eles partiriam no dia seguinte pela tarde em navios, pois o portal seria aberto no mar.
Elisabeth ajudava sua mãe a arrumar uma pequena mala com poções e objetos mágicos, quando uma ideia apareceu na cabeça da mais velha.
— Querida, pode pegar aquela caixa que está em cima do armário? – ela pediu a filha, que sorriu e se direcionou para o guarda-roupa. – Não, espere! Traga aqui com magia.
— O que? Você quer treinar agora? Mas eu… – a menina tentava falar, sentia que não estava pronta.
— Se acalme, tudo bem? – Regina riu um pouco. – Eu vou te ajudar. Mas você precisa sentir a magia dentro de você. – falou gentilmente apertando os ombros da filha, que sorriu. – Agora, me traga o que eu pedi.
Lizzie focou na caixa de madeira e começou a franzir o cenho, fazendo força mental, o que levou o objeto a bater em outras coisas antes mesmo de sair de cima do armário.
— Se acalme! Está indo bem. – a morena sorriu. – Só tente fechar os olhos por um momento.
— Fechar os olhos? – gritou assustada. – Não consegui trazer a caixa aqui nem com os olhos abertos! Regina, eu não quero quase acertar o seu nariz outra vez.
A rainha gargalhou e voltou a falar:
— Você está sem foco. – explicou enquanto caminhava para trás da filha, colocando as mãos em seus olhos. – Magia é sensação, pare de pensar!
A garota respirou fundo, mas assentiu, com um pouco de medo. Regina observou atentamente a caixa levitar e cair lentamente nas mãos de Lizzie, que tirou a cabeça das mãos da mãe para olhar o objeto.
— Eu consegui? – perguntou intercalando olhares entre a mãe e suas mãos sorrindo. – Eu consegui!
A prefeita riu mais uma vez e deu um beijo na testa da filha.
— Sabia que conseguiria. – disse verdadeiramente. – Agora vamos dormir, amanhã será um longo dia.
As duas caminharam até o quarto de hóspedes, onde Lizzie se deitou na grande cama, sendo coberta pela mãe e recebendo mais um beijo.
— Eu e seu pai estamos no quarto ao lado, qualquer coisa é só chamar. – Elisabeth assentiu e sorriu. – Boa noite, querida.
— Boa noite… – disse baixinho.
A prefeita caminhou para a saída e apagou as luzes, olhando novamente para a filha antes de fechar a porta e caminhar na direção de seu quarto.
***
O dia seguinte permaneceu ensolarado, com bastante nuvens e um lindo céu azul. Ou como Killian diria “Um ótimo dia para navegar”.
O Jolly Roger e outros quatro navios estavam se preparando para levar as pessoas e Gancho ajudava a carregar algumas caixas.
— Parece que a natureza está a nosso favor. – o mesmo comentou enquanto colocava um caixote no chão junto a David. – Uma pena que não viajaremos muito. Queria aproveitar esse dia.
— Quando voltarmos você poderá navegar o quanto quiser. – o loiro disse, estalando as costas.
Elisabeth, que os estava observando, soltou uma risadinha e continuou a olhar o horizonte, pensando em como seria estar de volta.
— No que está pensando? – a voz de Henry chamou sua atenção.
— Em como é lá. – ela se virou para olhá-lo e sorriu.
— Eu nunca fui, mas, já estive na Terra do Nunca. Deve ser a mesma coisa. – deu de ombros e os dois riram.
— Sabe o que é estranho? – questionou e o menino negou. – Eu sou quase trinta anos mais velha que você. Também somos irmãos, mas eu sou sua tia-avó e você é tio-avô de você mesmo. Bem louco, não acha?
Henry ficou parado por uns dois segundos tentando absorver a informação.
— Como entendeu nossa árvore genealógica tão rápido? – perguntou e soltou uma risada, acompanhado da irmã.
— Não faz pergunta difícil essa hora. – os dois gargalharam e observaram Regina se aproximar com Robin.
— Então, crianças, como estão se sentindo? – o arqueiro perguntou enquanto abraçava Lizzie.
— Nervosa. – ela respondeu sorrindo. – Como é lá?
— Você vai ver logo, logo. Estamos partindo! – Regina respondeu e abraçou Henry com força.
No mesmo instante, Killian fez um movimento com o timão e o navio começou a se movimentar. O pirata estava com um enorme sorriso no rosto e gargalhava junto a Emma.
Mary se posicionou na proa do navio e jogou o feijão mágico na água, que logo começou a se abrir em um enorme círculo.
O navio do pirata se aproximou do portal, e logo os outros também estavam se preparando para entrar nos portais. Elisabeth se agarrou ao pai e observou tudo aquilo maravilhada. Todos os outros se seguravam como podiam e mantinham sorrisos largos nos rostos. Depois de tantos anos eles finalmente voltariam pra casa.
