Heróis do Amanhã
2 Prólogo - Aquele que herdou o nome das Estrelas
Notas iniciais
Faltzer Hoshikawa é um rapaz de 15 anos. Alto (1,93m), moreno cor-de-bronze, de musculatura definida e ombros um pouco mais largos que a média. Seu cabelo é de um preto intenso e relativamente grande, liso em cima e levemente espetado dos lados e atrás. Seu rosto é de linhas suaves, mas com uma cicatriz em forma de X marcante na bochecha direita. Seus olhos são grandes, com íris extremamente negras, de tal forma que é impossível achar as pupilas, e que cobrem a maior parte dos olhos. Também possuem um brilho discreto, mas marcante. Faltzer pesa 80,3 kg, seu Signo é de Capricórnio, e seu aniversário é 26/12.
Filho de Yuichiro Hoshikawa e Haruka Hoshikawa, dois magos que controlam o elemento da mente e das estrelas, ele é um jovem membro do famoso clã Hoshikawa que, desde os primórdios da criação, foi responsável por dominar a força e magia da mente e das estrelas, e repassar parte do conhecimento sobre esse domínio ao resto do mundo.
FALTZER
Faltzer está no escuro, até que escuta uma voz fina e suave:
– Ei, Falt. Falt, você está me escutando? Falt! Faltzer Hoshikawa, acorde AGORA!
O rapaz abre os olhos, e assim que a luz atinge suas retinas, ele vê olhos azul-ciano, grandes e belos. Um rosto de linhas delicadas, suaves e femininas, de pele branca e cabelos pretos como a própria escuridão. É Marianne Bluesky em cima dele, puxando e sacudindo Faltzer pelas golas de sua jaqueta azul-marinho.
– Ei, calma aí Marin, já acordei, tá bom?
A garota larga as golas de Faltzer e sai de cima dele. O rapaz senta-se em sua cama. Está de pijamas por debaixo da jaqueta e da coberta. Ele adorava aquela jaqueta e tinha várias iguais. Dormia todos os dias vestindo uma daquelas. O que a tornava tão especial era o fato de que ostentava, encrustado em prata, nas golas, nas laterais dos braços e nas costas, o símbolo de seu amado clã: sete estrelas, as Pléiades. No dia anterior, ele havia colocado todas as jaquetas, exceto aquela, em sua mala.
Ele esfrega aos mãos nos olhos e olha em volta. Seu quarto era simples, mas interessante. As paredes eram azul-marinho, e na parede na qual sua cama se encostava, estava pintado de forma profissional um desenho da constelação de Capricórnio, seu Signo, e o Capricórnio em si. O piso era de madeira, assim como a mobília: uma bancada que ia de um lado ao outro de seu quarto, medindo algo como cinco metros, que fazia as vezes de mesa de trabalho, armário, escritório, estante, suporte para TV e videogame, entre outras funções. Havia espaço para umas três cadeiras, mas apenas uma confortável cadeira de executivo ocupava o espaço. Três estantes cheias de livros, caixas de jogos de videogame, brinquedos antigos e coleções de miniaturas de carros, uma aproximadamente 30 centímetros sobre a outra, ficavam uns 40 centímetros acima da bancada. Um grande pufe preto ficava próximo à extremidade oposta de sua cama, de frente para a televisão que ficava em sua bancada junto a um Playstation 3. Havia um criado-mudo ao lado da cama e outro perto do pufe. Também havia, além da porta de madeira que conduzia ao resto da casa, uma porta de vidro do lado oposto do cômodo, que levava a uma sacada, da qual se podia ver a floresta que cercava a aldeia dos clãs Hoshikawa e Bluesky.
Marianne, ou Marin, como ele a chamava, estava sentada na cadeira da bancada, virada em direção a ele. Agora que ela não estava em cima dele, Faltzer podia ver melhor como ela estava muito bonita naquele dia. Bonita ela sempre fora, aliás. Mas de alguma forma conseguia ficar ainda mais bonita. Ela não gostava muito de expor seu corpo, e por isso normalmente usava vestidos largos e longos, geralmente brancos. Mas naquele ela vestia uma camiseta azul da cor do céu, de mangas curtas, mais justa e que deixava mais evidente seu busto médio, e suas formas curvilíneas e femininas. Também estava usando calças jeans cinza metálico, na medida exata, e botas pretas, que não escondiam o quadril largo e as pernas bem formadas, além de conferir um estilo mais ousado à garota de 15 anos.