Em poucos segundos, o barco foi sugado pelo portal e emergiu novamente, no lugar que eles estavam doidos para voltar.
— Chegamos. – Regina disse com um fio de voz. – A Floresta Encantada.
Todos no barco soltaram uma risada de felicidade e só então perceberam que não estavam vestidos como em Storybrooke. Eles estavam com suas roupas da Floresta, menos Henry, que protestou.
— Ah, qual é? Por que eu também não ganhei uma roupa de príncipe?
Elisabeth se aproximou em seu longo vestido lilás e disse ao irmão: – Porque você não nasceu aqui, – lhe deu um tapa na testa. – mané!
Gancho conduziu o navio até o ancoradouro, onde todos puderam descer. Os navios que chegaram depois fizeram o mesmo, até todos os habitantes estarem em terra firme.
A Rainha caminhava ao lado de Branca de Neve com certa dificuldade, devido ao pesado vestido negro que vestia e observava a filha mais a frente, com seus longos cabelos castanhos caídos em cachos naturais, balançando ao vento.
A princesa estava tão distraída, admirando a paisagem que nem notou uma confusão começar e pessoas gritarem.
Ela olhou para o lado e viu um cavalo desgovernado correr em sua direção. Arregalou os olhos e ficou sem reação, esperando apenas que o animal não a pisoteasse.
Felizmente o animal passou pela menina sem a ferir, mas acabou derrubando-a no chão, onde ela ficou por um tempo até a pessoa quem estava conduzindo o cavalo aparecer e lhe estender a mão.
— Você está bem? – a voz perguntou, fazendo Lizzie olhar para o dono dela. Um garoto de mais ou menos sua idade, com cabelos loiros e olhos cor de mel. Pelas roupas, ela poderia dizer que era um príncipe.
— É claro que não! – respondeu ríspida, ignorando completamente a ajuda do menino. – Você e seu maldito cavalo poderiam ter me matado!
— Perdoe-me por isso. O Barão se assustou com um gambá e eu acabei perdendo o controle. – ele se explicou e sorriu, observando o jeito da menina. – Eu sou o Príncipe James, posso saber o nome da minha doce companhia?
— Vá saber o nome da sua…
Antes que ela pudesse terminar a frase com palavras de baixo calão, alguém a interrompe, gritando pelo seu nome.
— Elisabeth! – os dois olharam para o local de onde a voz vinha. Regina apareceu correndo seguida por Robin. – Querida, está machucada? – questionou, segurando a menina pelos braços.
— Não… Estou bem. Por sorte não fui atropelada. – respondeu com desdém, olhando para o menino.
— Nos conhecemos? – pergunta a Rainha, franzindo o cenho, como se ele lhe fosse familiar.
— Creio que sim, Vossa Majestade. Eu era muito pequeno, mas você deve me reconhecer pelos meus pais: Rei Roland e Rainha Miranda. – James sorriu quando o casal também o fez.
— De Encântia, certo? – Robin perguntou, ganhando um aceno de cabeça como resposta. – Você só tinha dois anos na época. Quantos tem agora, dezoito? Está crescido! – o mais velho apoiou as mãos no ombro do garoto.
— Todos crescemos. – riu. – A maldição não nos atingiu, mas ficamos congelados por muitos anos, não se sabe ao certo. – seu rosto se transformou de alegre para sério. – Agora que eu tenho uma certa idade, vim com as minhas irmãs para explorarmos a área, foi quando perdi o controle do cavalo. – ele apontou para o animal, que agora estava bem calmo atrás deles.
No mesmo instante, uma carruagem parou perto deles e a porta fora aberta com voracidade, revelando uma jovem de cabelo castanho na altura dos ombros, olhos azuis e vestido roxo.
— James! – ela exclamou. – Eu e Amber vimos o que aconteceu e viemos o mais rápido possível! Alguém se machucou? – a garota falava rapidamente e apontava para a carruagem, onde outra garota com um vestido verde e loira como James, se encontrava sentada e lixava as unhas despreocupadamente. A quem Lizzie deduziu ser Amber.
— Sofia, se acalme! – o loiro riu. – Eu estou bem. Lembra-se de Regina e Robin?
A menina olhou para o casal e sorriu, fazendo uma pequena reverência.
— Altezas…
— É um prazer revê-la, Sofia. – Regina disse gentilmente e apresentou a filha. – Esta é Elisabeth. – a mesma fez uma reverência.
— Já fomos apresentadas. – Sofia recordou. – Brincamos juntas uma vez, tínhamos quase um ano de idade.
— Desculpe, eu não me lembro de você, princesa. – a mais nova assumiu, sorrindo nervosamente. Não sabia se estava fazendo certo.
— Por favor, sem formalidades, estamos entre amigos. – a princesa sorriu, cruzando as mãos na frente do corpo. – Nossos pais vão adorar saber da vossa volta, precisamos retornar, James!
— Tem razão, minha irmã. – o príncipe sorriu de lado. – Majestades, foi um prazer revê-los. E me perdoe por quase atropelá-la, Elisabeth. – Lizzie sorriu, querendo esganá-lo por dentro.
Os irmãos começaram a andar de volta para a carruagem, e quando a mais nova ia começar a falar com a mãe, Regina os chama de volta.
— Amanhã daremos um baile em comemoração a nossa volta e o aniversário de Elisabeth… – a Rainha começou docemente. “Não faça o que eu estou pensando que vai fazer” pensou a menina. – Vocês e sua família estão convidados.
A garota olhou incrédula para a mãe.
— Estaremos lá. – Sofia respondeu e voltou a andar com o irmão para onde Amber os esperava.
No mesmo instante, Robin foi chamado por Encantado, que teve de deixar a esposa e a filha sozinhas.
A mais velha se virou para a menina e sorriu.
— O que foi? – perguntou divertida.
— Você realmente precisava chamá-lo? Ele quase me atropelou com um cavalo! – Lizzie quase gritava, Regina gargalhou divertida e as duas voltaram a andar.
— Ah, querida, ele é bonitinho… E eu vi o jeito que ele te olhou. – agora a garota parecia mais incrédula ainda.
— Por favor, ele é mimadinho demais. – ela corou, mas não deixou que a mãe visse. A morena riu mais uma vez e deu o assunto por encerrado.
***
Depois de muito andarem, finalmente os habitantes chegaram em frente ao castelo da rainha, que permanecia intacto, graças a magia das fadas. Não dariam todos, mas a grande maioria teria um lugar para ficar até que tudo voltasse ao normal. O resto poderia acampar com os Homens Alegres.
Entrando no palácio, Regina deu um longo suspiro e abraçou Robin.
— Finalmente em casa. – sussurrou contra o pescoço dele.
— Isso é tão legal! – Henry exclamou, olhando ao redor.
A rainha sorriu com as palavras do filho.
— Ei, garoto! – Emma o chamou, ela estava ao lado de Gancho, no pé da escada. – Seus avós estão lá em cima, vamos!
O menino olhou para a outra mãe, que assentiu e o deixou subir.
Elisabeth estava quieta, ajeitava a mochila no ombro e olhava os quadros pendurados na parede. Ela parecia triste e distante. Robin notou isso e cutucou Regina, apontando discretamente para a filha.
— Lizzie? – ele a chamou e a menina o olhou, levantando as sobrancelhas. – Vamos lá para cima, tem algo que queremos te mostrar.
Ela assentiu e seguiu os pais pela grande escadaria, até chegarem no terceiro andar e pararem na penúltima porta.
— Pode abrir, querida. – A rainha incentivou, balançando a cabeça para a entrada do quarto.
A garota olhou para eles e depois para a grande porta de madeira, e levando a mão direita a uma das maçanetas, girou-a e empurrou-a com delicadeza. Feixes de luz foram clareando o aposento e revelando o que havia nele.
As paredes em tons de rosa bebê e o teto decorado com passarinhos coloridos e árvores foram as primeiras coisas a serem vistas. Uma estante com vários bichinhos de pelúcia estava estrategicamente posicionada perto da entrada, havia um berço redondo no meio do quarto, todo de madeira, branco e com vários detalhes e desenhos em ouro. Em cima dele, havia um mosqueteiro que arrastava no chão e um móbile cheio de passarinhos, como os do teto.
A mais nova já estava com os olhos marejados quando se virou para os pais e perguntou:
— Esse era o meu quarto?
— Sim. – Regina respondeu secando uma lágrima.
Elisabeth voltou a olhar o quarto e se aproximou do berço, pegando um ursinho de pelúcia que estava caído no travesseiro.
— Eu me lembro dele. – revelou sorrindo e colocando o bichinho de volta em seu lugar. Secou algumas lágrimas que escorriam pelas bochechas e respirou fundo. – Eu pensei que nunca teria isso. Pensei que ficaria para sempre naquele orfanato. Nunca me imaginei numa família, num lugar que eu pudesse chamar de lar… – Lizzie voltou a olhar para os pais, os três choravam. – Olhando tudo isso agora, eu… – a garota não conseguiu terminar de falar e soltou um soluço, seguido de mais lágrimas. – Mãe, Pai…
Regina e Robin pareciam ter ouvido seu bebê dizer as primeiras palavras. Tamanha era a emoção. A mais nova correu e se jogou nos braços dos pais, chorando compulsivamente.
O rei afagava os cabelos da filha, tentando não chorar, enquanto a rainha a abraçava fortemente e chorava rios de lágrimas.
— Eu acabei esquecendo de uma coisa. – ela disse, se desvencilhando dos braços dos dois e tirando a mochila do ombro. Abriu o bolso da frente e retirou de lá sua pulseira, estendendo na direção da mãe. – Gostaria de fazer as honras?