Marianne olha Faltzer nos olhos, e vê neles um brilho diferente, caloroso e desconhecido, do qual decide que gosta.
– Bom, eu vou me vestir, se você não se importa de me dar uns minutinhos sozinho.
Ela então fita o rapaz novamente. Seu cabelo estava bagunçado de forma que os agrupamentos de fios pareciam lutar uns com os outros, mas não deixava de ter seu charme, escuro e misterioso. A cicatriz em forma de X que havia em sua bochecha direita, conseguida em um dos muitos treinos com espada que o rapaz fazia desde pequeno, combinava com seus olhos negros imprevisíveis para dar-lhe um ar de experiência.
—Sem problemas. Estou esperando no riacho. Tchau, Falt.
A garota levanta-se e sai do quarto, deixando Faltzer sozinho. Assim que a porta se fecha, ele levanta-se energicamente da cama, já dobrando as cobertas. Dentro de dez minutos, ele já se vestiu, guardou as cobertas, arrumou sua cama e esticou sobre ela um lençol branco. Abre a porta do quarto e sai por um corredor com piso de madeira e paredes amarelas. A entrada para seu quarto ficava numa das laterais do corredor. Em uma das extremidades havia uma porta preta com uma escadaria ao lado. Era o quarto de seus pais, e a escadaria levava a um terraço no telhado da casa, caso ele subisse. Se descesse, estaria na sala de estar da casa. Na outra ponta havia uma porta feita de metal, com uma placa que dizia: “Quarto de Subaru”. Subaru Hoshikawa era o seu irmão menor, de cerca de onze anos, que vivia mexendo com toda sorte de tecnologia e criando parafernálias que ás vezes eram de grande utilidade. Próximo à porta de seu quarto, também na lateral do corredor, estava uma outra porta de madeira. Era o banheiro para os dois garotos. Apenas um pequeno cômodo com piso e paredes de azulejos azuis, uma pia com espelho e uma espécie de pequeno armário, uma privada e um boxe de vidro acrílico azulado e de baixa transparência, com um chuveiro.
Faltzer entra no banheiro e lava o rosto na pia. Se olha no espelho enquanto abre uma das gavetas e tira um pente. Mergulha o apetrecho na água antes de passá-lo por seus cabelos negros e penteá-los sem dificuldade. Era um costume que ele tinha, para manter hidratado o cabelo de que ele tinha tanto orgulho. Novamente procura seu reflexo no espelho. Ele veste uma camiseta branca, calças jeans pretas com um cinto de couro preto e discreto, botas altas ao estilo militar, feitas com couro tingido de um azul bem escuro e discreto, quase preto.Pega uma toalha para secar o rosto. Sai do pequeno quarto e volta ao seu quarto. Abre uma das gavetas da bancada, e tira dela algumas coisas. Um relógio de pulso metálico, com ponteiros vermelhos e números brancos que lembravam o velocímetro de um carro esportivo, que ele coloca no braço esquerdo. Um colar com um pingente de ouro que lembrava vagamente uma estrela cadente, que cabia exatamente na palma de sua mão, que ele pendura no pescoço. E um canivete suíço cromado e brilhante, presente de Subaru, que ele guarda no bolso da calça. Pega o celular que estava ao lado do videogame, um Galaxy Y comum, e o guarda em outro bolso da calça.
O rapaz abre uma gaveta larga de sua bancada, e tira de lá uma mala de viagem azul-marinho. Puxa-a pela alça, a levanta e deixa o quarto carregando a mesma.