Regina sorriu e pegou a pulseira da mão da filha, colocando em seu pulso esquerdo. Os três se abraçaram novamente e Lizzie soltou um suspiro feliz, pensando em como era sortuda por ter tudo aquilo. A menina levantou o olhar, encarou uma pintura na parede e sorriu ainda mais.
A família estava reunida novamente.
***
O dia seguinte começou agitado. Com todos no palácio correndo de um lado para o outro, tentando arrumar tudo o mais rápido possível. Organizar um baile em apenas um dia não era uma tarefa fácil, mas não tiveram grandes problemas até o momento.
Regina andava pelos corredores sempre acompanhada de criadas, conversando sobre quem compareceria ou não. Robin estava no escritório junto a David, os dois resolviam como reconstruir todo um reino. Henry tinha finalmente arrumado uma roupa de príncipe e ajudava uma das criadas a cuidar do tio. Branca de Neve estava no quarto com Elisabeth, acompanhada por Emma, tentando convencer a menina a usar algum dos vestidos de princesa.
— Eu vou ficar parecendo um bolo! Negativo! – a mesma reclamou quando viu um vestido rosa cheio de babados.
— Lizzie, você é uma princesa… – a mais velha tentava falar, mas sempre era cortada pela mais nova.
— Isso mesmo, uma princesa, não um cupcake. – revirou os olhos. – Não vou usar isso!
— Tudo bem, que tal esse? – Emma retirou do armário um vestido roxo escuro, liso, com um grande laço branco na cintura e mangas bufantes.
— Quer me embrulhar pra presente? Olha o tamanho desse laço! – gemeu enquanto sentava na grande cama dossel. – Não tem nada que eu goste aqui.
— Se Regina tivesse adiado o baile, poderíamos pedir para a costureira real fazer um do seu jeito. Como isso não aconteceu, vamos usar o que temos aqui. – Branca verbalizou, olhando novamente para o armário, procurando algo que servisse.
Elisabeth levantou da cama e parou ao lado da morena, mexeu umas peças para os lados e parou, observando a última roupa pendurada, e sorriu.
— É esse! – exclamou tirando o vestido do cabide, pronta para usá-lo.
*** (Demi Lovato – I hate you, don’t leave me)
O salão principal estava cheio. Pessoas de várias partes vieram comemorar o aniversário da princesa, desde Nobres a Plebeus.
O local estava decorado com flores e tecidos cor-de-rosa. Do jeito que a Rainha havia imaginado.
Elisabeth ainda não tinha descido, teriam de anunciá-la primeiro. Estavam prestes a fazer isso quando mais alguns convidados chegaram, capturando completamente a atenção dos reis.
— Miranda! – Regina exclamou sorrindo e indo abraçar a velha amiga. – Que bom que vieram.
— Sofia chegou falando sobre tudo e quase nos puxou portões afora! – a rainha comentou olhando para a filha, que corou.
Os sete se cumprimentaram devidamente e logo depois Regina e Robin foram em direção as escadas, esperando anunciarem a filha, o que não demorou muito a acontecer.
O recinto ficou em silêncio quando a princesa apareceu, deslumbrante em um simples vestido curto. Sua parte superior era toda rendada e escura, com decote coração e mangas tipo Puff. A cintura marcada por um pequeno laço preto e a saia de tulle cor creme ia até o meio das coxas. Levava um scarpin preto de camurça e tiras nos pés, seus cabelos presos em um coque alto e uma coroa na cabeça.
Descendo os últimos degraus ela encarou a mãe, que estava quase chorando, e sorriu, no mesmo instante uma música suave começou a tocar. Estava na hora da valsa.
Robin se dirigiu de encontro a ela, mas sua esposa o parou quando viu quem tiraria a filha para dançar. O arqueiro tentou protestar, mas foi em vão. Regina queria ver até onde aquilo chegaria.
— A princesa me daria a honra dessa dança? – a pessoa perguntou, fazendo Lizzie se virar assustada e encarar James, com seus olhos cor de mel, um sorriso lindo no rosto e uma mão erguida.
— Não tem medo que eu pise nos seus pés? Quer dizer, não vai ser acidente se acontecer. – ela disse, aceitando dançar com o menino, sendo guiada até o meio do salão.
— Eu quase te atropelei, não vou reclamar. – revelou sorrindo, enquanto levava sua mão direita a cintura da menina, a mesma levou a mão esquerda ao ombro do rapaz, enquanto sua outra estava no ar com a dele.
— Você é tão idiota… – Elisabeth soltou uma risada e revirou os olhos.
— É apenas uma das minhas muitas qualidades. – deu uma piscadela e continuou sorrindo, enquanto rodopiava com a garota pelo lugar.