MARIANNE
A garota está sentada em um banco de madeira, em frente a um riacho. Está olhando a água e sentindo uma brisa esvoaçar-lhe os cabelos. Água e Vento, duas coisas que ela adorava. O seu clã, Bluesky, dominava os dois elementos desde muito tempo atrás. Ela possuía um colar que era o símbolo do clã: Uma gota de água circulada por um redemoinho.
Ela vê um reflexo de algo atrás dela, graças ao riacho. Ao se virar, não é ninguém menos que Faltzer, seu maior amigo de infância. Ele, como sempre, estava muito elegante. Mesmo quando vestia as camisetas de manga longa e calças jeans rasgadas que usava em seus treinos com espada, ele conseguia se manter relativamente bem-arrumado. Mas naquele dia ele estava vestindo roupas que completavam seu estilo. A gola alta de sua jaqueta interceptava e, por fim, engolia o cabelo que lhe descia pela nuca, agora bem penteado e estiloso. Ele sempre se orgulhara muito de ter cabelos assim. Ele também usava, como ela havia notado, um relógio metálico e o colar que ela lhe dera aos cinco anos. Ele raramente usava aquele colar, e o mantinha com muito cuidado.
Segundo o pai de Faltzer, Yuichiro, os dois já brincavam juntos desde que começaram a andar. Faltzer, por incrível que parecesse, era o mais comportado dos dois.
Marianne sempre influenciava o garoto a fazer alguma molecagem, como guerras de estilingue no verão, guerras de neve no inverno, subir em árvores grandes, nadar contra a correnteza de rios. No fim das contas, ele ou se provava mais habilidoso que os outros, ou se dava muito mal. Não eram poucas as vezes em que ele subia em árvores de vinte e tantos metros e quem caía e se esborrachava no chão era ela ou algum garoto que estivesse acompanhando os dois, ou então Faltzer arrastava a ela ou algum outro jovem membro dos dois clãs para a beirada do rio quando não conseguiam vencer a correnteza. Porém, ele frequentemente ficava mortalmente resfriado com as guerras de neve no inverno, ou então levava uma pedrada em uma região sensível nas guerras de estilingue.
Ela sempre estava procurando por alguma coisa proibida ou perigosa para fazer, e ele normalmente estava preocupado em se manter relativamente inteiro com isso. Ela era praticamente um moleque, e ele era, bem, um menino-prodígio. Faltzer já fazia treinos com espadas aos sete anos, e já treinava seus reflexos e sentidos muito antes. Com cinco anos, ele sabia toda a história de seu clã. Desde os sete anos, ele ensinava Subaru, seu irmão mais novo, a mexer com tecnologias de todo tipo.
Os membros mais velhos diziam que ele era tão parecido com um antigo herói do clã, Saito Hoshikawa, que poderia muito bem ser sua reencarnação. Segundo os antigos membros, os dois eram físicamente muito diferentes. Faltzer era moreno de cabelos pretos, e Saito era pálido e de cabelos brancos, o rapaz possuía olhos negros, e o herói os tinha brancos. A cicatriz de Faltzer era de espadas, na bochecha direita. Saito tinha marcas de garras de um monstro que ninguém sabia ao certo o que era, bem abaixo do olho direito. Mas ambos tinham o mesmo comportamento tranquilo, habilidades similares com espadas, e aquele olhar focado de quando tomavam uma decisão. Se fosse pelo ciclo de vida daqueles que controlam a magia, Saito ainda estaria vivo e jovem, assim como esses “mais velhos”, com uns trezentos e poucos anos de vida, e teria conhecido Faltzer. Mas ele desapareceu misteriosamente em uma missão para investigar sobre as muitas famílias recém-surgidas que controlavam a magia da escuridão e do caos.
— Oi, Falt. Já arrumou sua mala para irmos?
—Sim, Marin. Ainda temos um tempinho de folga antes de caminharmos até a rodoviária para pegar o ônibus da Fundação Sekai. Alguma coisa que queira conversar sobre?
A Fundação Sekai era a fachada de uma organização de “magos”, por assim dizer, que controlavam a magia dos elementos e procuravam garantir a todos que tivessem sangue de clã e/ou capacidade de dominar elementos, um lugar para treinar e refinar suas habilidades.