Ela não sabia onde estava com a cabeça quando aceitou dançar com o loiro a sua frente. Ele quase a atropelou com um cavalo! Tudo bem que foi um acidente, mas… Quem ela queria enganar? O achava lindo e queria tirar uma casquinha desse príncipe.
Alguns casais se juntaram aos dois na dança, incluindo os pais da princesa, que não paravam de sorrir um minuto se quer.
Branca de Neve e Encantado estavam mais afastados, admirados com Neal, que dava os primeiros passos na direção do pai.
Robin girou Regina, que deu uma gargalhada e o beijou quando voltou para sua posição inicial. Os dois foram interrompidos por Rumple, que fez um barulho com a garganta.
— Posso roubar a rainha por um minuto? – perguntou para o ladrão, que olhou para a ex-prefeita e ganhou um sorriso fraco como resposta, assim, deixou os dois sozinhos.
A besta esticou a mão para a morena e os dois começaram a dançar.
— Eu acho que devo um pedido de desculpas. – ele começou, meio inseguro. A mulher nada disse, apenas olhava por cima do ombro do pai, como se não estivesse prestando tenção. – Por não ter te contado desde o início e, por fazer tanta coisa ruim. Eu fui um covarde.
— Finalmente algo que nós dois concordamos. – ralhou e o homem bufou.
— Regina, por favor, tente ser menos como a sua mãe… – verbalizou, fazendo a mulher o olhar nos olhos. – O que eu quero dizer é que entendo se você ainda não me quiser por perto, mas deixo claro: eu não vou parar de tentar. – Rumple deu um beijo na testa da filha e saiu, sumindo entre as pessoas que ali dançavam alegres, deixando a morena olhando para o nada e pensando em tudo.
Elisabeth e James continuavam dançando sincronizados, já era a segunda música e eles não se desgrudavam, mesmo trocando poucas palavras um com o outro, só a companhia era especial.
Em um movimento rápido, a princesa foi empurrada por um convidado na direção do príncipe, chocando-se contra o peito do mesmo. Ela estava com as mãos espalmadas na roupa dele, e ele segurava-a com força na cintura, impedindo-a de se movimentar.
Os dois intercalavam olhares entre seus olhos e lábios entreabertos, com as respirações descompassadas, se chocando.
James desceu o rosto, se aproximando, sem desfazer o contato visual intenso.
Lizzie já podia sentir seu coração bater mais rápido, e os pensamentos se chocarem uns nos outros em seu cérebro. Ele queria beijá-la. E ela aceitaria de bom grado.
Quando seus lábios estavam prestes e se encostarem, a música parou e um agudo tilintar chamou a atenção de todos.
Os jovens se separaram rapidamente, mantendo uma distância segura entre seus corpos. Logo, uma voz rouca preencheu o ambiente.
— Sabemos que o baile é para comemorar a volta da Princesa Elisabeth… – Killian começou, apontando para a menina. – Mas eu acho que ela não se importaria de dividir essa data comigo. Se tudo ocorrer como planejado, eu também terei um motivo para comemorar. – ele disse isso e sorriu, buscando Emma com o olhar até encontrá-la. Quando o fez, levou a loira até onde estava de início e estendeu sua mão direita, fazendo-a apoiá-la em seu gancho.
O moreno levou a mão boa até o bolso do casaco e retirou de lá um lindo anel prata, que em cima brilhava um lindo rubi.
— Emma Swan, aceita se casar comigo? – perguntou de supetão. A mulher o encarava com os olhos arregalados e Branca de Neve quase teve um infarto. Sem nenhuma resposta, o pirata sorriu sem graça e abaixou a cabeça, fazendo a menção de guardar o anel novamente no bolso.
— Espera! – Emma exclamou, fazendo-o parar o movimento. – Eu… Eu… Eu aceito me casar com você.
Eles sorriram e o homem de uma mão só levou o anel ao dedo da mão direita da mulher, dando-lhe um terno beijo em seguida.
Os convidados aplaudiram, e alguns até se emocionaram, como a mãe da princesa, que não parava de chorar ao lado de Regina e Miranda.
— Oh, Branca, por favor, não é para tanto. – a rainha brincou, segurando os braços da enteada.
Encantado se aproximou do mais novo casal com sua face nada amigável e começou um longo discurso que ninguém queria ouvir.
Não muito distante de onde o showzinho acontecia, Elisabeth se despertou dos seus pensamentos e procurou por James, mas o garoto já estava bem longe dali. Ela suspirou frustrada, mas então sentiu uma mão em seu ombro e uma voz questionar:
— Será que agora eu consigo dançar com a minha filha?
A menina se virou e sorriu ao encarar o pai com uma mão estendida. Ela assentiu e deixou ser guiada por ele, sem nem pensar em esconder o sentimento de felicidade.
Floresta Encantada. Seis anos mais tarde.
Elisabeth corria o mais rápido que podia, com seus longos cabelos castanhos balançando com o vento e seu olhar brilhando a luz da lua. Ela estava no meio da floresta com apenas um propósito e tinha que cumpri-lo.
Parou bruscamente quando observou o que estava mais a sua frente, uma grande estátua de anjo chorando, e, embaixo dela, uma sepultura com uma folha de papel branca posicionada perfeitamente. Pegou o papel e leu o que estava escrito:
“Não pisque.”
Lizzie olhou novamente para o anjo petrificado e voltou seu olhar para a superfície de mármore perto de seus pés, onde havia algo talhado:
“Princesa Elisabeth Elouise Locksley.”
Aquele era o seu túmulo.
Abafando um grito com as mãos, ela começou a andar, ainda de costas, sem deixar de fitar o anjo lamentador* que lhe dava medo. Seus olhos lacrimejavam, mas ela não piscaria.
Ela fora instruída sobre o que enfrentaria, mas ver aquelas coisas de perto, jogava todas as preparações por água a baixo.
Esses anjos congelam quando são vistos; mas pisque os olhos, e eles estarão sobre você. E apenas um breve toque de sua mão de pedra, sua vítima terá um triste fim.
Soltando um suspiro, ela se preparou e sussurrou:
— Faltam mais seis páginas, Lizzie. Você consegue.
Não conseguindo mais segurar, ela piscou e o anjo mudou de lugar, fazendo a menina se assustar e correr para longe, desnorteada. O vestido leve que vestia, lhe ajudava quanto a isso.
Ela corria tão rápido que nem se lembrou de procurar o resto das folhas, queria apenas fugir daquela coisa bizarra.
Olhou para trás uma última vez, a estátua havia sumido, o que a fez respirar tranquilamente e soltar um sorriso. Mas, assim que voltou para frente, lá estava um outro anjo, com a boca aberta, mostrando os dentes, e garras para fora. A princesa soltou um grito agudo e caiu no chão tampando a cabeça e fechando os olhos. Apenas esperando que o monstro fizesse seu trabalho.
Ela chorava e gritava a plenos pulmões: – Eu quero voltar!
No mesmo instante, ela sentiu mãos fortes a segurar pelos ombros e a levantarem do chão.
— Elisabeth! – era a voz de Robin. – Abra os olhos.
A garota fez o que ele pediu, abriu os olhos devagar e o cenário escuro foi substituído pelo jardim do castelo, e a lua deu lugar ao sol da tarde.
— Não! Eu perdi! – exclamou a menina, dando um soco na grama. – Esse foi o pior exercício para controlar minha magia que vocês me deram! No que levar sustos me ajudaria?
— Não era sobre levar sustos. – respondeu sorrindo. – Era apenas para que você conseguisse controlar suas emoções, e quando consegue controlar suas emoções, controla sua magia.
O arqueiro se levantou e ajudou a filha a fazer o mesmo.
— Nunca mais vou dormir a noite. – resmungou, batendo a mão na saia do vestido.
Ele deu uma gargalhada, e os dois ouviram uma voz fina chamar de longe e um garotinho de cabelos castanhos, olhos azuis e lindas covinhas vir correndo até eles.
— Papai! – Robin só teve tempo de abrir os braços e aguentar o peso do menino sobre eles.
— Wow, Nicholas, devagar. – Lizzie pediu sorrindo, ao observar o irmão gargalhar.
Em seis anos, muita coisa havia mudado. Elisabeth agora tinha vinte e dois anos, estava cada vez mais parecida com a mãe e dava indícios de que seria uma ótima governante. Pouco tempo depois de voltarem, a menina ganhou um irmão, que agora tinha a idade de cinco anos.
Emma e Killian casaram-se e tiveram cinco filhos, e a loira estava esperando mais um.
Chrissy tinha seis anos, era mais velha que Nick, Killian Júnior tinha a mesma idade do menino, e os dois eram bem amigos. Liam e Kurt, gêmeos, tinham três, e a pequena Macy tinha dois.
— Mamãe mandou avisar que a tia Emma está em trabalho de pato. – o menino disse o que tinha gravado e fez uma careta.
Robin tentou entender as palavras do filho, e quando conseguiu, se espantou. A mais velha deu um grande sorriso e sugeriu que entrassem, para cuidar das crianças ou ajudar no que fosse preciso.
Ao entrarem, foram direto para o segundo andar e se depararam com uma Regina totalmente nervosa, tentando controlar todas aquelas crianças junto a Branca.
— Ainda bem que vocês chegaram! – a rainha agradeceu, enquanto carregava Macy em um braço e segurava a mão de Kurt com o outro, que chorava por alguma coisa. – Tome conta da Chrissy e de Neal, Lizzie, eles não param quietos!
A princesa assentiu e se dirigiu a menina de cabelos loiros e olhos azuis, pegando-a no colo e indo até Neal, que brincava com Júnior num canto.