—Sim. Você está ansioso sobre como serão as coisas em Arcadia, treinar nossas habilidades mágicas e dominar nossos elementos?
Era possível saber o primeiro elemento de um “mago” através de sua infância, onde em alguns momentos ele manifestará a capacidade de invocar por alguns momentos seu elemento, mas sem poder controlá-lo, ou então mostrará efeitos passivos do domínio de certo elemento. Aos quinze anos, todos os que assim eram despertavam, sem exceção, a capacidade de invocar e manipular seu primeiro elemento. Com o tempo, eles podiam se identificar e entrar em sincronia com os requisitos de outros elementos, e passar a dominá-los também.
Ela havia descoberto que seu primeiro elemento era Água quando, aos sete anos, ela caiu acidentalmente no rio que havia bem dentro da floresta e Faltzer, que estava por perto, pulou para resgatá-la, temendo que ela se afogasse. Mas quando o rapaz a alcançou, ela estava de pé na correnteza, e a água se desviava de sua trajetória antes de atingí-la, e voltava a seu curso após passar por ela. Porém aquilo só acontecera uma vez.
Já Faltzer claramente dominava o elemento da Mente e das Estrelas. Desde pequeno ele mostrava a calma, o raciocínio rápido, os excelentes reflexos, os sentidos aguçados, a agilidade, o interesse nas estrelas e a capacidade de lê-las o suficiente para saber de coisas triviais, como a tranquilidade dos Capricornianos ou a bipolaridade dos Geminianos, inerente a um usuário do dito elemento.
—Bem, um pouco. Espero que tenham bons espadachins lá, faz muito tempo que ninguém aqui consegue me dar um pouco de trabalho. Seria bom saber controlar o básico do meu elemento, também. Quero me tornar um herói do meu clã. E você, está ansiosa?
—Muito. Quero poder dominar os elementos do meu clã, e trabalhar duro para que haja um amanhã melhor para todos os bons clãs. Será que tem alguma coisa divertida para fazer lá? Duelos ou algo do tipo?
—Marin, você parece um moleque. Está sempre pensando em coisas agressivas e agitadas. Mas até que não seria ruim, sabe? Posso conhecer um bom rival para minha técnica de espada longa.
—Acho que você prefere a presença de sua espada à minha companhia, não é? Você está simplesmente apaixonado por esse negócio de esgrima, Falt. Bom, os quinze anos são bem simbólicos na vida de pessoas como nós, herdeiros da magia, não acha? É nessa idade que despertamos a capacidade de controlá-la, e vamos treinar nossas habilidades em Arcadia, que é encoberta pela Fundação Sekai.
—Não é para tanto, Marin. Está com ciúmes de seu melhor amigo? Bem, esqueça. Realmente os quinze anos são um marco importante na nossa vida. Ainda bem que não temos de ir assim que completamos a idade, e sim esperamos o ano acabar e então no ano seguinte vamos para Arcadia. Seria ruim sair daqui no dia do meu aniversário sem poder me despedir direito de ninguém, e sem companhia.
—Bem, o tempo já está ficando curto. Vamos pegar nossas coisas e ir andando.
— Sim. Provavelmente vamos levar bronca se chegarmos atrasados.
Marianne se levanta e segue Faltzer pelo caminho que havia na floresta, rumo à aldeia dos clãs dos dois. A floresta era um tanto diferente das outras, pois misturava carvalhos e pinheiros, algo que não se via em outras áreas verdes da região. A aldeia era composta por duas colinas e uma depressão. De uma colina ficavam as moradias do clã Bluesky, brancas e no estilo europeu. Da outra ficavam as moradias dos Hoshikawa, que combinavam branco e azul-marinho e seguiam o mesmo estilo. Na depressão do meio haviam muitos estabelecimentos importantes: uma escola para os jovens membros dos dois clãs, um mercado comum, um departamento de polícia composta pelos próprios moradores, na maioria membros dos Hoshikawa, que raramente era requisitado, e uma grande praça onde as pessoas e crianças podiam se juntar para todo tipo de coisas: passear, namorar, festejar, brincar, fazer discursos, descansar debaixo de uma árvore ou subi-la… Enfim, socializar. Também haviam outras construções que faziam várias funções na vila.