Robin se aproximou da esposa e lhe deu um selinho, sorrindo em seguida.
Branca de Neve segurava Liam e andava de um lado para o outro quando Henry chegou de mãos dadas com Grace e pegou o irmão, deixando a avó surtar sozinha.
Dois minutos se passaram e Killian saiu do quarto, acompanhado de Emma, que continuava grávida.
— Alarme falso. – a loira falou com uma mão no enorme abdômen. – Alguém aqui desistiu de nascer hoje.
A morena de olhos verdes respirou com mais calma e ajudou o genro a levar a filha pro quarto, no mesmo instante em que os outros voltavam a seus afazeres.
***
Elisabeth estava nervosa, andava de um lado para o outro no salão principal e roía as unhas. Ela não sabia como seus pais reagiriam ao o que ela e James estavam planejando. Ao pensar no rapaz, sorriu sem perceber.
Alguns segundos depois, a grande porta foi aberta e uma morena de vestido amarelo bebê entrou correndo e chamando pela amiga.
— Sofia! – Lizzie riu e abraçou a garota. – Onde estão Amber e James?
— Estamos aqui. – a loira respondeu pela irmã, entrando no local e também abraçando a morena. – Meus parabéns.
— Obrigada! – agradeceu nervosa e só então notou o garoto parado mais atrás, observando-a. Ela se aproximou e o abraçou apertado, dando as mãos e cruzando os dedos quando se desvencilharam.
— Eu estou a mil. – James confessou sorrindo para Elisabeth. – Seus pais vão demorar?
Antes que ela pudesse responder, Robin e Regina entraram no local, fazendo os jovens soltarem as mãos entrelaçadas e se aproximarem.
— Mãe, pai… – ela começou. – James tem algo para falar com vocês.
A rainha levantou o rosto e sorriu para o menino.
— Como vai, querido? – perguntou, segurando o braço do rei.
— Muito bem, alteza. – ele também sorriu. – Eu conversei com os meus pais e eles me disseram para falar com vocês antes de tomar qualquer atitude.
— Que atitude, rapaz? – Robin questionou, cerrando os olhos.
O mais novo engoliu a seco.
— Eu gostaria de pedir a mão de sua filha em casamento.
Silêncio.
Ninguém disse nada por um minuto, porém, mais pareceu uma eternidade. Só se escutava os corações de Lizzie e James baterem tão rápido quanto uma locomotiva.
O ladrão pigarreou e começou a falar.
— Bom, eu já imaginava que esse dia chegaria, não podemos prender os filhos para sempre. – riu baixo. – Se conhecem há anos, e você, rapaz, vem de uma família boa e humilde… Acho que não tenho como protestar.
— Também podemos perceber que você a faz feliz, James. – Regina disse calmamente. – E é isso que queremos para a nossa garotinha.
— O que querem dizer? – Elisabeth perguntou exasperada.
— Que vocês têm a nossa benção. – a mulher respondeu e riu ao ver as faces do mais novo casal.
Sofia soltou um gritinho animado e todos gargalharam ao ouvirem ela dizer:
— Eu vou ser a madrinha!
James virou-se para a noiva, retirou uma caixa azul-marinho de veludo do bolso e abriu, revelando um anel de ouro, delicado, com um pequeno diamante em cima.
Ela esticou a mão direita e sorriu emocionada quando o anel passou pelo seu dedo.
O loiro segurou o rosto da menina com a mão livre e se curvou, para lhe dar um beijo, mas antes que pudesse completar o ato, Branca de Neve, Encantado, Killian e Emma, chegaram na sala berrando e correndo desesperados.
— Tem alguém no palácio! – não se pôde distinguir quem disse a frase.
Emma era amparada pelo marido, estava suando frio devido ao esforço e quase chorava.
— Não deveria ter corrido. – Regina observou, colocando a mão no ventre da loira. – Ela precisa se sentar, agora.
Gancho a levou até o trono e ficou ao seu lado, segurando suas mãos e abanando-a.
— E agora, o que faremos? – o príncipe perguntou, abraçado a sua futura esposa.
— Esperamos. – Robin respondeu. – Quem quer que seja, passará por nós.
E não demorou muito para isso se realizar. Uma mulher ruiva, de pele verde e vestes pretas entrou voando em uma vassoura pela janela.
— Desculpem o atraso. – zombou enquanto descia do objeto. – Perdi a festinha?
— Quem diabos é você? – a voz da rainha soou alto quando ela tomou a frente de todos.
— Ignorância de sua parte não me conhecer, Regina. – a outra ficou espantada pela mulher saber seu nome. – Me chamo Zelena, a Bruxa Má do Oeste. – soltou uma risadinha. – Cora me deu a chance de ter esse título.
— Como sabe da minha mãe? – a ex-prefeita agora estava assustada, e os outros permaneciam calados.