Eles se separam no meio da praça, cada um indo para a colina onde está sua casa. Em dez minutos se encontram de volta na praça, cada um levando uma mala de viagem.
—Ainda falta pegarmos nossas armas lá na armaria da aldeia.
—Então vamos, Falt.
A armaria é um pequeno prédio preto, de três andares. Os dois entram e são recebidos por ninguém menos que Subaru, irmão de Faltzer, que estava esperando para se despedir. Também há um homem no balcão, vestido de preto. Era o encarregado pelas armas dos membros dos dois clãs. Subaru cumprimenta os dois. Ele aparenta ter dez ou onze anos, tem cabelos pretos como os do irmão, mas muito mais rebeldes e menos intensos. Suas íris são de um vermelho discreto, quase como vinho. Seu rosto é o de uma criança da idade, mas a expressão é de inteligência. Ele vestia uma jaqueta preta, sem os símbolos do clã; camiseta azul-marinho, calças jeans cor índigo e tênis pretos com detalhes prateados.
–Ei, Faltzer, Marianne! Já iam embora sem falar comigo?
Os dois tiram dos bolsos o que parecem ser chapas de identificação e entregam ao homem de preto.
—Minha espada longa, de folha larga e reta. E meu escudo retangular também. Por favor.
—Por favor, quero meu escudo circular e minha maior faca de caça.
Então se viram para o garoto. O homem de preto entra na porta atrás do balcão e a fecha.
—Então Subaru, o que você vai fazer agora que eu e a Marin estamos indo embora?
—Bem, vou continuar mexendo com tecnologia, e também vou começar a treinar com dupla espada curta. Se bem que eu preferia ter uma espada bem grande e pesada, uma verdadeira espada bastarda.
Faltzer pousa a mão pesadamente na cabeça de Subaru e diz para o garoto:
—Subaru, isso é muito difícil para você. Espadas bastardas são quase tão grandes e pesadas quanto seus usuários, normalmente necessitam do uso de duas mãos e prejudicam a velocidade e agilidade. Se até eu tenho dificuldades em manusear uma dessas em apenas uma mão e lutar eficientemente com ela, imagine você. Espadas curtas nas duas mãos é um estilo mais seguro. Você pode mudar o sentido delas de trás para frente rapidamente, bloquear com elas cruzadas e lutar com agilidade, sem grandes dificuldades. Um dia você poderá usar uma dessas espadas bastardas. Mas ainda vai ter que treinar muito, muito mais.
—Mano, por que você sempre fala como se já tivesse feito tudo na vida?
—Talvez porque essa seja a função dos irmãos mais velhos.
—Ei, Marianne, o Mano também é assim meio respondão com você?
— Se ele faz isso comigo, não perde por esperar… Então não, ele não faz isso comigo. Não é louco.
—Será mesmo, Marin? Duvido.
Ela imediatamente faz como de costume, jogando todo o braço direito para trás para acertá-lo na bochecha. Porém, ele surpreende e dá um passo para a esquerda, desviando do soco e restringindo seu braço com a mão direita, segurando pelo pulso.
– Marin, eu não desvio porque não tenho intenção de ser um cara chato. Mas fazer isso na frente do meu irmão menor? Nem pensar…
Nesse momento o homem de preto volta pela mesma porta com o equipamento. Faltzer pega com ele a espada e o escudo. Tira a arma da bainha. A espada tem algo como 1,2 ou 1,3 m de comprimento, e sua empunhadura e guarda-mão são simples e apresentam apenas o símbolo dos Hoshikawa como enfeite. A folha da lâmina é reta e larga, tem uns 7 ou 8 cm de largura e 1,5cm de espessura. Seu peso é familiar, com um equilíbrio prazeroso, e ele consegue usá-la facilmente com uma só mão. A bainha possui uma alça para ser pendurada nas costas, o que ele faz de imediato. O escudo retangular, que estava na outra mão, ele observa para ver se não foi danificado por manuseio negligente. Mas está impecável, e ele atravessa a alça de couro do escudo com seu braço direito, efetivamente encaixando o escudo a seu braço na altura do ombro, de forma que apenas parte do pulso e a mão não sejam cobertos pela proteção. É retangular e simples, totalmente preto, mas ornamentado com o símbolo do clã Hoshikawa em prata.