— Da mesma maneira que você… A Cora também é a minha mãe. – comentou se aproximando. – Eu sou sua irmã.
Regina arregalou os olhos e piscou, soltando uma gargalhada.
— Impossível, você é… Verde.
— E você é rude. – rebateu. – Sou sua meia irmã, na verdade. Mas detalhes não importam… Cora me teve primeiro, e me deixou na floresta, mas, por algum motivo, ela preferiu ficar com você.
A rainha franziu o cenho.
— O quer aqui? – indagou, cruzando os braços.
— Tomar o que é meu por direito! – exclamou sorrindo e deu meia volta, se aproximando de Emma. Killian ameaçou se aproximar, mas ela o parou com magia, fazendo o mesmo com os outros. Colocou a mão por cima da barriga da mulher e disse: – Não se preocupe, ela está bem. Continue se alimentando bem, sua filha me será útil. – voltou para sua posição inicial e ameaçou a todos ali presentes, com as seguintes palavras: – Se vocês achavam que viveram um inferno com Úrsula estão enganados. Quando eu conseguir o que quero, ninguém daqui sairá vivo!
Zelena montou na sua vassoura, desfez a magia e antes de sair gritou: – Se quiserem se salvar, melhor protegerem a Salvadora. Mas, aviso: não vai ser fácil.
A Bruxa saiu pelo mesmo lugar que entrou e quando tudo ficou em silêncio, Emma começou a chorar e colocar a mão na barriga, em forma de proteção.
Os presentes começaram a se abraçar e a pensar em alguma forma de derrotar sua nova ameaça, mas sempre da mesma maneira que resolvem tudo.
Juntos.
*---*
“Eu sempre imaginei como seria estar na frente de vocês. Vendo seus rostos sorrindo, felizes pela minha conquista, mas, estar presenciando isso é muito melhor do que imaginar. Só tenho a agradecer a minha família, meus amigos, e todos aqueles que me disseram que realizar esse sonho seria possível. Era Uma Vez – Despertar, ficará para sempre em meu coração e em minha memória… E espero que fique na de vocês também.”
Elisabeth sorriu e secou uma lágrima quando ouviu os aplausos. A menina não pensava que tantas pessoas viessem a festa de lançamento do seu livro.
Desceu do palco improvisado e foi na direção de sua mãe, que tinha os braços abertos e os olhos marejados.
— A minha menina cresceu. – Regina fungou, fazendo os familiares rirem. – Escritora. Céus!
— Pois é, mãe. – Lizzie riu e abraçou o pai.
— Sabe que me deve 20% do lucro nos livros vendidos. Minha imagem está nele. – Killian falou rindo, com Emma e as crianças a seu encalço e deu um abraço na sobrinha. – Parabéns, querida.
— Obrigada! – agradeceu verdadeiramente e foi abraçar a tia, que já havia tido o bebê, devido ao tempo que o livro levou para ser publicado.
Krista nasceu forte, saudável e igual a mãe na aparência.
— Eu também queria um abraço, mas acho que a minha afilhada vai me ignorar só porque eu sou a Bruxa Má do Oeste. – Zelena resmungou ao lado da irmã, que lhe deu uma cotovelada, fazendo a mais nova rir, porém, não deixou de abraçar a madrinha.
— Será que eu posso pegar um autógrafo da famosa Elisabeth Mills Locksley, ou terei de esperar na fila? – a garota se virou para ver quem era o dono da voz.
— Amor, você veio! – e correu na direção de James, que abraçou a noiva com força.
— Não ia perder por nada. – sorriu.
Lizzie abraçou Sofia e Amber que também vieram, além de seus outros tios, Mary Margaret e David, que chegaram atrasados devido ao trânsito com Henry e a namorada. Ficaram conversando até uma moça de cabelos ruivos chamar a escritora para a sessão de autógrafos.
— Vocês podem ir na frente? Não se preocupem, em alguns minutos eu apareço por lá. – ela sugeriu a família, que assentiu de bom grado, indo para a sala ao lado.
Apenas o garoto permaneceu com ela.
— Finalmente um tempinho a sós. – ele observou e ela riu, abraçando o pescoço dele.
— Minha família consegue ser bem inconveniente quando quer. – deu de ombros.
— Eles conseguem ser inconvenientes até quando não querem. – gargalharam e James recebeu um tapa no peito.
— Eu preciso ir. – ela desfez o abraço e foi andando.
— Lizzie. – o loiro a chamou e quando ela se virou, ele a puxou pela cintura e colou seus lábios em um beijo calmo. Pararam para respirar e a morena sorriu. – Boa sorte. – desejou e ela assentiu agradecendo, dando um selinho no noivo antes de sair caminhando.
Elisabeth respirou fundo e sorriu ainda mais. Aquela era a vida que ela sempre quis e não trocaria por nada nesse mundo.
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