—Como sempre, estão em perfeito estado.
Marianne é a próxima a pegar o equipamento. Seu escudo é circular e azul-claro, com aproximadamente um metro e meio de diâmetro. A faca de caça é simples, mas de tamanho surpreendente. Se não fosse pelo formato curvo e distinto da lâmina de trinta e cinco centímetros, seria fácil confundi-la com uma espada curta. Porém, ela não só recebe as duas armas, como também um cinto de couro discreto com quatro pequenas bainhas e um jogo de quatro facas de atirar, cada uma com aproximadamente vinte centímetros. Ela troca algumas palavras com o homem de preto, e então volta para junto dos dois rapazes.
—Ei, desde quando você tem essas pequenas facas, Marin?
Ela pendura o escudo nas costas graças à alça do mesmo, veste o cinto, que combina perfeitamente com sua roupa, monta as facas em suas bainhas e encaixa também a bainha da faca de caça no cinto.
—Eu acabo de pegá-las pela primeira vez, Falt. O homem disse que era um presente do meu irmão, Victor. Está escrito num bilhete aqui: “Sei que você pode usá-las bem. Quando chegar em Arcadia, peça para que te ensinem a técnica de bloqueio com faca dupla. Faça bom proveito! -Victor.”
Victor Bluesky era o irmão mais velho, de vinte anos, de Marianne. Ele inicialmente ensinara Faltzer a usar espadas, mas quando o rapaz tinha dez anos e começava a alcançá-lo na habilidade com espadas, ele completou quinze e foi treinar em Arcadia, dominando o elemento do vento. Ele de vez em quando voltava, mas estava sempre em missões como um dos principais guerreiros da organização que estava por trás da Fundação Sekai. Corriam os boatos de que ele já havia dominado o elemento da água também, completando assim a região de influência de seu clã, Bluesky.
—Ah, entendo, Marin. Será que agora eu já sou páreo para o Victor com uma espada?
—Se brincar, você derrota ele numa luta em que são permitidas apenas espadas, Falt. Mas com os elementos, ele deve ganhar fácil.
—Ei, Mano. Preciso te falar algo sobre aquele canivete que te dei de aniversário. Chega mais para ouvir porque é segredo.
Faltzer faz como o irmão pede.
—Acho que você vai se apaixonar pelo estilete. Isso é uma surpresa, só tente usar quando achar que realmente precisa do que pode encontrar ao fazê-lo.
Depois de ouvir Subaru, o irmão maior volta à posição anterior.
—Certo, Subaru. Vou me lembrar disso. Acho que devemos ir agora. Se cuide, hein?
—Tente sobreviver sem seu irmão maior, pequeno Subaru!
Os dois pegam as malas que deixaram no chão para tratar do equipamento e saem da armaria. Em pouco tempo já estão na maior trilha da floresta, caminhando em sentido à rodoviaria que ficava próxima à floresta.
–Ei, Falt. Estou cansada pra carregar essa mala, pode me fazer o favor?
O rapaz para de caminhar e a fita por alguns segundos. Levanta levemente as sobrancelhas e revira os olhos para mostra que não estava muito feliz com isso.
–Não que isso vá fazer muita diferença para alguém que treinou sua força física por anos. Como quiser, Marin.
Ele pega a mala da mão dela e a levanta também. Qualquer pessoa normal que olhasse ele carregando uma espada grande, um escudo nada pequeno e duas malas de viagem diria que ele está, no mínimo, sobrecarregado. Mas ele nem mesmo mostra uma expressão ou posição diferente em relação a isso. Os dois continuam a caminhar em um silêncio agradável, e o sol já está quase em seu ponto mais alto, acusando onze horas da manhã.
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